10.7 Rhynchospora filiformis Vahl, Enum. Pl. 2: 232. 1805.

(Fig. 6 G)

Ervas perenes, cespitosas, 23-60 cm alt., rizomatosas. Bainhas 1-8 cm compr., papiráceas, glabras, ápice truncado; lâminas foliares 4-35 x 0,03-0,08 cm, filiformes, papiráceas a cartáceas, faces abaxial e adaxial glabras, margens inermes a inconspicuamente escabrosas no ápice. Escapos 21-55 x 0,08-0,1 cm, triangulares a subtriangulares em secção transversal, glabros, inermes. Brácteas involucrais 1-3, de tamanhos desiguais, foliáceas, faces abaxial e adaxial glabras, castanho-claras a esverdeadas, margens e nervura central escabrosas, ocasionalmente inermes, ápice agudo. Inflorescências paniculiformes e corimbiformes, terminais e laterais, com raios eretos a patentes. Espiguetas 7-12 x 1-2 mm, elipsoides a lanceoloides; glumas 4-11 x 1,5-2 mm, linear-lanceoladas, membranáceas a subcoriáceas, superfície glabra, castanhas a estramíneas, carenas distalmente proeminentes, margens inermes, ápice longo-mucronado a aristado; estames 3 por flor; estiletes bífidos; cerdas perigoniais ausentes. Núculas 2,2-2,7 x 1,4-1,5 mm, biconvexas, obovoides, superfície levemente reticulada, sem margens aladas, base longo e largo-estipitada, ápice sem colo na junção com o estilopódio, amareladas a castanho-claras, muitas vezes com mácula acinzentada, linear, vertical e central em ambas as faces da núcula; estilopódios estreito-triangulares, margeados pelo ápice do corpo da núcula, negros a castanhos, não confluentes com o corpo da núcula, margens inermes.

Ocorre no México, América Central e América do Sul (WCSP 2018). No Brasil ocorre na região Norte (PA, RO, TO), Nordeste (AL, BA, PB, PE, PI, SE), Centro-Oeste (GO, MT) e Sudeste (MG) (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020). Nos campos de natureza de Cametá a espécie é muito frequente, crescendo em ambientes sazonalmente alagados, preservados e antropizados, em solo arenoso e ao pleno sol.

Rhynchospora filiformis caracteriza-se pelos rizomas curtos, lâminas foliares filiformes, inflorescências paniculiformes e corimbiformes, terminais e laterais, com raios eretos a patentes, espiguetas elipsoides a lanceoloides; glumas linear-lanceoladas, membranáceas a subcoriáceas, de ápice longo-mucronado a aristado, núculas obovoides, de superfície levemente reticulada, base longo e largo-estipitada, amareladas a castanho-claras, muitas vezes com uma mácula acinzentada, linear, vertical e central em ambas as faces e estilopódio estreito-triangular, margeado pelo ápice do corpo da núcula. Assemelha-se a R. spruceana C. B. Clarke, principalmente, pelas inflorescências paniculiformes e corimbiformes, terminais e laterais, com raios eretos a patentes, espiguetas elipsoides a lanceoloides, com glumas castanhas a estramíneas, porém diferenciam-se por R. filiformis ter hábito cespitoso, com rizomas curtos, lâminas foliares filiformes, com 0,3-0,8 mm de largura e núculas de superfície levemente reticulada, base longo e largo-estipitada, muitas vezes com uma mácula acinzentada, linear, vertical e central em ambas as faces e estilopódio estreito-triangular, margeado pelo ápice do corpo da núcula (vs. hábito solitário, com rizomas longos, lâminas foliares lineares com 1,2-3 mm de largura e núculas de superfície transversalmente rugosa e com fileiras longitudinais de células estreito-retangulares, base cuneada, curto e estreito-estipitada, mácula acinzentada ausente e estilopódio curto-triangular a deltoide, confluentes com o corpo da núcula em R. spruceana).

Material examinado: BRASIL, PARÁ, Cametá, 08. VI.2018, C. A. S. Silva 707 (MG); Curuçambaba, estrada PA-151, 07.VII.2017, C. L. Braga-Silva et al. 160 (MG); Estrada Cametá-Juaba, ca. 9 km de Cametá, margem da estrada, 06.VII.2017, A. Gil et al. 762 (MG); Estrada Cametá-Juaba, ca. 14,5 km de Cametá, ca. 750 m da estrada, à esquerda, 06.VII.2017, A. Gil et al. 782 (MG); Estrada do Lixão, Cametá-Vila do Côco, ca. 20 km do Centro Universitário de Cametá, 05.VII.2017, A. J. Fernandes-Júnior et al. 614 (MG); Estrada do Lixão, Cametá-Vila do Côco, ca. 20 km do Centro Universitário de Cametá, 05.VII.2017, A. J. Fernandes-Júnior et al. 624 (MG); Estrada do Lixão, Cametá-Vila do Côco, ca. 20 km do Centro Universitário de Cametá, 05.VII.2017 , A. J. Fernandes-Júnior et al. 628 (MG).