11.2 Scleria cyperina Willd. ex. Kunth., Enum. Pl. 2: 345. 1837.

(Fig. 7 F)

Ervas monóicas, perenes, isoladas, 56,7-76,3 cm alt, rizomas moliniformes. Bainhas 7,6-13,2 cm compr., membranáceas a cartáceas, aladas, ao menos na porção distal do escapo, castanhas ou esverdeadas; lígulas ausentes; contralígulas 5,5-9 mm compr., agudas; apêndices membranáceos ausentes; lâminas foliares 13,3-37 x 0,7- 1, 6 cm, lineares, cartáceas, margens escabrosas, ápice inteiro. Escapos 21-44,4 x 0,2-0,9 cm, glabros, ângulos levemente escabrosos. Brácteas involucrais 4-16,3 x 0,2-1,2 cm, foliáceas. Inflorescências paniculiformes. Espiguetas estaminadas 3,6-4,8 x 0,7-1 mm, lanceoloides, pediceladas ou subsésseis, flores 7-8; glumas 2,1-3,8 x 0,5-1,2 mm, subdísticas a espiraladas, lanceoladas, membranáceas, face abaxial glabra a glabrescente, estramíneas ou estramíneas com margens grenás, margens cilioladas ou glabras, ápice mucronulado; estames 3 por flor. Espiguetas pistiladas 4,9-6,9 x 1-1,7 mm, lanceoloides, subsésseis ou sésseis; glumas 3,2-6 x 1,1-2,5 mm, subdísticas, ovais a lineares, membranáceas, face abaxial glabrescente a glabra, estramíneas ou estramíneas com margens grenás, carenas não evidentes, margens glabras, ápice mucronulado. Cúpulas persistentes nas espiguetas, não encobrindo os hipogínios, margem glabra. Hipogínios trilobados, lobos agudos. Núculas 2,8-3,1 x 1,8-2 mm, ovoides, por vezes subtrígonas, superfície crista-reticulada e pubescente, alvas a castanho-acinzentadas, base não porada. Estilopódio ausente.

Ocorre em Honduras, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Venezuela, Colômbia, Peru e Brasil (WCSP 2018). No Brasil ocorre nas regiões Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR, TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI, RN, SE), Centro-oeste (DF, GO, MS, MT) e Sudeste (MG e ES) (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020). Nos campos de natureza de Cametá a espécie ocorre em moitas de vegetação, na beira de estradas, borda de matas e ambientes antropizados, em solo arenoso, por vezes, humoso, sazonalmente alagado.

Scleria cyperina é reconhecida por exibir rizoma moniliforme, bainhas aladas, ao menos na porção distal do escapo, apêndice membranáceo da contralígula ausente, inflorescência com entrenós curtos que porporcionam um aspecto piramidal congesto in situ, núculas ovoides, crista-reticuladas e pubescentes. Apresenta semelhanças com S. violacea Pilg., tais como os rizomas moniliformes, bainhas aladas, brácteas involucrais próximas entre si, inflorescências paniculiformes de paracládios congestos e frutos ovoides, de superfície pubescente. No entanto, a presença de lígula e apêndice membranáceo no ápice da contralígula são os caracteres que distinguem S. violacea de S. cyperina, na qual estes são ausentes.

Material examinado: BRASIL, PARÁ, Cametá, Comunidade Humarizal, 03. VI.2016, C. A. S. Silva & F. F. N. S. Lara 647 (MG, MFS); Curuçambaba, estrada PA-151, 23. I.2017, C. L. Braga-Silva et al. 79 (MG); Curuçambaba, estrada PA-151, 07.VII.2017, C. L. Braga-Silva et al. 164 (MG); Estrada Cametá-Juaba, ca. 9 km de Cametá, 06.VII.2017, A. Gil et al. 760 (MG); Estrada Cametá-Juaba, ca. 14,5 km de Cametá, ca. 750 m da estrada, à esquerda, 06.VII.2017, A. Gil et al. 785 (MG); Estrada do Lixão, Cametá-Vila do Côco, ca. 20 km do Centro Universitário de Cametá, 05.VII.2017, A. J. Fernandes-Júnior et al. 618 (MG); Estrada do Lixão, Cametá-Vila do Côco, ca. 20 km do Centro Universitário de Cametá, 05.VII.2017, A. J. Fernandes-Júnior et al. 631 (MG); Estrada Limoeiro doAjurú-Cametá ca. 15 km de Limoeiro, 04.VII.2017 , C. L. Braga-Silva et al. 147 (MG).