5.3 Eleocharis jelskiana Boeck., Linnaea 38. 376. 1874.

(Fig. 5 C)

Ervas perenes, cespitosas, 5,5-31 cm alt., estoloníferas. Bainhas 1,3-5,5 cm compr., papiráceas, ápice oblíquo, dorsalmente obtuso a agudo, apêndice hialino rugoso ausente. Escapos 4-28,5 x 0,1-0,14 cm, não capilares, circulares em secção transversal, sulcos longitudinais presentes, raro ausentes. Espiguetas 1-2,5 x 0,1-0,2 cm, lanceoloides; espiguetas acaules ausentes; gluma inferior estéril, contínua com o escapo; glumas superiores 2,5- 3,9 x 1-2 mm, ovais a elípticas, subcartilaginosas, lados castanho-claros, carenas esverdeadas, margens hialinas, com faixa castanha submarginal na porção distal, ápice arredondado a obtuso; estames 2 por flor; estiletes bífidos; cerdas perigoniais 5-6, estramíneas a cremes, menores que a núcula ou, por vezes, algumas vestigiais, ocasionalmente, esparsamente escabrosas. Núculas 1,5-1,9 x 0,8-1,1 mm, biconvexas, obovoides a largo-elipsoides, superfície com fileiras longitudinais paralelas de células retangulares, com um colo entre corpo da núcula e o estilopódio, castanho-claras a castanho-escuras; estilopódios curto-triangulares, comprimidos lateralmente, castanhos a negros.

Ocorre na América Central (Trindade) e América do Sul (Brasil, Guiana Francesa, Colômbia, Peru, Suriname, Venezuela, Bolívia) (Svenson 1929; WCSP 2018). Eleocharis jelskiana é registrada pela primeira vez para a região Norte do Brasil (PA), já que conta com registros, até o momento, para as regiões Centro-oeste (MS) e Sul (PR) (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020). Nos campos de natureza de Cametá a espécie é encontrada em brejos temporários na beira de estradas, em solo arenoso-humoso, úmidos e/ou alagados.

Eleocharis jelskiana caracteriza-se pelas bainhas com ápice oblíquo, dorsalmente obtuso a agudo, escapos circulares em secção transversal, espiguetas lanceoloides, glumas superiores subcartilaginosas, com lados castanho-claros, carenas esverdeadas, margens hialinas, e com faixa castanha submarginal na porção distal, e ápice arredondado a obtuso; cerdas perigoniais 5-6, menores que a núcula ou, por vezes, algumas vestigiais. Assemelha-se a Eleocharis plicarhachis (Griseb.) Svenson, pelos escapos circulares em secção transversal, pelas espiguetas lanceoloides, estiletes bífidos, núculas biconvexas de superfície com fileiras longitudinais paralelas de células retangulares, porém diferem-se, principalmente, por E. plicarhachis apresentar gluma inferior fértil (vs. gluma inferior estéril), estames (2-)3 por flor (vs. estames 2, nunca 3 por flor), cerdas perigoniais maiores que a núcula (vs. cerdas perigoniais menores que a núcula ou vestigiais).

Material examinado: BRASIL, PARÁ, Cametá, Estrada Cametá-Juaba, ca. 9 km de Cametá, campo de natureza, margem da estrada, 06.VII.2017, A. Gil et al. 766 (MG); Sede Municipal, campo de natureza ca. 8 km da cidade, Estrada Cametá-Ajurú, 04.VII.2017, C.L. Braga-Silva et al. 124 (MG).