Fidicinoides poulaini Boulard & Martinelli, 1996 .

Cabeça (Figura 2A): ocelos laterais e mediano situados em uma mancha escura, de contorno irregular, não estendendo até a base das antenas e do vértice, distância compreendida entre os ocelos laterais cerca de duas vezes e meia maior que a distância que os separam dos olhos correspondentes, uma mancha estreita e uma mancha escura entre a cabeça e a área interna do pronoto, manchas suboculares não-unidas, rostro longo, com ápice alcançando a metade das coxas posteriores.

Tórax (Figura 2A): pronoto mais longo que a cabeça; lobos supra-humerais pouco desenvolvidos, mesonoto esverdeado, portando quatro manchas (duas manchas externas escuras próximas ao pronoto, área central gradualmente mais clara, escurecendo novamente nos ápices posteriores, duas manchas internas curtas, escuras e em formato de vírgula, uma mancha em forma de losango e duas pequenas manchas circulares, pretas, acima da elevação cruciforme) (Figura 2A).

Abdome (Figura 2B): mais curto que a distância compreendida do vértice aos ápices posteriores da elevação cruciforme, base larga se estreitando em direção ao último segmento abdominal, cimbacaliptos pretos, último urosternito do macho (Figura 2D) cerca de uma vez e meio mais largo que longo, margem anterior com pequena depressão central, margem lateral oblíqua e margem posterior com invaginação acentuada, ápices próximos entre si.

Asa anterior (Figura 2C): hialinas, esfumaçadas de pardo claro na área apical, com célula basal quase totalmente opaca de ocre esverdeado, costa longa e verde, nervuras ocres, tornando-se pardas na área apical, na área apical octoloculada.

Material Examinado: PERU. Loreto. Requema. 16.X.1991. Muséum National d’Histoire Naturelle, MNHN /Paris. (Poulain, S.), 1 parátipo; BRASIL. Pará: Cachimbo . Fundação Oswaldo Cruz. 09.X.1956. (Travassos, Oliveira &Adão), 11; ibidem, 21.IX.1955. (L.Travassos & S. Oliveira), 1; Amazonas: Manaus. MN/RJ. X.1955. (Elias & Roppa), 1.

Comentário:Espécie de porte médio, próxima de Fidicinoides duckensis (Boulard & Martinelli, 1996), diferindo desta por apresentar o último urosternito do macho com uma pequena depressão na sua margem anterior e margem lateral levemente convexa. Trata-se da primeira ocorrência desta espécie no Brasil, nos Estados do Pará e de Manaus, sendo anteriormente relatada no Peru e no Equador (BOULARD & MARTINELLI, 1996).

Em vista do exposto e das características demonstradas neste trabalho, foi possível identificar a primeira ocorrência das espécies F. picea e F. poulaini nos Estados do Pará e de Manaus, respectivamente, contribuindo para o conhecimento e a identificação da fauna de cicadídeos do Brasil.