9.1 Lagenocarpus celiae T. Koyama & Maguire, Mem. New York Bot. Gard. 12(3): 46. 1965.

(Fig. 3 B; Fig. 5 J)

Ervas perenes, monoicas ou dioicas, 24,8-36,5 cm alt., rizomatosas. Bainhas 1,5-4 cm compr., cartáceas, glabras, castanho-claras a castanho-escuras, lígulas ausentes; contralígulas ca. 1,6 mm compr., cuneadas, membranáceas, margens ciliadas, por vezes glabras. Lâminas foliares 7,9-30 x 0,3-0,7 cm, lanceoladas, cartáceas, trísticas ou espiraladas, faces glabras, margens e venação central, da face abaxial, distalmente escabrosas; ápice agudo. Escapos 3-26,5 x 0,1- 0,3 mm, triangulares em secção transversal, glabros, ângulos glabros e inermes. Bráctea involucral única por paracládio, 2-9,3 × 0,1-0,4 cm, foliácea. Inflorescências umbeliformes. Paracládios andróginos com ramificações de até 2ª ordem; ramos 0,1-2,2 cm x 0,2-0,5 mm, ascendentes ou flexuosos, glabrescentes a pubérulos, ápice com espiguetas solitárias ou em fascículos de 2-3 espiguetas. Paracládios femininos dividindo-se em ramos de até 2ª ordem; ramos 0,4-1,7(- 3,1) cm x 0,2-0,5 mm, eretos ou ascendentes, pubérulos, ápice com espiguetas solitárias ou em fascículos de 2-3 espiguetas. Espiguetas masculinas 2,7-3,1 x 1,1-1,2 mm, teretes a estreito-elipsoides, flores 6-8; glumas 2-2,5 × 0,4-0,8 mm, espiraladas, aristas 0,2 mm compr., margens glabras ou cilioladas. Espiguetas femininas 2,5-3 x 1,3-2 mm (com fruto), elipsoides a largo-ovoides, flor 1(-2); glumas (1.5-)2,2-2,5 x (1,5-)2-2,5(-3) mm, espiraladas, aristas 0,3-0,6 mm compr., margens ciliadas. Espiguetas andróginas 3-2,9 x 1,2-2 mm, largo-ovoides, flores 9-11; glumas 1,8-2 x 1,2-1,8 mm, aristas 0,1-0,4 mm compr.; estames 1(-2) por flor masculina. Núculas 2-2,7 x 1,2-2 mm, ovoides, oblongo-ovoides ou piriformes, papilas ausentes, lisas a inconspicuamente reticuladas, glabras, castanhas, 3(-5)-costadas na metade proximal, trígonas ou circulares em secção transversal, ápice obtuso, por vezes, curto-apiculado.

Registrada para a Colômbia, Venezuela e Brasil (WCSP 2018). No Brasil ocorre na região Norte (AM, RR). Neste trabalho foi confirmada a ocorrência da espécie para o estado do Pará (Flora do Brasil 2020, em construção, 2019). Nos campos de natureza de Cametá a espécie é encontrada em grandes populações, em solo arenoso, por vezes encharcado.

Lagenocarpus celiae difere-se das demais espécies do gênero registradas na área de estudos pelas inflorescências umbeliformes, com ramos frequentemente de até 2ª ordem, congestos, eretos a flexuosos e núculas ovoides a piriformes, com superfície lisa a inconspicuamente reticulada, com 3-5 costas que se estendem da base até a metade do fruto. As folhas são basais, trísticas a espiraladas, e muitas vezes a contralígula não é observada, pois as bainhas encontramse abertas. As inflorescências com espiguetas pistiladas apresentam ramos de tamanhos semelhantes configurando um formato semicircular.

Material examinado: BRASIL, PARÁ, Cametá, Carapajó, área de campina no distrito de Carapajó, 22. I.2017 , C. L. Braga-Silva et al. 69 (MG); Carapajó, 22. I.2017 , C. L. Braga-Silva et al. 71 (MG); Carapajó, ca. 10 km do porto, 07.VII.2017 , C. L. Braga-Silva et al. 154 (MG); Porto Grande, campina próxima da parte central do distrito de Porto Grande, 21. I.2017 , C. L. Braga-Silva et al. 56 (MG); Porto Grande, campina próxima da parte central do distrito de Porto Grande, 21. I.2017 , C. L. Braga-Silva et al. 62 (MG); Sede Municipal, campo de natureza na beira da estrada Transcametá, 24. I.2017 , C. L. Braga-Silva et al. 82 (MG) .