taxonID	type	description	language	source
545787EBFFC1A46724C3FF8EB812FB36.taxon	discussion	Euphrasia hirtella é uma planta distribuída pela Europa e Oeste da Ásia, finícola nas terras altas do Nordeste transmontano, onde habita lameiros de feno oligotróficos húmidos. É avaliada como Em Perigo por apresentar reduzidas extensão de ocorrência e área de ocupação, por apenas se identificarem quatro localizações e se ter observado um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat disponível. Com base na perda de habitat verificada nas últimas décadas, inferem- se ainda declínios continuados da área de ocupação e do tamanho da população nacional. O abandono da gestão tradicional de lameiros de montanha é, no curto prazo, a ameaça mais significativa para a espécie, assinalando-se também a excessiva pressão do pastoreio nos lameiros durante o período de crescimento da espécie. As causas responsáveis pela perda de habitat adequado no passado recente são muito significativas e tudo indica que irão continuar no futuro próximo. É urgente manter os lameiros que albergam a espécie e restaurar outros, de modo a aumentar a área de habitat disponível, através da concessão de incentivos financeiros ou de programas públicos. Deverá ser efetuada prospeção dirigida em áreas de ocorrência histórica, implementado um programa de monitorização da espécie e, se necessário, proceder ao repovoamento com recurso à reprodução ex situ.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFE7A44126D0FF8EB736FCC7.taxon	discussion	Elymus hispidus subsp. barbulatus é uma gramínea vivaz assinalada uma única vez no século passado em Portugal, no baldio de Samil (concelho de Bragança). Embora não tenha sido reencontrada nas últimas décadas, gerando suspeitas de uma possível extinção regional, a sua persistência atual não pode ser descartada por três razões: i) o habitat potencial (comunidades herbáceas silibasófilas mais ou menos ruderalizadas dominadas por gramíneas vivazes) é localmente abundante; ii) nos vales sobranceiros ao baldio de Samil ocorrem solos que incorporam alteritos provenientes dos afloramentos ultrabásicos que não estão adequadamente prospetados do ponto de vista botânico; iii) as ameaças à conservação do baldio de Samil estão contidas, sobretudo após a sua integração na Rede Natura 2000. É avaliada como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta) porque se assume que tenha uma extensão de ocorrência e área de ocupação mínimas, com uma única localização e porque se infere um declínio populacional continuado. Recomenda-se por isso uma prospeção sistemática da espécie no baldio de Samil e áreas circundantes. A manutenção das boas condições de habitat na sua área histórica de ocorrência deve ser a prioridade para a conservação da planta em Portugal. Nesse sentido, a extração de inertes e a deposição de entulhos devem ser adequadamente fiscalizadas nesta área classificada.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFE4A44223FAFF8EB35DFB5B.taxon	discussion	Antirrhinum rothmaleri é uma planta endémica do Nordeste de Portugal, adaptada a um tipo de habitat muito específico, afloramentos de rochas ultrabásicas. A população é constituída por um número reduzido de núcleos populacionais (seis), os quais se poderão segregar em duas subpopulações, uma na zona de Vinhais e outra na zona de Morais-Sabor. É avaliada como Em Perigo porque se estima que a população seja constituída por menos de 250 indivíduos maduros. A sua distribuição é extremamente restrita e localizada e todos os núcleos conhecidos são de pequena dimensão, o que torna os diferentes núcleos populacionais vulneráveis a fenómenos estocásticos de extinção local. Outras ameaças identificadas incluem expansão de atividades extrativas e obras de ampliação ou beneficiação de locais de culto religioso. Recomenda-se a criação de uma rede de microrreservas botânicas que deverá ser gerida de modo a potenciar o aumento do efetivo populacional e a qualidade do seu habitat. Sugere-se a recolha de sementes para preservação em banco de germoplasma e a propagação para ações de reforço populacional. Deverá ser implementado um programa de monitorização que permita acompanhar a tendência da população.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEAA44C2428FF8EB6C4FBBA.taxon	discussion	Astragalus incanus subsp. nummularioides é uma planta bastante rara, que em Portugal ocorre apenas em afloramentos e malhadas no maciço ultrabásico de Bragança-Vinhais. É avaliada como Em Perigo porque apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação de 20 km 2, são conhecidas apenas duas subpopulações, correspondentes a duas localizações e estima-se que o número de indivíduos maduros em cada uma seja inferior a 250. Infere-se um declínio continuado da área de ocupação, do número de indivíduos maduros e da qualidade e área do habitat. A expansão do perímetro urbano da cidade de Bragança representou uma pressão significativa nas últimas décadas. Devido ao reduzido número de indivíduos em cada subpopulação, assinala-se também o risco de desaparecimento por causa de fenómenos estocásticos. Propõe-se a conservação ex situ de material proveniente das duas subpopulações e que os locais de ocorrência da planta sejam integrados nos instrumentos de gestão territorial vigentes na sua área de distribuição, condicionando fortemente atividades que possam causar a sua destruição. Sugere-se ainda a realização de estudos que permitam melhorar o conhecimento da área de ocorrência e da ecologia da planta, assim como a monitorização periódica dos núcleos conhecidos para avaliar a tendência da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEBA44D26D0FF8EB8ABFDEC.taxon	discussion	Phleum phleoides é uma gramínea distribuída pela Europa, Norte da Ásia e Norte de África, restrita à metade norte da Península Ibérica. Em Portugal está presente apenas em Trás-os-Montes, ocorrendo em orlas sombrias de azinhais, sobre calcários. É avaliada como Em Perigo porque existe uma única subpopulação que conta menos de 250 indivíduos maduros. A ameaça mais significativa é a extinção por fatores estocásticos, pelo que é prioritária a monitorização do núcleo populacional conhecido e a prospeção de novos núcleos em habitat favorável. Recomenda-se a sua conservação ex situ em viveiro para reforço populacional ou para salvaguardar a eventualidade de desaparecimento do único núcleo conhecido em Portugal, o que poderia representar a sua extinção regional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEBA44D26D0FC3FB680FA3D.taxon	discussion	Pritzelago alpina subsp. auerswaldii é uma planta endémica da Península Ibérica, que está presente em Portugal apenas no Nordeste transmontano, onde se conhecem somente dois núcleos populacionais, habitando em afloramentos de rochas básicas com alguma humidade. É avaliada como Em Perigo porque se estima que a população nacional seja inferior a 250 indivíduos maduros. No passado a construção da mini-hídrica de Nunes, no rio Tuela, terá representado uma pressão negativa sobre a população nacional, dado que a planta ocorre apenas em leitos de cheia. Presentemente, a dimensão reduzida dos núcleos populacionais conhecidos torna-os suscetíveis de declínio por ameaças imprevisíveis ou fatores estocásticos. É importante que o Parque Natural de Montesinho inclua esta planta no seu plano de ordenamento, de forma a garantir a sua persistência futura. Recomenda-se a prospeção dirigida em áreas de habitat favorável e a sua monitorização, de forma a poder-se quantificar e avaliar a sua tendência populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFE8A44E23FAFF8EB28FFA95.taxon	discussion	Reseda barrelieri é um endemismo ibérico de distribuição muito restrita em Portugal continental, apenas registado na zona de Vimioso, entre Granja e São Pedro da Silva, habitando em solos calcários revolvidos. É avaliado na categoria Em Perigo porque se estima que a população nacional seja inferior a 250 indivíduos maduros, conhecendo-se atualmente apenas dois núcleos, com cerca de 75 indivíduos no total. As principais ameaças e pressões não estão bem compreendidas. É possível que a regressão da atividade agrícola ocorrida nas últimas décadas tenha afetado a população nacional, mas, tendo em consideração a enorme expansão das culturas perenes em Trás-os-Montes na última década, admite-se que este processo esteja estancado. Contudo, a substituição da mobilização do solo pela aplicação de herbicidas no controlo de infestantes é uma ameaça potencial a ter em consideração. O isolamento geográfico da população nacional e o escasso número de indivíduos que constituem os núcleos apontam para riscos acrescidos de extinção por fenómenos de estocasticidade ambiental. São propostas medidas para a sua conservação, incluindo esforços de repovoamento e fortalecimento populacional em áreas de habitat favorável, o condicionamento no uso de herbicidas e a conservação ex situ do património genético nacional. Sugere-se a monitorização dos núcleos conhecidos e dos que venham a ser criados, a prospeção dirigida e a realização de estudos sobre ameaças e pressões.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFE9A44F26D0FC3FB879FA3D.taxon	discussion	Avenula pratensis subsp. lusitanica é uma planta endémica do Nordeste de Portugal continental com distribuição restrita aos maciços ultramáficos de Bragança-Vinhais e de Morais, habitando nas fendas e acumulações de cascalho em afloramentos de rochas ultramáficas. É avaliada como Vulnerável por ter uma área de ocupação e uma extensão de ocorrência reduzidas, menos de 10 localizações, e por se ter observado um declínio populacional continuado e um declínio continuado da qualidade e área do habitat. Estes declínios são recentes e poderão persistir no futuro. A principal ameaça que pesa sobre a planta é a extração de inertes, que poderá afetar o núcleo populacional mais numeroso, circunscrito ao baldio de Samil. É por isso urgente que esta prática, entretanto proibida, seja devidamente fiscalizada, de forma a conservar o baldio de Samil, um Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 imprescindível para esta e outras espécies endémicas de solos serpentínicos. Recomenda-se ainda a conservação de germoplasma em bancos de sementes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFE9A44F26D0FF8EB6CEFC85.taxon	discussion	Ventenata dubia é uma gramínea, que em Portugal ocorre apenas em Trás-os-Montes, onde esteve cerca de 70 anos sem ser registada. Habita em zonas abertas sobre solos básicos. A população portuguesa parece ser um isolado geográfico à escala da Península Ibérica, justificado pela originalidade da litologia na região de Bragança. É avaliada como Em Perigo face ao reduzido número de indivíduos maduros que se estima para a população nacional. Atualmente, conhecem-se apenas dois núcleos populacionais e estima-se que a população nacional não ultrapasse os 250 indivíduos maduros, já que as contagens efetuadas em dois anos sucessivos (2017 e 2018) ficaram ambas bastante abaixo desse valor. Por ser muito pequena, a população nacional é suscetível a fenómenos de estocasticidade ambiental e, por esse motivo, apresenta acrescidos riscos de extinção local, que no caso de V. dubia é agravado pelo facto de esta espécie ter um banco de sementes transiente. A população nacional está ainda sujeita a outras ameaças, incluindo o avanço das plantas pratenses perenes num dos locais e as possíveis obras de beneficiação do caminho existente noutro local. Justifica-se que os núcleos sejam incluídos numa área protegida de âmbito local, na qual deverão ser implementadas ações de gestão do habitat. Sugere-se ainda a recolha de sementes e armazenamento em banco de germoplasma nacional, prosseguir com a prospeção dirigida noutras áreas de habitat favorável da região e a monitorização regular aos núcleos conhecidos, de modo a acompanhar a tendência e identificar atempadamente eventuais declínios.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEEA44823FAFF8EB3A5FA95.taxon	discussion	Antirrhinum lopesianum é uma planta endémica do Noroeste da Península Ibérica. Em Portugal a sua área de distribuição está restrita ao Nordeste transmontano, ocorrendo exclusivamente nas escarpas do rio Douro e em alguns dos seus afluentes. Trata-se de uma planta muito sensível à alteração do seu habitat, com uma ecologia muito específica, que ocorre em escarpas xistosas, protegidas da ação direta do sol, geralmente voltadas a norte, com afloramentos intercalados de calcário ou com carbonatos precipitados transportados por águas intersticiais. Apesar de a população nacional ter uma área de distribuição reduzida, bem como um número reduzido de indivíduos, não há indícios de declínio populacional, ou de declínio da sua área de distribuição na última década. A planta é avaliada na categoria Vulnerável porque a estimativa da dimensão da população nacional é inferior a 1000 indivíduos maduros e identificam-se menos de cinco localizações. As principais ameaças à planta são a construção ou o melhoramento de infraestruturas rodoviárias, que conduzem à destruição direta de núcleos populacionais, e os fogos recorrentes conjugados com eventos de seca extrema, que provocam alterações da qualidade do habitat da planta. Como medida principal de conservação, sugere-se a implementação de microrreservas que abranjam cada uma das subpopulações, devendo ser implementadas medidas de gestão de habitat, nomeadamente controlo da vegetação arbustiva na envolvente dos núcleos populacionais da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEFA44926D0FF8EB561FD26.taxon	discussion	Bombycilaena erecta é uma planta anual da qual apenas se conhecem duas subpopulações em Portugal continental, geograficamente disjuntas, uma nos arredores das Minas de Santo Adrião (Trás-os- Montes) e outra na serra da Boa Viagem (Beira Litoral). Habita em prados anuais em clareiras de matos, sobre solos básicos. A informação sobre a população nacional é muito escassa e suspeita-se que seja diminuta, mas não há qualquer informação concreta sobre a sua dimensão ou tendência. A subpopulação da serra da Boa Viagem poderá estar ameaçada pela expansão de acácias e os núcleos da subpopulação das Minas de Santo Adrião serão suscetíveis a extinção estocástica, pois é plausível que sejam constituídos por poucos indivíduos ou que ocupem uma área muito restrita. É avaliada como Vulnerável porque apenas se identificam três localizações, as quais poderão desaparecer rapidamente em resultado das ameaças identificadas. Deverão ser realizados estudos para se obter informação fidedigna quanto à sua distribuição e demografia em Portugal continental e também esclarecer se é ou não uma planta autóctone. Recomenda-se o controlo da acácia na serra da Boa Viagem. Esta planta deverá ser reavaliada assim que existir informação que permita esclarecer estes aspetos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEFA44926D0FC3FB78FFA3D.taxon	discussion	Bromus squarrosus é uma gramínea distribuída pelo Noroeste de África, Sul da Europa, Oeste da Rússia e Médio Oriente, presente em Portugal unicamente nos arredores de Bragança, em terrenos ultramáficos com alguma perturbação, como solos revolvidos e margens de caminhos. É avaliada como Vulnerável por ter uma área de ocupação muito reduzida, contar apenas duas localizações, com a maioria dos efetivos populacionais (mais de 90 % do total) concentrada numa única localidade (baldio de Samil). Apesar de a ameaça mais relevante – a extração de inertes – ser hoje pouco significativa, a reduzida área que a espécie ocupa torna-a suscetível a quaisquer impactos resultantes da revitalização desta atividade ou à ação de quaisquer ameaças imprevisíveis que podem pôr em causa a sua persistência futura ou causar o seu declínio, deixando-a Criticamente em Perigo. Recomenda-se o reforço da fiscalização da atividade extrativa ilegal no Sítio de Importância Comunitária de Samil e a monitorização regular dos núcleos populacionais existentes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFECA44A23FAFF8EB553FD8D.taxon	discussion	Festuca brigantina subsp. brigantina é um endemismo do Nordeste de Portugal, associado a afloramentos de rochas ultramáficas de altitude, habitando nas fendas das rochas ou acumulações de cascalho. Apresenta uma área de distribuição muito restrita, sendo a sua área de ocupação de apenas 40 km 2. Avalia-se esta planta como Vulnerável, dado que se estima que o efetivo de indivíduos maduros se encontre entre 500 e 1000. Propõe-se que de futuro haja um recenseamento de todos os indivíduos maduros da planta, uma regular monitorização, um estudo de alterações climáticas e possíveis cenários para a planta, uma vez que a posição geográfica que ocupa (cabeços e cristas rochosas, dependentes apenas da água atmosférica que recebem) não permite a migração em altitude, o que a torna particularmente vulnerável a alterações de regime de precipitação e temperatura.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFECA44A23FAFC3CB53AFA7F.taxon	discussion	Gagea pratensis distribui-se pela Europa e Norte de África, alcançando na condição de planta finícola os afloramentos de rochas máficas ou ultramáficas da falda norte da serra da Nogueira, em Trás-os- Montes, habitando em matos baixos e solos pedregosos. É avaliada como Vulnerável porque atualmente apenas se identificam duas localizações, uma das quais, em Alimonde, está ameaçada pela expansão urbana e pela extração de inertes. A concretização desta ameaça colocaria seguramente a espécie na categoria Criticamente em Perigo. É por isso determinante salvaguardar o núcleo de Alimonde de qualquer tipo de atividade humana que ponha em causa a sua persistência. Recomenda-se que se façam prospeções dirigidas aos núcleos populacionais históricos, para uma melhor caracterização da sua distribuição atual e da tendência populacional da espécie em Portugal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEDA44B26D3FF8EB81BFDAA.taxon	discussion	Delphinium fissum subsp. sordidum é uma erva dicotiledónea de flores e inflorescências vistosas endémica da Península Ibérica, com uma distribuição em Portugal restrita a uma estreita crista calcária nas Minas de Santo Adrião (Vimioso). O único núcleo populacional conhecido em Portugal está geograficamente isolado das demais subpopulações ibéricas e comporta apenas 353 indivíduos maduros, avaliando-se por isso como Vulnerável. O habitat desta planta regrediu acentuadamente nos últimos 40 anos em consequência da atividade mineira em Santo Adrião, cessada em 2001. É por isso urgente salvaguardar a população nacional de uma eventual reativação da extração de inertes, garantindo a sua persistência no local. Sugere-se ainda a conservação ex situ através da recolha de material genético em banco de germoplasma, sendo que esse material também pode ser usado em ações de reforço populacional. A população nacional deverá ser alvo de monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFEDA44B26D0FC3CB7B4FA81.taxon	discussion	Saxifraga dichotoma é uma planta que se distribui no Mediterrâneo Ocidental, mas que em Portugal apenas se encontra na região de Trás-os-Montes, onde ocorre, de modo pontual, em afloramentos rochosos e clareiras de azinhais. É avaliada como Vulnerável pois estima-se que a população nacional seja inferior a 1000 indivíduos maduros. A construção de infraestruturas e limpeza de bermas de estrada constituem as principais ameaças para a planta. Propõe-se a monitorização dos núcleos conhecidos, para avaliar a tendência da população nacional, assim como novas prospeções e estudos de dinâmica populacional, para melhorar o conhecimento da espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF2A45423FAFF8EB3D3FCC7.taxon	discussion	Silene legionensis é uma planta endémica da Península Ibérica, que habita em solos pedregosos derivados de rochas ultrabásicas. Em Portugal ocorre apenas no maciço ultrabásico de Bragança-Vinhais e estima-se que a população nacional se situe entre 930 e 1010 indivíduos maduros. Seguindo o princípio da precaução, e uma vez que o limite inferior deste intervalo é inferior a 1000, a planta é avaliada na categoria de Vulnerável pelo critério D 1. Contudo, estas estimativas baseiam-se em dados discrepantes, sendo desejável a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos para obter uma estimativa mais rigorosa da população nacional em avaliações futuras. No maior núcleo conhecido atualmente, o núcleo de Alimonde-Carrazedo, as atividades florestais e agrícolas poderão ameaçar a extensão e qualidade do habitat para esta planta, enquanto nos restantes núcleos, com efetivo populacional reduzido, os fatores estocásticos constituem a principal ameaça. A sensibilização das autoridades locais para a presença da espécie, o ordenamento de caminhos pedonais e florestais e eventualmente a delimitação de áreas de proteção permitirão salvaguardar o núcleo de Alimonde-Carrazedo. Propõe-se ainda a conservação ex situ da maioria dos núcleos e a realização de estudos de dinâmica populacional e de pressões e ameaças, para melhorar o conhecimento da população nacional e a avaliação do seu risco de extinção.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF2A45423FAFC3FB49CF999.taxon	discussion	Xeranthemum cylindraceum é uma planta distribuída pelo Sul da Europa, com presença no Médio Oriente e Marrocos, que habita em pousios e clareiras de matos, em solos básicos. Em Portugal apenas ocorre nas proximidades de Bragança, distando mais de 100 km da subpopulação espanhola mais próxima. É avaliada como Vulnerável por contar apenas duas localizações e ter uma área de ocupação muito reduzida, e por se identificarem ameaças plausíveis, as quais, caso venham a concretizar-se no futuro, são suscetíveis de causar o declínio rápido e drástico do tamanho da população e do seu habitat. O núcleo populacional mais importante fica muito perto da cidade de Bragança, estando por isso ameaçado por qualquer alteração ao Plano Diretor Municipal de Bragança que passe a permitir outra utilização do solo nesta área. Outra ameaça são as alterações na gestão do solo nos locais onde ocorre, quer pelo abandono destes terrenos, quer pelo eventual uso de herbicidas. Propõe-se a monitorização da população nacional, de forma a detetar atempadamente qualquer tendência negativa na população. Deverá ser garantido que a gestão do solo é favorável à sua persistência futura, mantendo o padrão atual de perturbação do solo, e recomenda-se o condicionamento da alteração do uso do solo em instrumentos de ordenamento territorial.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF3A45524C3FF8EB767FA53.taxon	discussion	Xeranthemum inapertum é uma planta de distribuição mediterrânica, que em Portugal ocorre de modo pontual em Trás-os-Montes, em clareiras de matagais em substratos pedregosos e fendas de rochedos e muralhas em substratos de origem calcária. É avaliada como Vulnerável porque se estima que a população nacional seja inferior a 1000 indivíduos maduros, porque apresenta uma área de ocupação reduzida (12 km 2) e apenas duas localizações. Por esses motivos, a população nacional é muito suscetível a quaisquer ameaças que possam provocar a destruição dos núcleos e desse modo causar uma rápida e significativa redução do tamanho da população nacional. Um dos núcleos populacionais está localizado no caminho junto à pedreira em São Pedro da Silva, e ameaçado pela possibilidade de reativação da extração de inertes, e outro está ameaçado por quaisquer obras de restauro que venham a ocorrer nas ruínas do Castelo de Outeiro. Propõe-se a realização de um plano de conservação dirigido à planta no Sítio de Importância Comunitária Minas de Santo Adrião, com gestão do habitat, através de acordos com os proprietários dos terrenos, e medidas de conservação ex situ, como a recolha e deposição de sementes em bancos de germoplasma nacionais e produção em viveiro, para um posterior reforço populacional em locais de habitat favorável. Sugerem-se ainda estudos, incluindo a prospeção dirigida nos arredores de Bragança, a avaliação de ameaças e pressões e a monitorização dos núcleos, de modo a alargar o conhecimento relativo à tendência populacional nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF0A45623FAFF8EB2E7FDAA.taxon	discussion	Avenula pubescens subsp. pubescens é uma gramínea vivaz de ampla distribuição mundial, com um único núcleo populacional conhecido em Portugal, de carácter finícola, com menos de 50 indivíduos maduros, ocorrendo em orlas de carvalhal sobre solo básico. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo por se encontrar numa única localização, contar com poucos indivíduos, todos eles concentrados numa área muito pequena, e por recentemente se ter perdido uma localização na serra da Nogueira, que reduziu drasticamente a sua área de ocupação e extensão de ocorrência. A probabilidade de extinção a curto prazo desta espécie em Portugal é elevada, pelo que se recomenda a elaboração e implementação de um plano de conservação dedicado, que inclua medidas para assegurar a preservação do núcleo atual, assim como um esforço de amostragem dirigido à deteção de novos núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF0A45623FAFC3FB2D1F974.taxon	discussion	Rhaponticum exaltatum é uma planta com uma distribuição ibero-marroquina, que em Portugal continental se encontra restrita ao Nordeste transmontano, e que habita em sub-bosques pouco densos e clareiras de soutos, pinhais e carvalhais, em zonas de montanha, sobre solos siliciosos algo profundos. A população nacional é finícola, representando o limite oeste da distribuição mundial da planta. Confirmou-se o desaparecimento da planta de alguns locais de ocorrência histórica, pelo que atualmente apenas se conhece uma subpopulação com dois núcleos muito próximos. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação muito reduzidas, uma única localização, apenas 100 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação, se inferir um declínio populacional continuado e se observar um declínio continuado ao nível da extensão de ocorrência, da área de ocupação, da qualidade do habitat e do número de localizações. As principais pressões e ameaças que recaem sobre esta planta são a conversão de bosques em plantações florestais, o abandono das práticas de gestão da vegetação no subcoberto de bosques e o pastoreio excessivo. Para a sua conservação, deverão ser implementadas medidas de recuperação e gestão do habitat através do controlo do desenvolvimento dos matos e do sobrepastoreio nos locais de ocorrência dos núcleos populacionais. Sugere-se ainda a realização de prospeção dirigida, de modo a recolher informação mais detalhada sobre a demografia e a distribuição da planta em Portugal continental.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF1A45726D0FF8EB69EFCE4.taxon	discussion	Eryngium viviparum é uma planta que ocorre em locais temporariamente inundados, e que apresenta uma ocorrência extremamente restrita em Portugal continental. É avaliada na categoria Criticamente em Perigo porque atualmente apenas se conhece um único núcleo populacional com cerca de 50 - 250 indivíduos maduros, circunscrito a uma única charca na serra de Nogueira, em Trás-os-Montes. Neste local identificam-se pressões responsáveis por um declínio continuado da qualidade do habitat, nomeadamente a passagem de viaturas todo-o-terreno sobre a charca e a realização regular de obras na estrada adjacente que poderão causar a drenagem ou o soterramento da charca. Estas intervenções ocorrem com regularidade variável e, a prazo, poderão soterrar ou mesmo drenar a única charca onde se conhece a ocorrência atual desta planta em Portugal, dado que desapareceu do local de ocorrência histórica nos arredores de Vila Nova de Gaia. Esta planta requer medidas para a sua conservação, sugerindo-se a criação de condições de habitat para a espécie em áreas húmidas situadas na proximidade, de modo a poderem ser naturalmente colonizadas, ou serem alvo de ações de reforço populacional. Deverão ser alertadas as entidades competentes para se prevenir perturbações sobre a planta e o seu habitat. O único núcleo populacional deve ser sujeito a monitorização regular, de modo a identificar precocemente eventuais impactos não previstos ou subavaliados.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF1A45726D0FC3FB83DFA1C.taxon	discussion	Viburnum lantana é uma planta de distribuição repartida pela Europa, Sudoeste da Ásia e Noroeste de África, com uma única localidade conhecida em Portugal, situada no rio Mente, no extremo noroeste do Parque Natural de Montesinho. A espécie é avaliada como Criticamente em Perigo porque a população nacional se estima em menos de 50 indivíduos maduros, todos distribuídos por um pequeno troço do vale do rio Mente. A pequena dimensão da população portuguesa deixa-a à beira da extinção por ameaças indeterminadas ou eventos estocásticos. É importante por isso monitorizar regularmente o núcleo populacional conhecido, para avaliar a evolução futura da população portuguesa e tomar atempadamente as medidas necessárias à sua sobrevivência. Recomenda-se também a sua multiplicação por estaca e o uso como ornamental nos concelhos de Bragança e Vinhais, em ribeiras que se considerem estar dentro da sua área de distribuição potencial.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF7A45126D0FF8EB63EFD26.taxon	discussion	Allium ursinum subsp. ursinum é uma planta de ampla distribuição europeia, mas de ocorrência muito restrita em Portugal continental, sendo apenas conhecida da serra de Nogueira, em Trás-os-Montes, onde ocorre num bosque sombrio sobre solo básico. É avaliada como Em Perigo devido ao reduzido número de indivíduos maduros que constituem a população nacional, estimado em cerca de 100. A população nacional apresenta uma única localização e uma área de ocupação muito reduzida (4 km 2). Entre as ameaças assinaladas inclui-se a predação por javalis (observada em 2018), a desmatação provocada pelo corte de lenha e intervenções excessivas em ações de gestão da vegetação. O isolamento geográfico e o escasso número de indivíduos da população nacional sugerem riscos acrescidos de extinção por estocasticidade ambiental. Dado o reduzido efetivo populacional desta planta em Portugal, recomenda-se que seja feito um plano de conservação dedicado, conducente a um reforço populacional, acompanhado de uma monitorização regular para avaliar a tendência populacional ao longo do tempo. Considera-se urgente a conservação ex situ desta planta, de forma a ter uma coleção viva para garantir a sua conservação a longo prazo e para servir de base a um eventual reforço populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF7A45126D0FC3FB6BFF999.taxon	discussion	Astragalus glycyphyllos é uma planta com uma distribuição muito localizada em Portugal, restrita à serra da Estrela e a Trás-os-Montes. Ocorre em orlas de lameiros, galerias ripícolas e clareiras de bosques caducifólios, sempre em locais algo sombrios. Pode passar despercebida, o que gera alguma incerteza quanto aos valores reais da extensão de ocorrência e área de ocupação e quanto à aparente fragmentação severa da população nacional. Ainda assim, é avaliada como Em Perigo pois apresenta, seguramente, uma extensão de ocorrência inferior a 5000 km 2 e uma área de ocupação inferior a 500 km 2, assinala-se um declínio continuado da qualidade, área e extensão do seu habitat, da área de ocupação e do número de localizações, que são apenas duas atualmente. Como principais ameaças destacam-se a reconversão de soutos e carvalhais em povoamentos de resinosas e pomares, os fogos recorrentes e o avanço de espécies arbóreas invasoras. Entre as principais medidas de conservação sugerem-se o controlo de espécies invasoras e gestão do habitat, a conservação de material biológico em banco de germoplasma, a propagação em viveiro e o reforço populacional. Propõe-se a realização de prospeção dirigida, principalmente em Trás-os-Montes e na serra da Gardunha, e a monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF4A45223FAFF8EB243FA11.taxon	discussion	Cephalanthera rubra é uma orquídea que ocorre em quase toda a Europa, Sudoeste da Ásia e Norte de África e que em Portugal continental se encontra restrita a uma única subpopulação com pouco mais de 250 indivíduos maduros, distribuídos por seis núcleos populacionais na região entre Vinhais e Bragança, onde habita bosques caducifólios de carvalho-negral e soutos. É avaliada como Em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas e por se observar um declínio continuado da qualidade do seu habitat, devido, sobretudo, a práticas de gestão da vegetação desadequadas, como a excessiva mobilização do solo e a utilização de pesticidas nos soutos, que constituem a principal ameaça à população nacional, e permitem identificar apenas quatro localizações para esta espécie. Outras ameaças importantes incluem a alteração do uso do solo dos soutos para produção intensiva de castanha e a suscetibilidade da planta a fatores de ameaça imprevisíveis, uma vez que a maioria dos núcleos populacionais tem poucas dezenas de indivíduos. Propõe-se a implementação de um plano de ordenamento do território que restrinja as alterações do uso do solo para produção intensiva de castanha nos soutos onde a planta ocorre, a promoção de ações de sensibilização da população local e a atribuição de incentivos económicos aos proprietários dos soutos, no sentido de fomentar práticas de gestão da vegetação adequadas à ecologia da planta. Sugere-se ainda a monitorização da tendência populacional dos núcleos conhecidos, bem como a prospeção de novos núcleos em áreas de habitat favorável, como soutos antigos e carvalhais situados na sua área de distribuição.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF5A45324C3FF8EB869FA53.taxon	discussion	Dactylorhiza insularis é uma orquídea do Sudoeste europeu, que em Portugal continental ocorre em duas subpopulações disjuntas, uma em Trás-os- Montes e outra na serra de Montejunto, em bosques sobre substratos básicos. É avaliada como Em Perigo porque a população nacional é muito reduzida (foram contados apenas 72 indivíduos maduros), porque se infere que o seu tamanho esteja em declínio continuado e porque se estima que nenhuma das subpopulações ultrapasse os 250 indivíduos maduros. O declínio continuado do tamanho da população é identificado pela perda recente de, pelo menos, um núcleo populacional e pelas evidências de perturbações diversas noutros núcleos que têm causado perda de indivíduos maduros ou impossibilitado a sua reprodução. Assinalam-se diversas ameaças sobre a população nacional, que, embora apresentem um carácter local, face ao diminuto tamanho da população nacional podem tornar-se relevantes. Estas incluem o excessivo revolvimento do solo, quer por animais, quer por ação humana, as limpezas de vegetação em bermas e taludes de caminhos rurais e o aumento continuado da pressão exercida pelo gado. Sugere-se a criação de microrreservas para salvaguarda dos núcleos não integrados no Sistema Nacional de Áreas Classificadas e a realização de ações de sensibilização para a adoção de práticas de gestão agroflorestal compatíveis com a conservação dos núcleos, acompanhadas por incentivos financeiros para a sua adoção. Deverão ainda ser efetuados esforços de prospeção dirigida e monitorização, pelo menos, quinquenal da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFAA45C23FAFF8EB4DEFCA2.taxon	discussion	Epipactis fageticola é uma orquídea que ocorre em bosques caducifólios húmidos na zona mais ocidental da Europa e que em Portugal continental apresenta atualmente duas subpopulações muito disjuntas, uma em Trás-os-Montes (Montesinho-Nogueira) e outra no Centro do país (Estrela-Açor). Conhece-se um número muito reduzido de núcleos populacionais e estes são constituídos por poucos indivíduos, estimando-se que a população nacional possua de 143 a 250 indivíduos maduros. Infere-se um declínio continuado na qualidade do habitat, em virtude da observação de diversas causas de degradação dos bosques caducifólios húmidos, destacando-se as práticas desadequadas de gestão agroflorestal e os incêndios recorrentes. É avaliada como Em Perigo com base no reduzido tamanho da população nacional, na reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por se identificarem apenas cinco localizações e por se observar um declínio continuado da qualidade do habitat. Sugere-se a continuação de prospeção dirigida na sua área de distribuição histórica para melhorar o conhecimento da sua distribuição atual e do tamanho da população nacional. São necessários estudos taxonómicos que permitam esclarecer cabalmente a existência, ou não, de um outro táxon em Portugal continental que poderá estar a ser confundido com E. fageticola. Os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização, pelo menos, quinquenal. Deverão ser implementadas medidas para manutenção de boas manchas de bosques caducifólios húmidos, condicionando o seu desbaste ou corte raso e definidas boas práticas de gestão florestal, compatíveis com a conservação da planta, que deverão ser divulgadas nas associações de gestores florestais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFAA45C23FAFC3FB47AFA3D.taxon	discussion	Mentha longifolia é uma planta distribuída por grande parte da Europa, Ásia e África do Sul, encontrando-se em Portugal unicamente em Trás-os-Montes. É avaliada como Em Perigo por estar concentrada num único núcleo populacional, que conta menos de 250 indivíduos maduros. Não se conhecem ameaças significativas, mas é importante proteger o núcleo conhecido de qualquer ameaça imprevisível que possa vir a ocorrer. É por isso importante garantir a conservação da espécie no seio do Parque Natural de Montesinho, eventualmente fazendo o seu reforço populacional com plantas produzidas ex situ. Recomenda-se ainda a sua prospeção em locais de ocorrência histórica e em áreas de Trás-os-Montes com habitat favorável. É muito importante que se faça a monitorização detalhada do núcleo populacional conhecido, bem como estudos conducentes a um melhor conhecimento das ameaças que possam causar o seu declínio. A educação ambiental poderá ser uma ferramenta que contribua para a conservação futura desta planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFBA45D26D0FF8EB5AAFD26.taxon	discussion	Nepeta caerulea é uma planta endémica da Península Ibérica, que em Portugal ocorre apenas na serra de Nogueira e no concelho do Sabugal, em orlas e clareiras de carvalhais. É avaliada como Em Perigo porque a população nacional é constituída por cerca de 120 indivíduos maduros, concentrados em apenas quatro núcleos populacionais distribuídos em duas subpopulações, e porque se infere o seu declínio continuado. Acresce que a sua extensão de ocorrência e área de ocupação são reduzidas (cerca de 1500 km 2 e de 20 km 2, respetivamente) e se estimam apenas três localizações. As principais ameaças aos núcleos conhecidos são, por um lado, a progressão sucessional / proliferação de silvas (Rubus spp.) por falta de gestão de caminhos e dos aceiros florestais e, por outro lado, a realização de práticas de gestão da vegetação demasiado frequentes, que poderão comprometer a viabilidade dos núcleos. A manutenção dos núcleos depende da gestão regular do seu habitat, na qual deverão ser implementadas práticas compatíveis com a conservação dos núcleos (cortes de vegetação com intervalos nunca inferiores a cinco-dez anos, sem recurso a herbicidas). Propõem- se como estudos a monitorização dos núcleos conhecidos e a prospeção da planta na sua área de distribuição histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFBA45D26D0FC3FB777FA7F.taxon	discussion	Viola hirta é uma planta de distribuição europeia e oeste-asiática, com presença em Portugal nas montanhas do Nordeste transmontano, onde ocorre em orlas de bosques e taludes sombrios. É avaliada como Em Perigo por se estimar que a população nacional seja constituída por menos de 250 indivíduos maduros. O corte dos carvalhais que constituem o habitat desta violeta é a ameaça mais significativa à sua conservação, pelo que se julga imprescindível a aplicação da legislação existente que impede o corte raso de floresta autóctone. Deverão também ser implementadas medidas para minimizar o risco de fogos severos na sua área de distribuição em território nacional. Recomenda-se ainda a monitorização dos núcleos conhecidos e a prossecução da prospeção dirigida, de modo a melhorar o conhecimento sobre a sua distribuição atual.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF8A45E23FAFF8EB568FD68.taxon	discussion	Peucedanum carvifolia é uma planta do Centro e Sul da Europa, atingindo a leste o Cáucaso. Está distribuída na Península Ibérica ao longo das cadeias montanhosas e em Portugal apenas está presente na serra de Nogueira (Trás-os-Montes) acima dos 1200 metros, onde ocorre em depressões húmidas no interior ou na orla de carvalhais. É avaliada como Em Perigo por existir um único núcleo populacional que conta com menos de 250 indivíduos maduros. As ameaças prendem-se com a destruição do seu habitat devido a desflorestação ou a incêndios. Como este núcleo tem poucos indivíduos, está ainda sujeito a diminuir ou mesmo extinguir-se devido a ameaças imprevisíveis ou fatores estocásticos. Recomenda-se que se aumente o esforço de amostragem dirigida, de forma a aumentar o conhecimento sobre a sua distribuição em Portugal, e se faça um seguimento detalhado do núcleo conhecido. É muito importante que se mantenha a gestão da serra de Nogueira, a qual tem favorecido a conservação das espécies. Dada a sua raridade extrema em Portugal, quaisquer intervenções na serra deverão ter em atenção a necessidade de preservação dos locais onde a planta ocorre.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF8A45E23FAFC3FB4BEF9DA.taxon	discussion	Valeriana officinalis é uma planta de distribuição eurossiberiana, que em Portugal ocorre apenas no Norte do país, em terrenos montanhosos de Trás-os-Montes, habitando em prados húmidos, orlas e clareiras de bosques. É avaliada como Em Perigo já que se estima que o tamanho da população nacional seja inferior a 250 indivíduos maduros. A principal ameaça à conservação da população nacional são as alterações dos usos tradicionais do solo, quer devido ao abandono de lameiros, quer devido à sua reconversão agrícola. Apenas a subpopulação do Tuela se encontra dentro do Sistema Nacional de Áreas Classificadas, no Parque Natural de Montesinho. Dado que a maioria da população nacional não está em áreas classificadas, propõe-se a definição de uma área protegida na serra do Larouco, a qual permitiria também proteger outros valores florísticos relevantes. Sugere-se a salvaguarda do património genético de ambas as subpopulações em banco de germoplasma e a sensibilização dos agricultores para a conservação da espécie e do seu habitat. Deverão ser efetuados novos esforços de prospeção e a monitorização dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF9A45F26D0FF8EB636FCC7.taxon	discussion	Anthericum liliago é uma planta bolbosa, que se distribui no Centro e Sul da Europa e Ásia Menor, habitando em diferentes ambientes, como clareiras, pinhais e encostas rochosas. A população nacional encontra-se severamente fragmentada, com a maioria dos núcleos populacionais conhecidos ocorrendo muito distanciados entre si. Estima-se a existência de 250 a 1000 indivíduos em Portugal, embora este valor seja muito incerto devido à falta de contagens fidedignas. Avalia-se como Vulnerável por apenas se identificarem quatro localizações, três das quais com ameaças significativas que poderão causar uma acentuada redução ou mesmo desaparecimento dos núcleos num curto espaço de tempo, nomeadamente intervenções de gestão florestal, expansão e intensificação agrícolas, más práticas de gestão da vegetação e alterações do regime hidrológico. Sugere-se a informação e sensibilização das entidades responsáveis pelas intervenções de gestão da vegetação nas faixas envolventes às estradas para a necessidade de conservação da espécie, bem como o impedimento de uso de herbicidas nestas ações. Sugere-se a realização de prospeção dirigida e monitorização dos núcleos conhecidos, de modo a aumentar o conhecimento demográfico e corológico da população nacional. Sugere-se ainda a colheita e armazenamento de material genético em dois bancos de germoplasma nacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFF9A45F26D0FC3CB7ECFA7F.taxon	discussion	Corydalis cava subsp. cava é uma planta perene de distribuição europeia, com uma subpopulação finícola na serra de Nogueira, a única conhecida em Portugal, ocorrendo em bosques húmidos sobre solos básicos. É avaliada como Vulnerável porque se estima que a população nacional seja constituída por menos de 1000 indivíduos maduros, concentrados numa única subpopulação. Apesar de não estar exposta a pressões negativas significativas no presente, a descaracterização dos bosques húmidos onde habita é a principal ameaça que pesa sobre esta planta, pelo que é imperativo evitar cortes rasos para lenha e incentivar medidas de redução de risco de incêndio. Recomenda-se a monitorização dos núcleos conhecidos, de modo a acautelar a sua conservação. Por se encontrar no limite da sua distribuição, propõe-se a salvaguarda do seu património genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFEA45823FAFF8EB2B4FCC7.taxon	discussion	Doronicum carpetanum é um endemismo ibérico, que em Portugal tem uma distribuição restrita às serras da Estrela e de Montesinho, onde ocorre em bosques húmidos (vidoais, salgueirais), na proximidade de linhas de água. É avaliado como Vulnerável uma vez que se identificam apenas três localizações, as quais estão sob a ameaça de fogos de grande intensidade e recorrentes, que podem alterar significativamente as condições de habitat e provocar uma drástica redução da população nacional num curto espaço de tempo. Também o baixo efetivo de alguns núcleos e o seu isolamento tornam-nos especialmente suscetíveis a qualquer evento imprevisível ou extinção devido a processos estocásticos. O corte de bosques ribeirinhos e o abandono das práticas de pastoreio extensivo constituem ameaças à manutenção da subpopulação da serra de Montesinho. No futuro é muito plausível que os efeitos destas ameaças possam levar a uma acentuada redução da população nacional de Doronicum carpetanum. A conservação desta espécie passa pela manutenção da pastorícia tradicional nos núcleos de Trás-os-Montes e por adotar medidas de minimização do risco de incêndio em toda a sua área de distribuição. Sugere-se a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos, salvaguardar o material genético e efetuar um plano de conservação dedicado a esta espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFEA45823FAFC3FB350FA1C.taxon	discussion	Euonymus europaeus é uma planta de ampla distribuição na Europa e no Cáucaso. Está presente nas montanhas do Norte da Península Ibérica, chegando com um carácter finícola às terras altas do Nordeste transmontano, onde ocorre em sebes e bosquetes sombrios e húmidos de carvalhos. É avaliada como Vulnerável porque apesar de não enfrentar ameaças imediatas significativas a população nacional conta com um número reduzido de indivíduos (inferior a 1000). As ameaças mais consideráveis para a população nacional são o corte raso de bosques caducifólios e semicaducifólios e os incêndios de elevada intensidade, que diminuem a qualidade das sebes que constituem o habitat da espécie. É importante para esta espécie a conservação dos carvalhais de Quercus pyrenaica e de Q. faginea subsp. faginea, aplicando as normas legais em vigor de prevenção de incêndios e fiscalizando o corte de árvores nestes bosques.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFFA45924C3FF8EB7C7FA95.taxon	discussion	Lysimachia ephemerum é um endemismo da zona ocidental da bacia mediterrânica, que ocorre em prados húmidos vivazes, em locais com escorrência de água ou ressumantes. Em Portugal ocorre numa extensa área entre Trás-os-Montes e a costa sudoeste, contudo, identificam-se atualmente apenas oito localizações, a maioria das quais bastante isoladas umas das outras. Todos os núcleos apresentam reduzida dimensão, estimando-se que, no total, a população nacional não ultrapasse os 1300 indivíduos maduros. Algumas pressões identificadas sobre os núcleos incluem as limpezas excessivas de vegetação em taludes e a expansão de espécies invasoras ou infestantes, que, juntamente com a sobre-exploração de recursos hídricos, permitem identificar um cenário de declínio continuado de habitat. A planta avalia-se como Vulnerável pela sua reduzida área de ocupação, declínio continuado do seu habitat e por se identificarem apenas oito localizações. Sugerem-se medidas de gestão de habitat em alguns dos seus núcleos (e. g., fenação regular de lameiros, gestão seletiva de canavial e silvados). Deverá ser colhido e conservado material genético em dois bancos de germoplasma nacionais, sugerindo-se ainda a sua manutenção em coleções vivas de jardins botânicos ou outras instituições que assegurem a sua conservação a longo prazo. Deverão ainda ser efetuados esforços para melhorar o conhecimento da sua distribuição atual em Portugal e monitorização, pelo menos, quinquenal dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFCA45A23FAFF8EB318FB5B.taxon	discussion	Neottia nidus-avis é uma orquídea saprófita de ampla distribuição mundial, mas que em Portugal continental ocorre em poucos locais do Centro e Norte do país, sob coberto de bosques caducifólios, ou mais raramente pinhais fechados. É avaliada como Vulnerável porque apresenta reduzidas extensão de ocorrência e área de ocupação, assinalam-se apenas 10 localizações e observa-se um declínio continuado da qualidade do seu habitat preferencial. Estima-se, com alguma incerteza, que a população nacional seja inferior a 1000 indivíduos maduros. O declínio no habitat é resultante dos efeitos de pressões, como os fogos recorrentes, a expansão de espécies arbóreas exóticas, a expansão de povoamentos florestais e práticas desadequadas de gestão florestal. Deverão ser implementadas medidas que promovam a recuperação dos bosques caducifólios, o controlo de espécies exóticas arbóreas invasoras e a adoção de práticas de gestão florestal compatíveis com a conservação de condições ambientais favoráveis a esta orquídea. Além da monitorização dos núcleos atualmente conhecidos, deverão ser efetuados esforços de prospeção dirigida que permitam melhorar o conhecimento da distribuição desta planta em Portugal continental.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFDA45B26D0FF8EB7DFFD09.taxon	discussion	Peucedanum oreoselinum é uma planta de distribuição europeia, presente em Portugal apenas nas terras altas do Nordeste transmontano, habitando em orlas e clareiras de bosques. No passado verificou-se uma redução do seu habitat e do tamanho da população nacional, devido à construção da mini-hídrica de Nunes, no rio Tuela, contudo, não há indícios da sua continuidade, considerando-se atualmente como estável. É avaliada como Vulnerável por ter uma área de ocupação reduzida, por apenas se identificarem três localizações e porque se assinalam ameaças que, a concretizarem-se, são suscetíveis de causar um rápido e significativo declínio da população nacional. O maior núcleo populacional encontra-se nos taludes de uma estrada na serra de Nogueira e poderá ser destruído caso se alterem as práticas de gestão da vegetação nos taludes. Os restantes núcleos, pela sua muito reduzida dimensão, são altamente suscetíveis a extinção estocástica. Recomenda-se a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos, de forma a detetar atempadamente qualquer tipo de declínio. É fundamental que a gestão das áreas protegidas onde esta espécie ocorre promova o bom estado de conservação desta espécie, garantindo a preservação do seu habitat.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFFDA45B26D0FC3FB7FCF957.taxon	discussion	Rubus genevieri é uma planta que na Península Ibérica está presente apenas no Centro e Norte de Portugal, entre Montesinho, Estrela e Gerês, geralmente em núcleos populacionais pouco numerosos, nas orlas e clareiras de carvalhal-negral, sebes de campos e caminhos. A dificuldade taxonómica do género Rubus e a possível confusão desta espécie com Rubus radula trazem grande incerteza às estimativas da dimensão da população nacional e da sua distribuição. Ainda assim, com base no número significativo de registos de observação da planta, considera-se que existirão pelo menos 300 indivíduos maduros. Apesar da dificuldade em se estimar um limite superior para o número de indivíduos maduros, suspeita-se que tal número não ultrapasse os 1000, tendo em conta a área de ocupação, a extensão de ocorrência, o padrão errático de ocorrência da planta e a possibilidade de confusão taxonómica com Rubus radula. Considerando a incerteza associada à estimativa do número de indivíduos maduros (300 a 1000) — que permite a classificação da espécie nas categorias Vulnerável ou Quase Ameaçada — e dado que não se pode excluir a possibilidade de se verificar efetivamente o limite inferior do intervalo, avalia-se a planta como Vulnerável, fazendo uso do princípio precautório. Futuramente, o estudo taxonómico detalhado e a monitorização desta espécie deverão permitir determinar o número de indivíduos maduros presentes em Portugal continental e avaliar se a população nacional está sujeita a pressões ou ameaças significativas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC2A46423FAFF8EB23AFD26.taxon	discussion	Sorbus torminalis é uma pequena árvore característica de matagais e orlas de bosques caducifólios em zonas de montanha, cuja distribuição em Portugal continental se restringe a algumas serras do quadrante nordeste do país. É avaliada como Vulnerável pois apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, identificam-se apenas seis localizações (a maioria das quais constituída por um único núcleo e com restrito número de indivíduos) e estão assinalados declínios continuados da área de ocupação e da qualidade do seu habitat. As ameaças com maior significado são os incêndios florestais recorrentes, a instalação de novos povoamentos florestais de produção e a gestão inadequada da vegetação nestes povoamentos, quer por desflorestação excessiva, quer pelo seu completo abandono. Propõe-se a implementação de um plano de gestão conjunto com outras plantas semelhantes, que inclua medidas como o reforço populacional e / ou repovoamento (principalmente nas subpopulações mais pequenas) e ações de gestão de habitat, como, por exemplo, a redução do ensombramento dos bosques onde existam núcleos. Esse plano deverá também incluir a realização de um levantamento populacional completo e uma monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC2A46423FAFC3FB464FA81.taxon	discussion	Viburnum opulus é uma planta de distribuição euro-asiática e norte-africana, presente em Portugal apenas em linhas de água permanentes do Nordeste transmontano, geralmente sobre rochas máficas ou ultramáficas. É avaliada como Vulnerável porque apesar de não terem sido identificadas ameaças significativas a sua população em Portugal não excede os 1000 indivíduos maduros. Recomenda-se a prospeção da planta ao longo das ribeiras com habitat favorável no interior da área de distribuição nacional e propõe-se a sua reprodução ex situ e eventual uso como ornamental nos concelhos de Bragança e Vinhais, dentro da sua área de distribuição.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC3A46524C3FF8EB82FFA2E.taxon	discussion	Aconitum napellus subsp. lusitanicum é uma planta endémica da Península Ibérica, que em Portugal apenas ocorre no Nordeste transmontano, em orlas húmidas de bosques caducifólios. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar reduzida extensão de ocorrência (apenas 16 km 2), por apenas se identificar uma única localização e por se inferir um declínio continuado do número de indivíduos maduros que constituem a população nacional (atualmente estimado em menos de 50, todos na mesma subpopulação). A população nacional é muito suscetível a fenómenos de extinção estocástica devido ao reduzido número de indivíduos maduros que a constitui. Outras pressões identificadas incluem a fenação dos lameiros e o pisoteio excessivo do gado bovino, em períodos anteriores à sua floração e frutificação. Os efeitos que o abandono dos lameiros e que a ausência de gado bovino poderão representar são ainda mal compreendidos. Sugere-se a realização de estudos que permitam melhorar o conhecimento das ameaças sobre a população nacional e monitorização bienal do seu estado de conservação. Deverá ser implementado um plano de conservação, que inclua apoios financeiros para a manutenção das práticas tradicionais de gestão de lameiros e criação de gado bovino que sejam compatíveis com a conservação do seu habitat e medidas de conservação ex situ, incluindo recolha de material genético e conservação em bancos de germoplasma e criação de plantas em viveiro, que posteriormente possam ser empregadas em ações de reforço populacional ou criação de novos núcleos. Devem ainda ser desenvolvidas ações de sensibilização que permitam minimizar riscos do seu corte ou destruição desnecessária.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC0A46623FAFF8EB2ACFD68.taxon	discussion	Rumex longifolius é uma planta de distribuição holártica, restrita, em Portugal, ao cimo da serra de Montesinho, em Trás-os-Montes. Conhece-se um único núcleo populacional, na zona da Lama Grande, constituído por menos de 100 indivíduos maduros, que ocorre em lameiros. É avaliada como Criticamente em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito restritas, conhece-se uma única localização e observa-se um declínio continuado na área e na qualidade do seu habitat. A ameaça mais significativa responsável por este declínio é o abandono do pastoreio, a que acresce ameaças imprevisíveis, que podem levar facilmente à extinção desta população, constituída por um número muito reduzido de indivíduos. É por isso urgente implementar programas setoriais dirigidos à conservação dos lameiros de montanha, que deverão promover as práticas tradicionais de gestão deste habitat. Recomenda-se ainda a prospeção de novos núcleos populacionais nas proximidades do núcleo conhecido e a monitorização da população nacional durante os próximos anos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC0A46623FAFC3FB32DF9FB.taxon	discussion	Viola bubanii é uma violeta endémica da metade norte da Península Ibérica, em Portugal finícola no planalto superior da serra de Montesinho, local onde foi herborizada uma única vez, em 1989. Embora tenha sido prospetada no passado, só em 2018 voltou a ser encontrada. Ocorre em prados com mosaico de cervunal e lameiros. É avaliada como Criticamente em Perigo por ter uma área de ocupação e uma extensão de ocorrência muito reduzidas, ter uma população nacional muito diminuta (estimada em menos de 50 indivíduos maduros), contar uma única localização e haver provas de declínio continuado da área e da qualidade do seu habitat. A perda de habitat por abandono da gestão tradicional dos lameiros de montanha é a ameaça mais significativa que pende sobre esta espécie. Considera-se imprescindível para a persistência da população portuguesa desta violeta a manutenção e restauro dos lameiros e eventualmente o reforço populacional do núcleo conhecido com plantas criadas em viveiro. A monitorização desta espécie é obrigatória para se poder avaliar corretamente o efetivo populacional e a sua tendência futura. Recomenda-se também a sua prospeção em zonas de habitat favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC6A46023FAFF8EB553FDCF.taxon	discussion	Carex sylvatica é uma planta de ampla distribuição europeia presente na metade norte da Península Ibérica. Em Portugal está restrita à serra de Nogueira, onde ocorre em lameiros e caminhos florestais umbrosos e húmidos, na orla de carvalhais. É avaliada como Em Perigo por ter uma população nacional muito pequena, inferior a 100 indivíduos maduros. Não tem ameaças conhecidas, mas a população portuguesa limita-se a um único núcleo populacional, tendo por isso uma elevada probabilidade de extinção por causas indeterminadas ou eventos estocásticos. Recomenda-se a sua conservação ex situ e a realização de novas prospeções para detetar novos núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC6A46023FAFC3CB565F9F8.taxon	discussion	Centaurea jacea subsp. angustifolia é uma planta que no século XIX fora citada para o Douro Litoral e Beira Alta, mas que só recentemente foi reencontrada em Portugal continental no monte de Morais, em Trás-os-Montes, num lameiro húmido em solo básico. Apesar de apenas ter sido detetado um pequeno núcleo com 10 indivíduos maduros e de a prospeção efetuada nas imediações ter sido infrutífera, existem condições de habitat para que possam existir mais núcleos. Embora haja alguma incerteza quanto à sua área de ocupação e quanto ao tamanho da população nacional, é quase certo que a planta se integre numa categoria de ameaça, uma vez que o escasso registo histórico corrobora a sua raridade em território nacional. A planta é avaliada como Vulnerável pois, apesar da grande incerteza existente, estima-se que a população nacional não será superior a 1000 indivíduos maduros e o seu número de localizações não deverá ser superior a cinco. Sugere-se a monitorização bienal do único núcleo atualmente conhecido e a continuação de esforços de prospeção dirigida em habitat favorável na área envolvente e noutros locais da região com habitat potencial. Como medida preventiva, sugere-se ainda a colheita e armazenamento de sementes da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC7A46126D0FF8EB84EFD4B.taxon	discussion	Elatine alsinastrum é uma espécie de distribuição europeia e norte-africana, que em Portugal está restrita ao extremo nordeste do território, onde ocorre em pequenas lagoas de água permanente e ribeiras de águas lentas. É avaliada como Vulnerável por se estimar que a população portuguesa não exceda os 1000 indivíduos maduros e por se identificarem apenas três localizações atuais, todas suscetíveis de rápida destruição. As ameaças mais significativas são as possíveis alterações do regime hídrico que levem à seca das lagoas, assinalando-se ainda a elevada suscetibilidade dos núcleos a extinção por fatores estocásticos. Para a conservação efetiva desta planta, é prioritário que a gestão destas lagoas entre no plano de gestão do Parque Natural do Douro Internacional e que esta gestão seja feita de acordo com os resultados da monitorização regular dos núcleos populacionais conhecidos. Recomenda-se a prospeção na proximidade dos locais de ocorrência histórica, assim como em áreas de habitat favorável perto da fronteira entre Vilar Formoso e Miranda do Douro.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC7A46126D0FC3CB718FA7F.taxon	discussion	Ophioglossum vulgatum é um pequeno feto, quase cosmopolita, presente em Portugal apenas no Douro Litoral e em Trás-os-Montes, habitando em prados húmidos e juncais, entre as ervas. É avaliado como Vulnerável por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, por se identificarem seis localizações e por se observar um declínio continuado da área, extensão e qualidade do seu habitat. Acresce que a população nacional é reduzida (estimada em menos de 1000 indivíduos maduros) e se encontra em declínio continuado. A ameaça maior que pesa sobre esta planta é a má gestão dos lameiros, que poderá num futuro próximo implicar o desaparecimento de núcleos populacionais em Trás-os-Montes. É urgente proteger o núcleo sobrevivente da subpopulação litoral, compensando financeiramente os agentes locais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC4A46223FAFF8EB3DBFD09.taxon	discussion	Vicia onobrychioides é uma planta de distribuição mediterrânica, provavelmente finícola em Portugal, que no passado ocorreria em lameiros, prados húmidos e orlas de bosques caducifólios em zonas de montanha da Beira interior e Trás-os-Montes, embora só existam registos atuais nesta última região. A informação sobre a população nacional e sobre as ameaças prevalecentes é muito escassa e incerta. A escassez de registos históricos parece corroborar a raridade da planta em Portugal continental, pelo que, apesar da incerteza existente, se assume uma abordagem de precaução e se avalia a planta como Vulnerável, uma vez que se conhece um único núcleo populacional, que pode ser destruído num só evento imprevisível. Esta planta deverá ser alvo de um plano de conservação que inclua medidas para manutenção de áreas de habitat favorável e medidas de conservação ex situ, nomeadamente o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma, propagação em viveiro e, eventualmente, ações de reforço populacional. Deverá ser desenvolvido um esforço de prospeção dirigida que permita melhorar o conhecimento sobre a sua distribuição atual, tamanho da população nacional e ameaças existentes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC4A46223FAFC3FB46AFA1C.taxon	discussion	Viola parvula é uma pequena planta anual de distribuição mediterrânica, que em Portugal continental está limitada ao cimo da serra de Montesinho (Lama Grande), onde ocorre em clareiras de urzais em areias graníticas soltas. A planta é avaliada como Vulnerável em função do reduzido número de indivíduos maduros estimado para a população nacional (inferior a 1000) e por se identificar uma única localização em território nacional. Os fenómenos estocásticos e imprevisíveis são a única ameaça relevante, já que a população nacional é muito pequena e localizada. A espécie parece beneficiar com o regime de incêndios que assola regularmente os matos do alto de Montesinho. Não se propõem medidas de conservação, mas é importante aumentar o conhecimento relativo à sua área de distribuição na serra de Montesinho. Recomenda-se a monitorização anual da população nacional, de forma a detetar eventuais flutuações populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCAA46C2428FF8EB81BFAD7.taxon	discussion	Marsilea quadrifolia é um feto aquático de distribuição euro-asiática, que ao longo do século passado sofreu uma forte regressão em Portugal continental. Em 2006 apenas se conhecia um único núcleo populacional em Portugal continental, perto da foz do rio Corgo. Desde então a espécie não tem sido regularmente observada, havendo indicação de uma observação em 2014, embora os esforços de prospeção efetuados em 2008, 2013 e 2017 tenham sido infrutíferos. É avaliada na categoria Criticamente em Perigo porque se admite a sua ocorrência numa única localização e porque se observam ou inferem declínios continuados ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, qualidade do habitat, tamanho da população nacional e número de localizações. Face a este cenário, é expectável a sua extinção num horizonte temporal entre 2007 e 2027. Os declínios terão resultado de pressões, como a expansão de espécies aquáticas invasoras, obras de regularização de margens fluviais, edificação de barragens e poluição dos cursos de água, entre outras. A principal ameaça atual são as alterações no regime hidrológico que possam significar a perda de condições de habitat. Sugere-se a prospeção anual da planta na área envolvente do núcleo da foz do rio Corgo, pelo menos, durante os próximos 10 anos, averiguando a possível sobrevivência da espécie em território nacional. Durante esse período, deverão ser asseguradas condições de habitat favorável à espécie, através da manutenção das margens naturais e da qualidade da água e da gestão adequada das albufeiras a montante. Caso os esforços de prospeção sejam infrutíferos, poderá ser equacionada a sua reintrodução.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCBA46D26D0FF8EB53CFCE4.taxon	discussion	Ononis laxiflora é uma erva anual presente na zona ocidental da bacia do Mediterrâneo, mas que em Portugal continental apenas é conhecida num único local, no Alto Tejo. Coloniza bancos de areia, provavelmente básicos, instalados sobre rochas perto da margem do rio. Durante o século XX, a construção de diversas albufeiras ao longo do Alto Tejo terá provocado a submersão de extensas áreas de habitat potencialmente favorável, bem como alterado significativamente a dinâmica de cheias e enxurradas que permitiriam a deposição de areias e sedimentos básicos, trazidos de montante. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar extensão de ocorrência e área de ocupação mínimas (4 km 2), por se verificar um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat, o qual parece ser bastante localizado e escasso, e por se identificar apenas uma única localização. Sugere-se que sejam tomadas medidas de gestão dos caudais das barragens para garantir a ocorrência regular de cheias no rio Tejo, as quais permitiriam beneficiar também outras espécies que ocorrem no mesmo tipo de habitat. Deverão ser continuados os esforços de prospeção na área de distribuição histórica, com recolha de sementes para conservação em bancos de germoplasma e análise das características físico-químicas das areias onde ocorre e nas áreas com habitat potencial. No final desse estudo, deverá ser avaliada a necessidade de elaborar um plano de conservação dedicado.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCBA46D26D0FC3CB5F9F999.taxon	discussion	Deverão também ser desenvolvidos esforços de reforço populacional que visem contribuir para o aumento dos efetivos da população nacional e promover uma maior continuidade entre os núcleos. Sugere-se a realização de estudos que permitam melhorar o conhecimento sobre a distribuição atual e uma estimativa mais precisa do tamanho da população nacional, e ainda a monitorização de todos os núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC8A46E23FAFF8EB43BFCA2.taxon	discussion	Silene conica subsp. conica é uma planta de ampla distribuição, mas que em Portugal continental se assinala apenas em Trás-os-Montes, habitando solos arenosos em leitos de cheia. É avaliada como Criticamente em Perigo porque apresenta uma extensão de ocorrência muito reduzida, um declínio continuado da área, extensão e qualidade do habitat e porque a população nacional se considera severamente fragmentada e em declínio continuado. Esta será seguramente muito reduzida, embora seja incerta a sua dimensão exata, visto tratar-se de uma planta dada a variações anuais e as contagens reportarem-se apenas a um ano. Ao nível de pressões, destaca-se o uso de herbicidas num dos locais conhecidos. As alterações no regime hidrológico que levem à ausência de perturbação provocada pelas cheias representam uma ameaça, ao permitirem a natural sucessão ecológica no seu habitat ou a expansão de canaviais e outras comunidades de infestantes. Ao longo do século XX, a construção de diversas barragens na bacia hidrográfica do rio Douro terá sido a principal causa de desaparecimento de extensas áreas de habitat potencial e de, pelo menos, duas subpopulações. Sugere-se a realização de ações de gestão de habitat, como o controlo de exóticas e de infestantes e a abertura de clareiras em anos em que não ocorram cheias invernais. Nos locais frequentados pela população humana, deverão ser desenvolvidas ações de sensibilização e o município de Miranda do Douro deverá ser alertado para os riscos do uso de herbicidas nos locais de ocorrência de núcleos. Deverá ser prosseguida a prospeção dirigida em áreas de habitat potencial e deve ser implementada uma monitorização, pelo menos, bienal dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC8A46E23FAFC3FB446F915.taxon	discussion	Tanacetum microphyllum é uma planta endémica da região oeste da bacia mediterrânica, que em Portugal continental apresenta uma distribuição histórica muito dispersa. A maioria das localidades de ocorrência histórica foi submergida pelas albufeiras de barragens construídas entre meados do século XX e a última década. No último quarto de século, apenas há notícia de um registo, perto de Mirandela, que não foi confirmado recentemente. A prospeção efetuada no âmbito da Lista Vermelha não conseguiu detetar quaisquer indivíduos em nenhuma das localidades históricas que foram prospetados. Apesar de subsistir alguma incerteza quanto à possibilidade de ocorrência de núcleos não detetados, o escasso registo histórico corrobora a raridade desta planta em Portugal, pelo que se justifica uma abordagem de precaução e avalia-se com base na informação resultante de registos efetivamente confirmados. É avaliada como Criticamente em Perigo com base na existência de um único núcleo populacional e no declínio continuado ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, área e extensão do habitat e número de localizações, inferindo-se também um declínio continuado do tamanho da população. Sugere-se a continuação de prospeção dirigida em áreas com habitat favorável situadas na envolvente das localidades históricas, a colheita de material genético da população nacional e o seu armazenamento em dois bancos de germoplasma nacionais. Sugere-se ainda a criação de uma subpopulação em viveiro para ser utilizada em ações de reforço populacional e repovoamento em áreas de habitat favorável. Os núcleos que venham a ser criados deverão ser alvo de monitorização bienal, pelo menos numa fase inicial.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFC9A46F23C2FB1FB72FF957.taxon	discussion	Aphyllanthes monspeliensis é uma planta de distribuição mediterrânica, que em Portugal apenas é conhecida do troço internacional do rio Douro e cuja população nacional se estima em cerca de 275 indivíduos. Ocorre em comunidades de subarbustos basófilos, em locais muito secos e quentes, sobre substratos rochosos nos leitos de cheia de grandes rios. No século passado a construção de diversas barragens terá destruído vários núcleos e extensas áreas de habitat favorável. Atualmente, a principal ameaça parece ser a redução da frequência das descargas das barragens, as quais permitem simular a perturbação regular sobre os leitos de cheia rochosos e manter condições de habitat favorável para a planta. Avalia-se na categoria Em Perigo pelas reduzidas extensão de ocorrência e área de ocupação, porque se identifica um declínio continuado da qualidade do seu habitat e porque apenas se sinalizam quatro localizações, cada uma das quais se encontra a jusante de uma barragem (Castro, Miranda do Douro, Bemposta, Saucelhe). Deverão ser implementadas as microreservas previstas na Proposta de Desenvolvimento de uma Rede de Microrreservas no Parque Natural do Douro Internacional e estudadas medidas de gestão de habitat que permitam perturbações regulares nos leitos de cheia rochosos, mesmo em períodos de seca extrema. Sugere-se a monitorização bienal dos núcleos conhecidos e a continuação dos esforços de prospeção dirigida.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCEA46823FAFF8EB459FD26.taxon	discussion	Andryala ragusina é uma planta característica dos leitos de cheia de grandes rios, que em Portugal ocorre apenas em três locais, um no troço internacional do rio Douro e dois no rio Tejo. É avaliada na categoria Em Perigo porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, porque se identificam apenas três localizações e porque se infere o declínio continuado do tamanho da população (estimada em cerca de 500 indivíduos maduros) e da área e qualidade do habitat. As principais ameaças sobre a população nacional são as alterações do regime hidrológico dos grandes rios, principalmente devido à diminuição considerável dos episódios de enxurradas e consequente submersão dos leitos de cheia, que causam desequilíbrios na dinâmica de erosão natural e deposição de sedimentos, não se formando novos bancos de areias que a planta possa colonizar, e permitindo a instalação de comunidades mais evoluídas na sucessão ecológica que não lhe são favoráveis. Outra ameaça é a atividade de extração de areias nos leitos de cheia. Sugere-se a elaboração de um plano de conservação dedicado, com ações de gestão do habitat, recolha de sementes provenientes de indivíduos de ambas as subpopulações e sementeiras em habitat favorável para reforço populacional. Propõe-se ainda a monitorização regular de todos os núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCEA46823FAFC3FB546F915.taxon	discussion	Buxus sempervirens é um arbusto, eventualmente de porte arbóreo, que em Portugal continental ocorre de modo espontâneo em leitos de cheia e vertentes rochosas nos vales mais encaixados dos grandes afluentes da margem direita do rio Douro, a montante da Régua. A construção de barragens na bacia hidrográfica do rio Douro representou uma pressão significativa no passado, devido à destruição do habitat favorável. Esta pressão prolongou-se até à década de 2010, na qual se finalizaram as barragens do Baixo Sabor e Foz Tua. Infere-se que, pelo menos, 30 % da população nacional possa ter desaparecido na última década. Este cenário é agravado pela recente introdução em Portugal da mariposa-do-buxo (Cydalima perspectalis), que representa a principal ameaça sobre a população nacional no futuro. É expectável que os efeitos combinados da construção de barragens e da mariposa-do-buxo possam representar uma perda superior a 50 % da população nacional de buxo, no horizonte 2010 - 2040. A planta é assim avaliada como Em Perigo, o que é suportado também pela baixa área de ocupação e extensão de ocorrência, reduzido número de localizações (duas) e declínio continuado da área de ocupação, área e extensão do habitat, e tamanho da população. Para conservação dos núcleos espontâneos desta planta em território nacional, deverão ser estritamente preservados os vales onde estes ocorrem, sugerindo-se um reforço populacional dos núcleos mais isolados (sempre com material de origem espontânea). É também de enorme importância a monitorização dos núcleos de buxo e da distribuição da mariposa-do-buxo, acompanhadas por medidas de controlo desta espécie, que minimizem os eventuais estragos que poderá causar.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCCA46A2428FF8EB8A6FB78.taxon	discussion	Aster aragonensis é uma espécie endémica da Península Ibérica, que habita em clareiras de matos e afloramentos de rochas básicas, cuja população nacional se encontra severamente fragmentada, com poucas e pequenas subpopulações, muito afastadas entre si e distribuídas numa extensa área entre a Estremadura e Trás-os-Montes. É avaliada como Em Perigo porque apresenta uma área de ocupação reduzida (cerca de 56 km 2), encontra- se severamente fragmentada e infere-se um declínio continuado da área e qualidade do habitat. Estima-se que a população nacional seja constituída por menos de 1000 indivíduos maduros, identificando-se entre oito e 10 localizações. A florestação e as atividades de gestão florestal, o adensamento dos matos, a deposição de entulhos e a construção de parques eólicos constituem as principais ameaças à conservação da espécie, embora a maioria tenha um carácter estritamente local. Devido à sua reduzida dimensão, vários núcleos populacionais são muito suscetíveis a fenómenos de extinção estocástica. A maior subpopulação atualmente conhecida (serra da Carregueira) encontra-se ameaçada e não está abrangida por nenhuma área protegida, pelo que se propõe que seja assegurada a sua conservação. Propõe-se ainda a realização de estudos que permitam melhorar o conhecimento da área de distribuição e da ecologia da espécie, assim como a monitorização periódica dos núcleos conhecidos para avaliar a tendência da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCDA46B26D0FF8EB6FEFC85.taxon	discussion	Centaurea alba subsp. alba é uma planta endémica do Centro-Norte da Península Ibérica, com uma distribuição muito restrita em Portugal continental. É avaliada como Em Perigo porque a sua extensão de ocorrência e a sua área de ocupação são muito reduzidas (18 km 2 e 8 km 2, respetivamente), porque se identificou um declínio continuado da extensão de ocorrência, da área de ocupação, da extensão e qualidade do seu habitat e do número de localizações, e ainda porque apenas se conhecem dois núcleos populacionais, que correspondem a duas localizações distintas. Adicionalmente, a população nacional estima-se em menos de 500 indivíduos maduros, dos quais 95 % se concentram numa única subpopulação (Tramagal). A progressão natural da vegetação arbustiva e atividades relacionadas com extração de areia constituem fatores de pressão a esta planta, identificando-se as alterações no balanço hídrico e hidrológico como principal ameaça. As medidas de conservação para esta planta incluem principalmente a definição de microrreservas, medidas de conservação ex situ, tanto para salvaguarda do património genético, como para propagação em viveiro com vista ao repovoamento e fortalecimento populacional, uma vez que um dos núcleos conhecidos é de muito reduzida dimensão. Adicionalmente, será importante promover ações de educação ambiental e de divulgação. Será importante desenvolver um estudo aprofundado sobre a sua distribuição e dinâmica populacional, sobre as suas ameaças, bem como definir um plano de conservação dedicado e ainda elaborar nova legislação para proteção da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFCDA46B26D0FC3CB5BFF999.taxon	discussion	Genista scorpius é um arbusto espinhoso, que em Portugal ocorre apenas nos leitos rochosos do vale do rio Douro, conhecendo-se uma única localização a jusante da barragem de Bemposta. O censo populacional efetuado em 2017 apenas detetou 28 indivíduos, suspeitando-se, dada a existência de condições de habitat potencialmente favorável em áreas inacessíveis à prospeção, que possa haver mais alguns indivíduos ou pequenos núcleos dispersos. Estima-se que a população nacional não ultrapasse os 250 indivíduos maduros, pelo que a planta se avalia na categoria de Em Perigo. Não se identificam ameaças significativas, embora o reduzido tamanho da população nacional e o seu isolamento a tornem suscetível a fenómenos de extinção por estocasticidade ambiental. Para sua conservação, propõem-se ações de salvaguarda do património genético da população nacional (conservação ex situ) e esforços para o incremento do número de indivíduos (gestão do habitat, auxílio na dispersão de sementes). Sugere-se ainda a continuação dos esforços de prospeção dirigida, a realização de estudos biológicos para se perceber que fatores podem estar a condicionar as aparentes dificuldades de reprodução ou de instalação de novos indivíduos e a monitorização regular da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD2A47423FAFB1CB513F9B6.taxon	discussion	Silene boryi var. duriensis é um endemismo ibérico restrito à bacia hidrográfica do rio Douro, cuja presença atual em Portugal se confirma apenas em dois núcleos em Trás-os-Montes (Paradela e Bemposta), colonizando fendas de rochas e cascalheiras em leitos de cheia. A população nacional sofreu seguramente uma significativa redução no passado, principalmente devido à construção de diversas barragens na bacia do rio Douro, cujas albufeiras submergiram o seu habitat e alguns núcleos populacionais. É avaliado como Em Perigo porque se estima que não existam mais de 250 indivíduos maduros na população nacional. O reduzido número de indivíduos maduros e a fragmentação severa dos núcleos expõem esta planta a um risco acrescido de extinção por estocasticidade ambiental, assinalando-se ainda ameaças, como a extração de areias e obras de beneficiação de caminhos. Sugere-se a implementação de microrreservas no Parque Natural do Douro Internacional e o aumento de fiscalização sobre as atividades que possam causar a destruição de núcleos. Deverão ser ponderadas ações de reforço populacional. Sugere-se ainda que seja mantida a prospeção dirigida em áreas históricas e de habitat potencial e a monitorização de todos os núcleos atualmente conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD3A47526D0FC3FB750F956.taxon	discussion	Allium schmitzii é um endemismo ibérico, que em Portugal se distribui de modo pontual entre o Baixo Alentejo e Trás-os-Montes. Identificam-se sete subpopulações, constituídas por núcleos populacionais de pequena dimensão, que ocorrem em fendas de rochas localizadas em margens e leitos de cheia de cursos de água. É avaliado como Vulnerável porque apresenta uma reduzida área de ocupação (cerca de 44 km 2), identificam-se apenas nove localizações e inferem-se declínios continuados da área de ocupação, da área e extensão do habitat e do tamanho da população nacional. A construção de barragens nas bacias hidrográficas dos rios Douro, Tejo e, mais recentemente, Guadiana (Alqueva) foram responsáveis pela destruição de núcleos populacionais e de extensas áreas de habitat. Estes impactos terão certamente contribuído para aumentar a fragmentação dos núcleos atuais, pondo em causa a troca genética entre as unidades subpopulacionais. Deverá ser feito um esforço de concretização do censo populacional das subpopulações do Sul para melhorar a análise de risco de extinção da população nacional. Sugere-se que os maiores núcleos sejam abrangidos por um plano de conservação ex situ, contemplando a recolha de sementes e sua preservação em bancos de germoplasma, a produção de nova legislação de proteção da planta e do seu habitat potencial, a sua integração em planos de ordenamento do território e a definição de áreas de proteção, no caso dos núcleos não abrangidos pelo Sistema Nacional de Áreas Classificadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD3A47526D0FF8EB5A4FC85.taxon	discussion	Pistorinia hispanica é uma planta anual endémica da Península Ibérica, cuja população nacional é constituída por um número reduzido de núcleos populacionais esparsamente distribuídos nas zonas interiores de Trás-os-Montes e Beira Baixa. Ocorre em prados efémeros instalados em areias e gravilha sobre afloramentos rochosos, em leitos de cheia de rios. É avaliada como Em Perigo porque apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, infere-se declínio continuado ao nível da área de ocupação, da área e qualidade do habitat, do tamanho da população e do número de localizações e estão identificadas até cinco localizações, além de se suspeitar que a população nacional possa estar severamente fragmentada. Até ao passado recente, a construção de barragens representou a maior pressão sobre a população nacional e sobre o seu habitat. Atualmente, assinalam-se pressões, como a expansão de exóticas invasoras (canavial), expansão da atividade agrícola, e ameaças, como o pisoteio de animais e os incêndios recorrentes. Sugerem- se medidas para gestão de habitat, como o controlo de espécies exóticas invasoras, a definição de microrreservas nos locais de ocorrência da espécie e a sua integração nos planos de ordenamento de território em vigor. Para salvaguarda do património genético da população nacional, deverão ser armazenadas sementes em bancos de germoplasma. Sugere-se ainda a monitorização, pelo menos, bienal dos núcleos e a manutenção dos esforços de prospeção dirigida em locais com habitat potencialmente favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD0A47623FAFF8EB315FCE4.taxon	discussion	Bufonia macropetala subsp. willkommiana é um endemismo ibero-marroquino, que ocorre em afloramentos rochosos de leitos de cheia de vários cursos de água das bacias hidrográficas dos rios Douro e Tejo. É avaliado como Vulnerável porque apresenta valores reduzidos de extensão de ocorrência e área de ocupação, estão identificados declínios continuados da área de ocupação e da área, extensão e qualidade do seu habitat e porque apenas se identificam nove localizações. Acresce que a população nacional, estimada em menos de 10 000 indivíduos maduros, se encontra em declínio continuado e nenhuma das subpopulações terá mais de 1000 indivíduos. A construção de diversas barragens ao longo do século passado, que se prolongou até à última década, foi responsável pela submersão de vários núcleos e de extensas áreas de habitat potencial. Estas estruturas são também responsáveis pela alteração do regime hidrológico, que poderá ter consequências ao nível da qualidade do seu habitat a nível local. Embora seja pouco expectável a construção de novas barragens e estruturas similares a curto prazo, continua a representar uma ameaça plausível de regressar no futuro. Deverão ser reforçadas as leis e os instrumentos de gestão do território, de modo a condicionar fortemente a destruição dos restantes núcleos populacionais, devido à construção de novas estruturas de represamento de águas ou a criação de praias fluviais. Sugere-se também uma monitorização regular da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD0A47623FAFC3CB2FCF9DA.taxon	discussion	Coronilla minima subsp. minima é um arbusto com distribuição mediterrânica ocidental, que em Portugal ocorre apenas em Trás-os-Montes, em afloramentos rochosos no leito de cheias do rio Douro. A população nacional é muito pequena e restrita a apenas quatro locais, com uma área de ocupação de 28 km 2. Estima-se que seja constituída por 800 indivíduos maduros, pelo que se avalia como Vulnerável. Ao longo do século XX, a maior pressão sobre a população nacional foi a construção de sucessivas barragens na bacia hidrográfica do Douro, responsável pela submersão de grande parte do seu habitat potencial e por uma redução muito significativa da sua área de distribuição e, seguramente, do tamanho da população nacional. É expectável que esta pressão tenha cessado e, atualmente, a principal ameaça é o aumento de frequência de secas prolongadas, sendo que as alterações do regime hidrológico do rio Douro poderão resultar no desenvolvimento de comunidades vegetais que excluam esta planta por competição. Propõe-se a criação de áreas de proteção e a monitorização regular dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD1A47726D0FF8EB7FAFD26.taxon	discussion	Isatis platyloba é um endemismo ibérico que em Portugal ocorre exclusivamente nas arribas do rio Douro, em plataformas terrosas nas escarpas e margens de cascalheiras, e noutros locais onde haja alguma escorrência de água e acumulação de sedimentos. Apesar de apenas terem sido contabilizados 670 indivíduos maduros nos censos efetuados em 2017 e 2018, estima-se que a população nacional da planta tenha entre 1500 e 2000 indivíduos maduros, uma vez que a acessibilidade a vários locais é bastante limitada, podendo eventualmente existir pequenos núcleos populacionais entre as subpopulações. É avaliado como Vulnerável por apresentar uma área de ocupação muito reduzida (16 km 2), por se identificarem apenas quatro localizações e por estarem identificadas ameaças suscetíveis de causar uma redução significativa da população nacional num curto espaço de tempo, nomeadamente limpezas excessivas e recorrentes de vegetação previamente à maturação e à dispersão das sementes da planta e incêndios recorrentes. Para a sua conservação, propõe-se a implementação das microrreservas propostas para o Parque Natural do Douro Internacional, a realização de estudos que permitam conhecer melhor a distribuição, a dinâmica populacional e as ameaças, bem como a monitorização dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD1A47726D0FC3FB63AF9DA.taxon	discussion	Linum austriacum é uma planta de ampla distribuição, mas que em Portugal continental apenas se conhece em Trás-os-Montes, num troço do Douro Internacional, habitando areias ricas em cálcio no leito de cheia do rio. É avaliada como Vulnerável porque se estima que a população nacional se situe entre 250 e 1000 indivíduos maduros. Apesar de por ora não estarem identificadas pressões sobre a população nacional, nem ser possível assinalar declínios continuados da sua dimensão ou ao nível do habitat, o seu diminuto tamanho torna-a suscetível a quaisquer ameaças imprevisíveis. Para a sua conservação, propõe-se a implementação das microrreservas previstas na proposta de desenvolvimento de uma rede de microrreservas no Parque Natural do Douro Internacional. Para melhorar o conhecimento atual sobre o tamanho da população nacional e a sua distribuição, sugere-se que seja realizada prospeção dirigida durante a sua época de floração em áreas de difícil acesso do rio Douro e no rio Águeda. Sugere-se ainda a realização de estudos sobre ameaças e pressões e a monitorização regular dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD6A47023FAFF8EB264FA11.taxon	discussion	Onopordum illyricum subsp. illyricum é um cardo endémico da zona sul e oeste da Europa, que em Portugal apenas é conhecido numa área geográfica restrita, entre Vila Nova de Foz Coa e Barca de Alva, em pastagens e pousios pastoreados por ovinos ou caprinos. A população nacional é composta por uma única subpopulação, constituída por seis núcleos populacionais. Encontra-se sujeito à pressão de destruição dos núcleos para expansão de atividades agrícolas, estando também ameaçado pelo expectável abandono da pastorícia extensiva de gado ovino ou caprino, à qual parece estar associado. É avaliado como Vulnerável por apresentar reduzidas extensão de ocorrência e área de ocupação, porque se observa um declínio continuado da qualidade do seu habitat e porque apenas se identificam seis localizações. Acresce que se estima que seja constituído por menos de 1000 indivíduos maduros. Para assegurar a sua conservação, sugere-se que, na sua área de distribuição, sejam implementados incentivos financeiros para a manutenção dos rebanhos de ovelhas em regime de pastorícia extensiva e para a manutenção dos olivais e amendoais com gestão tradicional, sem recurso a herbicida. Simultaneamente, deverão ser promovidas ações de sensibilização e divulgação junto dos produtores e das autoridades administrativas locais. Deverá ser efetuada a conservação de sementes em dois bancos de germoplasma nacionais e a criação de indivíduos em viveiro em instituições que assegurem a sua manutenção a longo prazo. Todos os núcleos conhecidos devem ser alvo de monitorização regular e deverão ser efetuados esforços de prospeção de novos núcleos na área de distribuição histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD7A47124C3FF8EB86AFB78.taxon	discussion	Sideritis montserratiana é um pequeno arbusto endémico da Península Ibérica, que em Portugal está restrito à bacia do Douro, habitando clareiras e orlas de matos em solos calcários ou siliciosos mas possivelmente pouco ácidos. A espécie é avaliada como Vulnerável por ter a área de ocupação e a extensão de ocorrência reduzidas, contar apenas seis localizações e por se identificar um declínio continuado do tamanho da população nacional. A construção de diversas barragens na bacia hidrográfica do Douro Superior, que decorreu ao longo do século XX e até à última década (Baixo Sabor, Foz Tua), foi seguramente responsável pela destruição de extensas áreas de habitat favorável e pela perda de núcleos populacionais. Alguns núcleos atualmente conhecidos são constituídos por um reduzido número de indivíduos e, dado o seu isolamento, são particularmente suscetíveis a qualquer ameaça imprevista. Deverá ser assegurada a manutenção dos núcleos atualmente conhecidos, que deverão ser sinalizados nos instrumentos de gestão territorial que abranjam a sua área de distribuição. Recomenda-se a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos, para avaliar os efeitos das albufeiras recentemente construídas no seu habitat e a sua tendência populacional no futuro próximo.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD4A47223FAFF8EB4BFFCC7.taxon	discussion	Spiraea hypericifolia subsp. obovata é um pequeno arbusto, que ocorre principalmente em matagais em leitos de cheia e margens rochosas de rios. É um endemismo ibero-gaulês, que em Portugal ocorre apenas no Minho e em Trás-os-Montes. Avalia-se como Vulnerável devido à sua reduzida extensão de ocorrência (cerca de 4000 km 2) e pequena área de ocupação (cerca de 50 km 2), a identificarem-se apenas sete localizações (em três das quais só se conhece um único núcleo atualmente) e porque se infere declínio continuado do tamanho da população nacional e da área e qualidade do seu habitat. As principais ameaças estão relacionadas com fatores que provoquem mudanças no regime hidrológico dos cursos de água, quer devido a alterações climáticas (aumento da frequência e duração de secas extremas), quer pela construção de novas barragens. Outra ameaça sobre esta planta refere-se à possível poluição genética devido ao cultivo de inúmeros cultivares e híbridos do género Spiraea para fins ornamentais. Assim, propõe-se um plano de gestão conjunto com outras rosáceas lenhosas de distribuição semelhante, que, no caso desta planta, incorpore a salvaguarda do património genético da população silvestre, o incentivo ao cultivo de plantas oriundas de subpopulações nativas nos territórios envolventes em detrimento de plantas exóticas e, ainda, proporcione um estudo populacional dos núcleos conhecidos e sua monitorização cíclica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD4A47223FAFC3FB55DF957.taxon	discussion	Trigonella polyceratia é uma planta com uma distribuição geográfica alargada no Norte de África e Península Ibérica, mas que em Portugal ocorre de modo muito localizado na zona superior das bacias dos rios Douro e Tejo. É avaliada como Vulnerável pela sua reduzida extensão de ocorrência e pequena área de ocupação, porque estão identificados declínios continuados ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, tamanho da população nacional, área, extensão e qualidade do seu habitat e porque no presente apenas se identificam 10 localizações, também em declínio continuado. A construção de várias barragens na sua área de distribuição nacional provocou a destruição de núcleos, a submersão de extensas áreas de leitos de cheia arenosos a montante das barragens e a degradação das condições de habitat a jusante, representando ainda uma ameaça potencial no futuro, uma vez que continuam a existir planos para construção de novas estruturas. Sugerem-se medidas de conservação ex situ, tais como a conservação de sementes em bancos de germoplasma e a propagação da planta em jardins botânicos. Deverá ser salvaguardada a conservação de leitos de cheia arenosos na área de distribuição da espécie, condicionando-se fortemente a construção de novas estruturas que provoquem a sua submersão. Propõe-se que seja mantida a prospeção dirigida em áreas de habitat potencial, principalmente na subpopulação do Tejo, e uma monitorização que permita quantificar a dimensão da população nacional e avaliar a sua tendência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDBA47D26D0FF8EB8B5FCA2.taxon	discussion	Klasea legionensis é um endemismo do Noroeste ibérico, com uma distribuição muito localizada e com uma subpopulação finícola em Portugal. Ocorre apenas na serra do Gerês, conhecendo-se atualmente apenas um núcleo em território nacional, que se integra numa subpopulação transfronteiriça (serra do Gerês / Xurés). A planta é avaliada como Criticamente em Perigo porque apresenta uma extensão de ocorrência reduzida (seguramente inferior a 100 km 2, mesmo caso venha a confirmar-se em algum dos locais onde se suspeita a sua presença), apenas se identifica uma única localização (idem) e se infere um declínio continuado da população nacional, com base na regressão populacional assinalada para a subpopulação transfronteiriça da serra do Gerês / Xurés. Além disso, a população nacional é composta por menos de 250 indivíduos maduros e todos se concentram numa única subpopulação. As causas do declínio populacional não são bem conhecidas, embora se identifiquem ameaças como os fogos recorrentes e o adensamento da vegetação arbustiva em consequência da dinâmica sucessional. A espécie parece apresentar problemas reprodutivos ou de dispersão que condicionam a sua capacidade de recolonização. Deverá ser implementado um plano de conservação, que inclua medidas de gestão de habitat e medidas de conservação ex situ, como a conservação em bancos de germoplasma e a criação de plantas em viveiro. Deverão ser desenvolvidos estudos para melhor compreensão dos fatores envolvidos nas aparentes dificuldades de reprodução e / ou dispersão, além de dever efetuar-se prospeção dirigida para confirmação da planta nos locais onde se suspeita que possa ocorrer e implementar-se um programa de monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDBA47D26D0FC3FB7C2FA5E.taxon	discussion	Polygonum bistorta subsp. bistorta é uma planta presente na Europa, Ásia e África, de distribuição em Portugal restrita a uma pequena área de lameiros a oeste de Montalegre. É avaliada como Criticamente em Perigo por ter uma área de ocupação e extensão de ocorrência muito reduzidas, contar apenas uma localização e sofrer um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat (lameiros), o qual é possível de se prolongar no futuro. A principal ameaça que pesa sobre a população nacional é a má gestão dos lameiros ou o seu abandono. A gestão tradicional dos lameiros deverá ser incentivada, preferencialmente com apoios financeiros. Recomenda-se a monitorização dos núcleos conhecidos e a prospeção de novos núcleos em áreas de habitat favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD8A47E23FAFF8EB4E3FD26.taxon	discussion	Scrophularia bourgaeana é um endemismo ibérico, que em Portugal apenas se conhece atualmente na serra de Arga, onde, apesar de ter sido alvo de prospeção dirigida, apenas se encontraram dois núcleos, ocorrendo numa linha de água com margens enrocadas. No passado haveria outra subpopulação na serra do Soajo, mas não é registada há cerca de 40 anos. É avaliado como Criticamente em Perigo porque a população nacional é extremamente reduzida (menos de 40 indivíduos maduros), encontra-se em declínio continuado e está toda concentrada numa única subpopulação. Além disso, apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação mínimas (apenas 4 km 2), conhece-se uma única localização e infere-se o declínio continuado da qualidade do habitat. A aplicação de herbicida destruiu vários indivíduos recentemente, assinalando-se ainda outras pressões, como ações de gestão de vegetação e a reconversão de lameiros para plantação de culturas agrícolas. Sugere-se a colheita de sementes para armazenamento em banco de germoplasma e para criação em viveiro ou jardim botânico que possa possibilitar futuras ações de repovoamento e o condicionamento de atividades que promovam a destruição de indivíduos. Deverá ser mantida a prospeção da planta e sugere-se a sua monitorização, de modo a acompanhar a tendência populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD8A47E23FAFC3CB287F974.taxon	discussion	Sorbus aria é uma árvore caducifólia, que em Portugal continental apenas ocorre naturalmente nas serras da Estrela e do Gerês, embora existam exemplares cultivados noutros locais (serras da Freita, do Buçaco e da Lousã), que, por não se saber a origem, não são considerados nesta análise. Habita em orlas de bosques caducifólios e perto de linhas de água pedregosas, em regiões montanhosas. É avaliada como Criticamente em Perigo porque se estima que a população nacional nativa seja inferior a 50 indivíduos maduros (dos quais mais de 90 % estão concentrados na subpopulação da serra do Gerês) e que se encontre em declínio continuado. A principal ameaça e pressão são os incêndios recorrentes na sua área de distribuição e que causam a degradação do seu habitat natural (bosques caducifólios de montanha). Assinala-se também a ameaça de poluição genética da população selvagem devido ao cultivo de plantas de origem desconhecida. Para a sua conservação, considera-se necessário um plano de gestão que permita aumentar o seu efetivo populacional, através de medidas de conservação in situ, como ações de reforço populacional, e medidas ex situ, como a salvaguarda do património genético nacional em bancos de germoplasma e a propagação em viveiro. Sugere-se também o apoio da produção de plantas para fins ornamentais, com base na população silvestre, de modo a precaver a entrada de material alóctone. Deverá ser mantido o esforço de prospeção e encetar estudos genéticos das subpopulações para se poder clarificar a taxonomia deste táxon e outros afins.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD9A47F26D0FF8EB781FC85.taxon	discussion	Pinus sylvestris é uma árvore de ampla distribuição eurossiberiana que alcança Portugal de forma finícola, ocorrendo apenas uma população autóctone na serra do Gerês, local que constitui o limite oeste da sua distribuição global. Embora também seja plantada noutras serras de Portugal (a partir de material de origem, provavelmente, não autóctone), nesta ficha apenas se avalia a população nativa. É avaliada como Em Perigo já que possui extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (com cerca de 285 km 2 e de 24 km 2, respetivamente), identificam-se apenas três localizações e assinala-se declínio continuado ao nível da área e qualidade de habitat e do número de indivíduos maduros. Atualmente, contam-se apenas cerca de 1600 indivíduos maduros numa única subpopulação, apesar de novos núcleos que se estão a promover através de plantação de material autóctone. A principal pressão / ameaça são os incêndios florestais, que, com as previstas alterações climáticas, se podem tornar cada vez mais recorrentes e catastróficos. Outras grandes ameaças são a endogamia e também a poluição genética oriunda das plantações com espécimes de origem alóctone. Para contrariar estas ameaças, é essencial apostar num plano de gestão que promova o restauro ecológico dos núcleos existentes e a promoção de outros novos, como está a ser feito, por exemplo, nos parques naturais do Alvão e da serra da Estrela (neste não terão sobrevivido ao primeiro verão), a vigilância e prevenção de incêndios, assim como um plano de abate do pinheiro-silvestre alóctone, nas áreas de influência dos núcleos autóctones espontâneos ou cultivados.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFD9A47F26D0FC3FB67DF974.taxon	discussion	Taxus baccata é uma árvore, que ocorre em bosques mistos em zonas montanhosas, em vales profundos e encostas íngremes, em solos ácidos e pedregosos, geralmente próximo de linhas de água. Em Portugal continental conhecem-se atualmente apenas três subpopulações: serra do Gerês, serra da Estrela e serra do Caramulo, sendo esta última inviável, por se tratar de um indivíduo isolado, incapaz de se reproduzir. A população regional estima-se em cerca de 5000 indivíduos maduros e está em declínio continuado. É avaliada como Em Perigo já que possui uma área de ocupação de apenas 164 km 2, identificam-se apenas três localizações, duas delas ameaçadas pelos incêndios recorrentes, o que tem provocado um declínio continuado de indivíduos maduros e da área, extensão e qualidade do seu habitat. Assinala-se também um declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação e número de localizações, dado que há evidências de o teixo ter ocorrido noutras serras, onde hoje já não se encontra (Montesinho, Marão). Para a sua conservação, sugerem-se medidas de repovoamento e reforço populacional, por exemplo, nas serras do Caramulo e da Estrela. Estes esforços deverão ser acompanhados de medidas de gestão de habitat e reforço de vigilância contra incêndios. O repovoamento noutras serras onde tenha ocorrido no passado deve ser ponderado e, a concretizar-se, deverá recorrer-se a material vegetal da subpopulação mais próxima. Sugere-se ainda a sua monitorização, de modo a acompanhar a tendência populacional e o sucesso das medidas de conservação implementadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDEA47823FAFB1FB7E7F974.taxon	discussion	Thymelaea broteriana é uma planta que ocorre em clareiras de urzais, tomilhais e outros matos baixos sobre substratos ácidos, em zonas de montanha acima dos 900 m. É um endemismo ibérico, que em Portugal apresenta uma distribuição restrita a algumas serras do Centro e do Norte do país. A extensão de ocorrência é de cerca de 5400 km 2 e a área de ocupação é inferior a 100 km 2. Estima-se que a população nacional não ultrapasse os 2500 indivíduos maduros e que se encontre em declínio continuado. Os incêndios recorrentes representam a principal pressão, que é comum a todos os núcleos populacionais em cada uma das quatro subpopulações, pelo que se consideram apenas quatro localizações. Perante estas considerações, é avaliada como Em Perigo. A construção de parques eólicos, radares, antenas e respetivos acessos representou uma pressão significativa no passado recente, mas atualmente com menor significado. O adensamento dos urzais representa uma pressão adicional, uma vez que a planta necessita de áreas abertas que possa colonizar e é verosímil que seja bastante suscetível a alterações climáticas. Para sua conservação a longo prazo, sugerem-se medidas de gestão de habitat e reforço populacional e conservação de material genético em bancos de germoplasma nacionais. Deverão ser desenvolvidos estudos que permitam uma estimativa mais precisa da dimensão da população e da sua tendência, sugerindo-se ainda a sua monitorização regular para deteção precoce de eventuais impactos resultantes de ameaças não previstas ou subavaliadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDFA47926D0FF8EB59BFC85.taxon	discussion	Allium ericetorum é uma planta endémica do Sul da Europa, que em Portugal continental ocorre principalmente nas serras do Minho, com núcleos populacionais isolados na Beira Litoral e no Baixo Alentejo. No Norte do país ocorre em habitats rupestres e em clareiras de urzais, em zonas de montanha, e no Sul surge em brejos e turfeiras. É avaliada como Vulnerável pois apresenta uma extensão de ocorrência com cerca de 15 000 km 2, área de ocupação com cerca de 100 km 2, identificam-se apenas sete localizações e observa-se um declínio continuado da área de ocupação e da área e qualidade do habitat, inferindo-se também um declínio continuado do número de indivíduos maduros. As subpopulações do Norte do país estão ameaçadas pela invasão do habitat por espécies alóctones e pela intensificação e expansão das atividades florestais, enquanto a drenagem dos solos turfosos e a intensificação das atividades agropecuárias constituem as principais ameaças na subpopulação do Sul. Os núcleos do Sul de Portugal constituem o limite sudoeste de distribuição mundial da espécie, apresentam uma ecologia distinta e são uma relíquia glacial do Pleistoceno, sugerindo-se estudos taxonómicos para averiguar as diferenças existentes com as subpopulações do Norte. Propõe-se a aplicação de medidas para assegurar a sua conservação, nomeadamente a definição de áreas de proteção no núcleo de Landeira e a conservação ex situ de material genético dos núcleos do Sul. Sugere-se também a monitorização periódica da população nacional e a realização de um censo populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDFA47926D0FC3FB704FA3D.taxon	discussion	Knautia nevadensis é uma planta herbácea de grande dimensão, típica dos prados de ceifa e margens de ribeira das serras de Montemuro, do Marão e de algumas áreas do concelho de Montalegre, cuja população nacional se estima atualmente em menos de 2500 indivíduos maduros. É avaliada como Vulnerável por ter apenas sete localizações em Portugal, apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação e por se inferir um declínio continuado na qualidade do habitat. Esta espécie está ameaçada pelo desenvolvimento de infraestruturas, pressão de pastoreio e más práticas de gestão da vegetação que afetam ou podem vir a afetar significativamente alguns dos seus núcleos populacionais. Dado o reduzido tamanho de alguns núcleos populacionais, existem riscos acrescidos de extinção dos mesmos devido a fatores estocásticos. É importante proteger o seu habitat, que depende em grande medida da manutenção de práticas culturais tradicionais que permitam a manutenção dos prados de ceifa nas serras do Norte de Portugal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDCA47A23FAFF8EB3BDFCE4.taxon	discussion	Succisa pinnatifida é uma planta endémica de Portugal e da Galiza, presente em Portugal de norte a sul, onde predomina nas regiões mais litorais. Habita em clareiras de matos em solos ácidos, geralmente xistosos. É avaliada como Vulnerável porque apresenta uma área de ocupação reduzida, identificam-se apenas 10 localizações e porque se assinala declínio continuado ao nível da sua área de ocupação, número de localizações, tamanho da população nacional e ainda da área e qualidade do seu habitat. As ameaças mais significativas que pesam sobre a espécie são a transformação de matos em florestas de produção, a expansão de espécies exóticas e a extinção dos pequenos núcleos populacionais isolados por motivos estocásticos. Para contrariar a tendência populacional negativa, é urgente criar áreas de proteção para os núcleos do Grande Porto e assegurar a conservação destes locais nos planos de ordenamento territorial vigentes. Deverão ser realizados esforços para propagar a planta ex situ, principalmente, a partir de material genético proveniente dos núcleos mais a sul, de modo a permitir reforçar estes núcleos populacionais. Deverá também fazer-se o controlo de espécies exóticas invasoras, em particular nos núcleos da serra de Arga e arredores do Grande Porto. Recomenda-se a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos e a elaboração de estudos populacionais para determinar o grau de isolamento dos diferentes núcleos populacionais desta espécie quase endémica portuguesa.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDCA47A23FAFC3FB514F9FB.taxon	discussion	Vicia orobus é uma planta de distribuição europeia, que em Portugal ocorre de modo localizado nas regiões montanhosas do Minho e Trás-os-Montes, em lameiros, prados vivazes perto de cursos de água e em orlas de bosques caducifólios. Conhece-se um número muito reduzido de registos, quer históricos quer atuais. Estima-se, de modo grosseiro, que a população nacional não seja constituída por mais de 1000 indivíduos maduros. Apesar da escassa informação relativamente ao tamanho da população nacional e às ameaças sobre a mesma, atendendo ao reduzido tamanho dos núcleos que constituem a população nacional e à sua provável suscetibilidade a fenómenos de extinção estocástica, assume-se uma abordagem precaucional e avalia-se na categoria de Vulnerável. Sugere-se a realização de prospeção dirigida em áreas com habitat favorável e a monitorização dos núcleos atualmente conhecidos, de modo a incrementar o conhecimento ao nível da distribuição, tamanho da população nacional e ameaças existentes. Sugere-se a colheita de material genético da população nacional e o seu armazenamento em bancos de germoplasma e a realização de reforços populacionais para tornar a população nacional mais resiliente a episódios de extinção estocástica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFFDDA47B24EEFF8EB794FA0E.taxon	discussion	Vincetoxicum hirundinaria distribui-se amplamente pelo hemisfério norte, mas em Portugal ocorre unicamente no Minho. Atualmente ocorre na serra do Gerês e nas margens do rio Minho, embora no passado a sua área de distribuição em território nacional fosse mais ampla. Habita zonas rochosas perto de rios, por vezes nos leitos rochosos. Esta planta é avaliada como Em Perigo por ter extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, por se identificarem apenas cinco localizações e por se observar um declínio continuado da sua extensão de ocorrência, área de ocupação e qualidade do habitat. Infere-se um declínio continuado do tamanho da população nacional (estimado em menos de 2500 indivíduos), sendo que mais de 95 % dos indivíduos maduros se localizam na subpopulação do Gêres. A subpopulação do rio Minho está ameaçada pela expansão de arbóreas invasoras, sendo também suscetível de extinção estocástica. A subpopulação do Gerês tem como ameaças a expansão de espécies invasoras e a pressão antrópica. Sugere-se que haja um controlo efetivo da expansão das espécies invasoras, seguido do reforço populacional, com recurso a reprodução ex situ da espécie. Sugere-se ainda a realização de monitorizações regulares para acompanhar a evolução da população nacional e um estudo geral da espécie em Portugal, incidindo na análise genética das diferentes subpopulações. O núcleo populacional mais numeroso de Portugal ocorre na serra do Gerês, mesmo junto à fronteira, onde contacta facilmente com núcleos populacionais existentes na serra do Xurés. Por esse motivo, a categoria de ameaça desce para Vulnerável dada a probabilidade bastante elevada de a população portuguesa poder ser mantida por propágulos vindos da população espanhola.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF22A48423FAFC3FB3B8F915.taxon	discussion	Alchemilla transiens é uma planta endémica do Sudoeste do continente europeu, que em Portugal apenas se encontra em ambientes rupícolas na área mais elevada do planalto superior da serra da Estrela. É avaliada como Criticamente em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (4 km 2), identifica-se apenas uma única localização e observa-se um declínio continuado da qualidade do seu habitat. Suspeita-se que este declínio possa vir a agravar-se no futuro, devido à expectável diminuição da precipitação na forma de neve e à redução do tempo de permanência da mesma no alto da serra, em resultado das alterações climáticas que se preveem. Esta degradação do habitat irá seguramente provocar um significativo declínio populacional, dado que população nacional é muito diminuta (estima-se inferior a 100 indivíduos maduros) e a planta ocorre apenas a altitudes superiores a 1800 m, pelo que o risco de extinção em Portugal é muito elevado face a quaisquer alterações significativas no seu habitat. Como principais medidas de conservação, sugere-se restringir e fiscalizar algumas práticas na área de ocorrência de núcleos, incluindo escaladas, caminhadas fora de trilhos e empilhamento de rochas. Propõe-se a preservação de sementes em bancos de germoplasma, a realização de estudos sobre a biologia da espécie e de dinâmica populacional e a sua monitorização. Deverão ainda ser ponderadas medidas que visem a propagação da espécie, com o objetivo de instalar novos núcleos em locais de habitat potencial. Preconiza-se também a realização de estudos taxonómicos que permitam esclarecer as dúvidas sobre a possível presença de Alchemilla alpina em Portugal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF22A48423FAFF8EB2F7FCA2.taxon	discussion	Sedum candollei é uma pequena planta anual endémica da Península Ibérica. Em Portugal continental assinalava-se a sua ocorrência na serra da Estrela, no entanto, o último relato de observação data do final da década de 80 do século XX, na zona da Torre. Apesar dos esforços de prospeção recentes, a planta não voltou a ser encontrada. Devido às alterações ocorridas na área envolvente da Torre nas últimas três décadas, é plausível a destruição deste núcleo e a consequente extinção da planta em Portugal. Porém, atendendo ao facto de ainda subsistirem condições de habitat na área envolvente e ao curto período de tempo decorrido desde a última observação, persiste alguma incerteza quanto à possibilidade de ainda subsistir. Nestas circunstâncias não é possível aplicar-se a categoria Regionalmente Extinta. Avalia-se como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta) porque se assume que possa subsistir uma localização, que a extensão de ocorrência e área de ocupação sejam mínimas e porque se identifica declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação, área e qualidade do habitat e tamanho da população nacional. As principais ameaças estão relacionadas com intervenções humanas, incluindo a construção ou ampliação de estruturas de apoio à atividade turística e ao pastoreio de bovinos. As alterações no regime de precipitação de neve no alto da serra poderão ter contribuído para a sua regressão no passado e representar uma ameaça futura. Recomenda-se a manutenção do esforço de prospeção e, caso se venha a ser reencontrada, sugere-se a elaboração de um plano de conservação dedicado, que inclua a sua monitorização e conservação ex situ.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF23A48526D0FF8EB6C9FCA2.taxon	discussion	Carex furva é uma planta, que em Portugal está restrita à serra da Estrela, ocorrendo apenas acima dos 1900 m de altitude, associada a nichos de habitat muito específicos e com expressão muito reduzida no terreno. Avalia-se como Criticamente em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (4 km 2), identifica-se apenas uma localização e declínio continuado ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação e qualidade do seu habitat. Acresce que a população nacional da planta é inferior a 10 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação, a qual se encontra em declínio continuado, pelo menos desde a década de 80 do século XX, prevendo-se o seu agravamento no futuro, o que poderá significar a extinção da planta em Portugal. Os dois núcleos conhecidos estão sujeitos às mesmas pressões e ameaças, entre as quais se destacam a alteração do regime hidrológico dos pequenos cursos de água de montanha, a diminuição da precipitação sob a forma de neve (expectável no âmbito das alterações climáticas), a pressão do pastoreio de gado bovino (herbivoria, compactação, nitrificação do solo) e impactos das atividades de lazer e recreativas. O reduzido número de indivíduos e o isolamento reprodutivo tornam a planta muito suscetível a fenómenos de extinção estocástica. A conservação e preservação desta espécie em Portugal depende da manutenção e salvaguarda das condições do habitat, criação de áreas de acesso restrito a gado e turistas, reforço populacional e conservação ex situ de sementes em banco de germoplasma. Deverão ser implementados um plano de gestão específico e um programa de monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF23A48526D0FC3FB5C2FA3D.taxon	discussion	Dryopteris expansa é um feto, que está presente em território nacional exclusivamente no planalto superior da serra da Estrela. É avaliado como Criticamente em Perigo por ter um efetivo populacional inferior a 50 indivíduos maduros. Trata-se de uma espécie com uma ecologia muito específica, que coloniza cascalheiras e nascentes / reocrenos a altitude muito elevada (acima dos 1700 m) e que apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas. Pela sua diminuta dimensão, a população nacional é muito suscetível a quaisquer ameaças imprevisíveis e aos efeitos que as alterações climáticas poderão ter sobre a qualidade do seu habitat. Como medidas principais de conservação, sugere-se a salvaguarda de material genético em banco de germoplasma, a propagação em viveiro para estabelecimento de novos núcleos e fortalecimento da população nacional. Em termos de estudos, sugere-se a monitorização regular dos núcleos conhecidos e a implementação de um plano de conservação dirigido.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF20A48623FAFF8EB2DDFC85.taxon	discussion	Lycopodium clavatum é uma planta herbácea de porte rasteiro, que habita em margens de lagoas e plataformas rochosas, em áreas abrigadas acima dos 1650 m de altitude. Em Portugal continental encontra-se restrita a três pequenos núcleos populacionais, todos localizados no planalto central da serra da Estrela, apresentando uma extensão de ocorrência muito reduzida (12 km 2). A população nacional é diminuta, estimando-se que contenha menos de 250 indivíduos maduros. Observa- se um declínio da qualidade do seu habitat, devido a pressões como o pisoteio, o corte de vegetação e, potencialmente, os fogos recorrentes. É previsível que este declínio se agrave no futuro devido aos efeitos das alterações climáticas, que poderão provocar o desaparecimento das condições de habitat favorável à planta em Portugal continental. Consequentemente, todos os núcleos conhecidos são considerados como representando uma única localização. Para além desta ameaça, tudo indica que a diversidade genética da espécie na serra da Estrela possa ser muito baixa, o que pode comprometer a sua viabilidade a médio prazo. Por estes motivos, a planta é avaliada como Criticamente em Perigo. Deverão ser implementadas medidas urgentes para preservar os núcleos existentes, como evitar a passagem de trilhos pedestres nas imediações dos núcleos e criar obstáculos à passagem pedonal nos seus locais de ocorrência. Deverão ser desenvolvidos estudos sobre a dimensão populacional e a biologia da espécie em Portugal e ponderadas medidas de estabelecimento de novos núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF20A48623FAFC3CB2C1F9F8.taxon	discussion	Scleranthus perennis é uma planta, que em Portugal continental apenas se conhece da serra da Estrela, habitando prados ralos em areão granítico grosseiro. É avaliada como Criticamente em Perigo uma vez que só se encontra numa única localização (serra da Estrela), apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (ambas com 8 km 2) e observa-se o declínio continuado da área e qualidade do seu habitat. Este declínio advém da pressão continuada do turismo, observada no passado e que é expectável que permaneça no futuro. Para além do turismo, também a pequena área de ocorrência da população nacional, facilmente afetada por qualquer fenómeno estocástico, assim como as alterações climáticas, constitui a principal ameaça futura. As medidas de conservação mais importantes para a preservação de Scleranthus perennis são a sensibilização dos gestores do território para a sua existência e o condicionamento da melhoria / beneficiação das estruturas existentes na parte superior da serra da Estrela. Também é importante monitorizar regularmente a população regional e melhorar o conhecimento sobre a sua área efetiva de ocorrência e o respetivo efetivo populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF21A48724EEFF8EB7DBFA70.taxon	discussion	Gentiana lutea subsp. lutea é uma planta, que em Portugal está restrita ao planalto da serra da Estrela, onde ocorre preferencialmente em prados de altitude, registando-se também em plataformas graníticas muito húmidas. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência muito reduzida, se observar um declínio continuado na qualidade do seu habitat (suspeitando-se o seu agravamento na próxima década) e se identificar uma única localização. Além disso, a população nacional é constituída por cerca de 200 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação, a qual se encontra em declínio continuado. As principais ameaças e pressões identificadas são a progressão de matos em consequência do abandono das pastagens, a diminuição da precipitação sob a forma de neve, o pastoreio por bovinos, atividades de lazer (como a escalada) e problemas reprodutivos resultantes da baixa variabilidade genética e do isolamento da população nacional. A conservação desta planta em Portugal depende da salvaguarda das condições do seu habitat e do incremento do número de efetivos populacionais, de modo a promover a resiliência da planta face às alterações climáticas. O acesso de pessoas às áreas escarpadas onde a planta ocorre deverá ser interdito. Deverá ser elaborado e implementado um plano de conservação da planta que comporte medidas de conservação das pastagens e dos cervunais de altitude e que inclua uma componente ex situ, com a salvaguarda de património genético da planta, o reforço de efetivos da população nacional e a monitorização dos núcleos conhecidos, de forma a acompanhar os efeitos das fortes pressões e ameaças que recaem sobre a planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF26A48023FAFF8EB424FCE4.taxon	discussion	Sparganium angustifolium é uma planta aquática de ampla distribuição no hemisfério norte, mas que em Portugal está restrita a algumas lagoas de altitude na serra da Estrela. Avalia-se como Criticamente em Perigo porque apresenta uma extensão de ocorrência inferior a 100 km 2, identifica-se uma única localização e observa-se um declínio continuado do seu habitat. É plausível que, devido às mudanças significativas no regime de precipitação e de permanência de neve previstas no âmbito dos cenários de alterações climáticas, venha a verificar-se um declínio continuado da área, extensão e qualidade do seu habitat. Este declínio também é expectável no tamanho da população nacional, dado que o seu habitat é muito específico e ocorre apenas a altitudes superiores a 1700 m, não se encontrando condições similares noutros pontos do país que possam constituir refúgio para a planta. Entre as principais ameaças atuais, encontram-se o uso das lagoas para banhos durante o verão, a eutrofização, deposição de lixos, a aplicação de sal-gema e a circulação de viaturas todo-o-terreno. Para conservação da população nacional, sugere-se restringir o acesso balnear nas lagoas onde a planta ocorre, aumentar a vigilância durante o verão, realizar ações de sensibilização ambiental aos visitantes do parque natural e conservar material biológico em bancos de germoplasma. Deverão ser realizados estudos que permitam avaliar o impacte sobre as lagoas da aplicação de sal-gema nas estradas e efetuar-se a monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF26A48023FAFC3FB4FFF957.taxon	discussion	Veratrum album é uma planta, que em Portugal está restrita à serra da Estrela, onde habita margens de lagoas e de cursos de água. Avalia-se como Criticamente em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência de apenas 28 km 2, possuir uma única localização e apresentar declínio continuado ao nível da área e qualidade do habitat. A população nacional é constituída por cerca de 70 indivíduos maduros, todos concentrados numa subpopulação, e encontra-se em declínio continuado. Todos os núcleos da espécie parecem estar sujeitos ao mesmo tipo de pressões e ameaças, entre as quais se destacam a colheita / destruição de rizomas da planta (propositada ou por confusão com Gentiana lutea), o desenvolvimento excessivo da vegetação arbustiva e fogos de elevada intensidade. As alterações climáticas poderão vir a provocar a regressão do seu habitat na serra da Estrela, representando uma significativa ameaça futura. A conservação desta planta em Portugal depende da salvaguarda do seu habitat e do incremento populacional, de modo a aumentar a sua resiliência face às principais ameaças. Nesse sentido, considera-se prioritário gerir a vegetação arbustiva nas áreas de ocorrência através de corte seletivo de matos, recolha de sementes para propagação e reforço populacional ou preservação em banco de germoplasma e aumentar a fiscalização, de modo a condicionar as práticas de colheita de rizomas. Deverá ser realizada prospeção dirigida, estudos de ameaças e pressões e implementar a monitorização regular da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF27A48126D0FF8EB75AFD26.taxon	discussion	Adenocarpus hispanicus subsp. gredensis é um arbusto endémico do Centro e Norte da Península Ibérica, que está confinado às serras da Gardunha e da Estrela, no Centro de Portugal continental, onde ocorre em matos sobre solos graníticos. É avaliado na categoria Em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, identificam-se apenas quatro localizações e porque se infere declínio continuado da extensão e qualidade do seu habitat e do tamanho da população nacional. Acresce que mais de 95 % da população nacional, estimada como sendo inferior a 2500 indivíduos maduros, se concentra na subpopulação da serra da Estrela. Está principalmente ameaçado pela perda de habitat disponível, não só devido aos impactos dos incêndios recorrentes mas também pela instalação de etapas de vegetação pré-florestais, na sequência da sucessão natural da vegetação. Sugerem-se como principais medidas de conservação, a preservação e gestão do seu habitat, bem como a recolha de material genético para conservação ex situ. A realização de estudos taxonómicos revela-se necessária, devido à proximidade de características morfológicas em relação aos táxones Adenocarpus argyrophyllus e Adenocarpus hispanicus sensu Flora Iberica. Por último, é importante assegurar a monitorização regular dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF27A48126D0FC3FB63DF957.taxon	discussion	Asplenium septentrionale subsp. septentrionale é um feto de distribuição muito localizada em Portugal continental, presente apenas na serra da Estrela e no cimo das serras da Nogueira e de Montesinho, em Trás-os-Montes. Ocorre em fissuras de rochas siliciosas ácidas ou ultramáficas, em zonas de montanha. É avaliado como Em Perigo porque a população de Portugal continental se estima em menos de 170 indivíduos maduros e apresenta uma tendência de declínio continuado. Acresce que apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas e identificam-se apenas quatro localizações, cuja tendência também é de declínio continuado. Suspeita-se ainda do declínio continuado ao nível da área, extensão e qualidade do seu habitat. Está sujeito a pressões, como a colheita de exemplares e vários núcleos de pequena dimensão estão ameaçados de extinção estocástica. Adicionalmente a estas ameaças, o menor rigor dos invernos nas últimas décadas tem influenciado negativamente o habitat da planta, nomeadamente nas regiões onde se encontra no limiar do seu ótimo ecológico (subpopulação transmontana). Sugere-se o estudo detalhado dos núcleos conhecidos e a conservação ex situ da subpopulação transmontana, de forma a preservar a genética desta planta nesta região. Adicionalmente, deverá ser feito um esforço para reforçar os núcleos populacionais mais empobrecidos de Trás-os-Montes, de forma a inverter a tendência de declínio desta espécie nesta região.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF24A48223FAFF8EB3F4FCA2.taxon	discussion	Cardamine castellana é uma planta endémica da Península Ibérica, que até ao momento em Portugal apenas foi identificada na serra da Estrela, onde se assinalaram dois pequenos núcleos populacionais no mosaico de turfeiras e lameiros a baixa altitude. Dada a existência de habitat favorável, é plausível que possa ocorrer noutros locais, pois trata-se de uma espécie apenas recentemente descrita e, como tal, poderá ter passado despercebida por confusão com outras plantas semelhantes. Dada a existência de incerteza significativa nos valores da área de ocupação e do número de localizações, é desaconselhado o seu uso direto na presente avaliação. É avaliada como Em Perigo pois infere-se um declínio continuado da área e da qualidade do seu habitat, e, considerando-se a planta como restrita à serra da Estrela, a área de ocupação também não será superior a 500 km 2 nem a extensão de ocorrência superior a 5000 km 2 e o número de localizações não será, seguramente, superior a cinco, dadas as ameaças identificadas. As principais ameaças são o abandono das práticas tradicionais agrícolas, que permitem a manutenção dos lameiros e a conversão dos mosaicos de lameiros e turfeiras em povoamentos florestais. Sugere-se a criação de incentivos para a manutenção das práticas agrícolas tradicionais de irrigação e fenação dos lameiros e para evitar a sua conversão em povoamentos florestais. Também deverão ser realizadas ações de divulgação e sensibilização ambiental, junto dos proprietários, associações e turistas. Deverão ser realizados esforços de prospeção dirigida, que permitam melhorar o conhecimento da distribuição da espécie e efetuar uma estimativa fidedigna do tamanho da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF24A48223FAFC3FB4CCF956.taxon	discussion	Reseda gredensis é um endemismo ibérico do Sistema Central, restrito em Portugal à área mais elevada do planalto superior da serra da Estrela, em locais com presença de neve prolongada durante os meses mais frios. É avaliado como Em Perigo porque a população nacional tem um efetivo inferior a 100 indivíduos maduros, além de que a extensão de ocorrência e área de ocupação são extremamente reduzidas (4 km 2) e identifica-se uma única localização. Encontra-se muito suscetível a quaisquer ameaças, pois apresenta uma área muito reduzida de ocupação, possui um baixo efetivo populacional e apresenta elevada especificidade ecológica. O pisoteio do gado bovino e do pedestrianismo e atividades lúdicas, como o empilhamento de blocos, constituem pressões atuais no terreno, e supõe-se que a qualidade e / ou extensão do seu habitat regridam caso a precipitação na forma de neve diminua em função das alterações climáticas. A conservação desta espécie em Portugal está na estrita dependência da manutenção e salvaguarda das condições do seu habitat. Deve ser equacionado um reforço do efetivo populacional em áreas com habitat adequado e implementar medidas de conservação ex situ, nomeadamente a recolha regular de germoplasma para preservação em banco de sementes. Preconiza-se um plano de monitorização regular dos núcleos conhecidos, de modo a avaliar a pressão das ameaças enunciadas e a implementação de uma carta de riscos e restrição à realização de práticas de turismo ativo na área de ocorrência da espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2AA48C2428FF8EB789FBDF.taxon	discussion	Silene foetida subsp. foetida é uma planta herbácea endémica da serra da Estrela, que habita em depósitos rochosos nas partes mais altas da serra. É avaliada como Em Perigo uma vez que tem uma área de ocupação e extensão de ocorrência muito reduzidas, identificam-se apenas duas localizações e apresenta declínio continuado da área e qualidade do habitat, resultante sobretudo do impacto do turismo na sua área mais elevada da serra da Estrela. As principais ameaças à conservação da planta são as perturbações resultantes da atividade turística, as mudanças previsíveis no regime de precipitação e permanência de neve resultantes de alterações climáticas e a suscetibilidade a fenómenos de extinção estocástica. Para a sua preservação, é necessário salvaguardar o material genético, monitorizar regularmente a população nacional e estudar os limites da área de distribuição e a biologia da planta. Para além disso, considera-se importante proteger este endemismo por lei e preparar um plano de conservação dirigido. No futuro pode ser necessário limitar o acesso a algumas áreas, caso os estudos supracitados assim o indiquem ou se verifique um aumento muito significativo do turismo de montanha.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2BA48D26D0FF8EB6C5FCC7.taxon	discussion	Sagina saginoides é uma pequena planta herbácea, que habita fontes e orlas de regatos com águas permanentes pobres em nutrientes na montanha. É avaliada como Em Perigo uma vez que tem uma extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (respetivamente, 26 km 2 e 20 km 2), encontra-se apenas em três localizações (todas na serra da Estrela) e infere-se um declínio continuado da qualidade do seu habitat, o qual se suspeita que poderá agravar-se no futuro. As principais pressões atuais estão relacionadas com alterações no habitat resultantes de atividades turísticas, causadoras de alterações na qualidade da água e nos regimes de escorrência e drenagem naturais no planalto superior da serra da Estrela. No futuro, a diminuição da quantidade e do tempo de permanência da neve, projetada no âmbito dos cenários de alterações climáticas, agravará o declínio da área e a qualidade do habitat. As principais medidas de gestão passam pela diminuição dos impactos do turismo sobre as linhas de água no planalto superior. O material genético da espécie deverá ser preservado em banco de germoplasma nacional e internacional. Também a monitorização da população nacional deverá ser efetuada regularmente. Deverão ainda ser efetuados estudos que permitam melhorar o conhecimento da distribuição atual, estudos taxonómicos e do ciclo de vida, bem como a elaboração de um plano de gestão dirigido.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF28A48E23FAFF8EB565FD68.taxon	discussion	Thymelaea coridifolia subsp. dendrobryum é uma planta endémica da Península Ibérica, que em Portugal só se encontra na serra da Estrela, habitando prados secos de montanha ou clareiras de matos. É avaliada como Em Perigo uma vez que apresenta uma população nacional muito pequena e restrita, inferior a 250 indivíduos maduros, numa área de cervunal e em clareiras de matos baixos. Encontra-se ameaçada, sobretudo, pela dinâmica da vegetação e pela possibilidade de existirem fogos muito intensos no local. Também o baixo efetivo populacional pode comprometer a viabilidade genética da planta e torná-la especialmente vulnerável a quaisquer perturbações. A principal medida de conservação necessária é a gestão direta de matos (por corte ou fogo controlado), no sentido de contrariar a dinâmica natural. É também fundamental salvaguardar o seu património genético, monitorizar regularmente a população e executar estudos da biologia e comportamento ecológico. Finalmente, considera-se importante a elaboração de um plano de conservação, que inclua ainda a criação de novos povoamentos em áreas adjacentes com condições ecológicas semelhantes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF28A48E23FAFC3FB560FA7F.taxon	discussion	Urtica pilulifera é uma planta de distribuição alargada, mas que em Portugal apresenta uma ocorrência muito pontual. É uma planta nitrófila, que habita em zonas cultivadas e baldios. É avaliada como Em Perigo porque tem uma extensão de ocorrência e área de ocupação baixas, ambas com 8 km 2, e com tendência de declínio continuado, e está presente em duas localizações muito distantes entre si (Beira Alta e Algarve). As duas localizações encontram-se ameaçadas, sobretudo pela aplicação de herbicidas, sendo que o núcleo algarvio se insere numa área de apetência turística. As principais medidas de gestão passam por divulgar a existência e importância desta espécie aos gestores do território, bem como adotar legislação específica que a permita preservar. A população nacional deve ainda ser monitorizada e o seu material genético preservado em banco de germoplasma.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF29A48F26D0FF8EB60BFCE4.taxon	discussion	Armeria sampaioi é uma planta quase endémica das montanhas do Centro e do Norte de Portugal continental, que ocorre em prados pedregosos e fendas de rochas graníticas, a altitudes superiores a 1000 m. Avalia-se como Vulnerável, mantendo a categoria obtida na avaliação global anterior, por se identificarem apenas cinco localizações e por existirem ameaças plausíveis que podem causar uma redução populacional relativamente rápida e muito significativa. A diminuição previsível da precipitação sob a forma de neve irá seguramente provocar a degradação do seu habitat em todos os locais onde a planta ainda ocorre, sendo possível que os núcleos situados a altitudes mais baixas se possam extinguir e a planta fique concentrada apenas nos locais de maior altitude da serra da Estrela. O pisoteio resultante das atividades turísticas e de lazer representa uma pressão atual importante na serra da Estrela, observando-se o mesmo tipo de pressão na serra do Gerês, mas resultante da cabra-montês, pelo que importa monitorizar e avaliar tal pisoteio. Como medida de conservação, sugere-se a criação de áreas classificadas que integrem as subpopulações das serras do Larouco e do Caramulo. Deverá ser colhido mais material genético para armazenamento em bancos de germoplasma e para uso em ações de reforço populacional de núcleos da planta. Sugere-se ainda a realização de estudos que melhorem o conhecimento sobre a distribuição, a tendência populacional e a taxonomia da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF29A48F26D0FC3CB522F9F8.taxon	discussion	Campanula herminii é um endemismo ibérico que em Portugal ocorre unicamente na parte superior da serra da Estrela, em zonas herbosas húmidas de altitude (cervunais). A população nacional, restrita a uma área com menos de 60 km 2, é estimada em cerca de 10 000 indivíduos maduros. É avaliado como Vulnerável pelo critério D 2 porque apenas se identificam duas localizações e existem ameaças plausíveis que poderão causar uma redução drástica e relativamente rápida da população nacional no futuro próximo. A principal ameaça sobre a população nacional são as previstas mudanças no regime de precipitação de neve, que, juntamente com o previsível abandono da pastorícia tradicional, levarão a mudanças significativas na qualidade do seus habitats preferenciais (cervunais de Nardus stricta e prados de Festuca henriquesii). Para a sua conservação, é importante implementar medidas de gestão que mantenham as áreas de cervunal, incluindo medidas de gestão de matos e adoção de políticas e incentivos de fomento à pastorícia tradicional. É também conveniente fazer estudos populacionais, nomeadamente para perceber a sua distribuição efetiva e dinâmica populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2EA48823FAFF8EB285FD4B.taxon	discussion	Cryptogramma crispa é um pequeno feto, que se distribui pela Europa e parte da Ásia, estando em Portugal apenas presente na área mais elevada da serra da Estrela, onde ocorre em fendas e fissuras de rochas e cascalheiras. É avaliado como Vulnerável por ter um efetivo populacional reduzido (inferior a 500 indivíduos maduros), podendo esta categoria agravar-se, caso se confirmem as suspeitas de alteração de habitat e de declínio populacional num futuro próximo. A ameaça mais significativa prende-se com a expectável diminuição da precipitação sob a forma de neve na serra da Estrela, que poderá causar a extinção de alguns núcleos populacionais nos próximos anos. É determinante acompanhar a evolução futura da população nacional através da sua monitorização, que permitirá perceber como irá evoluir com a mudança de regime invernal que se prevê que venha a acontecer. Recomenda-se a sua conservação ex situ, que permitirá futuramente estabelecer novos núcleos em locais de habitat favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2EA48823FAFC3FB52EF9B6.taxon	discussion	Dryopteris oreades é um feto, que ocorre em cascalheiras, em zonas de montanha. Em Portugal conhece-se a sua presença atual apenas na serra da Estrela, pois a prospeção efetuada na serra do Gerês, local de ocorrência histórica, revelou-se infrutífera. A espécie é avaliada como Vulnerável porque se estima que o efetivo populacional se aproxime dos 1000 indivíduos maduros, além de estar assinalada uma ameaça suscetível de afetar significativamente o tamanho da população nacional nas duas localizações identificadas. A principal ameaça resulta das alterações climáticas, pois é previsível a diminuição da precipitação sob a forma de neve e a diminuição do período de permanência anual da mesma. Caso ambos os fatores se concretizem no futuro a médio prazo, isso poderá causar a degradação significativa das condições ecológicas requeridas pela espécie. Como medidas principais de conservação sugerem-se: a salvaguarda de material genético em banco de germoplasma, a realização de estudos sobre distribuição e dinâmica populacional, a monitorização regular dos núcleos conhecidos e a prospeção direcionada na serra do Gerês para comprovar ou não a sua presença. Sugere-se, ainda, o estudo para um possível repovoamento deste feto na serra do Gerês. A realização de campanhas de sensibilização sobre a deposição de lixos deve ser realizada no âmbito de um programa mais alargado para as espécies da área mais elevada da serra da Estrela.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2FA48926D0FF8EB808FD09.taxon	discussion	Festuca henriquesii é uma gramínea endémica de Portugal continental, que ocorre em prados de alta montanha e que atualmente se conhece apenas da serra da Estrela. Avalia-se como Vulnerável pois identificam-se apenas duas localizações com base nas mudanças significativas no regime de precipitação e de permanência de neve, previstas no âmbito dos cenários de alterações climáticas para a serra da Estrela. A subida de categoria relativamente à avaliação global anterior (Pouco Preocupante) justifica-se por se considerar os efeitos das alterações climáticas como uma ameaça plausível de causar um drástico, e relativamente rápido, declínio da população nacional. Acresce que se identificam outras ameaças que poderão causar o declínio no seu habitat, incluindo o abandono da pastorícia tradicional e o incremento das atividades turísticas e de lazer. Sugere-se que sejam implementados apoios para a manutenção dos pastagens e da pastorícia tradicional na serra da Estrela. Propõe-se ainda que seja confirmada a identificação dos registos de herbário que sustentam a afirmação da sua presença nas serras da Peneda, do Gerês e do Barroso e, caso se confirmem, que seja efetuada prospeção dirigida de modo a confirmar a ocorrência atual da planta nessa área.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2FA48926D0FC3FB8B4F9DA.taxon	discussion	Ranunculus abnormis é uma herbácea endémica da Península Ibérica que habita em prados húmidos sobre substrato silicioso, normalmente em áreas de montanha. É avaliada como Vulnerável porque apenas se identificam quatro localizações (serras da Estrela, das Mesas e de Montesinho e Nave de Haver), nas quais todos os núcleos são suscetíveis de rápido desaparecimento devido à alteração das condições de habitat, em resultado de mudanças no padrão de precipitação de neve e / ou de chuva devidas às alterações climáticas. A população nacional é particularmente suscetível a esta ameaça por se tratar de uma espécie de meios húmidos de montanha e porque algumas das subpopulações se encontram a um nível altitudinal relativamente baixo para o padrão da espécie. Outra pressão a ter em conta é o abandono das tradicionais práticas agrícolas, o que leva à colonização do habitat potencial por espécies arbustivas. Sugere-se a monitorização regular das subpopulações nacionais e, como medidas auxiliares, preconiza-se a realização de estudos sobre distribuição, biologia e dinâmica populacional e salvaguarda de património genético em banco de germoplasma nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2CA48A23FAFF8EB22CFD09.taxon	discussion	Rumex suffruticosus é um endemismo ibérico, que em Portugal só está presente em alguns depósitos rochosos siliciosos existentes na parte superior da serra da Estrela. É uma espécie com uma área de ocupação muito reduzida (16 km 2) e com um efetivo populacional baixo (inferior a 1000 indivíduos maduros). Atualmente, não está sujeita a grandes pressões, uma vez que se encontra, geralmente, em sítios de difícil acesso, mas é suscetível a qualquer evento estocástico que possa ter lugar no seu território e à perda de variabilidade genética. Como toda a população nacional se encontra acima dos 1750 m de altitude, considera-se muito suscetível às mudanças no seu habitat, que poderão resultar das alterações climáticas, sendo essa a principal ameaça futura, dado que a planta já se encontra muito perto do seu limite ecológico. É avaliada como Vulnerável porque apenas se identifica uma localização e porque, como a população nacional é atualmente muito reduzida, é expectável que a redução populacional em resultado das alterações climáticas possa ser drástica e rápida. Sugere-se a implementação de um plano de conservação específico e uma monitorização regular dos núcleos existentes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2CA48A23FAFC3CB337F915.taxon	discussion	Saxifraga stellaris é uma planta, que em Portugal ocorre nas serras da Estrela e do Caramulo, habitando em bermas de fontes ou rochas ressumantes, em locais sombrios. Por ter uma população nacional muito pequena, inferior a 1000 indivíduos maduros, é avaliada como Vulnerável. Adicionalmente, é uma planta que apresenta uma área de ocupação muito reduzida (20 km 2) e em que se identificam apenas quatro localizações, suspeitando-se que no futuro venha a verificar-se um declínio continuado do seu habitat. A utilização excessiva de sal-gema na estrada nacional que atravessa a serra da Estrela, bem como a alteração das condições de humidade do substrato, deverá ser a pressão atualmente mais relevante. A sal-gema é utilizada para evitar a formação de gelo na estrada e poderá ser responsável pelo aumento significativo da condutividade da água. No futuro, as alterações climáticas deverão constituir a principal ameaça à sua sobrevivência em território nacional. Sugere-se a monitorização regular dos núcleos existentes e protegê-los ao abrigo de legislação nacional, assim como promover estudos que avaliem a dimensão do impacte da utilização de sal-gema no habitat desta espécie. É ainda importante conhecer melhor o seu comportamento biológico, bem como confirmar a identidade taxonómica dos indivíduos presentes na serra do Caramulo, uma vez que se encontram em situações ecológicas algo distintas. Na serra da Estrela devem ser promovidas limpezas regulares das linhas de escorrência de água e campanhas para a utilização responsável de sacos de plástico pelos turistas, de forma a evitar a obstrução de linhas de escorrência de água a montante dos núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2DA48B26D0FF8EB645FCC7.taxon	discussion	Senecio pyrenaicus subsp. caespitosus é uma planta endémica de Portugal continental exclusiva das partes mais elevadas da serra da Estrela, onde ocorre em escarpas e fendas de grandes afloramentos graníticos em locais sombrios, sujeitos a prolongada nivação, acima dos 1700 m de altitude. É avaliada na categoria de Vulnerável por apresentar uma população que se estima inferior a 1000 indivíduos maduros e por apenas se estimar uma localização, considerando-se os potenciais efeitos das alterações climáticas como a principal causa de ameaça à sua conservação. Apesar de não haver informação para identificar um declínio populacional na atualidade, esta ameaça é suscetível de provocar um declínio significativo num espaço de tempo relativamente reduzido. Mantém a categoria obtida na avaliação global anterior. Como principais medidas de conservação, propõem-se o aumento de vigilância e a gestão de combustível vegetal nas áreas envolventes de ocorrência da planta, no sentido de se prevenirem fogos recorrentes. Sugere-se a realização de estudos genéticos e de dispersão, que permitam perceber a potencial eficácia de medidas de reforço populacional ou repovoamento em áreas de habitat potencial onde a planta não existe atualmente. Deverá ser implementada a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos, de modo a identificar atempadamente eventuais tendências de declínio.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF2DA48B26D0FC3FB568F998.taxon	discussion	Taraxacum estrelense é uma planta endémica das serras da Estrela e do Gerês, contudo atualmente apenas se confirma a sua presença na serra da Estrela, carecendo ainda de confirmação a sua ocorrência atual na serra do Gerês. Habita em prados de montanha sobre solos arenosos, com alguma perturbação. Os dados sobre a população são escassos, mas estima-se que seja superior a 1000 indivíduos. A planta é avaliada como Vulnerável através da aplicação do critério D 2, pois, apesar da incerteza quanto à sua ocorrência atual na serra do Gerês, a sua área de ocupação não deverá ultrapassar 20 km 2 e o número de localizações deverá ser sempre inferior a cinco. Por se tratar de um endemismo de distribuição muito restrita, existem riscos acrescidos de uma redução muito significativa da população, em resultado de mudanças das condições ambientais favoráveis à planta em consequência das alterações climáticas. Sugere-se a recolha de material genético para conservação em bancos de germoplasma, assim como a realização de prospeção dirigida, que permita confirmar ou excluir a sua presença na serra do Gerês e a monitorização da população. Esta avaliação deverá ser revista assim que forem obtidas informações adicionais sobre a sua presença ou não na serra do Gerês.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF32A49423FAFF8EB2A0FC85.taxon	discussion	Vaccinium uliginosum é uma planta restrita à área mais elevada da serra da Estrela, onde se distribui por um número muito reduzido de núcleos, em locais onde a presença de neve se mantém até muito tarde. Habita em matos em ambientes rupícolas, como em fendas de paredes rochosas, mas também perto de turfeiras e cervunais. Apesar do crescimento clonal da planta, que torna muito complexa uma contagem exata do número de indivíduos maduros, estima-se que a população nacional contenha entre 250 e 1000 indivíduos maduros, pelo que se avalia como Vulnerável. Embora, por ora, não esteja identificado um declínio da qualidade do habitat, este é expectável no futuro, em resultado dos efeitos das alterações climáticas, nomeadamente na diminuição da precipitação de neve e do seu tempo de permanência no alto da serra. Para além desta ameaça, refere-se que a reduzida área de ocupação e o número reduzido de indivíduos presentes na população nacional a tornam ainda mais suscetível a qualquer uma das outras ameaças. Como estudos, sugerem-se a monitorização regular e a implementação de estudos de polinização, dispersão e comportamento ecológico, que permitam avaliar o baixo nível de floração apresentado pela espécie. É ainda importante reforçar a população nacional através da criação de novos núcleos em áreas com condições ecológicas semelhantes e ao abrigo da pressão do pastoreio. Sugere-se também a salvaguarda de material genético, pois esta planta não possui material biológico armazenado em nenhum banco de germoplasma nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF32A49423FAFC3FB4A4F957.taxon	discussion	Veronica nevadensis é uma planta, que em Portugal ocorre exclusivamente na serra da Estrela, em nascentes e margens de cursos de água de altitude. Avalia-se como Vulnerável por apenas se identificarem duas localizações e por existirem ameaças plausíveis de causar uma significativa e rápida redução do tamanho da população nacional, que podem levar rapidamente ao agravamento do seu risco de extinção em território nacional. As principais ameaças atuais que recaem sobre a população nacional incluem a eutrofização do seu habitat pelos efluentes da estação de tratamento de águas residuais da Torre (ameaça localizada), a compactação, eutrofização e o pisoteio por parte do gado bovino, a aplicação de sal-gema nas vias de acesso à Torre e a deposição de lixo por parte dos visitantes durante o inverno (plásticos de grande dimensão) e o pisoteio por parte dos visitantes. No futuro, as alterações climáticas, se traduzidas na diminuição da precipitação de neve e na diminuição da sua permanência, podem conduzir à diminuição da qualidade do seu habitat. Como principais medidas de conservação, sugerem-se a requalificação da estação de tratamento de águas residuais da Torre, a conservação de sementes em bancos de germoplasma e campanhas de sensibilização e educação ambiental para a não utilização de sacos de plástico e outros materiais descartáveis para atividades lúdicas na neve. Sugere-se ainda a monitorização regular dos núcleos da planta e realização de estudos que permitam avaliar os efeitos das ameaças e pressões identificadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF33A49524EEFF8EB8A2FB36.taxon	discussion	Neotinea ustulata é uma orquídea de ampla distribuição europeia, que habita em prados de montanha, clareiras de matos e orlas de bosques e que em Portugal continental apresenta apenas um único núcleo populacional conhecido, no qual se contaram somente 12 indivíduos maduros. É avaliada como Criticamente em Perigo pelo reduzido tamanho da população nacional, pela sua extrema circunscrição geográfica e por se observar um declínio continuado da qualidade do seu habitat. A degradação do habitat resulta de pressões, como o pisoteio e a herbivoria do gado durante o período reprodutivo da planta e do desenvolvimento da vegetação arbustiva, causador da oclusão das clareiras onde ocorre. A expansão de plantações de vinha representa também uma ameaça sobre o seu habitat potencial. Deverá ser implementado um plano de conservação da planta e do seu habitat, que inclua ações de sensibilização junto dos pastores, acordos com os proprietários dos terrenos para a criação de uma microrreserva, a eventual vedação do núcleo durante o período reprodutivo da planta e a gestão regular dos matos. Adicionalmente, sugere-se a colheita de material genético da população nacional e o seu armazenamento em bancos de germoplasma nacionais. O núcleo conhecido deverá ser alvo de monitorização anual e propõe-se a continuação de prospeção dirigida em áreas com habitat favorável situadas na envolvente da sua área de distribuição.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF30A49623FAFF8EB3B8FC85.taxon	discussion	Pastinaca sativa subsp. sylvestris é uma planta subcosmopolita, que em Portugal apenas foi recentemente reencontrada, conhecendo-se uma única subpopulação localizada numa berma de caminho perto de Malcata, no concelho do Sabugal. À luz da informação atual, é avaliada como Criticamente em Perigo porque a população nacional é inferior a 50 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação e projeta-se o seu declínio continuado, dado que está sujeita a pressões em curso, que irão manter-se no futuro próximo. O único local de ocorrência conhecido está sujeito a cortes de vegetação demasiado frequentes, o que condiciona a produção de sementes e o recrutamento de novos indivíduos, além de que a planta parece estar a ser excluída do local por competição com o funcho (Foeniculum vulgare). Considera-se que se deve realizar urgentemente uma conservação ex situ de sementes e, até ao apuramento da sua origem, preconiza-se que a localização do núcleo seja comunicada às entidades de ambiente locais e às entidades com responsabilidade na gestão da vegetação ao longo das bermas, alertando-se para a necessidade de realização de cortes de vegetação seletivos, em época adequada e de modo a permitir que o ecossistema não evolua na sucessão ecológica e reduzir a competição do funcho. Propõe-se que se investigue a origem destes indivíduos (se são silvestres ou escapados de cultivo), usando eventualmente para isso estudos genéticos. Propõe-se ainda a sua monitorização e prospeção dirigida, de modo a averiguar a possibilidade de existência de novos núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF30A49623FAFC3FB55DF9B9.taxon	discussion	Potentilla montana é um endemismo ibero-gaulês restrito a Portugal a uma estreita faixa entre a serra da Lousã e Vale de Cambra, habitando em locais rochosos, taludes, prados e orlas. É avaliado como Em Perigo por contar menos de 1000 indivíduos maduros, concentrados numa única subpopulação, a qual se encontra em declínio continuado. A reforçar esta avaliação, a planta tem uma reduzida área de ocupação e extensão de ocorrência e observa-se um declínio continuado da sua extensão de ocorrência, área de ocupação, área e qualidade do habitat e do número de localizações. Os núcleos populacionais que sobreviveram estão bastante ameaçados (constituem apenas três localizações), pelo que é possível que esta tendência de declínio se prolongue no futuro. As ameaças a que está sujeita a espécie incluem a expansão de espécies exóticas, a desmatação excessiva e indiscriminada em taludes e bermas de caminho e a edificação dispersa e abertura de caminhos em habitat favorável. É muito importante futuramente monitorizar os núcleos conhecidos, prospetar habitat para procurar novos núcleos e sensibilizar as populações e entidades locais com responsabilidade nas ações de gestão das faixas de proteção de estradas. Deverão ser promovidas medidas de conservação ex situ para garantir a persistência futura da espécie, e eventualmente criá-la em viveiro para posteriormente reforçar os núcleos existentes ou recuperar alguma localidade histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF31A49724EEFF8EB764FA53.taxon	discussion	Arabis beirana é uma espécie recentemente descrita, endémica do Centro de Portugal, que habita em clareiras de matos em encostas rochosas expostas a influência atlântica. É avaliada como Em Perigo uma vez que apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (cerca de 60 km 2 e de 16 km 2, respetivamente), identificam-se entre duas e quatro localizações atuais (dada a incerteza resultante do possível desaparecimento de dois núcleos populacionais) e estão assinalados declínios ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, número de localizações, tamanho da população e ainda da área, extensão e qualidade do seu habitat. Adicionalmente, a sua população estima-se entre 350 e 370 indivíduos maduros, sendo que nenhuma das possíveis subpopulações contém mais do que 250 indivíduos. Em algumas das áreas históricas, o seu declínio parece ser devido a alterações de uso do solo, principalmente conversão do coberto vegetal de matos para pinhal e / ou incêndios recorrentes. Outras ameaças incluem obras de beneficiação de caminhos e de construção de parques eólicos, sendo também provável que as secas prolongadas e outros possíveis efeitos das alterações climáticas também representem uma ameaça sobre a população. Devido ao reduzido tamanho dos núcleos populacionais conhecidos, estes são muito suscetíveis a fatores estocásticos ou a quaisquer ameaças imprevisíveis. Como medidas de conservação, propõem-se a preservação de germoplasma ex situ, a produção de legislação específica para o táxon, bem como a monitorização dos núcleos populacionais e, se necessário, tentativas de estabelecimento de novos núcleos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF36A49023FAFC3CB557F999.taxon	discussion	Centaurea amblensis subsp. amblensis é uma planta endémica da Península Ibérica característica de clareiras, bermas de caminhos, prados e outros locais abertos em solos arenosos derivados de granito, que ocorre pontualmente na Beira Alta. É avaliada como Em Perigo porque a população nacional se encontra em declínio continuado e se estima em cerca de 1000 indivíduos maduros, sendo que nenhuma das subpopulações conhecidas é constituída por mais de 250 indivíduos maduros. Adicionalmente, apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (cerca de 420 km 2 e de 20 km 2, respetivamente), identificam-se apenas cinco localizações e observa-se o declínio continuado do seu habitat. As principais pressões e ameaças incluem o abandono das práticas tradicionais e o consequente aumento da cobertura de matos, a florestação das serras interiores, a aplicação de herbicidas e o corte da vegetação nas bermas de estradas. Propõe-se a definição de áreas de proteção nos núcleos mais isolados e a divulgação da presença do táxon e de práticas adequadas à sua conservação junto das autoridades locais. Sugere-se ainda a realização de estudos que permitam melhorar o conhecimento da sua área de ocorrência e requisitos ecológicos, assim como a monitorização periódica dos núcleos conhecidos para avaliar a tendência da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF37A49126D0FF8EB506FD4B.taxon	discussion	Adenocarpus argyrophyllus é um arbusto endémico do Centro da Península Ibérica, mas que em Portugal continental ocorre numa área muito restrita, estando confinado a cristas quartzíticas nas cotas mais elevadas da serra do Ramiro (próximo de Penha Garcia, na Beira Baixa). A população nacional concentra-se inteiramente numa única localização e, para além de existirem ameaças plausíveis de causar uma redução significativa da população nacional, o número de indivíduos maduros é inferior a 1000, justificando a avaliação desta planta na categoria Vulnerável. As principais ameaças identificadas estão relacionadas com incêndios recorrentes e com fatores estocásticos. Devido à sua reduzida área de ocupação e ao seu baixo número de indivíduos, propõe-se a recolha de material genético para conservação ex situ. Sugere-se ainda a realização de estudos sobre ameaças e pressões, bem como a realização de estudos taxonómicos e a monitorização regular da única subpopulação conhecida.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF34A49223FAFF8EB3C0FCE4.taxon	discussion	Jurinea humilis é uma planta distribuída pela região mediterrânica ocidental, que em Portugal ocorre exclusivamente nas cumeadas das serras de xisto na zona centro do país, desde a serra da Lousã, passando pela serra do Açor, até à serra da Estrela. Avalia-se como Vulnerável por ter extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (cerca de 646 km 2 e de 40 km 2, respetivamente), identificarem-se apenas sete localizações e por se observar um declínio continuado da área, extensão e qualidade do seu habitat. Este declínio foi motivado pela construção de parques eólicos e respetivos acessos nas zonas de cumeada de serras onde a planta ocorre e suspeita-se que esteja a ser agravado pelas mudanças nos regimes de precipitação e subida de temperaturas resultantes de alterações climáticas. Deverá ser salvaguardado o seu património genético em bancos de germoplasma nacionais. Propõe-se que sejam realizados estudos de monitorização da população nacional e estudos que averiguem a relação entre a dinâmica populacional e as variações climatéricas anuais / sazonais, de forma a verificar em que medida será afetada pelas alterações climáticas, sobretudo quanto à prevista redução da pluviosidade. A presente avaliação deverá ser revista após a concretização destes estudos, pois poderão aportar informação que justifique a elevação da categoria para Em Perigo, uma vez que a comprovação dos impactos das alterações climáticas poderá reduzir significativamente o número de localizações atualmente identificadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF34A49223FAFC3CB41FFA3D.taxon	discussion	Sorbus latifolia é uma árvore característica de bosques caducifólios, que em Portugal ocorre de modo disperso nas zonas montanhosas do Centro do país. É avaliada como Vulnerável dado que se estima que a população nacional nativa seja constituída por menos de 1000 indivíduos maduros. As principais pressões e ameaças de toda a população nacional são os incêndios recorrentes e as más práticas florestais ou agrícolas, embora a subpopulação Estrela-Malcata-Gardunha possa estar mais protegida devido à sua maior dimensão e, em grande parte, por estar englobada em áreas integradas no Sistema Nacional de Áreas Classificadas. O risco de poluição genética também não é de descurar, já que não há informação sobre a proveniência das plantas cultivadas. Propõe-se a redelimitação dos limites de áreas classificadas, de forma a incluir as subpopulações mais isoladas, assim como um plano de gestão em conjunto com outros táxones semelhantes de áreas montanhosas que permita o seu estudo populacional, taxonómico e genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF35A49326D0FF8EB7DFFCE4.taxon	discussion	Rhynchospora alba é uma planta de ampla distribuição no hemisfério norte, que em Portugal ocorria historicamente entre o Minho e a Beira Litoral em turfeiras e solos higroturfosos. A planta parece ter desaparecido da maioria dos locais de ocorrência histórica, subsistindo apenas uma subpopulação na serra do Gerês, a qual não foi detetada recentemente, datando o último registo de 2003. É avaliada como Criticamente em Perigo por existir uma única localização e por estar identificado um declínio continuado da qualidade de habitat, inferindo-se também um declínio populacional continuado. A principal pressão identificada no único local de ocorrência atual está associada à pastorícia de gado bovino e equino. A degradação de turfeiras e dos meios higroturfosos em resultado de alterações do balanço hídrico, previstas num cenário de alterações climáticas, representa uma ameaça futura muito significativa. Outras pressões relevantes observadas em áreas de ocorrência histórica são a drenagem de zonas húmidas, a plantação de eucaliptais e expansão de exóticas. Sugere-se que seja mantido o esforço de prospeção, de modo a confirmar a sua ocorrência atual na serra do Gerês e estimar o tamanho da população nacional. Sugere-se ainda a colheita de sementes para armazenamento em bancos de germoplasma e para criação em viveiro, de modo a permitir a realização de ações de reforço populacional e repovoamento em áreas de habitat favorável. Os núcleos atuais e os que venham a ser criados deverão ser alvo de monitorização bienal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3AA49C23FAFF8EB2ECFBBD.taxon	discussion	Gymnadenia conopsea é uma orquídea de ampla distribuição euro-asiática, mas que em Portugal continental ocorre apenas no extremo noroeste do país, nas montanhas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde habita em turfeiras e prados húmidos, geralmente acima dos 1100 m de altitude. É avaliada como Em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, por se identificar um declínio continuado ao nível do tamanho da população nacional e da qualidade do seu habitat e por se considerar a existência de apenas duas localizações. O incremento da pressão do gado bovino na área de ocorrência dos núcleos populacionais da planta representa a maior ameaça à população nacional, assinalando-se também a crescente procura turística por trilhos de natureza, que atravessam alguns locais onde a planta ocorre. São necessárias medidas de gestão de habitat que permitam conservar a população nacional, como o condicionamento do acesso do gado bovino aos locais de ocorrência da planta durante o seu período de floração e frutificação e o desvio de alguns percursos de natureza. Deverá ainda dar-se continuidade aos esforços de monitorização dos efetivos populacionais desta orquídea.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3BA49D26D0FF8EB5A5FCC7.taxon	discussion	Lycopodiella inundata é uma planta, que ocorre em turfeiras, matos higrófilos, prados húmidos e outros locais temporariamente encharcados. Em Portugal continental ocorre de modo pontual, estando restrita ao quadrante noroeste do território. Avalia-se na categoria Em Perigo por apresentar uma área de ocupação bastante reduzida (60 km 2) e por se considerar a população severamente fragmentada, uma vez que todos os núcleos ocupam áreas de habitat muito reduzidas e ocorrem muito isolados entre si. Além disso, identifica-se um declínio continuado ao nível da qualidade do seu habitat, do número de indivíduos que constituem a população regional e do número de localizações. É uma planta com preferências ecológicas muito especializadas e, como tal, suscetível a alterações do uso do solo que interfiram negativamente com o escoamento hídrico e promovam a eutrofização ou modificações no balanço hídrico resultantes de alterações climáticas. Sendo uma espécie pioneira, é também afetada pelo adensamento da vegetação consequente da sucessão natural. É urgente promover a conservação e o restauro dos meios higroturfosos onde ocorre e implementar medidas de controlo de espécies competidoras. Dever-se-á continuar a sua prospeção, incidindo principalmente na área envolvente das quatro subpopulações para as quais não existe informação recente.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3BA49D26D0FC3FB724F9FB.taxon	discussion	Menyanthes trifoliata é uma planta aquática, que ocorre em lagoas e turfeiras de zonas de montanha. Em Portugal continental ocorre apenas em algumas áreas montanhosas do Centro e do Norte do país, designadamente na serra da Estrela, em Montalegre e em Corno de Bico. É avaliada na categoria Em Perigo uma vez que apresenta uma área de ocupação muito reduzida (24 km 2), identificam- se apenas quatro localizações e existem evidências de declínio continuado da extensão de ocorrência, da área de ocupação, da área e qualidade do habitat, do número de localizações e do tamanho da população nacional. As principais pressões e ameaças a que a espécie está sujeita são a drenagem dos seus locais de ocorrência, a pressão por pastoreio bovino, a baixa diversidade genética e as alterações climáticas. Esta espécie necessita de medidas urgentes de conservação, especialmente em Corno de Bico, onde deveria ser feita a rápida restauração do habitat e o reforço do efetivo populacional. Para além disso, propõe-se a monitorização dos núcleos existentes, a elaboração de um estudo populacional, a preservação do material genético, o estudo do impacto do gado bovino e a elaboração de um plano de conservação para esta espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF38A49E23FAFF8EB250FCA2.taxon	discussion	Salix repens é um arbusto prostrado, que ocorre em ambientes turfosos de montanha. É avaliado como Em Perigo por possuir área de ocupação e extensão de ocorrência reduzidas, por se identificarem apenas quatro localizações e se observar um declínio continuado da qualidade do habitat, devido à excessiva pressão pastoril observada na maioria dos núcleos. Este declínio de habitat será agravado pelas alterações no balanço hídrico que se preveem, decorrentes das alterações climáticas, que tenderão a provocar grandes mudanças nos ambientes turfosos de montanha. A sustentar esta categoria, infere-se um declínio continuado da população nacional, a qual se estima que seja constituída por cerca de 300 - 500 indivíduos maduros e nenhuma das quatro subpopulações que a constitui terá mais de 250 indivíduos maduros. Suspeita-se que este declínio se prolongará nos próximos anos se nada for feito para alterar as condições atuais de degradação do habitat. Dada a sua raridade, é importante promover novas medidas de gestão do habitat, incluindo a conservação do táxon in e ex situ. A fim de evitar a sua extinção na natureza, serão necessários o fortalecimento populacional, a defesa dos núcleos do excesso de pastoreio e pisoteio dos animais e a criação de uma nova área de proteção na serra do Larouco. Devido à falta de conhecimento sobre a totalidade dos núcleos de que há registo e às dúvidas taxonómicas persistentes, é importante a realização de novos estudos da dinâmica populacional e a participação em projetos internacionais que promovam o estudo genético de diferentes subpopulações, incluindo as subpopulações nacionais de S. repens s. l.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF38A49E23FAFC3FB2B4F9B6.taxon	discussion	Trichophorum cespitosum é uma planta de ampla distribuição global, mas que em Portugal está restrita apenas às serras do Gerês e de Montesinho. Habita em turfeiras e margens de regatos de montanha, em meios ácidos. É avaliada como Em Perigo dada a sua extensão de ocorrência, com cerca de 2000 km 2 e área de ocupação com cerca de 70 km 2, por ter somente três localizações e por estar sinalizado um declínio continuado na qualidade do habitat turfófilo. A pressão do pastoreio promove alterações no regime hidrológico, que por sua vez também se encontra ameaçado, tendo em conta os cenários de alterações climáticas que indicam uma maior severidade e prolongamento dos períodos de seca. Com base neste panorama, é essencial travar as causas que afetam a conservação das turfeiras, através da gestão ativa do habitat, limitando o pastoreio nas turfeiras para padrões sustentáveis e atuando sobre a drenagem e erosão das mesmas, restabelecendo regimes hidrológicos que permitam a sua manutenção e que possam enfrentar os cenários climáticos futuros. Devido à falta de conhecimento da população nacional, são necessários novos estudos populacionais (a fim de confirmar, por exemplo, a subpopulação de Castro Laboreiro), incluindo a sua prospeção em outros locais turfófilos para além daqueles de que há registo, assim como uma monitorização regular dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF39A49F24EEFF8EB7BDFAB2.taxon	discussion	Eriophorum angustifolium é uma planta de ampla distribuição global, mas que em Portugal apenas ocorre na serra da Estrela e em algumas serras da região norte. Ocorre em turfeiras e depressões húmidas com solos higroturfosos. É avaliada como Vulnerável porque apresenta uma área de ocupação reduzida (72 km 2) e uma extensão de ocorrência relativamente limitada (10 800 km 2), ambas em declínio continuado, tal como a área e qualidade do seu habitat, e o número de localizações (apenas seis), inferindo-se também um declínio populacional continuado. As principais pressões / ameaças são a alteração do regime hidrológico / balanço hídrico das turfeiras onde habita, algo que se poderá agravar se os cenários das alterações climáticas se confirmarem. O abandono das formas tradicionais de maneio dos lameiros em altitude e a intensificação agrícola ou florestal são ameaças prementes sobre qualidade do habitat. Um plano de gestão sobre estes habitats é importante para salvaguardar esta planta, e outras deles dependentes, nomeadamente em territórios de menor altitude. O restauro de habitat será essencial para a recuperação de alguns núcleos. Há núcleos conhecidos que não têm registo de ocorrência e noutros não se conhece a situação atual (os registos são do início do século XXI). Deste modo importa continuar os estudos de prospeção e da sua distribuição e dinâmica populacional, já que não há uma estimativa fiável da população nacional. O pequeno núcleo de Corno de Bico encontra-se fora dos limites desta área classificada, pelo que importaria retificar estes limites para o salvaguardar.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3EA49823FAFF8EB212FC85.taxon	discussion	Dryopteris carthusiana é um feto com ampla distribuição no Norte da Europa, mas cuja ocorrência atual em Portugal apenas é conhecida numa área muito restrita do Minho. Ocorre em bosques ripícolas e paludosos, principalmente amiais, em sítios sombrios. É avaliado como Criticamente em Perigo porque a população nacional se estima ser inferior a 250 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação, que se encontra em declínio continuado. A população nacional é ameaçada por diversas pressões bióticas e abióticas, que incluem um micro-organismo (Phythopthtora alni) responsável por elevadas mortalidades de amieiros e alterações no regime hidrológico dos cursos de água devido a secas prolongadas ou a atividades humanas, como obras de regularização de caudais, drenagens e captação excessiva de recursos hídricos. Num dos núcleos assinalam-se ainda os impactos resultantes do uso recreativo do local onde ocorre e noutro assinala-se a ameaça de destruição total devido a obras de eletrificação da rede ferroviária. Propõe-se a preservação do seu habitat (bosques ripícolas e paludosos) e de todos os núcleos populacionais conhecidos, quer através da gestão do habitat, quer através do ordenamento do uso recreativo na zona do núcleo de São João de Arga, onde deverão ser desenvolvidas ações de sensibilização da população que usa o espaço. Sugere-se também a colheita e conservação de material genético da população nacional em bancos de germoplasma e a realização de estudos taxonómicos e genéticos conjuntos com população galega.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3EA49823FAFC3FB417F999.taxon	discussion	Palhinhaea cernua é uma planta de distribuição predominantemente tropical, que ocorre em sítios húmidos e sombrios. Espécie reliquial em Portugal continental, encontra-se circunscrita a um único núcleo populacional com cerca de 11 indivíduos maduros na serra de Santa Justa, em Valongo. Neste núcleo observou-se uma redução de 27 % no número de indivíduos entre 2012 e 2017. Tal redução, conjugada com a destruição parcial do núcleo no início do século XXI devido a obras de alargamento de uma estrada, é indicativa de um declínio populacional continuado, suscetível de se manter no futuro próximo. Na sua envolvente, verifica-se também um declínio continuado na qualidade e extensão do seu habitat, devido a fatores como a expansão do eucaliptal, os incêndios recorrentes e o adensamento arbustivo. Dada a sua extrema circunscrição geográfica, todos os indivíduos da espécie poderão ser destruídos num único evento, assinalando-se diversas ameaças plausíveis de causar essa destruição. Perante estas condicionantes, a planta é avaliada como Criticamente em Perigo. Urge a implementação de medidas de restauração do seu habitat, reprodução ex situ e, eventualmente, repovoamento na natureza. Para tal é necessário realizar estudos prévios, a nível genético e biológico, que permitam assegurar o sucesso destas medidas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3CA49A2428FF8EB6C0FB78.taxon	discussion	Culcita macrocarpa é um feto cuja distribuição em Portugal continental se restringe à serra de Pias, em Valongo, onde ocorre em paredes sombrias e húmidas de fojos. Avalia-se como Criticamente em Perigo em função de se estimar a população regional em apenas 60 indivíduos que se concentram numa única subpopulação, de a extensão de ocorrência e área de ocupação serem inferiores a 10 km 2 e de estar identificado declínio continuado ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, qualidade do habitat, número de localizações e número de indivíduos maduros. Face à grande proximidade dos núcleos, considera-se apenas uma localização, sendo que as principais ameaças e pressões identificadas são a expansão de infestantes e exóticas arbóreas, os fogos recorrentes, a possibilidade de expansão de uma pedreira de ardósia e outras ameaças imprevisíveis. Urge promover ações de restauro de habitat para assegurar a sua sobrevivência, nomeadamente a renaturalização, pelo menos parcial, da serra de Pias com floresta autóctone, o controlo de todas as espécies exóticas invasoras e de todas as espécies infestantes nos fojos e poços na serra de Pias e na serra de Santa Justa e a implementação de uma faixa de proteção nos mesmos. Deverá ser implementado um novo plano de conservação que inclua proposta de medidas para salvaguarda de material genético, criação de novos núcleos populacionais ou reforço populacional dos existentes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3DA49B26D0FF8EB6F9FCA2.taxon	discussion	Rosa rubiginosa é uma planta, que em Portugal apenas se encontra no setor sudoeste da serra da Estrela, ocorrendo em orlas e clareiras de bosques, correspondentes a formações pré-florestais de matagais arborescentes de medronheiro, azereiro e azevinho. A complexa identificação desta planta compagina uma abordagem reservada, uma vez que subsiste alguma incerteza quanto à possibilidade de ocorrência em alguma das localidades históricas. Ainda assim, e por se tratar de uma planta com muito escasso registo histórico em Portugal, e dada a ausência de registos nas últimas sete décadas, parece ser verosímil o estado crítico da população nacional. Por esse motivo, à luz do conhecimento existente, avalia-se como Criticamente em Perigo por apresentar extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (4 km 2), identificar-se uma única localização e observar- se o declínio continuado da qualidade do seu habitat. Infere-se ainda o declínio continuado ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, número de localizações e tamanho da população nacional. Acresce que a população nacional da planta é constituída por menos de 50 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação, a qual é muito suscetível a quaisquer ameaças. Destacam-se as ameaças dos incêndios recorrentes, a expansão de espécies exóticas, a poluição genética, os problemas reprodutivos e de dispersão. Como principais medidas de conservação, sugerem-se a propagação em viveiro (vegetativa e seminal), o reforço populacional, a monitorização regular, realização de estudos taxonómicos, dinâmica populacional e distribuição e conservação de material biológico em banco de germoplasma nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF3DA49B26D0FC3FB87EF999.taxon	discussion	Valeriana montana é uma planta característica do Oeste eurosiberiano com distribuição finícola em Portugal, onde habita bosques de ribeiras sombrias e húmidas. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar uma área de ocupação e extensão de ocorrência mínimas (apenas 4 km 2), tendo estas sofrido um declínio continuado desde o passado, quando se conhecia esta planta, pelo menos, em mais três locais da serra do Gerês. Desta forma, infere-se ainda um declínio populacional do número de indivíduos maduros. Estima-se que atualmente o número de indivíduos maduros possa ser inferior a 50, numa única subpopulação que concentra todos os exemplares conhecidos. A população nacional é muito suscetível a ameaças imprevisíveis, como, por exemplo, impactos decorrentes da dinâmica de vertentes. Dado que apenas se conhece numa única localização, redescoberta recentemente, é imperiosa a conservação ex situ com a recolha de sementes para um banco de germoplasma, para que no futuro se possa pensar em fortalecimento populacional. É necessário encetar mais esforços na sua prospeção, nomeadamente nos locais onde há registos históricos e realizar alguns estudos sobre a viabilidade da planta nas condições atuais de habitat, monitorizando regularmente o núcleo conhecido, para se ter uma melhor estimativa do efetivo populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF02A4A423FAFC3FB28DF915.taxon	discussion	Asphodelus bento-rainhae subsp. bento-rainhae é uma planta de distribuição muito restrita, ocorrendo apenas na serra da Gardunha. A extensão de ocorrência e área de ocupação são reduzidas (ambas com 40 km 2 e, provavelmente, sobrestimadas, dado o desaparecimento recente de alguns núcleos). Ocorre preferencialmente no subcoberto de castinçais e de carvalhais e nas suas orlas arbustivas e herbáceas. Contudo, verifica-se um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat, em resultado de pressões, como a expansão de pomares e uso de herbicidas. Os fogos recorrentes de grandes dimensões potenciam a expansão de espécies invasoras e a reconversão dos bosques caducifólios em povoamentos florestais de pinheiro. Face à incidência espacial destes fatores de pressão e à reduzida expressão territorial da planta, estimam-se apenas duas localizações, pelo que é avaliada como Em Perigo. Acresce que o desaparecimento recente de alguns núcleos populacionais, aliado à perda de habitat favorável no passado, permite inferir uma tendência de declínio continuado do tamanho da população. Sugerem-se medidas que permitam compatibilizar os usos do território com a conservação da planta, nomeadamente a formação e incentivos aos produtores locais para adoção de práticas de gestão agrícola e florestal compatíveis com a sua conservação, o condicionamento da reconversão dos bosques caducifólios e o controlo de invasoras, principalmente, em áreas afetadas por incêndios. Deverá ser desenvolvido um estudo que permita estimar o tamanho da população nacional e a monitorização dos núcleos conhecidos, permitindo o acompanhamento da tendência populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF02A4A423FAFF8EB3FFFCA2.taxon	discussion	Vandenboschia speciosa é um feto, que ocorre em lugares sombrios e húmidos na entrada de minas abandonadas (fojos). Em Portugal continental apenas é conhecida a sua ocorrência atual na serra de Santa Justa, em Valongo, uma vez que uma outra subpopulação, na serra de Sintra, ter-se-á extinguido. Apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação mínimas (4 km 2), pois apenas se conhecem dois núcleos, muito próximos, um dos quais não foi detetado em 2017. Estima-se que a população em Portugal continental seja formada por 250 a 1000 indivíduos maduros, concentrados em cerca de 10 tufos, constituídos por uma grande percentagem de indivíduos de origem clonal. Observa-se um declínio populacional continuado e da qualidade do habitat, pelo menos nos últimos 30 anos. As causas de regressão estão relacionadas com as alterações ao nível da disponibilidade hídrica na área envolvente, que resultam dos efeitos combinados da diminuição da precipitação, dos fogos recorrentes, da expansão de exóticas e dos povoamentos florestais de eucalipto. Por estes motivos, avalia-se como Criticamente em Perigo, sendo verosímil a sua extinção regional a médio prazo. Deverá ser implementado um plano de conservação específico, que inclua medidas, como a gestão da vegetação nos fojos, o controlo de exóticas e o reordenamento florestal, pelo menos na envolvente dos fojos. Deverá ser propagada em jardins botânicos, de modo a permitir a existência de uma população-fonte para esforços de repovoamento e de reforço populacional. Deverá ser alvo de monitorização e, tendo em conta a sua possível sobrevivência na forma de gametófito, sugere-se a prospeção dirigida em áreas com habitat favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF03A4A526D0FF8EB6AAFD09.taxon	discussion	Dryopteris guanchica é um endemismo ibérico e das ilhas Canárias, com presença em Portugal restrita ao Noroeste do país. Ocorre em ravinas sombrias e húmidas, sob coberto de bosques caducifólios e também em paredes de fojos. Esta planta encontra-se claramente em regressão em Portugal, sendo avaliada como Em Perigo por apresentar área de ocupação e extensão de ocorrência reduzidas, contar apenas quatro localizações e por se assinalar declínio continuado da área de ocupação, extensão de ocorrência, número de localizações, no número de indivíduos maduros e ainda da área, extensão e qualidade do seu habitat. Entre as principais ameaças e pressões que têm contribuído para este declínio estão a proliferação de exóticas invasoras, a desmatação, más práticas de gestão da vegetação e perturbações resultantes de atividades recreativas ou de ameaças imprevisíveis. É urgente a proteção dos núcleos populacionais conhecidos, por exemplo, com vedação de algumas áreas e reforço de vigilância e o controlo efetivo das espécies exóticas invasoras na sua envolvente. Recomenda-se ainda a monitorização da população nacional, de forma a detetar qualquer tipo de declínio que ponha em causa a sua persistência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF03A4A526D0FC3FB690F915.taxon	discussion	Lychnis flos-cuculi subsp. flos-cuculi é uma planta de distribuição europeia, com a sua área de distribuição atual em Portugal reduzida a poucos locais, repartidos entre o Centro-Oeste e Trás-os-Montes. Existe alguma incerteza quanto à sua extensão de ocorrência atual, pois é plausível que possam estar por descobrir ou reencontrar alguns núcleos, no entanto, é claro que se trata de uma planta rara e especializada num habitat ameaçado (solos turfosos de zonas húmidas dulçaquícolas). Por esse motivo, é avaliada como Em Perigo porque apresenta uma área de ocupação muito reduzida (apesar de alguma incerteza, nunca será superior a 500 km 2), apenas se identificam três localizações e estão identificados declínios continuados ao nível da área de ocupação, do número de localizações e da área, extensão e qualidade do seu habitat. A população nacional estima-se entre 250 e 1000 indivíduos maduros, sendo que nenhuma das subpopulações conhecidas é constituída por mais de 100 - 150 indivíduos. Com base no desaparecimento de locais de ocorrência histórica e na significativa perda de habitat, infere-se um declínio continuado no tamanho da população nacional. As ameaças mais significativas que pesam sobre a planta são a drenagem de zonas húmidas, a expansão da agricultura (ameaças muitas vezes relacionadas) e a expansão de espécies exóticas. Para contrariar a tendência de declínio evidente da população nacional, é urgente que se preserve os habitats turfosos naturais da veiga de Chaves e haja um controlo efetivo das espécies exóticas invasoras na subpopulação do Baixo Vouga. Sugerem-se ainda esforços de prospeção dirigida que permitam melhorar o conhecimento da sua distribuição atual.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF00A4A623FAFF8EB21FFC85.taxon	discussion	Platanthera bifolia é uma orquídea de ampla distribuição euro-asiática, que em Portugal ocorre de modo muito disperso no Centro e no Norte do país, em prados húmidos e clareiras de matos e bosques, conhecendo-se um reduzido número de núcleos populacionais e de indivíduos maduros. É avaliada como Em Perigo devido à reduzida área de ocupação que apresenta, por se considerar a população nacional como severamente fragmentada e por estarem identificados declínios continuados ao nível da área de ocupação, do tamanho da população, do número de localizações e da área e qualidade do seu habitat. Adicionalmente, as contagens efetuadas em várias subpopulações mostram que o número de indivíduos em cada uma é seguramente inferior a 250. A principal pressão sobre a população nacional está relacionada com a expansão agrícola, principalmente nos núcleos da Beira Alta, assinalando-se outras causas, como a abertura de caminhos florestais e o uso de fitofármacos. Para garantir a manutenção da planta, sugere-se a criação de microrreservas e a promoção de práticas de gestão agroflorestal compatíveis com a conservação dos núcleos, acompanhadas por incentivos financeiros aos proprietários para adoção das mesmas. Deverá ser efetuada propagação ex situ, de modo a produzir indivíduos que possam ser utilizados em ações que visem criar novos núcleos populacionais noutras áreas de habitat favorável. Sugere-se a monitorização, pelo menos, quinquenal dos núcleos conhecidos e a continuação dos esforços de prospeção a nível nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF00A4A623FAFC3CB368F9DA.taxon	discussion	Senecio nemorensis ocorre em toda a Europa, mas está presente em Portugal apenas em dois locais disjuntos, perto de Melgaço e de Castro Daire. Esta planta é avaliada como Em Perigo porque tem uma reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, conta apenas duas localizações e a área do habitat tem sofrido um declínio continuado. As ameaças que têm afetado negativamente o habitat e ameaçam diretamente os núcleos populacionais conhecidos são o desmate de margens de caminhos e ribeiras e a ceifa dos lameiros ou qualquer outra gestão agrícola que impeça a planta de completar o seu ciclo. Recomenda-se a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos para impedir que as ameaças se concretizem; é imperativo a definição de áreas de conservação na área dos núcleos conhecidos e ao longo das ribeiras com habitat potencial, compensando os proprietários por fazerem uma gestão dos lameiros capaz de conservar esta espécie. Adicionalmente, a educação ambiental poderá ser a ferramenta ideal para sensibilizar proprietários, decisores e moradores locais para a importância desta espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF01A4A726D0FF8EB59DFD26.taxon	discussion	Anemone nemorosa é uma planta de ampla distribuição global, mas de ocorrência muito restrita em Portugal continental, sendo apenas conhecida dos arredores de Castro Laboreiro, no extremo norte do país. Ocorre em bosques húmidos abertos, em solos frescos na margem de cursos de água. É avaliada como Vulnerável devido ao reduzido número de localizações (quatro) e à reduzida área de ocupação (20 km 2), sendo que estão identificadas pressões sobre a população nacional que resultam de mudanças nas práticas de gestão de lameiros, que podem causar rápidos declínios populacionais, incluindo o seu abandono, uma vez que ambas as causas promovem dinâmicas de sucessão que são prejudiciais à espécie. Outras ameaças apontadas são a possibilidade de limpezas excessivas de vegetação nos bosques húmidos, a ocorrência de secas prolongadas e a possibilidade de incêndios recorrentes. Sugere-se que sejam implementados incentivos para a manutenção de lameiros com gestão tradicional, acompanhados por ações de formação de boas práticas de gestão dos lameiro, a desenvolver nas povoações e freguesias na área de distribuição da planta em Portugal. Deverá ainda ser melhorado o conhecimento da demografia da espécie (distribuição e tamanho populacional).	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF01A4A726D0FC3FB6ABFA7F.taxon	discussion	Dianthus laricifolius subsp. caespitosifolius é um endemismo ibérico com reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação no território português, concentrando-se nos afloramentos rochosos no leito do rio Minho. É avaliado como Vulnerável porque se identifica um número muito reduzido de localizações e existem ameaças plausíveis no futuro, como a construção de barragens, que, a concretizar-se, poderão provocar drásticas reduções na população nacional num curto espaço de tempo, nomeadamente a destruição de três localizações. A principal pressão atual resulta da expansão de espécies exóticas no seu habitat, pelo que a planta beneficiaria de medidas para o seu controlo. Sugere-se o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma nacionais e monitorização, pelo menos, quinquenal da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF06A4A023FAFF8EB514FD68.taxon	discussion	Monotropa hypopitys é um geófito rizomatoso saprófito, sem clorofila, que se distribui, pontualmente, pelas regiões centro e norte de Portugal continental, apresentando uma área de ocupação reduzida (cerca de 64 km 2). Ocorre em bosques caducifólios e pinhais húmidos. É avaliado como Vulnerável porque se estima que a população nacional seja constituída por menos de 1000 indivíduos maduros, dado que todos os registos atuais correspondem a indivíduos isolados ou a núcleos com poucas dezenas de indivíduos. As ameaças mais relevantes à conservação da população nacional são os incêndios recorrentes, que promovem a destruição direta de bosques e pinhais e potenciam também a proliferação de espécies exóticas, como acácias e háqueas. Assinala-se ainda a realização de práticas inadequadas de gestão da vegetação em povoamentos florestais. Esta planta beneficiaria de medidas que potenciem a regeneração e gestão dos bosques caducifólios e controlo de espécies exóticas invasoras. Dado que não usufrui de nenhum estatuto de proteção legal, propõe- se a monitorização dos núcleos conhecidos, especialmente após a ocorrência de incêndios.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF06A4A023FAFC3FB27DF9F8.taxon	discussion	Ranunculus henriquesii é uma espécie endémica do Centro-Norte de Portugal, que habita perto de linhas de água, sob coberto de folhosas. É avaliada como Vulnerável por ter uma extensão de ocorrência inferior a 20 000 km 2 e uma área de ocupação inferior a 2000 km 2, contar apenas oito localizações e sofrer um declínio continuado da extensão de ocorrência, da área e qualidade do habitat favorável (causado pela construção de barragens, invasoras, etc.), do número de subpopulações (desaparecimento confirmado de algumas subpopulações minhotas e nas proximidades de Coimbra) e do número de indivíduos maduros. As ameaças que pesam sobre esta espécie são a expansão do eucaliptal e da acácia, entre outras invasoras, a construção de barragens, e fatores estocásticos que podem causar a extinção dos núcleos populacionais mais reduzidos. Recomenda-se a salvaguarda do património genético deste endemismo, o restauro do habitat e controlo / erradicação de invasoras nas subpopulações mais enfraquecidas. É importante ainda perceber a distribuição efetiva desta espécie em Portugal, pelo que se sugere a realização de estudos sobre distribuição e dinâmica populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF07A4A124EEFF8EB864FAD7.taxon	discussion	Lilium martagon é um geófito de ampla distribuição euro-asiática, que em Portugal ocorre de modo disperso em algumas áreas montanhosas do Centro e Norte do país. A população nacional estima-se entre 2500 e 10 000 indivíduos e assinalam-se diversas ameaças, que, combinadas entre si, podem potenciar os seus efeitos promovendo a degradação dos bosques caducifólios e matagais que constituem o seu habitat. Destacam-se os incêndios florestais recorrentes, expansão de exóticas arbóreas, a expansão de povoamentos florestais de eucaliptos e coníferas e as práticas desadequadas de gestão florestal. A colheita de escapos florais é outra ameaça, principalmente na proximidade de povoações e trilhos, havendo suspeitas de dificuldades ao nível da polinização que condicionem o sucesso reprodutivo da população nacional. É avaliada como Vulnerável em virtude da reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, da identificação de um declínio continuado da qualidade do seu habitat e de se identificarem apenas 10 localizações. Deverão ser estudadas as possíveis causas para os aparentes problemas de polinização e realizados estudos sobre os efeitos das ameaças e pressões identificadas ou ainda por identificar. Sugere-se ainda a monitorização regular dos núcleos, que permita comprovar ou refutar as suspeitas de um declínio populacional continuado. Deverão ser desenvolvidas ações de sensibilização para minimizar os risco de colheitas ocasionais dos escapos florais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF04A4A223FAFF8EB275FBBA.taxon	discussion	Narcissus cyclamineus é uma planta restrita ao Noroeste da Península Ibérica, que em Portugal é exclusiva das serras litorais do Norte do país. Ocorre em prados húmidos e bosques, frequentemente nas margens de cursos de água. É avaliada na categoria Vulnerável, considerando-se a sua reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, número de localizações (10) e inferindo-se o declínio continuado da área de ocupação, da área e qualidade do habitat, do número de localizações e do número total de indivíduos maduros. Esta espécie tem como ameaças mais significativas as perturbações de origem humana decorrentes de atividades de recreio e lazer e da construção de infraestruturas, a expansão de espécies exóticas e o adensamento dos matos, causas que provocam a destruição ou degradação do seu habitat. É por isso urgente garantir a proteção dos seus núcleos populacionais, nomeadamente através da definição de novas áreas de proteção e, eventualmente, através do reforço dos seus efetivos e da manutenção das práticas tradicionais da gestão de lameiros e arrelvados ribeirinhos. Considera-se que a espécie beneficiaria particularmente da elaboração de um plano de conservação dedicado, concebido sob uma visão integral e onde se promovesse a gestão tradicional dos lameiros e a desmatação de vegetação mais alta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF05A4A326D0FF8EB863FCA2.taxon	discussion	Selinum broteri é uma planta, que ocorre de modo muito esparso no Norte de Portugal em prados húmidos de zonas litorais ou em lameiros de montanha. Apresenta uma reduzida área de ocupação e assinalam-se declínios continuados da área de ocupação, do tamanho de população e da extensão e qualidade do seu habitat. A maioria da população nacional parece ser constituída por núcleos pequenos e bastante isolados, mas é plausível que possa haver mais núcleos por detetar na região de Trás-os-Montes, dado que a prospeção foi insuficiente. Assim, subsistem dúvidas sobre se a população nacional estará ou não severamente fragmentada, de acordo com a definição seguida na Lista Vermelha. Essa dúvida gera incerteza na categoria correta a atribuir, dado que poderá ser avaliada como Em Perigo, considerando-se a população nacional como severamente fragmentada ou como Quase Ameaçada se não se considerar como tal. Face a esta incerteza, e não havendo bases seguras para decidir por uma das categorias, avalia-se como Vulnerável (categoria intermédia), como recomendado pelas diretrizes da União Internacional para Conservação da Natureza. Nas zonas litorais a planta encontra-se em regressão devido a causas como a invasão dos prados húmidos por plantas exóticas, o desenvolvimento urbano e a poluição excessiva dos meios aquáticos. Sugere-se a implementação de ações de gestão de habitat e de controlo de exóticas, que permitam estabelecer condições para futuros esforços de repovoamento ou reforço populacional. Nessa condição será necessária a colheita de sementes e a propagação da planta em viveiro. Deverão ser mantidos os esforços de prospeção dirigida e deverá ser implementado um programa de monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF05A4A326D0FC3CB7D1F9F8.taxon	discussion	Senecio doria subsp. legionensis é uma planta de lameiros e margens de ribeiros endémica do Noroeste da Península Ibérica, estando em Portugal restrita ao planalto de Castro Laboreiro. A espécie é avaliada como Vulnerável por ter uma área de ocupação muito reduzida e estar concentrada numa única localização. É presumível que, dada a elevada proximidade entre os núcleos, a concretização de alguma das ameaças identificadas possa causar um declínio populacional muito significativo, suscetível de colocar a população nacional próxima da extinção. As ameaças sobre a população nacional são as alterações do uso do solo, que tendem a contrariar o estado de perturbação intermédia de que ela beneficia, por um lado, o abandono que permite a sucessão ecológica que transforma a pastagem em matos ou, no outro extremo, a intensificação agrícola, que iria igualmente implicar o seu desaparecimento. A restrita área ocupada pelos núcleos torna-os muito suscetíveis a qualquer ameaça imprevista. Recomenda-se que se façam estudos taxonómicos e ambientais, de forma a confirmar a sua identidade taxonómica, e que sejam determinadas áreas para a sua conservação nos locais onde está presente, garantindo, paralelamente, a sua conservação ex situ.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0AA4AC23FAFF8EB32DFD09.taxon	discussion	Valeriana dioica é uma planta, que em Portugal apenas ocorre no Minho, em bosques higrófilos e comunidades de grandes herbáceas nas margens de pequenos cursos de água. É avaliada como Vulnerável pois apresenta uma área de ocupação bastante reduzida (12 km 2), apenas se identificam duas localizações e as ameaças identificadas são suscetíveis de causar um rápido e significativo declínio no tamanho da população nacional. A principal ameaça são as alterações de uso do solo, promovidas pelo abandono ou pela reconversão agrícola. Dado que a subpopulação do Baixo Minho está muito próxima do sítio de importância comunitária rio Minho, propõe-se o ajuste do limite desse sítio, para que possa incluir a área onde ocorre esta subpopulação. Para a sua conservação futura, é importante a salvaguarda do património genético em bancos de germoplasma. Recomenda-se igualmente a dinamização de ações de divulgação junto dos agricultores, para desta forma acautelar a sua preservação em caso de alterações de uso do solo. É necessário elaborar estudos sobre a sua distribuição e dinâmica populacional para se conhecer o seu efetivo populacional e fazer a monitorização dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0AA4AC23FAFC3FB4F2F957.taxon	discussion	Woodwardia radicans é um feto, que ocorre sob coberto de matas caducifólias ou bosques ribeirinhos, em ravinas frescas. A sua ocorrência natural em Portugal continental está restrita a algumas serras do Norte do país (Gerês, Freita, Arestal), sendo que se considera que a subpopulação de Sintra resulta de introdução. Avalia-se na categoria Vulnerável por apresentar uma extensão de ocorrência muito reduzida (cerca de 4700 km 2), área de ocupação muito reduzida (cerca de 84 km 2), estar identificado um declínio continuado da qualidade do seu habitat, devido à expansão de acacial na serra do Gerês (onde se situam os núcleos populacionais mais numerosos), e pelo número reduzido de localizações calculadas. Estimam-se apenas oito localizações, com base nas principais pressões identificadas (expansão de acácias e diversos tipos de intervenção humana relacionados com o turismo e limpeza da vegetação), projetando-se um declínio continuado do número de localizações, uma vez que é verosímil que uma tenha sido destruída recentemente (rio Águeda) e outra o possa vir a ser no futuro próximo (rio Mau) se não forem tomadas medidas. É urgente proteger ativamente as subpopulações da serra do Gerês (e envolvente) e da serra da Freita, essenciais para a viabilidade da espécie no continente, com medidas, como o controlo de acacial, e o reforço populacional e, também, definir áreas de proteção de outros núcleos pequenos no pais. Sugere-se ainda um censo populacional, que permita reavaliar a dimensão e tendência da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0BA4AD26D0FF8EB6DEFCA2.taxon	discussion	Avellara fistulosa é uma planta endémica do Oeste da Península Ibérica, que habita juncais e prados encharcados. Em Portugal continental não é observada desde o início da década de 1990, mesmo após os vários esforços de prospeção dirigida de que foi alvo na sua área de distribuição histórica. Avalia-se como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta) em resultado de uma significativa redução populacional observada no passado, que se traduz num declínio populacional continuado, dada a ausência de registos recentes da planta em todos os locais de ocorrência histórica, e de um declínio continuado da área de ocupação, extensão de ocorrência, área e qualidade do habitat. Suspeita-se que a planta possa estar extinta em Portugal, devido a pressões, como a poluição da água, a expansão de plantas exóticas invasoras, o pastoreio intensivo e a drenagem para aproveitamento agrícola, que provocaram a perda de habitat favorável na região do Baixo Vouga Lagunar e na bacia do Sado. Admite-se, porém, a possibilidade de subsistir ainda algum núcleo populacional não detetado em sítios de difícil acesso no Baixo Vouga ou em Tornada-Óbidos e atendendo ao reduzido período de tempo decorrido desde a última observação da planta. Sendo um endemismo ibérico muito ameaçado e uma planta com elevada singularidade filogenética, a sua proteção legal em Portugal deverá ser equacionada. Deverão ser promovidos esforços de prospeção adicionais em zonas de habitat potencialmente favorável e, caso se confirme a sua extinção em território nacional, deverá ser ponderada a sua reintrodução. Até lá, deverá ser implementado um plano de conservação com medidas de restauro de habitat.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0BA4AD26D0FC3FB828F956.taxon	discussion	Berula erecta é uma planta de vasta distribuição no hemisfério norte, mas que em Portugal continental estaria restrita à Beira Litoral. Apesar de não existirem quaisquer registos recentes da planta, datando a última colheita de herbário de 1982, e da significativa alteração na qualidade de habitat ao longo das últimas décadas em toda a sua área de distribuição, não é certo que esteja extinta em Portugal continental, uma vez que é uma planta pouco conspícua no terreno e durante o projeto da Lista Vermelha não foi possível realizar a sua prospeção em todos os locais de ocorrência histórica nem em todos os locais com habitat potencial da sua área de distribuição durante o período mais favorável à sua deteção no terreno. Por esse motivo, não poderá ser avaliada na categoria Regionalmente Extinta. É avaliada como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta), assumindo-se que ainda possa existir, pelo menos, uma localização por detetar e que a extensão de ocorrência e área de ocupação sejam muito reduzidas, e por se assinalarem declínios continuados ao nível da área de distribuição, tamanho da população, número de localizações e área e qualidade do seu habitat. Deverão ser promovidos esforços de prospeção na sua área de distribuição histórica, visitando metodicamente áreas de habitat potencialmente favorável durante os meses de floração / frutificação. Após a realização desses esforços, deverá ser revista a presente avaliação. Sugere-se ainda o restauro de habitat em algumas localidades de ocorrência histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF08A4AE23FAFF8EB411FD68.taxon	discussion	Cirsium pyrenaicum é uma planta que se distribui pelo Oeste da região mediterrânica, mas que em Portugal continental apenas se registou a sua presença nos arredores do Porto e Aveiro. O último registo da planta em território nacional data de 1987. Desde então a planta terá sofrido uma significativa redução populacional, que se terá agravado na última década devido à degradação do seu habitat, resultante da expansão descontrolada de uma espécie invasora, Cortaderia selloana. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta), uma vez que é provável a sua extinção regional, dado os impactos da expansão urbana e da expansão de espécies invasoras, assinalados em ambos os locais de ocorrência histórica, e à ausência de resultados positivos da prospeção efetuada. Todavia, devido ao reduzido período decorrido desde o último registo, cerca de 30 anos, subsiste a incerteza quanto à possibilidade de sobrevivência de algum núcleo populacional. Sugere-se que se mantenha prospeção dirigida na área de distribuição histórica, na eventualidade de ainda poder subsistir algum núcleo populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF08A4AE23FAFC3FB39CF915.taxon	discussion	Hydrocharis morsus-ranae é uma planta aquática extremamente rara na Península Ibérica e que em Portugal continental não é observada desde o final da década de 80 do século XX, mesmo após a realização de vários esforços de prospeção dirigida nos locais de ocorrência histórica e na sua envolvente. É verosímil a sua extinção regional, contudo é também plausível que possa subsistir algum núcleo populacional que ainda não tenha sido detetado, uma vez que a sua prospeção no terreno é dificultada pela falta de acessibilidade a locais com habitat potencial, e é uma planta cujas gemas de renovo se podem manter em estado de dormência no fundo de massas de água durante alguns anos. Avalia-se como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta) em resultado de declínio continuado, ao longo do século XX, da sua extensão de ocorrência, área de ocupação, número de localizações, tamanho da população e área e qualidade do seu habitat, assumindo-se que ainda possa haver uma localização. Na sua área de distribuição histórica mantêm-se os principais fatores de pressão que terão contribuído para a sua regressão, como a poluição da água, a expansão de espécies exóticas, incluindo o lagostim-vermelho-da-luisiana, e a drenagem de zonas húmidas. Deverá ser implementado um plano de recuperação de meios aquáticos no Baixo Vouga e no Baixo Mondego, com medidas de restauro de habitat, incluindo o controlo de exóticas invasoras, melhoria da qualidade da água (despoluição), entre outras. Por se tratar de uma planta de difícil deteção no terreno e ainda haver possibilidade de sobrevivência de algum núcleo, deverão ser mantidos esforços de prospeção na sua área de distribuição histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF09A4AF26D0FC3FB836F957.taxon	discussion	Eleocharis acicularis é uma planta helófita, com uma distribuição muito restrita em Portugal continental. Nos últimos 25 anos assinalaram-se apenas dois núcleos, um na costa sudoeste e outro na Beira Baixa, que pelo seu isolamento parecem constituir subpopulações distintas. Existe alguma incerteza no tamanho absoluto da população nacional, devido ao facto de a planta ser de difícil deteção no terreno e de complexa identificação e porque a prospeção realizada no âmbito do projeto da Lista Vermelha não conseguiu confirmar o núcleo da Beira Baixa. Apesar desta incerteza, atendendo ao escasso registo histórico em Portugal e à identificação de diversas ameaças, considera-se prudente uma abordagem de precaução na avaliação do seu risco de extinção. Nesse sentido é avaliada como Criticamente em Perigo pois a população nacional encontra-se em declínio continuado e é estimada em menos de 250 indivíduos maduros, sendo que nenhuma das subpopulações terá atualmente mais de 50 indivíduos maduros. Dada a fragilidade e o tamanho reduzido da população nacional, deverá ser implementado um plano de conservação específico, que inclua medidas de conservação in situ (criação de microrreservas e gestão de habitat) e medidas de conservação ex situ (armazenamento de material genético em banco de germoplasma e propagação em viveiro para reforço populacional posterior). Sugere-se ainda a monitorização da população nacional e esforços de prospeção dirigida que permitam melhorar o conhecimento da distribuição e tendência atual.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF09A4AF26D0FF8EB6F0FCA2.taxon	discussion	Sagittaria sagittifolia é uma planta aquática de ampla distribuição euro-asiática, mas que em Portugal continental estava restrita a alguns locais na Beira Litoral e Minho. Ao longo do século XX sofreu um declínio continuado da sua área de distribuição, número de localizações e do tamanho da população regional. A última colheita em território nacional ocorreu em 1985, não existindo registos desde então. Em 2017 - 2018 foram visitados praticamente todos os locais de ocorrência histórica, sem sucesso, mas identificaram-se pressões, como a drenagem de zonas húmidas para aproveitamento agrícola, a poluição e eutrofização das massas de água e a dominância de espécies aquáticas invasoras, causas responsáveis pelo declínio continuado da qualidade, área e extensão do seu habitat. Embora seja muito provável a sua extinção em Portugal continental, não se pode aplicar a categoria Regionalmente Extinta dado o reduzido período decorrido desde o último registo e dada a impossibilidade de se ter prospetado exaustivamente todos os locais de ocorrência histórica. Por esse motivo, avalia-se a espécie como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta). Deverão ser mantidos os esforços de prospeção na sua área de distribuição histórica, visitando metodicamente áreas de habitat potencialmente favorável, em períodos em que a sua deteção seja mais fácil. Após a realização desses esforços, deverá ser revista a presente avaliação. Deverão ser implementadas medidas de controlo de espécies aquáticas exóticas e de eliminação de focos de poluição, de modo a promover a recuperação da qualidade do habitat em locais onde a planta tenha ocorrido no passado, como na pateira de Fermentelos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0EA4A823FAFF8EB39AFCA2.taxon	discussion	Hibiscus palustris é uma planta de distribuição muito restrita na Península Ibérica, cuja população nacional é composta por cerca de 150 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação, na zona do Baixo Mondego. É avaliada como Criticamente em Perigo com base na sua reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, porque está identificado declínio continuado destes parâmetros e ainda do número de localizações, da qualidade do habitat e do tamanho da população nacional e porque apenas se identifica uma única localização. A principal ameaça é o projeto de regadio de Vale do Pranto 1, no qual se preveem intervenções profundas na área onde a planta ocorre e que podem significar a destruição de todos os núcleos. É previsível uma redução significativa da população nacional, que poderá mesmo causar a extinção da planta em território nacional. Outras pressões resultam das intervenções regulares de limpeza de vegetação das valas e da expansão de espécies exóticas e de silvados. Sugere-se a elaboração de um plano de conservação que inclua medidas como o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma e a propagação em viveiro, que funcionaria como população-fonte para ações de reforço populacional e criação de novos núcleos populacionais. Sugere-se também o enquadramento de medidas de conservação no projeto de regadio para o vale do Pranto, nomeadamente a preservação dos núcleos atuais (salvaguardando-os de limpezas de vegetação) e o controlo da expansão de exóticas. Deverão ser efetuadas ações de sensibilização para a conservação da espécie nos municípios do Baixo Mondego e os núcleos devem ser alvo de monitorização anual ou bienal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0EA4A823FAFC3CB259F9B6.taxon	discussion	Schoenoplectus erectus é uma planta de ampla distribuição mundial, mas que em Portugal continental apenas foi registada em lagoas costeiras de água doce no litoral centro. Sofreu uma regressão muito significativa ao longo do século XX e atualmente apenas se conhece um núcleo populacional. É avaliada como Criticamente em Perigo porque a extensão de ocorrência e área de ocupação são ambas de 4 km 2, apenas existe uma localização e porque se assinala o declínio continuado do tamanho da população nacional e da qualidade do seu habitat. Assinalam-se pressões, como a expansão de espécies exóticas invasoras e a poluição das massas de água. Esta planta beneficiaria da implementação no terreno de um plano abrangente de conservação de meios aquáticos, com medidas de restauro de habitat, incluindo o controlo de exóticas invasoras e recuperação da qualidade das águas. Adicionalmente, devem ser tomadas medidas para salvaguarda do património genético da população nacional, através da conservação de sementes em bancos de germoplasma nacionais e criação de um núcleo populacional em viveiro que assegure a sua manutenção a longo prazo. Deverão ser efetuados esforços para melhorar o conhecimento da planta, ao nível da sua demografia e distribuição atual, de modo a colmatar algumas incertezas existentes. A presente avaliação deverá ser revista após esses resultados.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0FA4A926D0FF8EB723FC85.taxon	discussion	Stachys palustris é uma erva perene ribeirinha espalhada pela Europa e América do Norte, mas que em Portugal continental apenas é conhecida do Baixo Mondego, onde se conhecem atualmente três núcleos populacionais, em valas de arrozais e orlas de bosques paludosos. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência inferior a 100 km 2, por se verificar um declínio continuado da qualidade do seu habitat e porque apenas se identifica uma localização. Além disso, a população nacional estima-se em 45 - 100 indivíduos maduros e infere-se o seu declínio continuado. A degradação de habitat é devida a pressões, como a expansão de espécies invasoras, as limpezas regulares de vegetação nas valas onde habita, o uso de herbicidas e a expansão agrícola. Deverá ser implementado um plano abrangente de conservação do seu habitat no Baixo Mondego, que promova a continuidade de habitat e que integre medidas de restauro, como o controlo de invasoras, a redução da poluição das massas de água, a gestão seletiva de vegetação nas valas e orlas de bosques e o condicionamento do uso de herbicidas. Deverão também ser previstas ações de sensibilização e divulgação junto dos produtores e de autoridades administrativas locais sobre práticas agrícolas compatíveis com a conservação e modos de atuação para controlo de exóticas. Devem ser tomadas medidas para conservação de material genético em bancos de germoplasma e para a criação de indivíduos em viveiro. Todos os núcleos conhecidos devem ser alvo de monitorização regular, de modo a acompanhar a sua tendência populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0FA4A926D0FC3FB6B3F974.taxon	discussion	Vallisneria spiralis é uma planta aquática de vasta distribuição mundial, mas que em Portugal continental estaria restrita a alguns pontos, concentrando-se o maior número de registos na Beira Litoral. Não existem quaisquer registos inequívocos e recentes da planta, datando a última colheita de 1980. Em 2018 foi detetado um núcleo em Alhadas de Baixo (Figueira da Foz), cuja identificação se manteve inconclusiva até ao momento. No passado as principais pressões foram a drenagem de zonas húmidas para aproveitamento agrícola, a excessiva poluição das águas e a expansão de espécies aquáticas invasoras. Avalia-se como Criticamente em Perigo porque se assume a existência de uma única localização em Portugal continental, pela sua área de distribuição extremamente reduzida e devido ao declínio continuado da sua extensão de ocorrência, área de ocupação e da qualidade, área e extensão do seu habitat. Caso não se confirme a identificação do núcleo de Alhadas de Baixo, admite-se a possibilidade de extinção regional da espécie. Deverão ser mantidos os esforços de prospeção dirigida, visitando metodicamente áreas de habitat favorável durante os meses em que a sua deteção seja mais fácil. Após a realização desses esforços, convém ser revista a presente avaliação. Deverão também ser implementadas medidas de controlo de espécies aquáticas exóticas e implementadas ações de recuperação da qualidade da água em zonas húmidas onde a espécie tenha ocorrido no passado, como nas lagoas de Mira e paul de Arzila e arredores de Óbidos, uma vez que é plausível a existência de sementes no solo.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0CA4AA23FAFF8EB4AFFD09.taxon	discussion	Butomus umbellatus é uma planta aquática de ampla distribuição no hemisfério norte, que em Portugal continental ocorria em vários pontos da zona centro, entre os rios Douro e Tejo. Apenas dois locais históricos apresentam registos recentes da planta, tendo-se verificado uma significativa regressão no século XX. É avaliada como Em Perigo por apresentar extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, por estar identificado declínio continuado da qualidade do seu habitat e por apenas se identificarem cinco localizações atuais, considerando-se a reconversão e a intensificação agrícolas como as principais ameaças sobre a população nacional. Outras pressões relevantes incluem a expansão de espécies exóticas e a excessiva pressão do gado. Para a sua conservação, deverá ser implementado um plano que inclua medidas de gestão do seu habitat nos locais de ocorrência atuais e históricos, incentivos para manutenção de arrozais tradicionais e de pastagens temporariamente inundadas com baixa densidade de gado e a colheita de sementes e sua conservação em dois bancos de germoplasma nacionais. Os núcleos atualmente conhecidos deverão ser alvo de monitorização para se acompanhar a sua tendência e controlo de pressões.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0CA4AA23FAFC3FB551F957.taxon	discussion	Pilularia globulifera é um feto aquático perene de distribuição europeia, mas que em Portugal apenas ocorre na zona centro do país, embora no passado tivesse uma distribuição mais ampla. É avaliado como Em Perigo por apresentar extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas e com tendência de declínio continuado, por se observar um declínio continuado da qualidade do seu habitat e por apenas se identificarem quatro localizações, cujo número também se encontra em declínio continuado. As principais pressões sobre a planta são a intensificação das práticas agrícolas ou a alteração de usos / culturas e de atividades humanas que promovam alterações significativas nas massas de água, como a drenagem de zonas húmidas, a sobre-exploração de recursos hídricos superficiais e a excessiva poluição. Outro fator de pressão é a expansão de espécies exóticas invasoras, quer plantas aquáticas, quer o lagostim-vermelho-da-luisiana. Deverão ser desenvolvidos novos esforços de prospeção da planta na sua área de distribuição histórica e os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização bienal. Sugere-se a elaboração de um plano de conservação e gestão do seu habitat que inclua a criação de charcas, medidas para erradicação / gestão de espécies exóticas, melhoria da qualidade das águas superficiais, gestão de vegetação nas margens, medidas de sensibilização para boas práticas na manutenção dos arrozais e apoios para conservação dos núcleos existentes. A criação de novos núcleos populacionais poderá ser uma medida necessária no futuro.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF0DA4AB26D0FC3FB7D3F9DA.taxon	discussion	Nymphoides peltata é uma planta aquática nativa de grande parte da Europa e da Ásia, mas em Portugal a sua área de distribuição sofreu um grande declínio e, atualmente, apenas se conhece a sua ocorrência no rio Minho. A espécie é avaliada como Em Perigo por se identificarem duas localizações, estar restrita a uma reduzida extensão de ocorrência (32 km 2) e área de ocupação (20 km 2) e porque se observou um declínio continuado da área, extensão e qualidade do seu habitat. A subpopulação minhota não tem, no presente, pressões relevantes, contudo, os núcleos populacionais mais isolados estão sujeitos a desaparecer por qualquer ameaça imprevisível que altere a dinâmica fluvial. A construção de uma ou mais barragens no rio Minho é a ameaça futura mais significativa, e a sua concretização poderá levar à extinção desta planta em Portugal. Recomenda-se a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos e propõe-se a conservação ex situ do material genético. É importante sensibilizar as populações locais para a valia deste importante património natural e encetar diligências que permitam determinar áreas de conservação ativa da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF12A4B423FAFF8EB418FCE4.taxon	discussion	Potamogeton gramineus é uma planta aquática, que em Portugal continental ocorre apenas numa estreita faixa da Beira Litoral, em lagoas litorais na zona de Mira. É avaliada como Em Perigo porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação e conhecem-se apenas quatro localizações, que estão sujeitas a ameaças, como o risco de destruição direta em resultado da exploração florestal, abaixamento do nível freático e ao uso recreativo. A eutrofização das massas de água e a dominância de plantas aquáticas invasoras representam pressões muito significativas em alguns dos locais de ocorrência histórica, de onde a planta terá desaparecido. Estas pressões e ameaças são também responsáveis pelo declínio continuado da qualidade do seu habitat em toda a sua área de distribuição. Esta planta beneficiaria de um plano de conservação que inclua medidas de restauro de habitat em locais de ocorrência atual ou histórica, incluindo o controlo das fontes de poluição e recuperação da qualidade da água e o controlo de espécies invasoras. É verosímil que, após a sua despoluição, alguns locais de ocorrência histórica, como a pateira de Fermentelos e a lagoa da Vela, pudessem voltar a albergar núcleos populacionais da planta. Adicionalmente, devem ser tomadas medidas de conservação ex situ para salvaguarda do património genético da população nacional. Os núcleos atualmente conhecidos deverão ser monitorizados regularmente e deverão ser efetuados esforços de prospeção dirigida na sua área de distribuição histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF12A4B423FAFC3CB32BF999.taxon	discussion	Succisella carvalhoana é um endemismo ibérico presente em Portugal no litoral centro e nos arredores do Sabugal, que ocorre em prados húmidos. É avaliado como Em Perigo por contar apenas três localizações, ter a população nacional severamente fragmentada, ter uma extensão de ocorrência e área de ocupação relativamente pequenas e apresentar sinais claros de declínio relativamente à sua área de ocupação, área e qualidade do habitat e número de subpopulações. As ameaças e pressões mais significativas são a proliferação de espécies exóticas invasoras, o sobrepastoreio por gado bovino e a expansão das plantações florestais. Considera-se prioritário para a persistência da espécie a constituição de microrreservas que garantam a sobrevivência do núcleo de Covões e o restauro do habitat do núcleo da pateira de Fermentelos, eliminando as plantas exóticas. A sua conservação ex situ poderá fornecer plantas para fortalecer a subpopulação litoral, que poderá efetivamente constituir uma espécie diferenciada dos restantes núcleos populacionais conhecidos (Sabugal e Espanha). Recomenda-se, por isso, o aprofundamento do conhecimento taxonómico desta espécie, de forma a confirmar ou não as diferenças observadas, que não foram tidas em conta aquando da revisão da espécie para a Flora Iberica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF13A4B524EEFF8EB734FB5B.taxon	discussion	Genista berberidea é uma planta endémica do Noroeste da Península Ibérica, que em Portugal continental ocorre ao longo de uma faixa litoral entre a serra de Arga e a serra do Caramulo. A população nacional é constituída por oito agregados que parecem funcionar como subpopulações devido ao seu isolamento. A planta é avaliada como Vulnerável pela reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação (cerca de 2300 km 2 e de 64 km 2, respetivamente), porque se identificam apenas oito localizações e porque estão identificados declínios continuados na área de ocupação, número de localizações, área e qualidade do seuhabitat. As principais pressões e ameaças sobre a população nacional são a instalação e gestão de povoamentos florestais de eucalipto e a expansão das acácias e de outras espécies exóticas invasoras. Existem vários núcleos de pequena dimensão suscetíveis a fenómenos de extinção estocástica. Sugere-se a implementação de medidas impeditivas da transformação do seu habitat em eucaliptais, incluindo a sensibilização dos gestores de espaços florestais e a criação de zonas-tampão em redor dos núcleos conhecidos. Propõe-se ainda a realização de ações de controlo de espécies invasoras e a monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF10A4B623FAFF8EB504FCE4.taxon	discussion	Potamogeton perfoliatus é uma planta aquática, praticamente cosmopolita, mas que em Portugal continental apenas se conhece atualmente em duas subpopulações, uma no rio Minho e outra no rio Douro. Desapareceu dos seus locais de ocorrência histórica na Beira Litoral. Avalia-se como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas e conhecem- se apenas sete localizações que estão sujeitas a pressões, como a expansão de espécies exóticas e alterações no regime hidrológico, assinalando-se ainda a ameaça de construção de barragens ao longo do rio Minho, onde se concentra a maioria da população nacional. Identifica-se um declínio continuado da qualidade do seu habitat em toda a sua área de distribuição em resultado de poluição excessiva, presença de espécies exóticas e alterações no regime hidrológico. Esta planta beneficiaria da implementação no terreno de um plano abrangente de conservação de meios aquáticos, com medidas de restauração de habitat em locais de ocorrência atual ou histórica, incluindo fiscalização e controlo de fontes emissoras de poluição, despoluição de massas de água e controlo de exóticas. Devem também ser tomadas medidas de conservação ex situ, nomeadamente a conservação de material genético em bancos de germoplasma nacionais e a manutenção de núcleos populacionais em viveiro. Os núcleos conhecidos deverão ser monitorizados e deverão ser efetuados esforços para melhorar o conhecimento da sua distribuição atual e tamanho da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF10A4B623FAFC3CB463F9B6.taxon	discussion	Schoenoplectus triqueter é uma planta amplamente distribuída na Eurásia e em África, mas em Portugal continental apresenta uma distribuição histórica com poucos locais, dispersos no Centro e Sul do país, em locais nunca muito afastados do litoral. Atualmente, apenas está confirmada a sua presença em alguns pontos no rio Minho e no Baixo Guadiana, contudo subsiste alguma incerteza quanto à sua distribuição atual por se tratar de uma planta que ocorre em locais de difícil acessibilidade. É avaliada como Vulnerável pela existência de declínio continuado da qualidade do seu habitat e por apenas se identificarem seis localizações, em função da principal causa de pressão, que é a expansão de espécies invasoras. Outras pressões atuais incluem diversos tipos de intervenção humana nas margens e leitos (limpezas de vegetação, regularização de leitos e margens, etc.). A manutenção de condições de habitat ao longo do rio Minho é essencial, uma vez que se encontra aí a maioria dos efetivos da planta em Portugal. Deverão ser implementadas medidas de restauro de habitat, incluindo controlo de exóticas, e efetuadas ações de sensibilização das autoridades envolvidas na gestão de vegetação ribeirinha. Sugerem-se esforços de prospeção dirigida em todos os locais históricos de ocorrência, de modo a melhorar o conhecimento da sua distribuição atual. A presente avaliação deverá ser revista após a conclusão dos mesmos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF11A4B726D0FC3FB707F915.taxon	discussion	Limonium daveaui é um endemismo do centro litoral de Portugal continental que habita em sapais e areias salgadas. Atualmente apenas se conhecem dois núcleos da planta no estuário do rio Tejo, embora no passado a sua distribuição fosse mais alargada. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação mínimas (4 km 2), se identificar apenas uma localização e se assinalar um declínio continuado na extensão de ocorrência, na área de ocupação, no número de localizações, na qualidade do habitat e no número de indivíduos maduros. A principal ameaça sobre a população é a proximidade dos núcleos conhecidos ao local previsto para a construção do futuro aeroporto do Montijo, sendo expectável que as obras possam causar a sua destruição. Outras ameaças incluem o pisoteio humano e a expansão de espécies exóticas invasoras (chorão). Sugere-se a elaboração de um plano de conservação para a espécie. Na praia fluvial do Samouco, deverão ser implementadas ações de sensibilização que permitam condicionar comportamentos potencialmente lesivos para a planta e o seu habitat, bem como ações de erradicação de chorão. No projeto do aeroporto do Montijo, deverão ser contempladas medidas de condicionamento das intervenções na proximidade dos núcleos da planta ou, caso não seja possível evitar a destruição do local, deverão ser tomadas medidas para a sua conservação ex situ, por exemplo, a translocação de indivíduos para áreas de habitat favorável. Deverão ser promovidos estudos taxonómicos, demográficos e relativos à biologia reprodutiva e aos requisitos ecológicos da espécie. Os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização bienal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF11A4B726D0FF81B652FD4B.taxon	discussion	Viscum album subsp. album é uma planta epífita hemiparasita de diversas espécies de árvores, principalmente angiospérmicas. Ocorre um pouco por toda a Europa, no entanto em Portugal continental foi observada pela última vez em 1987, no paul da Madriz. Recentemente, foram realizadas várias prospeções dirigidas e não foi encontrado nenhum exemplar. Apesar de se verificar um declínio continuado em todos os parâmetros e, por esse motivo, ser provável o seu desaparecimento em Portugal continental, a planta é avaliada como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta) porque decorreu um período relativamente reduzido desde o último registo (cerca de 30 anos) e porque ainda existe uma área considerável de habitat potencial, existindo a possibilidade de poder subsistir um núcleo que ainda não tenha sido detetado. Para o futuro, recomenda-se a realização de prospeções dirigidas à planta e, caso se confirme a sua presença, sugere-se a elaboração de um plano de conservação dedicado.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF16A4B023FAFC3FB516F957.taxon	discussion	Armeria maritima é uma planta de ampla distribuição no hemisfério norte, que em Portugal continental ocorre apenas em quatro estuários localizados a norte do rio Douro. É avaliada como Em Perigo com base na reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação (cerca de 230 km 2 e de 56 km 2, respetivamente), ambas em declínio continuado, no reduzido número de localizações (quatro), também em declínio continuado, e por estarem ainda identificados declínios continuados ao nível da qualidade do seu habitat e do tamanho da população. As principais pressões sobre a planta são a expansão de espécies exóticas e outras infestantes, que colonizam as clareiras dos juncais e prados húmidos nas áreas de estuário e acabam por a excluir. Esta alteração das comunidades é potenciada pela poluição excessiva dos estuários com matéria orgânica. Outras ameaças são o pisoteio e colheita ocasional de escapos e a utilização de variedades cultivadas em arranjos paisagísticos no litoral, que poderão hibridar com plantas nativas. Sugere-se o controlo das fontes de poluição a montante dos estuários, o que contribuiria para minimizar o potencial invasor de diversas infestantes e exóticas. Deverão ser implementadas medidas de gestão de habitat que promovam a remoção de exóticas e a abertura de clareiras que possam ser colonizadas pela espécie. Deverá ser fortemente condicionado o uso de variedades não nativas em intervenções paisagísticas que ocorram no litoral. A população nacional deverá ser monitorizada, com frequência, pelo menos, quinquenal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF16A4B023FAFF8EB2B1FD09.taxon	discussion	Glaux maritima é uma planta com ampla distribuição mundial, que ocorre em prados húmidos e juncais, em substratos húmidos e salgadiços, perto do litoral. Em Portugal continental assinalava-se a sua ocorrência ao longo do litoral centro e norte, mas sofreu uma redução muito significativa ao longo das últimas décadas. É avaliada como Criticamente em Perigo porque se suspeita uma redução populacional superior a 80 % na última década, uma vez que os esforços de prospeção, efetuados em 2017 - 2018 nos locais de ocorrência mais recente, não tiveram sucesso. Assinalam-se declínios continuados ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, tamanho da população e número de localizações. O insucesso na deteção de indivíduos poderá significar a extinção da planta em Portugal continental, pelo que se sugere a continuação da prospeção dirigida. Assume-se que ainda possa estar presente, uma vez que decorreu pouco tempo desde a sua última observação (2010) e aparentemente ainda existe habitat favorável. Caso se confirme a sua extinção em Portugal continental, deverá ser ponderada a reintrodução com base em material genético proveniente da população do litoral da Galiza.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF17A4B124EFFF8EB75DFB36.taxon	discussion	Centaurium chloodes é uma planta presente no litoral atlântico do Sul de França e do Noroeste da Península Ibérica, que habita em areias litorais temporariamente encharcadas. Em Portugal distribui-se no litoral norte, desde a Figueira da Foz até ao rio Lima, tendo esta faixa diminuído nas últimas décadas. É avaliada como Em Perigo devido à reduzida área de ocupação e extensão de ocorrência que apresenta, ao número reduzido de localizações e por se verificar ou prever um declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação, extensão, área e qualidade do habitat, número de localizações e número de indivíduos maduros. As ameaças mais significativas que causaram o declínio populacional são a erosão costeira, a degradação do habitat, a proliferação de espécies invasoras e problemas reprodutivos e de dispersão da planta; acresce ainda ameaças indeterminadas que podem pôr um termo aos núcleos populacionais mais pequenos. Dado o estado crítico a que esta planta chegou, propõem-se as seguintes medidas para tentar salvar a espécie da extinção: controlar as espécies exóticas, fazer cultivo ex situ, acompanhado pelo reforço dos núcleos existentes e pelo repovoamento em locais com habitat favorável, monitorizar os núcleos populacionais conhecidos, estudar o ciclo de vida, reprodução e dinâmica populacional para se poder tomar as melhores medidas de gestão que viabilizem a sobrevivência da espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF14A4B223FAFF8EB3DDFDAA.taxon	discussion	Coincya monensis subsp. cheiranthos var. johnstonii é uma planta endémica dos cordões dunares do litoral norte de Portugal. É avaliada como Em Perigo por ter apenas duas localizações, apresentar uma reduzida área de ocupação e extensão de ocorrência, verificando-se ainda um declínio continuado da área de ocupação, da área e qualidade do habitat e do número de indivíduos maduros que constitui a população nacional. A população nacional encontra-se ameaçada pela destruição de habitat causada por erosão costeira, sendo que se assinalam pressões, como a expansão urbana (que, além da destruição direta no passado, é impeditiva do estabelecimento de dunas em zonas mais interiores) e a expansão de espécies exóticas invasoras. As principais ações de conservação propostas são a constituição de microrreservas com gestão dirigida à sua conservação, o reforço populacional em áreas de habitat favorável e o controlo de espécies invasoras.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF14A4B223FAFC3FB37DF9DA.taxon	discussion	Limonium laxiusculum é uma planta endémica do litoral oeste de Portugal continental, onde ocorre em arribas costeiras e areias salgadas. É avaliada como Em Perigo por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por se observar um declínio continuado da qualidade e área de habitat, do número de indivíduos maduros que constituem a população (que se estima ser inferior a 1000 indivíduos maduros todos na mesma subpopulação) e do número de localizações. As principais pressões sobre esta planta são a expansão de chorão sobre as arribas e a erosão das arribas por ação do mar, pelo que se identificam apenas quatro localizações. Sugere-se a elaboração de um plano de gestão e conservação para o seu habitat, que inclua medidas de erradicação de plantas invasoras, limitação dos locais onde possam ocorrer intervenções humanas no litoral e ainda a criação de novos núcleos populacionais em áreas com habitat em condições favoráveis. Deverão ser concluídos os estudos taxonómicos, genéticos e reprodutivos em curso e efetuada monitorização de todos os núcleos atualmente conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF15A4B326D0FC3FB5B9F9DA.taxon	discussion	Armeria pubigera é uma planta endémica do litoral noroeste da Península Ibérica, que em Portugal ocorre em fendas de rochedos graníticos litorais, sensivelmente entre Matosinhos e Moledo. É avaliada como Vulnerável pois apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzida, identificam-se apenas sete localizações e observa-se um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat. No passado o desenvolvimento urbano na faixa litoral foi responsável por uma significativa perda de habitat, mas atualmente a principal ameaça é a proliferação de plantas exóticas invasoras nas arribas litorais. O pisoteio e o arranque esporádico de flores também pode afetar alguns núcleos com mais pressão humana. Esta espécie beneficiaria de um plano alargado de controlo de espécies exóticas invasoras na faixa litoral do país. Recomenda-se o condicionamento da expansão urbana e a promoção de campanhas de educação ambiental para diminuir o pisoteio e a colheita de plantas. Sugere-se a sua monitorização, de modo a acompanhar a tendência populacional e os impactos das ameaças identificadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF15A4B326D0FF8EB820FD26.taxon	discussion	Phleum arenarium é uma gramínea de ampla distribuição mundial, mas que em Portugal continental apenas ocorre em alguns pontos da faixa litoral entre Vila do Conde e Viana do Castelo, em dunas com alguma instabilidade. É avaliada como Em Perigo pela reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação (ambas com cerca de 20 km 2), por se observar um declínio continuado da qualidade e área do habitat e por se terem identificado apenas três localizações. Assinalam-se diversas pressões e ameaças sobre a população nacional, destacando-se a erosão marítima, potenciada em alguns locais pela construção de esporões ao longo do litoral, o pisoteio excessivo, a proliferação de plantas exóticas e a expansão de vegetação ruderal e ainda o desenvolvimento urbano e a ocupação agrícola das zonas dunares interiores. Esta planta beneficiaria de um plano de conservação dedicado, que inclua medidas de ordenamento de acessos à praia, ações de sensibilização para minimizar comportamentos que promovam a degradação dos sistemas dunares, aumento de fiscalização, ações de controlo de exóticas. Deverão também ser realizados repovoamentos em áreas com habitat favorável, de modo a promover a continuidade da população nacional. O sucesso destas intervenções deverá ser avaliado através de monitorização dos núcleos criados e dos já existentes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF1AA4BC23FAFF8EB3E8FA95.taxon	discussion	Centaurea exarata é um endemismo ibérico restrito ao Sudoeste da Península, que habita em areias soltas com alguma humidade mas não alagadas, normalmente perto de charcos temporários. A sua distribuição em Portugal é muito pontual, ocorrendo apenas em quatro subpopulações, duas delas muito pequenas (menos de 100 indivíduos). A maior subpopulação estima-se ter cerca de 5000 indivíduos, mas está muito concentrada em pequenos núcleos dispersos numa área de pinhal de produção, perigosamente contígua a um grande núcleo urbano. No presente não exibe declínios significativos da sua população, distribuição ou habitat. É avaliado como Vulnerável porque o facto de os núcleos serem pequenos e de estarem concentrados em pequenas áreas torna a planta suscetível de sofrer uma redução acentuada face a ameaças imprevisíveis, como a implantação de um projeto florestal ou agrícola intensivo, a construção de um parque industrial ou urbanização. Qualquer destas ameaças poderia eliminar vários núcleos em simultâneo e reduzir a população nacional em várias centenas ou milhares de indivíduos num só evento. Propõe-se que sejam procurados acordos com os proprietários no sentido de garantir a continuação de um uso agropecuário moderado das áreas onde estão os núcleos (subpopulações do Sul) e averiguar com o município e proprietários da Marinha Grande se existem planos de desenvolvimento conflituantes. Deverá ser considerada a hipótese de classificar a região de Mil Brejos Batão, uma vez que é uma região também importante para outras espécies ameaçadas associadas a brejos e charcos temporários. Devem ainda ser monitorizadas as ameaças no geral, com vista à tomada de medidas pró-ativas se necessário.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF1BA4BD23C2FB1FB83FF915.taxon	discussion	Limonium multiflorum é uma planta endémica das arribas e zonas rochosas do litoral do Centro-Oeste de Portugal continental. Apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas e, aparentemente, um declínio populacional, não apenas devido a problemas reprodutivos que dificultam o recrutamento de indivíduos jovens, mas também devido à fragmentação de habitat provocada por ação humana, expansão de chorão e queda de arribas por erosão marítima. Por se estimar que o número de localizações seja de 10 e por existirem ameaças que se preveem prolongar no futuro mantendo este declínio populacional, avalia-se a espécie como Vulnerável. As medidas preventivas que visam a sua conservação passam principalmente pelo condicionamento do acesso a determinadas áreas, sobretudo nos locais com núcleos populacionais com maior número de indivíduos (por exemplo, cabo Raso), por um planeamento prévio de intervenções que tenha em conta as suas ocorrências e assegure a minimização dos impactos, pelo controlo da expansão de chorão e outras espécies exóticas invasoras. Os núcleos conhecidos devem ser alvo de monitorização regular para acompanhamento da sua tendência populacional. Dever-se-á continuar a desenvolver estudos dirigidos à biologia reprodutiva da espécie, para melhoria do conhecimento dos aspetos reprodutivos. A subida de categoria relativamente à obtida em avaliação anterior, Pouco Preocupante, resulta de um melhor conhecimento da situação atual da espécie, em resultado de trabalhos recentes que permitiram estimativas fidedignas do tamanho da população, da distribuição dos núcleos existentes e dos efeitos das ameaças.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF19A4BF26D0FF8EB78EFCC7.taxon	discussion	Limonium binervosum é uma planta, que em Portugal continental apenas ocorre nas arribas e sapais do litoral oeste, sensivelmente entre a ria de Aveiro e Salir do Porto. É avaliada como Vulnerável por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação e por se inferir um declínio continuado da área de ocupação, do número de indivíduos maduros, do número de localizações e da qualidade do seu habitat. As principais pressões sobre esta planta resultam da invasão de espécies exóticas no seu habitat, da erosão litoral, das dificuldades reprodutivas que minimizam a variabilidade genética da população nacional e do facto de alguns núcleos serem de muito reduzida dimensão, o que os torna suscetíveis a extinção estocástica. Face a estas ameaças, estima-se que existam apenas sete localizações. Sugere-se a elaboração de um plano de conservação, que incida nas áreas com maior número de efetivos e de maior variabilidade genética e que incluam medidas para gestão do habitat (controlo ou erradicação de plantas invasoras, limitação dos locais onde possam ocorrer intervenções humanas). No âmbito desse plano, deverão ser mantidas as medidas de conservação ex situ atualmente em curso, que incluem a conservação de sementes e a manutenção de indivíduos em coleção viva. Adicionalmente, sugere-se que sejam promovidos estudos de biologia reprodutiva e efetuada a monitorização em todos os núcleos atualmente conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF19A4BF26D0FC3FB58DF9DA.taxon	discussion	Limonium plurisquamatum é uma planta endémica do litoral oeste de Portugal continental, ocorrendo em arribas litorais sujeitas a nevoeiros. É avaliada como Vulnerável uma vez que apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, ambas em declínio continuado devido ao desaparecimento dos núcleos populacionais localizados mais a sul, ao longo do século passado. A qualidade e área do seu habitat encontram-se também em declínio continuado devido a pressões, como a expansão de espécies invasoras e a erosão das arribas litorais. Estima-se que existam apenas oito localizações, assinalando-se também o seu declínio continuado no passado e projetando-se o mesmo para o futuro. Sugere-se a elaboração de um plano de conservação para o seu habitat, que inclua medidas de erradicação de plantas invasoras, a gestão do adensamento do matos e a limitação dos locais onde possam ocorrer intervenções humanas no litoral. Deverão ser concluídos os estudos taxonómicos, genéticos e reprodutivos em curso e efetuada monitorização de todos os núcleos atualmente conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF1EA4B823FAFF8EB540FD26.taxon	discussion	Orobanche arenaria é uma planta de distribuição europeia e norte-africana, que em Portugal continental ocorre apenas nas dunas do litoral norte, sensivelmente entre Vila do Conde e Viana do Castelo, assinalando-se ainda um núcleo isolado no litoral centro, perto de Quiaios. É avaliada como Vulnerável porque a população nacional se estima em menos de 1000 indivíduos maduros, apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, identificam-se apenas 10 localizações e observa-se um declínio continuado da qualidade do seu habitat. Este declínio resulta de várias pressões e ameaças, incluindo o desenvolvimento urbano e turístico na faixa litoral, o pisoteio sobre o cordão dunar, a erosão costeira, a invasão por espécies exóticas e ainda, nalgumas situações pontuais, a ocupação de dunas interiores, quer por pinhal quer por parcelas agrícolas. É expectável que estas ameaças se mantenham no futuro, embora presentemente não seja possível quantificar o seu efeito na população nacional. Esta planta poderia beneficiar da implementação de um plano de controlo de espécies invasoras na faixa litoral do Centro e Norte do país. Sugere-se a realização de estudos que permitam melhorar o conhecimento da distribuição atual, a dinâmica populacional e os efeitos das ameaças e pressões identificadas e ainda a monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF1EA4B823FAFC3FB241F9F8.taxon	discussion	Plantago maritima subsp. maritima é uma planta de distribuição quase cosmopolita, mas que em Portugal continental ocorre exclusivamente numa área restrita do litoral minhoto, em rochas costeiras e sapais. É avaliada como Vulnerável por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por se identificarem apenas seis localizações e por se assinalar declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação e do número de localizações. Este declínio baseia-se no desaparecimento de localizações históricas, como em Ofir (foz do rio Cávado) e Vila Praia de Âncora. As principais ameaças sobre a população nacional são a erosão costeira, potenciada pela subida do nível médio da água do mar, a expansão de espécies exóticas no seu habitat, principalmente a gramínea Stenotaphrum secundatum e o pisoteio. O reduzido tamanho de alguns núcleos, como o da foz do rio Neiva, tornam-os suscetíveis a fenómenos de extinção estocástica. Como medidas de conservação, sugere-se a implementação de medidas de controlo da expansão de espécies exóticas, o reforço populacional de alguns núcleos e ainda a monitorização, pelo menos, quinquenal da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF1FA4B924EFFF8EB7F1FA70.taxon	discussion	Rhaponticum longifolium é uma herbácea perene endémica de Portugal continental, robusta, que habita em urzais, tojais e pinhais, em solos arenosos com alguma humidade. Tem uma distribuição fragmentada restrita ao Oeste português, constituída na maioria por núcleos isolados com reduzido número de indivíduos, mas tendo uma grande subpopulação na região de Leiria e outra em Loures, que, por si só, poderá totalizar os 10 000 indivíduos. É avaliada como Vulnerável porque tem uma extensão de ocorrência de cerca de 7500 km 2, uma área de ocupação de 116 km 2, estimam-se atualmente 10 localizações e infere-se um declínio continuado em todos os parâmetros. A planta terá sofrido a extinção de vários núcleos de que há registo histórico devido a ameaças, como a expansão dos eucaliptais de produção, atividade extrativa e desenvolvimento urbano e industrial. Estas ameaças persistem, em particular a expansão e exploração dos eucaliptais, afetando principalmente a maior subpopulação conhecida, degradando o habitat e, possivelmente, também causando destruição direta da planta. É urgente protocolar com os gestores das áreas de produção florestal um plano de salvaguarda de áreas a serem geridas para conservação da planta. Um protocolo semelhante deve ser feito com o município de Loures, que gere o parque onde a planta ocorre. Sugere-se a realização de estudos sobre os requisitos ambientais que permitam perceber qual o tipo de gestão que deve ser implementado nas áreas de salvaguarda, bem como a monitorização regular dos núcleos mais reduzidos. A descida de categoria relativamente à avaliação global anterior (Em Perigo) resulta da descoberta de núcleos numerosos nas zonas centro e norte do país.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF1CA4BA23FAFB1FB54AF998.taxon	discussion	Angelica pachycarpa é uma planta endémica da Península Ibérica, que em Portugal apresentava, até recentemente, duas subpopulações, uma no arquipélago das Berlegas e outra na foz do rio Minho, a qual desapareceu na última década. Ocorre em arribas e escarpas litorais, em locais expostos à brisa marítima. É avaliada como Em Perigo com base no reduzido tamanho da população nacional (entre 50 e 250 indivíduos maduros), na reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, no reduzido número de localizações (apenas três) e por se observar um declínio continuado da qualidade do habitat, em resultado da expansão do chorão-das-praias nas arribas. Outras ameaças identificadas incluem o incremento da pressão turística sobre a ilha Berlenga e a erosão marinha, responsável pelo desaparecimento da subpopulação da foz do rio Minho. Deverão ser mantidas as ações de controlo do chorão-das- praias na ilha Berlenga, de modo a promover-se a sua erradicação neste território. Sugere-se a realização de ações de reforço populacional no arquipélago das Berlengas e a população nacional deve ser alvo de monitorização, pelo menos, com frequência quinquenal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF1DA4BB24EFFF8EB8A5FA70.taxon	discussion	Armeria berlengensis é uma planta endémica do arquipélago das Berlengas, que ocorre em arribas litorais. É avaliada como Em Perigo pois apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas, identificam-se apenas três localizações e observa-se declínio continuado do tamanho da população e qualidade do habitat. A população estima-se em cerca de 6300 indivíduos maduros e suspeita-se que tenha sofrido uma redução populacional largamente superior a 50 % nas últimas duas décadas. Esta redução deveu-se aos impactos do aumento excessivo da colónia de gaivotas e da proliferação de plantas exóticas invasoras. No passado recente foram implementadas medidas para minimização destes impactos, embora ainda não seja possível analisar os seus efeitos. O aumento da procura turística poderá estar a provocar impactos adicionais, como o pisoteio e a dispersão de outras plantas exóticas. Recomenda-se a implementação de um plano de conservação específico, que deverá incluir a continuação das medidas de controlo da colónia de gaivotas e de erradicação do chorão-das-praias (alargando-a a todas as ilhas e a outras plantas exóticas). Devem ser mantidas as restrições à circulação humana perto dos núcleos da planta e aumentada a vigilância sobre práticas recreativas potencialmente lesivas. Sugerem-se esforços de reforço populacional, após correção do solo e em época e local favorável. Deverá ser implementado um programa de monitorização da população e mantido o esforço de consciencializar o público para os valores naturais das Berlengas. A alteração da categoria obtida em avaliação anterior, Criticamente em Perigo, resulta de não se considerar a população como severamente fragmentada.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF62A4C423FAFF8EB50CFDAA.taxon	discussion	Herniaria lusitanica subsp. berlengiana é uma planta endémica do arquipélago das Berlengas, que ocorre geralmente em solos arenosos esqueléticos ou compactados e menos frequentemente em fendas de rochas graníticas. Apresenta uma área de ocupação e extensão de ocorrência inferiores a 10 km 2 e o seu habitat apresenta sinais evidentes de declínio continuado, essencialmente devido às pressões negativas exercidas pela expansão do chorão-das-praias, pela população excessiva de gaivota-de-patas-amarelas e pelo pisoteio excessivo e outras perturbações resultantes da crescente procura turística. Em função destas pressões, consideram-se apenas duas localizações, pelo que a planta se avalia como Em Perigo, mantendo-se a categoria obtida em avaliação anterior. É necessário reduzir a pressão turística e manter a continuidade das ações de controlo do chorão-das-praias e da população de gaivota-de-patas-amarelas. Esta planta deverá ser alvo de monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF61A4C726D0FC3FB7FDF9B6.taxon	discussion	Knautia subscaposa é um endemismo ibérico, cuja população nacional é constituída por duas subpopulações disjuntas e formadas por núcleos muito pequenos e com um número de indivíduos maduros muito reduzido. Trata-se de uma planta herbácea que habita em clareiras de matos em solos básicos e secos. A planta é avaliada como Em Perigo porque se estima que o tamanho da população nacional seja inferior a 250 indivíduos maduros. Na subpopulação de Trás-os-Montes assinala-se a ameaça de revitalização agrícola e na subpopulação do Ribatejo assinala-se a ameaça da expansão dos povoamentos de eucalipto e de olivais intensivos. Ambos os núcleos ocupam áreas muito restritas e são por isso muito suscetíveis a quaisquer ameaças imprevisíveis que possam causar a sua destruição num só evento. De forma a conservar a população nacional, sugere-se a criação de uma área protegida de âmbito local que abranja a subpopulação do Ribatejo, bem como o condicionamento da instalação de novos eucaliptais e da reconversão de uso do solo, bem como medidas de gestão dos matos, de modo a evitar a oclusão de clareiras. Sugere-se ainda o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma e a propagação da planta em viveiro para futura utilização em ações de reforço populacional. Deverá ser mantida a prospeção dirigida, de modo a melhorar o conhecimento sobre a sua distribuição atual, e realizada a monitorização bienal dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF61A4C726D0FF8EB7ABFCC7.taxon	discussion	Orchis provincialis é uma orquídea, que ocorre no Sul da Europa, Oeste da Ásia e bacia do Mediterrâneo, em prados, clareiras e orlas de bosques sobre solos predominantemente calcários, e que em Portugal continental apresenta atualmente apenas um único núcleo populacional conhecido com cerca de 150 indivíduos maduros. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo pelo reduzido tamanho da população nacional, toda concentrada no mesmo núcleo, e por se inferir um declínio continuado do tamanho da população e doutros parâmetros, como a extensão de ocorrência e área de ocupação (ambas muito reduzidas), qualidade do habitat e número de localizações (apenas uma, atualmente). Estão sinalizadas pressões no único local atual de ocorrência, como a plantação de cedros e eucaliptos, práticas culturais desajustadas e deposição de entulhos. Se estas pressões continuarem, é verosímil que venham a provocar a extinção da planta em território nacional. Para garantir a sua manutenção, sugere-se a criação de uma microrreserva e o arrendamento a longo prazo ou a compra dos terrenos onde a planta ocorre. Deverá ser efetuada propagação ex situ, de modo a produzir indivíduos que possam ser usados em ações que visem criar novos núcleos populacionais noutras áreas de habitat favorável. Recomenda-se a monitorização, pelo menos, bienal, da população nacional e a continuação dos esforços de prospeção ao longo do país.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF66A4C023FAFF8EB267FB19.taxon	discussion	Anthemis canescens ocorre de forma muito esporádica em Portugal continental, entre a Estremadura e Trás-os-Montes, em orlas de matagais e pousios em solos preferentemente básicos. A população nacional apresenta-se severamente fragmentada, sendo constituída por núcleos com um reduzido número de indivíduos, que ocupam áreas muito circunscritas no terreno e muito distanciados entre si. A planta é avaliada como Em Perigo dado que a população nacional apresenta uma reduzida área de ocupação, está severamente fragmentada e inferiu-se um declínio continuado da sua área de ocupação e do seu número de localizações. Dois dos núcleos da subpopulação do Centro- Oeste estão ameaçados por expansão de pedreiras, parques eólicos e expansão de atividade agrícola, sendo desconhecidas as ameaças para todos os restantes núcleos. O elevado isolamento dos núcleos populacionais poderá potenciar a endogamia. É proposto que sejam recolhidas sementes para conservação ex situ, nomeadamente dos núcleos com maior risco de serem afetados pelas ameaças descritas. Sugerem-se estudos para melhorar o conhecimento da distribuição atual da planta, do tamanho, da tendência da população nacional e das ameaças existentes e possíveis causas que condicionem a dispersão e estabelecimento da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF67A4C126D0FF8EB5FEFCE4.taxon	discussion	Arabis verna é uma planta anual, que habita em solos pedregosos e básicos, tanto na base de escarpas, como cascalheiras ou bermas de caminho, e a sua área de distribuição estende-se a toda a região mediterrânica. A população nacional é composta por pequenos núcleos populacionais, relativamente disjuntos e que só recentemente foram descobertos: Rocha da Pena, serra de Monchique, Canhão Cársico da Ota e núcleos das serras de Aire e Candeeiros. Estima-se que o número de indivíduos maduros destes núcleos se situe entre 260 e 290 e que a dimensão da população nacional será muito possivelmente inferior a 1000 indivíduos maduros. As principais ameaças à planta são: o pisoteio, limpeza de bermas e obras de beneficiação de estradas, exploração de pedreiras e extração de inertes e adensamento da vegetação. Dada a reduzida dimensão de todos os núcleos populacionais conhecidos, estes podem estar sujeitos a processos estocásticos que conduzam à sua extinção. A planta é avaliada como Vulnerável dada a reduzida dimensão, estimada, da população nacional (inferior a 1000 indivíduos maduros) e improvável imigração de um número significativo de efetivos das populações de países vizinhos. Sugere-se a continuação da monitorização dos núcleos populacionais, para que, no futuro, se possa avaliar a sua tendência populacional, e recomenda-se a implementação de medidas de gestão do habitat, para evitar a oclusão da clareira onde ocorre o núcleo da Rocha da Pena.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF67A4C126D0FC3FB710F957.taxon	discussion	Astragalus glaux é uma planta, que ocorre na região ocidental da bacia mediterrânica, cuja presença atual em Portugal continental se restringe a alguns núcleos na Beira Litoral e no Alto Alentejo. Ocorre em matos rasteiros, geralmente tomilhais, instalados em substrato margoso. É avaliada como Vulnerável devido à reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação atuais, por apenas se identificarem sete localizações e porque se identifica declínio continuado ao nível da extensão de ocorrência, do número de localizações e da área e qualidade do habitat. Algumas das ameaças identificadas incluem a expansão agrícola, a erosão dos terrenos e o isolamento dos núcleos populacionais. No passado a expansão urbana e a instalação de povoamentos florestais atuaram como pressões relevantes sobre a população nacional, contudo na atualidade já não constituem uma ameaça com significado relevante. Sugerem-se medidas para assegurar a conservação do seu habitat, já prevista na lei, nomeadamente a sua inclusão nos planos de ordenamento territorial em vigor e a atribuição de apoios financeiros aos proprietários para a manutenção e gestão do habitat. O repovoamento deverá ser previsto em algumas localidades históricas, de modo a salvaguardar as subpopulações mais isoladas, sugerindo-se também a colheita e armazenamento de sementes em bancos de germoplasma nacionais. Deverão ser mantidos os esforços de prospeção dirigida e os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização, pelo menos, quinquenal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF64A4C223FAFF8EB399FD26.taxon	discussion	Bifora testiculata é uma planta anual, que ocorre em searas e pousios, no subcoberto de olivais de sequeiro em solos básicos. A sua área de distribuição estende-se à região mediterrânica e algumas zonas da região irano-turaniana. No território nacional são atualmente conhecidas três subpopulações: serra de Sicó, Alto Alentejo e Barrocal algarvio. É avaliada como Vulnerável devido à reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, ao reduzido número de localizações identificadas (sete a nove), ao declínio continuado do tamanho da população nacional, da área, da qualidade do habitat e do número de localizações, e declínio da extensão de ocorrência e área de ocupação. As principais ameaças são a expansão e intensificação agrícolas e o abandono das práticas tradicionais dos sistemas agrícolas de sequeiro. Como medidas de conservação sugere-se a salvaguarda de material genético em bancos de germoplasma, realização de prospeção em locais de ocorrência histórica e em áreas com habitat propício à ocorrência da planta e a monitorização regular dos núcleos conhecidos. Sugere-se ainda a produção de nova legislação para proteção da planta e do seu habitat, valorização dos produtos produzidos em modo de sequeiro e incentivos financeiros aos proprietários que mantenham a gestão tradicional destes sistemas agrícolas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF64A4C223FAFC3CB3B1F915.taxon	discussion	Catananche caerulea é uma herbácea perene, que habita em encostas muito secas, ainda que semissombria, de solos calcários margosos. Toda a sua população nacional está concentrada numa única subpopulação com dois núcleos populacionais ao longo das encostas de Arruda dos Pisões-Tremês. As estimativas populacionais realizadas apontam para um número total de indivíduos inferior a 2500, número este que aparenta estabilidade, uma vez que o habitat também se tem mantido relativamente estável e sem pressões significativas, com exceção de uma redução passada causada pela instalação de eucaliptais. A planta é avaliada como Vulnerável porque toda a população se distribui numa área bastante restrita (ao longo de dois estreitos troços de 2,5 km de comprimento), ficando assim vulnerável a ameaças imprevisíveis, as quais poderão facilmente reduzir significativamente a população num curto espaço de tempo. Realça-se que nesta região, e muito perto desta única subpopulação, existem vastas áreas de eucaliptal, pelo que a ameaça de plantação de novas áreas para exploração florestal em larga escala é plausível e, a acontecer, poderia eliminar grande parte da população num só evento. Propõe-se assim que seja criada uma área protegida para a conservação destas encostas, a qual se justifica, não só por ser o único local de ocorrência em Portugal desta planta, mas também o único local de ocorrência de outras plantas igualmente ameaçadas (além de outras muito raras no país), que partilham o mesmo habitat. Em paralelo, deve ser feita uma monitorização das ameaças que possam vir a afetar a população, de forma a tomar medidas atempadamente caso sejam detetadas situações de conflito.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6AA4CC2428FF8EB777FAF4.taxon	discussion	Euphorbia flavicoma é uma herbácea perene, que habita em encostas secas, ainda que semissombrias, de solos calcários margosos. Toda a população nacional está concentrada numa única subpopulação com dois núcleos populacionais ao longo das encostas de Arruda dos Pisões-Tremês. As estimativas populacionais realizadas apontam para um número total de indivíduos inferior a 2500, número este que aparenta estabilidade, uma vez que o habitat também se tem mantido relativamente estável e sem pressões significativas, com exceção de uma redução passada causada pela instalação de eucaliptais. A planta é avaliada como Vulnerável porque toda a subpopulação se distribui numa área bastante restrita (ao longo de um estreito troço de 2,5 km de comprimento, com um núcleo aparentemente isolado a poucos quilómetros), ficando assim suscetível a ameaças, como a expansão florestal em grande escala, as quais poderão reduzir significativamente a subpopulação num curto espaço de tempo. Realça-se que nesta região, e muito perto desta única subpopulação, existem vastas manchas de eucaliptal, pelo que a plantação de novas áreas para exploração florestal em larga escala deve ser vista como plausível. Propõe-se assim que seja criada uma área protegida para a conservação destas encostas, a qual se justifica também por ser o único local de ocorrência de outras plantas igualmente ameaçadas. Em paralelo, deve ser feita uma monitorização das ameaças que possam vir a afetar a população, de forma a serem tomadas medidas atempadamente caso sejam detetadas situações de conflito. Deve ainda ser continuada a prospeção em outras áreas de habitat favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6BA4CD26D0FF8EB8B7FD8D.taxon	discussion	Dianthus cintranus subsp. barbatus é uma planta endémica dos calcários do Centro-Oeste de Portugal continental e que habita em solos pedregosos e plataformas rochosas de rocha calcária. A planta é avaliada como Vulnerável por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, por se considerar a existência de apenas 10 localizações e pela existência de declínio continuado na qualidade do habitat, em função de ameaças, como a urbanização, a exploração de pedreiras e a florestação. Deverão ser desenvolvidos estudos demográficos e de monitorização dos núcleos populacionais da planta, de modo a obter estimativas do número de indivíduos e a avaliar o efeito das potenciais ameaças. A descida de categoria relativamente à obtida numa avaliação anterior, Em Perigo, tem como base o maior número de localizações consideradas na presente avaliação.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6BA4CD26D0FC3FB724F999.taxon	discussion	Fumana procumbens é um pequeno arbusto, que ocorre em matos rasteiros, em locais secos e em substratos pedregosos básicos. A população nacional é constituída por duas subpopulações geograficamente disjuntas: uma localiza-se na Beira Litoral e outra em Trás-os-Montes. A planta é avaliada como Vulnerável porque apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, porque se identificam apenas seis localizações e se assinala um declínio continuado da área do seu habitat. Os núcleos populacionais conhecidos são constituídos por um número reduzido de indivíduos e por isso algumas localizações são suscetíveis de desaparecerem num curto espaço de tempo devido a causas, como a erosão das vertentes onde habita, a expansão da instalação de novas vinhas e a expansão urbana. A planta aparenta ter dificuldades ao nível reprodutivo ou ao nível da dispersão, que poderão estar a condicionar o seu estabelecimento e a colonização de áreas dehabitat favorável que existem na envolvente dos núcleos conhecidos, nas quais a espécie está ausente. Sugere-se a realização de estudos para melhorar o conhecimento da ecologia e biologia da espécie. Propõe-se implementar medidas de controlo de erosão nos núcleos de Ateanha e Casal Soeiro e ponderar-se a realização de ações de reforço populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF68A4CE23FAFF8EB332FA2F.taxon	discussion	Linum narbonense é uma herbácea perene subarbustiva, que habita em matos, taludes e zonas pedregosas em solos básicos secos. Em Portugal são conhecidas apenas duas subpopulações pertencendo a subespécies diferentes: Rio Maior (subsp. narbonense) e Trás-os-Montes (subsp. barrasii). A subpopulação de Rio Maior é composta apenas por um núcleo muito restrito, com poucas dezenas de indivíduos. Da subpopulação de Trás-os-Montes só há confirmação relativamente atual de dois núcleos, tendo um deles também poucas dezenas de indivíduos. A planta parece ser muito pontual em ambas as regiões e, provavelmente, todos os núcleos serão muito reduzidos. Avalia-se como Vulnerável por se estimar que existam menos de 1000 indivíduos e porque os núcleos conhecidos são muito restritos e com poucos indivíduos. Neste cenário, ameaças imprevisíveis, mesmo que pequenas, podem extinguir um núcleo num só evento, o que terá um impacto significativo no efetivo total, dado o reduzido número de núcleos e de indivíduos atualmente existentes, aproximando assim a planta da extinção regional. São plausíveis ameaças, como a instalação de novos eucaliptais, a expansão agrícola e a limpeza de taludes e obras de beneficiação de vias. Propõe-se que seja designada uma área protegida que abranja a subpopulação de Rio Maior e que seja alertado o respetivo município em Trás-os-Montes para a existência deste valor na margem de um caminho. É importante monitorizar e prevenir eventuais situações de ameaça e realizar colheita de sementes para salvaguarda do património genético ou ações de reforço que venham a ser necessárias. Deve ser continuada a prospeção e realizadas estimativas populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF69A4CF24C3FF8EB7DBFA53.taxon	discussion	Saxifraga cintrana é uma espécie endémica de Portugal, com distribuição restrita ao centro-oeste calcário, onde ocorre em fendas de rochas calcárias, muros e clareiras de matos baixos. Estima-se que a população não ultrapasse 10 000 indivíduos maduros, concentrados essencialmente na serras de Aire, Candeeiros e Montejunto. Identificam-se na atualidade aproximadamente 10 núcleos populacionais, distribuídos por quatro subpopulações. A extensão de ocorrência e a área de ocupação são inferiores a 20 000 km 2 e 2000 km 2, respetivamente, e ambas registaram um declínio continuado nas últimas décadas. Infere-se um declínio continuado da qualidade do habitat devido à persistência de ameaças e pressões, sobretudo a extração de inertes (com maior relevância nas serras de Aire e Candeeiros), mas também o desenvolvimento urbanístico e turístico, a construção de infraestruturas e as pertubações resultantes de atividades de lazer. Contabilizam-se apenas seis localizações, assumindo-se um declínio continuado deste número devido ao desaparecimento de alguns núcleos. A espécie enquadra-se assim na categoria Vulnerável. A informação existente atualmente permite avaliar o risco de extinção da espécie, pelo que esta abandona a categoria de Informação Insuficiente atribuída na avaliação global anterior. Propõe-se o reforço da aplicação da legislação existente, através de regulamentação que condicione alterações de uso do solo nas suas áreas de ocorrência, de modo a impedir a destruição de mais núcleos populacionais. Deve ainda ser promovida a monitorização dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6EA4C823FAFC3CB403F915.taxon	discussion	Cynanchum acutum subsp. acutum distribui-se pela Europa, Norte de África, arquipélago das Canárias e Ásia, habitando em taludes de campos agrícolas e margens de caminhos, em solos arenosos geralmente próximo do litoral. Em Portugal continental a sua presença limita-se, atualmente, à Estremadura (Costa de Caparica, uma ocorrência) e Algarve (zona de Quarteira, duas ocorrências), embora registos históricos a tenham reportado no Minho, Trás-os-Montes, Beira Litoral, Ribatejo e Alto Alentejo. As principais ameaças conhecidas são a expansão de hortas e destruição dos taludes de compartimentação, tendo, ainda, sido identificado o uso de produtos fitofarmacêuticos para controlo de infestantes como fator de ameaça (subpopulação da Costa de Caparica). Apesar de alguma incerteza relativamente à distribuição e tamanho atuais da população nacional, os reduzidos valores de extensão de ocorrência e área de ocupação, consideravelmente menores que os valores históricos, o declínio continuado destes valores, assim como do número de subpopulações e da área, extensão e qualidade do seu habitat, o reduzido número de localizações (duas), a fragmentação severa da população nacional e o declínio populacional continuado fundamentam a avaliação desta subespécie como Em Perigo. Como medidas de conservação, propõe-se a manutenção das formas de cultivo tradicionais com redução no uso de fitofarmacêuticos e a preservação ex situ em bancos de sementes e, eventualmente, em jardins botânicos. Deve ser realizada a monitorização das subpopulações conhecidas, uma delas integrada na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica e novas prospeções, incluindo os locais históricos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6EA4C823FAFF8EB202FCC7.taxon	discussion	Ononis alopecuroides subsp. alopecuroides é uma erva anual ocorrente na zona oeste da bacia do Mediterrâneo, mas que em Portugal continental apenas era conhecida do centro-oeste calcário, onde se conheciam três locais de ocorrência, um nos arredores de Coimbra e dois nos arredores de Lisboa, habitando em pousios, incultos e bermas de caminhos. A planta foi pela última vez colhida em 1978 e desde então não existem quaisquer registos, apesar de prospeção dirigida realizada em 2018. Na envolvente dos seus locais históricos de ocorrência em território nacional decorreram profundas alterações de uso do solo, destacando-se o desenvolvimento urbano e a intensificação agrícola. Suspeita-se que possa estar Regionalmente Extinta, contudo, por persistirem extensas áreas de habitat potencialmente favorável em zonas onde a prospeção dirigida nem sempre é possível realizar-se, mantém-se alguma incerteza quanto à possibilidade de sobrevivência de algum núcleo populacional e não se pode aplicar esta categoria. Por esse motivo, é avaliada como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta). Sugere-se a continuação de prospeção dirigida na envolvente dos locais de ocorrência histórica e, caso se confirme o desaparecimento da planta em Portugal continental, deverá ser ponderada a sua reintrodução e elaborar-se um plano de conservação dedicado.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6FA4C924C3FF8EB85CFA11.taxon	discussion	Orobanche schultzii é uma planta parasita perene, que vive em sebes e pousios em solos calcários, parasitando funcho ou outras umbelíferas perenes. A planta só é conhecida atualmente em dois núcleos populacionais (Lisboa e Algarve), tendo cada um deles poucas dezenas de indivíduos e ocupando áreas restritas. Existem colheitas antigas da planta noutros locais, mas, no total, são apenas cinco os registos de ocorrência no país, sendo assim uma planta comprovadamente rara. As prospeções num dos locais de ocorrência histórica foram infrutíferas. Ainda assim, admite-se que é provável que ocorra em outros locais, porque, aparentemente, existe habitat adequado na região envolvente dos núcleos conhecidos. Por ser plausível que possa existir mais algum núcleo, a extensão de ocorrência e área de ocupação hoje conhecidas são incertas, contudo, é seguro que a sua área de ocupação se situe entre 10 km 2 e 500 km 2. Por esse motivo, e porque a população nacional está severamente fragmentada e se observa um declínio continuado da área e qualidade do habitat, esta planta é avaliada como Em Perigo. A pressão mais grave é a degradação do habitat devido ao despejo de resíduos animais em quantidade no núcleo de Lisboa, que possivelmente já causou a destruição direta de uma parte do núcleo. Adicionalmente, este núcleo está sob a ameaça da expansão da uma exploração pecuária intensiva, que tem destruído, desde 2009, áreas importantes de habitat. Propõe-se um aumento da fiscalização que impeça despejos de resíduos e também procurar um acordo com o proprietário que garanta a conservação deste núcleo. Devem ser feitos estudos para averiguar se a planta está em declínio e deve ser continuada a prospeção.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6CA4CA23FAFF8EB40AFD26.taxon	discussion	Galega cirujanoi está circunscrita em Portugal apenas à lezíria do rio Tejo, habitando principalmente taludes das valas de drenagem dos campos agrícolas. É avaliada como Em Perigo uma vez que apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (cerca de 115 km 2 e de 24 km 2, respetivamente), estão identificadas apenas três localizações e observa-se o declínio continuado da área, extensão e qualidade do seu habitat. A este facto junta-se o reduzido número de núcleos populacionais, sempre com menos de 100 indivíduos cada, inferindo-se o declínio continuado do tamanho da população nacional como resultado da perda de núcleos e de habitat. A principal ameaça a esta planta são as inadequadas práticas de controlo da vegetação das valas dos campos agrícolas, quer pela remoção mecânica da vegetação, quer pela recorrente utilização de herbicidas. Assim, no sentido de reverter este cenário, é imprescindível a sensibilização dos agentes agrícolas para a conservação desta espécie, bem como a recolha de sementes na natureza para posterior propagação em viveiro, a fim de aumentar a população nacional, através de repovoamento em áreas onde esta desapareceu. Também deverá ser interdito o pastoreio nos locais de ocorrência desta planta durante a época de floração e maturação da semente, que ocorre de maio a agosto.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6CA4CA23FAFC3CB303F957.taxon	discussion	Senecio doronicum subsp. lusitanicus é uma planta endémica do centro-oeste calcário de Portugal continental, que ocorre em arrelvados e clareiras de matos sobre solos pedregosos descarbonatados, derivados de calcários. Apresenta reduzida extensão de ocorrência (610 km 2) e área de ocupação (36 km 2) e considera-se a sua área de distribuição como estável. São conhecidas apenas quatro subpopulações e estima-se que a população terá entre 900 e 1500 indivíduos maduros. Infere-se um declínio continuado da qualidade e da área do habitat devido à persistência das pressões atuais (expansões agrícola e urbanística, implantação de parques eólicos e de antenas e exploração de inertes), com maior relevância nas áreas fora do Sistema Nacional de Áreas Classificadas, as quais sugerem a existência de apenas quatro localizações. Perante estas considerações, a planta é avaliada como Em Perigo, mantendo a categoria obtida na avaliação global anterior. Para conservação da espécie, sugere-se a definição de áreas protegidas de âmbito local nos núcleos que ainda não estão abrangidos por uma área classificada, o ordenamento de trilhos e de regulação de atividades de animação turística ou desportiva. Sugere-se ainda que a localização dos núcleos seja transmitida aos serviços regionais de ambiente e municípios, de modo a prevenir ações que possam promover a sua destruição. Os núcleos populacionais conhecidos deverão ser alvo de monitorização, de modo a acompanhar a dinâmica populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF6DA4CB24C3FF8EB797FB78.taxon	discussion	Triglochin laxiflora é uma planta de distribuição mediterrânica, que habita em solos argilosos encharcados e lamacentos. Em Portugal ocorre na região de Sintra, na península de Setúbal, mais concretamente nos arredores da localidade do Meco, na região de Alcáçovas e mais a sul, em Almodôvar. A população portuguesa é numerosa, uma vez que algumas subpopulações registam milhares de indivíduos, no entanto, o número de subpopulações é muito reduzido e observa-se uma tendência de declínio populacional. É avaliada como Em Perigo porque apresenta reduzida área de ocupação (inferior a 100 km 2), individualizam-se apenas quatro localizações em virtude das ameaças identificadas (nomeadamente, o desenvolvimento industrial e a intensificação e expansão das atividades agrícola e pecuária) e porque se assinala declínio continuado ao nível da qualidade e área do habitat, da área de ocupação e do tamanho da população nacional. Sugere-se a implementação de um plano de ação dirigido à planta, que integre medidas que permitam a conservação dos núcleos conhecidos, e estudos que permitam aferir a distribuição, os requisitos ambientais e o ciclo de vida da espécie, bem como a monitorização regular dos núcleos populacionais conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF72A4D423FAFC3CB49EF915.taxon	discussion	Oenanthe globulosa é uma herbácea perene, que habita em depressões temporariamente inundadas em solos argilosos básicos lamacentos. O conhecimento atual que se tem sobre a população nacional é bastante reduzido, havendo diversos registos antigos dos quais nada se sabe atualmente, por não terem sido revisitados. Desta forma, atualmente são apenas conhecidos alguns núcleos populacionais concentrados numa região restrita de Sintra, todos, exceto um, embebidos numa malha urbana, industrial e agrícola em grande crescimento. A planta é avaliada como Vulnerável porque, apesar do grande desconhecimento que existe, é certo que a área de ocupação é reduzida (provavelmente inferior a 100 km 2 e estando em declínio) e que existe um declínio continuado da área e qualidade do habitat favorável (em Sintra e Beja), que permite inferir um declínio populacional. Ademais, o número de localizações é inferior a 10, estimativa esta que assume, de modo otimista, que todos os registos históricos ainda existem. As pressões mais significativa são as construções urbana, industrial, de infraestruturas agrícolas e de estradas que estão a ocorrer precisamente na zona onde está localizado o maior número de núcleos conhecidos. Os núcleos de Beja (caso ainda existam) estão também ameaçados pela intensificação agrícola. Uma vez que vários núcleos conhecidos estão localizados em espaços industriais (segundo o plano diretor municipal), a única medida que se prevê eficaz seria a translocação destes para um local seguro. Propõe-se ainda continuar a prospeção nas regiões onde há registos históricos não confirmados, para, caso se reencontrem núcleos, se identificarem as ameaças e se delinear um modo de ação em cada caso.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF72A4D423FAFF8EB55DFCA2.taxon	discussion	Thymelaea gussonei é uma planta, que habita em pousios em solos básicos e cuja presença em Portugal continental é muito residual. A informação existente é escassa, conhecendo-se apenas um núcleo com algumas centenas de indivíduos nos arredores de Arruda dos Pisões. Por se tratar de uma planta inconspícua no terreno e com desenvolvimento primaveril tardio, é plausível que possa ter passado despercebida noutros locais, o que gera bastante incerteza quanto ao tamanho e distribuição da população nacional. Esta incerteza pode fazer variar a categoria de ameaça entre Criticamente em Perigo (considerando-se uma localização, referente ao núcleo atual) e Vulnerável (considerando-se seis localizações, incluindo todos os registos, históricos ou atuais). Porém, o registo histórico é escasso e parece corroborar a raridade da planta em Portugal, pelo que se justifica uma abordagem precaucional na avaliação do risco de extinção. Nesse sentido, avalia-se a espécie como Em Perigo com base em ser expectável que possua uma área de ocupação reduzida (cerca de 20 km 2) uma área de ocupação reduzida (cerca de 20 km 2), menos de cinco localizações (considerando-se desaparecido o núcleo histórico de Caparide), e declínio continuado da área do seu habitat. Sugere-se a continuação de prospeção dirigida em áreas com habitat favorável e a monitorização da população nacional. Para a sua conservação, sugere-se a criação de uma área protegida para salvaguardar o único núcleo atualmente conhecido, juntamente com outras espécies ameaçadas presentes na mesma área. Sugerem-se também incentivos para manutenção de usos extensivos e práticas de gestão tradicional, que permitam conservar o seuhabitat, e o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF73A4D526D0FF8EB58DFD26.taxon	discussion	Pseudarrhenatherum pallens é uma planta endémica do centro-oeste calcário de Portugal continental, que habita em clareiras de matos em solos calcários (sobretudo carrascais) e locais pedregosos de calcário. Apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação bastante reduzidas. Nas últimas décadas tem-se observado um declínio continuado da área e da qualidade do habitat disponível. Nas quatro subpopulações atualmente conhecidas da planta estima-se que existam apenas 10 localizações, em função das principais pressões identificadas, nomeadamente a expansão de plantações de eucalipto e o adensamento arbustivo. Perante estas considerações, a planta é avaliada como Vulnerável. Sugerem-se medidas de gestão de habitat, como a abertura de clareiras, a promoção de pastorícia extensiva e a interdição de novas plantações de eucalipto. Deverão ainda ser promovidos estudos, para melhorar o conhecimento acerca da distribuição, da tendência populacional e da reprodução da planta. A descida de categoria relativamente à obtida na avaliação global anterior, Em Perigo, justifica-se pela melhoria de conhecimento sobre a sua área de ocupação, devido à redescoberta de núcleos populacionais importantes nos últimos anos, na área entre Arruda dos Vinhos e Bucelas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF73A4D526D0FC3FB6B0F9F8.taxon	discussion	Vicia bithynica é uma trepadeira anual, que em Portugal continental ocorre apenas na região calcária do centro-oeste litoral, aparentemente em três subpopulações isoladas entre si. Habita em bermas de caminho em zonas rurais, em sebes naturais de campos agrícolas e na orla de matos costeiros. É avaliada como Vulnerável porque apresenta uma reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, inferindo-se um declínio continuado do seu efetivo populacional, e estimam-se apenas oito localizações. As ameaças sinalizadas sobre a população regional incluem a expansão da agricultura intensiva, o desenvolvimento urbano e edificação dispersa e o uso de herbicidas em ações de gestão da vegetação. Nas áreas onde estão sinalizados núcleos populacionais, sugere-se o desenvolvimento de ações de sensibilização junto das juntas de freguesia e dos proprietários, que contribuam para minimizar a aplicação de herbicidas em terrenos e bermas de caminhos. Propõe-se a realização de estudos, que envolvam a prospeção dirigida em áreas com habitat favorável à ocorrência da planta e que visem melhorar o conhecimento da sua distribuição atual, da dimensão da população regional e dos efeitos das pressões atualmente existentes.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF70A4D623FAFF8EB2AAFD09.taxon	discussion	Daphne laureola é uma planta de ampla distribuição europeia, mas que em Portugal continental apenas ocorre na serra de Sintra, numa área muito restrita, estimando-se que a população nacional seja inferior a 600 indivíduos maduros. Ocorre sob coberto de matas fechadas, em locais com elevado ensombramento. É avaliada como Criticamente em Perigo devido à sua restrita extensão de ocorrência e área de ocupação, por se identificar uma única localização e por estar identificado um declínio continuado da qualidade do seu habitat. A principal ameaça identificada é a possibilidade de ocorrência de incêndios recorrentes, que podem rapidamente alterar as condições ambientais necessárias à planta, assinalando-se ainda o risco de invasão por acácias e ações humanas, como o pisoteio ou a gestão florestal. Esta planta beneficiaria de um plano de conservação que inclua medidas como o controlo de exóticas e infestantes, reforço populacional e criação de novos núcleos a partir de plantas criadas em viveiro. A população de Portugal continental deverá ser alvo de monitorização, com frequência bienal, e sugere-se ainda o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma nacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF70A4D623FAFC3CB343F915.taxon	discussion	Omphalodes kuzinskyanae é uma pequena erva anual, que ocorre em matos no topo das arribas costeiras, em solos arenosos. É um endemismo lusitano restrito à faixa costeira entre Cascais e a Ericeira, avaliado como Criticamente em Perigo por ter sido observada uma redução populacional de 85 % nos últimos 10 anos. Além disso, cumpre ainda o critério B 1 b (i, ii, iii, iv, v) c (iv), por apresentar uma extensão de ocorrência reduzida (ligeiramente inferior a 100 km 2), flutuações extremas no número de indivíduos e um declínio continuado em todos os parâmetros. As ameaças mais graves são a construção urbanística (responsável pela referida redução populacional), a abertura e o alargamento de caminhos e o trânsito de veículos. Os declínios observados poderão conduzir à extinção da espécie caso não seja urgentemente elaborado e implementado um plano de conservação dedicado que contemple medidas concretas, como o reforço da fiscalização, obrigando à aplicação da legislação e a limitação das atividades responsáveis pelas ameaças referidas nas áreas de habitat favorável e em particular na área do Abano. Este plano deve também prever o reforço da população, através da fundação de novos núcleos por repovoamento em locais com comprovado potencial para a manutenção da planta a longo prazo, e promover a realização de estudos sobre a dispersão e dinâmica populacional da planta. A subida de categoria em relação à obtida na avaliação global anterior, Vulnerável, deve-se a dados recentes de censos populacionais, que permitiram quantificar com rigor a redução populacional observada relativamente a estimativas anteriores, bem como caracterizar melhor o declínio verificado na última década.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF71A4D726D0FC3FB588F9B6.taxon	discussion	Asplenium hemionitis é um feto endémico das ilhas macaronésias, do Norte de África e de Portugal, que ocorre em locais sombrios e abrigados, associado a rochedos graníticos ou basálticos, fendas de muros e de paredes musgosas e taludes. Toda a população de Portugal continental está atualmente restrita à serra de Sintra e ao cabo da Roca. Esta planta é avaliada como Em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação muito reduzidas (apenas 52 km 2), por se identificarem apenas cinco localizações e por se observar um declínio continuado do tamanho da população e da área e qualidade do seuhabitat. A maior parte dos núcleos populacionais encontra-se nos parques históricos de Sintra e em quintas, tendo sofrido importantes reduções populacionais, incluindo extinção de alguns núcleos, devido à limpeza e à reconstrução de muros, à beneficiação de caminhos e à limpeza de mato nos muros velhos, fontes e taludes sombrios. Estas pressões continuam a atuar, pelo que é urgente evitar este tipo de ações através do reforço da legislação. Em alguns casos, pode também ser importante controlar as espécies invasoras. Além disso, é importante continuar os trabalhos de restauro de habitat e de reforço dos núcleos populacionais existentes, que deverão ser acompanhados por monitorização, de forma a assegurar a sobrevivência desta espécie em Portugal continental.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF76A4D023FAFC3FB2DAF915.taxon	discussion	Armeria pseudoarmeria é uma planta endémica de Portugal continental, com distribuição restrita à região da Estremadura. Ocorre principalmente em arribas litorais e mais raramente em zonas elevadas mais interiores. É avaliada como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (292 km 2 e 60 km 2, respetivamente), identificam-se apenas 10 localizações e está assinalado o declínio continuado da área de ocupação e da área e qualidade do seu habitat. A descida de categoria relativamente à avaliação anterior, Em Perigo, resulta de não se considerar a população como severamente fragmentada, uma vez que a situação atual não corresponde à definição da UICN para este conceito. A maioria dos núcleos populacionais ocorre no Parque Natural Sintra-Cascais, onde a principal pressão identificada é a expansão do chorão-das-praias sobre as arribas, assinalando-se ainda outras pressões. como o pisoteio, expansão de acácias e uso de herbicidas na gestão de vegetação nas bermas. Na subpopulação mais interior as principais pressões incluem a criação de gado bovino, o adensamento de matos e o isolamento reprodutivo, agravado pela suscetibilidade a fatores estocásticos. Deverão ser desenvolvidas medidas efetivas de controlo do chorão nas arribas costeiras e implementadas medidas específicas de gestão de habitat (e. g., incentivos para a manutenção de pastoreio de percurso), de forma a restaurar a qualidade de habitat na subpopulação mais interior. Sugere-se o desenvolvimento de ações de sensibilização nos locais mais sujeitos à pressão turística, junto ao litoral, e a monitorização dos núcleos populacionais, particularmente naqueles mais isolados.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF76A4D023FAFF8EB267FD09.taxon	discussion	Dianthus cintranus subsp. cintranus é uma planta endémica do litoral centro-oeste de Portugal continental, que ocorre em solos esqueléticos derivados de granitos e sienitos, em areias provenientes da sua erosão e em afloramentos basálticos. É avaliada como Em Perigo pelas reduzidas área de ocupação e extensão de ocorrência, pela existência de declínio continuado da qualidade do seu habitat e por se considerar a existência de apenas quatro localizações, em função de ameaças, como a expansão de espécies exóticas invasoras (Acacia melanoxylon, Carpobrotus edulis) e a expansão de povoamentos florestais na serra de Sintra. Deverão ser implementadas medidas para controlo de espécies exóticas invasoras e deverá aumentar a vigilância nas áreas mais visitadas por turistas. Deverão ser desenvolvidos estudos demográficos e deverá proceder-se à monitorização regular dos núcleos populacionais, de modo a acompanhar a tendência populacional e os efeitos das ameaças sinalizadas ou não previstas. A subida de categoria relativamente à obtida na avaliação global anterior, Vulnerável, justifica-se por atualmente se verificar um declínio continuado da qualidade do habitat.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF75A4D323C2FB1CB580F932.taxon	discussion	Convolvulus fernandesii é uma planta endémica de Portugal continental, restrita às arribas costeiras calcárias da costa virada a sul entre Sesimbra e o cabo Espichel. Apresenta requisitos ecológicos muito específicos que limitam a sua distribuição a uma área muito reduzida, sendo a sua área de ocupação e extensão de ocorrência restritas a 32 km 2. A população é pequena, composta por um reduzido número de indivíduos maduros (cerca de 500) e estimam-se apenas duas localizações, em função das principais ameaças identificadas, nomeadamente a possibilidade de atividades de escalada e rappel não autorizadas e fatores estocásticos ou outras ameaças imprevisíveis que possam reduzir significativamente, num curto prazo, o número de indivíduos ou mesmo originar o desaparecimento da espécie. Foi recentemente registado um declínio continuado da qualidade do habitat e do número de indivíduos em vários núcleos populacionais, provavelmente devido ao efeito de fenómenos climáticos extremos, nomeadamente secas intensas e continuadas e temperaturas anormalmente elevadas, e também devido à abertura de vias de escalada. É desta forma avaliada como Em Perigo, agravando-se assim o nível de ameaça, que era de Vulnerável na avaliação global anterior. Não se sugerem medidas adicionais além da vigilância das atividades de escalada e rappel, devendo ser tomadas iniciativas para impedir a abertura de novas vias onde existam núcleos da planta, procurando também sensibilizar os praticantes destas atividades. Propõe-se a monitorização regular dos núcleos populacionais conhecidos, para acautelar a deteção precoce de indícios de declínio e efeitos de ameaças e pressões não previstas ou subavaliadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7AA4DC23FAFB1FB7F1F9F8.taxon	discussion	Fagonia cretica é uma planta representante de uma flora semidesértica, que em Portugal continental apenas se encontra numa área muito restrita do Parque Natural da Arrábida, onde se conhecem apenas dois núcleos populacionais. A inacessibilidade dos seus locais de ocorrência contribui para minimizar os efeitos da perturbação humana, mas um dos núcleos é contíguo a uma área utilizada para escalada. Outro fator de ameaça identificado é a possível ocorrência de fenómenos imprevisíveis e catastróficos, como o colapso de falésias. É avaliada como Em Perigo por se estimar que a população regional seja inferior a 250 indivíduos e por estarem identificadas algumas ameaças e aparentes dificuldades na sua regeneração. A conservação da espécie deverá passar pela proteção in situ dos núcleos conhecidos, mantendo os efetivos e a qualidade do seu habitat, fazendo-se cumprir as disposições previstas no plano de ordenamento do Parque Natural da Arrábida. Sugere-se a realização de estudos de biologia reprodutiva, prospeção e monitorização bienal dos núcleos, de modo a acompanhar a tendência populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7BA4DD26D0FF8EB858FD26.taxon	discussion	Convolvulus lineatus é uma planta de ampla distribuição mediterrânica, mas que em Portugal apenas se conhece atualmente em três locais muito distanciados entre si (Bemposta-Mogadouro, cabo Espichel e Sagres), apresentando núcleos de pequena dimensão populacional que ocupam áreas geográficas muito reduzidas, em orlas de matos muito secos e zonas pedregosas. É avaliada como Em Perigo por apresentar uma área de ocupação de apenas 12 km 2, pelo facto de a população nacional se encontrar severamente fragmentada e por se identificar um declínio continuado da qualidade e área do habitat. A diminuta dimensão dos núcleos torna-os muito suscetíveis a destruição por qualquer ameaça imprevisível. Estão identificadas outras ameaças, como o pisoteio, a beneficiação de caminhos e estacionamentos, a expansão da vegetação arbustiva (progressão sucessional) e a erosão das arribas litorais. Sugere-se a monitorização bienal dos núcleos e a realização de estudos genéticos e taxonómicos. Deverá proceder-se à colheita de sementes nos diferentes locais e ao seu armazenamento em dois bancos de germoplasma nacionais. Deverão ser alertadas as entidades competentes para a preservação dos núcleos existentes na proximidade de infraestruturas e de caminhos de terra batida, de modo a evitar a sua destruição no decurso de obras de beneficiação.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7BA4DD26D0FC3FB6D7F915.taxon	discussion	Patellifolia patellaris é uma planta, que se distribui pelas zonas costeiras da Península Ibérica, Noroeste africano e nos arquipélagos da Macaronésia, exceto Açores. Em Portugal continental a sua ocorrência restringe-se às arribas voltadas a sul, entre o cabo Espichel e o Portinho da Arrábida, e na ponta de Sagres, onde ocorre em locais algo nitrificados, geralmente na base de escarpas de arribas litorais. É avaliada como Em Perigo porque a população nacional se estima em menos de 250 indivíduos maduros e considera-se severamente fragmentada. Acresce que apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas, assinalam-se apenas três localizações e está identificado um declínio continuado da sua área de ocupação. As principais ameaças resultam de atividades recreativas, em particular a escalada na subpopulação cabo Espichel-Arrábida e a pesca à cana na subpopulação da ponta de Sagres. Dada a sua reduzida dimensão, a população regional é também suscetível a eventos naturais, como as derrocadas de arribas. Todos os núcleos conhecidos estão incluídos no Sistema Nacional de Áreas Classificadas, mas, ainda assim, sugere-se a implementação de um plano de conservação específico, que inclua o condicionamento de atividades recreativas e ações de sensibilização dos seus praticantes, reforço de vigilância e ações de repovoamento nos locais de ocorrência histórica e fortalecimento dos núcleos atuais, a partir de propagação ex situ. A conservação em bancos de sementes (já iniciada) deverá ser mantida. Para além da continuidade da monitorização dos núcleos conhecidos, deverá prosseguir-se a prospeção dirigida, principalmente, nas imediações dos locais de ocorrência histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF78A4DE23FAFF8EB241FC60.taxon	discussion	Withania frutescens é uma planta, que se distribui pela zona ocidental da bacia mediterrânica até às ilhas Canárias. Em Portugal continental a planta ocorre muito pontualmente na faixa costeira nos arredores de Sesimbra, em fendas de rochas, depósitos de cascalho e na base de falésias e arribas litorais calcárias. É avaliada como Em Perigo devido ao reduzido número de indivíduos maduros que se estima constituir a população nacional, menos de 250. A escassez, o isolamento e o envelhecimento dos indivíduos são fatores de preocupação. Suspeita-se que existam fatores biológicos que condicionam o sucesso reprodutor e dispersivo da planta, pelo que deverão ser desenvolvidos estudos, de modo a melhorar o conhecimento desses fatores. Sugere-se o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma e que sejam consideradas ações de reforço populacional, de modo a rejuvenescer a população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF79A4DF26D0FC3FB68CFA1C.taxon	discussion	Lavatera maritima é uma planta de ampla distribuição mediterrânica, que em Portugal continental ocorre somente nas arribas marítimas entre o cabo Espichel e a Arrábida, sendo esta uma subpopulação muito disjunta da mais próxima, que se localiza em Gibraltar. O reduzido tamanho estimado para a população nacional (inferior a 1000 indivíduos maduros) e o reduzido número de localizações identificadas (quatro) tornam a população nacional suscetível à degradação por atividades de desporto de aventura (escalada, rappel, etc.) e a quaisquer outras ameaças imprevisíveis que possam causar o desaparecimento de localizações num curto espaço de tempo, pelo que se avalia como Vulnerável. Sugere-se um aumento de fiscalização das atividades de desporto de aventura que possam ocorrer na sua área de distribuição e estudos para melhorar o conhecimento sobre o tamanho da população nacional e a sua tendência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF79A4DF26D0FF8EB6E9FCA2.taxon	discussion	Volutaria crupinoides é uma planta anual cuja ocorrência em Portugal continental na escarpas marítimas da serra da Arrábida constitui uma importante disjunção geográfica (a 600 km do núcleo mais próximo), sendo este o único registo da planta no continente europeu. Foi registada pela primeira vez em 1978 e já então indicada como muito rara, tendo sido vista num outro local em 1985. Atualmente, e apesar de ao longo dos últimos anos terem sido efetuados esforços de prospeção dirigida, apenas se conhecem cinco indivíduos num pequeno núcleo diminuto (provavelmente o núcleo clássico). É avaliada como Em Perigo porque a população nacional não deverá ultrapassar os 250 indivíduos, tendo em conta a escassez de dados que há (que são unânimes a constatar a sua raridade) e o esforço de prospeção, maioritariamente infrutífero, que já tem sido feito. A principal pressão que se faz sentir é perturbação física por javalis nas imediações do núcleo conhecido, que causa destruição direta do coberto vegetal herbáceo, sendo uma possível causa de redução populacional. Outras ameaças possíveis incluem a perturbação causada por prática não controlada de escalada e rappel e a possibilidade de fenómenos imprevisíveis e catastróficos, como desabamento das arribas. É ainda provavelmente suscetível a episódios de extinção estocástica, devido ao reduzido número de indivíduos. Deverão ser reforçados os esforços de prospeção e também dirigidos esforços para entender a ecologia e biologia da espécie em território nacional e clarificar a sua dinâmica populacional, bem como os fatores de ameaça. Todos os núcleos deverão ser monitorizados regularmente e aconselha-se a salvaguarda do património genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7EA4D823FAFC3CB457F9B6.taxon	discussion	Crepis pusilla é uma pequena erva anual acaule e completamente rasteira, endémica do Mediterrâneo, que em Portugal ocorre somente em margens de caminhos e clareiras de carrascal nas regiões calcárias de Lisboa e Arrábida. É avaliada como Vulnerável porque apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação restritas, bem como um número de localizações reduzido (seis). Numa das localizações, onde se encontra possivelmente o maior núcleo populacional da espécie, verifica-se um declínio continuado da qualidade do habitat devido ao depósito ilegal de resíduos que tem ocorrido continuamente ao longo dos anos e que continua a ocorrer. Dada a sua escala, suspeita-se que esta pressão tenha afetado o efetivo populacional deste núcleo por destruição direta, e, caso não se tomem medidas concretas para parar esta perturbação, irá continuar a afetá-lo futuramente, com progressiva degradação do habitat e redução populacional. É assim urgente a reposição do estatuto de área protegida nos campos de lapiás de Negrais e Granja dos Serrões, o aumento de fiscalização, de modo travar o depósito ilegal de resíduos e entulho nos núcleos populacionais, e o condicionamento de atividades desportivas de veículos motorizados e trânsito de veículos ligeiros também nos núcleos da Arrábida-Espichel. Em paralelo, dever-se-ão realizar ações para a recuperação do habitat nestes campos de lapiás, limpando toda a área perturbada.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7FA4D926D0FF8EB83AFD26.taxon	discussion	Lemna trisulca é uma pequena planta aquática de ampla distribuição mundial, mas que ocorria de modo muito disperso em Portugal continental. A prospeção dirigida realizada no âmbito deste projeto não teve sucesso em encontrar a planta no local do único registo atual nem em três dos locais de ocorrência histórica. É uma planta de difícil deteção no terreno, o que pode ter condicionado os esforços de prospeção efetuados, mantendo-se por isso uma considerável incerteza quanto ao seu possível desaparecimento do território nacional. Por esse motivo, assume-se uma abordagem precaucional e considera-se que ainda possa existir, pelo menos, um núcleo populacional. A planta é avaliada na categoria Criticamente em Perigo com base na extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas, na provável existência de uma única localização e porque se assinala um declínio continuado da qualidade do seu habitat, em resultado da poluição das massas de água. Deverão ser desenvolvidos esforços de prospeção dirigida, de modo a melhorar o conhecimento ao nível da sua distribuição atual, tamanho da população nacional e sua tendência. Após a realização deste estudo, e caso se confirme o seu desaparecimento em território nacional, deverá ser ponderada a sua reintrodução em locais onde ainda subsistem condições que permitam a sua existência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7CA4DA23FAFF8EB478FCC7.taxon	discussion	Limosella aquatica é uma planta aquática de ampla distribuição holártica, que em Portugal apresenta uma ocorrência muito pontual. É avaliada como Criticamente em Perigo pois a sua extensão de ocorrência e área de ocupação são extremamente reduzidas (4 km 2), conhece-se atualmente uma única localização e está assinalado o declínio continuado da qualidade do seu habitat. Infere-se também o declínio continuado do tamanho da população nacional, dado que os arredores do açude onde foi observada pela última vez (Baixo Sado, em 1995) foram arrasados com maquinaria pesada por volta do ano 2000 e desde então não existe qualquer informação atual sobre a planta. No passado ocorria outra subpopulação no Baixo Douro, a qual terá desaparecido, pois não há registo da sua presença desde 1906. As grandes pressões / ameaças são aquelas que se referem às alterações do regime hidrológico, quer pelas alterações climáticas, onde se preveem períodos de seca extrema mais intensos e prolongados, quer, consequentemente, à instigação de novos projetos de aproveitamento hidroagrícolas, apesar do contrassenso destas opções. Propõe-se a aplicação e reforço da legislação existente, nomeadamente a que regula os recursos hídricos, e consequente maior e melhor gestão dos habitats higrófilos, maior educação ambiental e novas prospeções da planta, que, caso seja detetada, deve ver salvaguardado o seu património genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7DA4DB26D0FF8EB8A4FCA2.taxon	discussion	Agrostis juressi é uma gramínea, que ocorre em prados e matos higrófilos, em turfeiras, brejos e locais muito húmidos. Distribui-se de modo disperso, dos arredores de Grândola até ao Gerês. Os principais impactos resultam de alterações do regime hidrológico por pressão de atividades antrópicas (drenagem, construção de açudes, pastoreio de gado bovino, atividade florestal), suspeitando-se que, no futuro, se possam vir a agravar devido à redução da precipitação prevista nos cenários de alterações climáticas. Observa-se um declínio continuado da área e qualidade do habitat, infere-se declínio do tamanho da população nacional e identificam-se 18 localizações. Pouco mais de metade da sua área de ocupação é constituída por núcleos isolados, mas é plausível que possa haver mais núcleos por detetar, dado que a prospeção foi insuficiente. Assim, subsistem dúvidas sobre se a população nacional estará ou não severamente fragmentada, de acordo com a definição seguida na Lista Vermelha. Essa dúvida gera incerteza na categoria correta a atribuir, dado que poderá ser avaliada como Em Perigo, considerando-se a população nacional como severamente fragmentada, ou como Quase Ameaçada, se não se considerar como tal. Perante esta incerteza, e não havendo bases seguras para decidir por uma das categorias, avalia-se como Vulnerável (categoria intermédia), como recomendado pelas diretrizes da União Internacional para a Conservação da Natureza. Este táxon beneficiaria de um plano de gestão de brejos e turfeiras de baixa altitude que inclua medidas de restauro e gestão de habitat, condicionamento de pressões e definição de microrreservas. Sugere-se a realização de prospeção, monitorização e estudos sobre o uso de pastoreio na gestão de habitat.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF7DA4DB26D0FC3CB788F974.taxon	discussion	Groenlandia densa é uma planta aquática, que ocorre de modo muito disperso em Portugal continental. Encontra-se atualmente ausente de muitos locais de ocorrência histórica, mas, em sentido contrário, têm sido encontrados novos núcleos populacionais. A população nacional apresenta uma área de ocupação reduzida e conhecem-se apenas nove localizações. Estas estão sujeitas a pressões, como a eutrofização das massas de água permanentes e o seu uso recreativo, a remoção regular da vegetação aquática e obras de artificialização dos leitos. A captação de águas superficiais representa uma ameaça relevante, cujos efeitos poderão ser agravados pelo aumento da irregularidade dos caudais devido às previstas alterações climáticas. Estas pressões são responsáveis pelo declínio continuado da qualidade do seu habitat em toda a sua área de distribuição e também da área de ocupação e extensão de ocorrência. Por ocorrer em condições ambientais muito específicas e ocupar, geralmente, áreas muito diminutas, a planta é particularmente sensível a quaisquer pressões, pelo que, com base na informação existente no presente, se avalia a planta na categoria de Vulnerável. Esta planta beneficiaria da implementação no terreno de um plano abrangente de conservação de meios aquáticos, com medidas de controlo de poluição orgânica em locais de ocorrência atual ou histórica, reforçando-se a fiscalização da aplicação da legislação existente relativa à qualidade das águas superficiais. Os núcleos conhecidos deverão ser monitorizados e deverão ser efetuados esforços para melhorar o conhecimento da sua distribuição atual.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF42A4E423FAFF8EB4EBFCC7.taxon	discussion	Lathyrus nudicaulis é um endemismo ibérico, que em Portugal ocorre de modo muito pontual e disperso em prados vivazes higrófilos ou na orla de matos higrófilos, em várzeas húmidas. É avaliado como Vulnerável com base na reduzida área de ocupação (inferior a 100 km 2), por se identificarem apenas sete localizações, por se observar um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat e por se inferir um declínio continuado da área de ocupação e do tamanho da população nacional. Foram identificadas diversas pressões atuais, incluindo a expansão de áreas agrícolas, o desenvolvimento urbano-turístico e a proliferação de espécies exóticas. Outras ameaças sinalizadas incluem a drenagem de várzeas húmidas, a construção de açudes e a excessiva perturbação causada pelo gado bovino em alguns núcleos. Sendo um endemismo ibérico, e por também estar ameaçado em Espanha, deverá ser considerada a sua inclusão numa lista de plantas a proteger em Portugal. Sugere-se o delineamento e implementação de um plano de conservação que integre medidas, como apoios financeiros que permitam a manutenção do seu habitat, ações de reforço populacional, repovoamentos, de modo a aumentar a continuidade entre a população nacional, a monitorização destas medidas e ainda o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma. Sugere-se também a continuação de prospeção dirigida na sua área de distribuição histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF42A4E423FAFC3FB577F9F8.taxon	discussion	Utricularia australis é uma planta aquática carnívora de ampla distribuição mundial, que em Portugal continental ocorre, esparsamente, entre o Minho e o Baixo Alentejo. É avaliada como Vulnerável devido à reduzida área de ocupação que apresenta, ao número reduzido de localizações (10) e porque estão identificados declínios continuados ao nível da área de ocupação, da área e qualidade do habitat, do tamanho da população nacional e do número de localizações. As principais pressões e ameaças identificadas incluem a excessiva poluição orgânica das massas de água, a expansão de plantas exóticas aquáticas, a drenagem de zonas húmidas com fins diversos e a destruição causada pela expansão do lagostim-vermelho-da-luisiana. Esta planta beneficiaria de um plano alargado para conservação de zonas húmidas, com controlo de fontes de poluição orgânica e erradicação de exóticas, quer plantas aquáticas, quer do lagostim-vermelho-da-luisiana. Sugere-se que sejam efetuados esforços de repovoamento em áreas com habitat favorável, de modo a promover a continuidade entre os diversos núcleos que constituem a população nacional. Os núcleos atualmente conhecidos deverão ser alvo de monitorização regular, de modo a acompanhar a sua tendência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF43A4E526D0FC3FB5F3F915.taxon	discussion	Rhynchospora modesti-lucennoi é uma erva perene, que habita em turfeiras, brejos e locais muito húmidos, geralmente perto do litoral. Os principais impactos na população nacional resultam de alterações do regime hidrológico, por pressão de atividades antrópicas (drenagens, construção de açudes, florestação, pastoreio de gado bovino), que poderão vir a agravar-se devido à redução da precipitação, prevista nos cenários de alterações climáticas. Com base nesta informação, identificam-se 13 localizações. Ao longo do século XX e até à última década, a planta desapareceu de vários locais de ocorrência histórica. Por esse motivo, infere-se declínio continuado da área de ocupação, da área, extensão e qualidade do habitat e do tamanho da população nacional. Metade da sua área de ocupação é constituída por núcleos isolados, pelo que existe alguma dúvida se a população nacional se pode considerar severamente fragmentada, de acordo com a definição seguida na Lista Vermelha. Essa dúvida gera incerteza na categoria correta a atribuir, dado que poderá ser avaliada como Em Perigo, considerando-se a população nacional como severamente fragmentada, ou como Quase Ameaçada, se não se considerar como tal. Perante esta incerteza, e não havendo bases seguras para decidir por uma das categorias, avalia-se como Vulnerável (categoria intermédia), como recomendado pelas diretrizes da UICN. Esta planta beneficiaria de um plano de conservação de brejos e turfeiras de baixa altitude, no qual deverão constar medidas de restauro e gestão de habitat e definição de microrreservas (para os núcleos mais isolados). Sugere-se a continuação da sua prospeção e a sua monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF40A4E623FAFF8EB2E6FD09.taxon	discussion	Utricularia gibba é uma planta carnívora aquática subcosmopolita, mas que em Portugal sofreu uma significativa redução da sua área de distribuição devido ao desaparecimento de vários núcleos populacionais a norte do Tejo. É avaliada como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, identificam-se apenas sete localizações e está assinalado declínio continuado da sua extensão de ocorrência e área de ocupação, número de localizações, tamanho da população e área, extensão e qualidade do seu habitat. As principais ameaças identificadas são as alterações do regime hidrológico, quer pela pressão das atividades agrícolas ou florestais, quer pela ameaça de secas extremas cada vez mais prolongadas e frequentes, de acordo com os cenários climáticos existentes. Dada a fragilidade dos habitats higrófilos e aquáticos de baixa altitude, propõe-se que se elabore um plano de conservação destes habitats, que inclua medidas de restauro e gestão que beneficiem não só esta como outras espécies igualmente ameaçadas. Sugere-se a monitorização regular dos núcleos conhecidos e a realização de novos esforços de prospeção na sua área de distribuição histórica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF40A4E623FAFC3FB2ABF974.taxon	discussion	Wolffia arrhiza é uma planta aquática de ampla distribuição global, que em Portugal continental ocorre de modo muito pontual e disperso no território, em lagoas, charcas e açudes com águas eutróficas perto do litoral. É uma planta inconspícua (diminuta) e que pode ocorrer em locais de difícil acesso, o que gera alguma incerteza relativamente à possibilidade de ocorrer em mais locais, contudo, a escassez de ocorrências históricas parece corroborar a reduzida área de ocupação atual. É avaliada como Vulnerável com base na reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, do número de localizações atuais (nove) e por se inferir um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat. Este declínio terá resultado de diversas pressões, como a drenagem de zonas húmidas, a poluição resultante do uso de fitofármacos em culturas agrícolas ou de descargas industriais, a invasão por plantas aquáticas exóticas e a colmatação de charcas e lagoas. Todos os núcleos atualmente conhecidos são suscetíveis de serem destruídos por qualquer evento imprevisível, em virtude da diminuta dimensão dos locais onde a planta ocorre. Esta planta beneficiaria da implementação no terreno de um plano abrangente de conservação de meios aquáticos, com medidas de restauro de habitat, incluindo o controlo de fontes de poluição e da expansão de espécies exóticas, e a gestão de caudais de água. Sugere-se a realização de estudos, para melhorar o conhecimento da sua distribuição atual, dos impactos das pressões e ameaças identificadas, e a monitorização dos núcleos atualmente conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF41A4E726D0FF8EB6F2FD26.taxon	discussion	Caropsis verticillato-inundata é uma planta, que ocorre pontualmente em Portugal continental em locais temporariamente encharcados em terrenos arenosos, perto do litoral. É avaliada na categoria de Vulnerável pela sua reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por se observar um declínio continuado da qualidade do seu habitat e por apenas se identificarem 10 localizações. A ocupação e transformação das zonas húmidas para atividades agrícolas, a drenagem, a construção de charcas, a instalação de infraestruturas, a poluição e outros fatores que contribuam para a nitrificação e ruderalização, e a expansão de exóticas são algumas das ameaças e pressões identificadas, suscetíveis de continuar a reduzir a qualidade e área do seu habitat, podendo levar ao desaparecimento de algumas localizações no futuro e agravando o seu risco de extinção. Para a sua conservação, deverão ser implementadas medidas, como gestão e restauro de habitat (corte de juncal / carriçal, pastoreio sazonal) e criação de uma microrreserva (Monte Batão), estabelecendo-se acordos de gestão com os proprietários, sempre que necessários. Sugere-se ainda a colheita de sementes de diferentes subpopulações para a conservação ex situ. Deverão ser realizados estudos demográficos e monitorizados os núcleos populacionais conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF41A4E726D0FC3FB6DCF974.taxon	discussion	Eryngium galioides é um endemismo da Península Ibérica associado a charcos temporários e outras zonas húmidas temporariamente encharcadas. É avaliado como Vulnerável pela reduzida área de ocupação (pouco superior a 100 km 2), por se considerar a existência de 10 localizações e por se observar um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat. A população nacional está sujeita a ameaças significativas, destacando-se a intensificação e expansão da atividade agrícola e diversas práticas que causam profundas alterações no regime hidrológico dos charcos e zonas húmidas (drenagem dos solos, sobre-exploração das águas superficiais, construção de açudes e de charcas para o gado). As alterações no balanço hídrico resultantes de períodos de seca extrema cada vez mais prolongados e frequentes levam ao desaparecimento gradual das condições necessárias para a germinação e desenvolvimento dos indivíduos. Outras ameaças / pressões identificadas no terreno incluem o pisoteio excessivo de gado bovino, a circulação de viaturas todo-o-terreno nas lagoas e a edificação dispersa. Para a sua conservação, deverão ser implementados projetos de manutenção e gestão do seu habitat em toda a sua área de distribuição e aumentar a fiscalização sobre as intervenções que possam causar a sua perturbação. Sugere-se ainda a conservação de material genético da população nacional em bancos de germoplasma. Propõe-se o levantamento detalhado dos núcleos populacionais e das ameaças prevalecentes em cada local e, no seu seguimento, a implementação de um programa de monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF47A4E126D0FF8EB5CAFD8D.taxon	discussion	Littorella uniflora é uma planta aquática, que ocorre de modo muito disperso em Portugal continental. É avaliada como Vulnerável porque apresenta uma reduzida área de ocupação, infere-se um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat e porque apenas se identificam sete localizações em Portugal continental. Assinalam-se ameaças significativas sobre a planta e sobre o seu habitat, nomeadamente a drenagem de zonas húmidas, a intensificação agrícola, a criação de gado bovino e a expansão de espécies exóticas ou de infestantes nativas. Sugere-se um aumento de fiscalização sobre os charcos temporários, a monitorização da população regional, com frequência, pelo menos, quinquenal, e ainda a realização de esforços de prospeção da planta em locais com habitat favorável à sua ocorrência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF47A4E126D0FC3FB77FF9FB.taxon	discussion	Pilularia minuta é um feto aquático perene, que se distribui na zona mediterrânica ocidental e que em Portugal continental apenas ocorre em vários pontos dispersos da zona sul do território. É avaliado como Vulnerável por apresentar reduzida área de ocupação e extensão de ocorrência, por estar identificado um declínio continuado da qualidade do seu habitat e por apenas se identificarem sete localizações. As populações conhecidas são vulneráveis e estão ameaçadas, nomeadamente pela crescente pressão de atividades humanas. As principais pressões sobre a planta resultam da drenagem ou sobre-exploração de zonas temporariamente encharcadas, assinalando-se ainda outras ameaças / pressões, como a expansão agroflorestal, criação de gado e o aumento previsível dos episódios de seca prolongada na sua área de distribuição nacional. Deverão ser mantidos os esforços de prospeção da planta na sua área de distribuição e os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização bienal. Sugerem-se apoios para conservação dos núcleos existentes, através da manutenção das zonas temporariamente encharcadas e usos extensivos do solo. A criação de novos núcleos populacionais poderá ser uma medida necessária no futuro.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF44A4E223FAFF8EB243FAB2.taxon	discussion	Reseda alba subsp. alba é uma erva anual ou bienal, que ocorre em solos arenosos nitrificados e que em Portugal continental apenas se assinalou a sua presença na península de Troia. Em 2015 a planta foi observada pela última vez em dois pequenos núcleos, muito próximos, e que no total continham seis indivíduos maduros. A prospeção dirigida realizada em 2017 e 2018 foi infrutífera, e um dos locais foi destruído durante um episódio de transgressão marinha. No outro local competia com diversas plantas exóticas, sendo que a qualidade do seu habitat se encontra em declínio continuado. Crê-se que o seu declínio populacional no passado esteja relacionado com pressões, como a expansão urbano-turística, a oclusão de clareiras pelo desenvolvimento de matagais e a competição com plantas exóticas invasoras. É provável que se tenha extinguido em território nacional, mas dado o reduzido período de tempo decorrido desde o último registo não é possível aplicar a categoria Regionalmente Extinta. Por esse motivo, avalia-se na categoria Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta). Com carácter de urgência, deverão ser desenvolvidas medidas de gestão do habitat, como a abertura de clareiras e o controlo de exóticas, de modo a maximizar a possibilidade de germinação de sementes que ainda estejam no banco de sementes do solo. Sugere-se que seja mantida monitorização anual e prospeção na área envolvente aos últimos locais de ocorrência conhecidos e desenvolvidas medidas de conservação ex situ, caso volte a ser detetada.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF45A4E326D0FF8EB690FC85.taxon	discussion	Atriplex glauca é um arbusto, que ocorre em sapal alto, cuja ocorrência histórica em Portugal continental se restringe ao estuário do rio Sado. A última observação data de 1985 e desde então a planta não voltou a ser registada, mesmo após prospeção dirigida, pelo que é muito provável a sua extinção em Portugal continental. Porém, tendo em consideração o curto período de tempo decorrido desde a última confirmação e o facto de a prospeção realizada no âmbito do projeto da Lista Vermelha não ter permitido visitar todos os locais de ocorrência histórica, persiste alguma incerteza quanto à possibilidade de subsistir algum núcleo populacional, pelo que não é possível aplicar-se a categoria Regionalmente Extinta. Avalia-se como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta) porque se assume que possa subsistir uma localização, que a extensão de ocorrência e área de ocupação sejam mínimas (seguramente inferiores a 10 km 2) e porque se identifica declínio continuado em diversos parâmetros: extensão de ocorrência, área de ocupação, área e qualidade do habitat, número de localizações e tamanho da população nacional. Atualmente, a principal pressão identificada é a subida do nível médio da água no estuário, mas no passado extensas áreas de habitat terão sido destruídas para construção de áreas industriais, infraestruturas portuárias e salinas. Sugere-se a continuação dos esforços de prospeção da espécie e, caso seja reencontrada, que sejam implementadas medidas para armazenamento de material genético e monitorização dos núcleos e ponderadas ações de fortalecimento populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF45A4E326D0FC3CB5FDF9B6.taxon	discussion	Ononis cossoniana é uma planta exclusiva do Sudoeste da Península Ibérica e Noroeste de Marrocos, cuja ocorrência em Portugal se conhece apenas na área da península de Setúbal, em areias litorais algo nitrificadas. É avaliada como Em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (cerca de 210 km 2 e de 16 km 2, respetivamente), identificam-se apenas três localizações, observa-se um declínio continuado da qualidade do seu habitat e projeta-se um declínio continuado do tamanho da população nacional. A principal pressão sobre o maior núcleo conhecido (em Troia) resulta da oclusão das clareiras onde a planta ocorre, em resultado do desenvolvimento dos matos de piorno-branco e de exóticas competidoras, como o rícino, as acácias e as azedas. Assinalam-se ainda outras ameaças muito significativas, como a construção do aeroporto do Montijo e de um empreendimento turístico em Troia. Para a sua conservação, propõem-se medidas, como a gestão de matos e controlo de exóticas invasoras, a recolha das camadas superficiais de solo nos núcleos que serão destruídos por obras de construção e o seu uso posterior em ações de arranjo paisagístico nos próprios locais, e ainda que possam ser criados novos núcleos populacionais com base em sementes colhidas. Sugere-se a monitorização da população nacional, de modo a acompanhar a sua tendência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4AA4EC23FAFF8EB431FD09.taxon	discussion	Armeria pinifolia é um endemismo de Portugal continental, que ocorre de modo pontual nos solos arenosos estabilizados do Centro e Sudoeste do território, correspondendo a duas subpopulações. É avaliado como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (cerca de 8700 km 2 e de 128 km 2, respetivamente), identificam-se apenas nove localizações e porque estão identificados declínios continuados da área de ocupação, do número de localizações, do tamanho da população e ainda da área e qualidade do seu habitat. A população está sujeita a diversas pressões e ameaças, incluindo intensificação ou alterações nas práticas de gestão florestal, intensificação agrícola, desenvolvimento urbano-turístico e expansão de espécies exóticas invasoras. Sugere-se que seja considerada uma espécie-alvo de proteção legal e que sejam sinalizadas as ocorrências nos instrumentos de gestão territorial em vigor, condicionando fortemente a alteração de uso do solo nestes locais. Deverão ser colhidas e armazenadas sementes das duas subpopulações em bancos de germoplasma. Sugere-se a realização de estudos de prospeção e estimativa do tamanho da população, bem como a sua monitorização regular.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4AA4EC23FAFC3CB45CF999.taxon	discussion	Ononis pinnata é uma erva perene presente na Península Ibérica e Norte de Marrocos, muito mal conhecida em Portugal continental, provavelmente por a sua área de distribuição em território nacional abranger um território pouco prospetado. Habita em solo arenoso, em diferentes tipos de ambientes (montados, pinhais, prados). Todos os núcleos conhecidos são constituídos por um número reduzido de indivíduos e ocupam áreas muito restritas, ainda que, aparentemente, existam extensas áreas de habitat favorável. É avaliada como Vulnerável porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, porque apenas se identificam seis localizações e porque a prospeção efetuada nos extremos da sua área de distribuição histórica não teve sucesso, o que permite assinalar um declínio continuado da sua extensão de ocorrência. A principal ameaça identificada está relacionada com as práticas de gestão da vegetação em bermas e taludes de caminhos, as quais podem pôr em causa a persistência de alguns núcleos que foram assinalados nestas condições. Devido à reduzida qualidade da informação sobre a distribuição, tamanho da população nacional, requisitos ecológicos e ameaças existentes, sugere-se a realização de um estudo alargado que permita uma significativa melhoria do conhecimento destes aspetos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF49A4EF26D0FF8EB621FCD0.taxon	discussion	Alkanna tinctoria subsp. tinctoria é uma planta amplamente distribuída pela bacia mediterrânica, recentemente descoberta em Portugal continental, onde ocorre apenas nos arredores de Elvas, em pastagens sobre substratos básicos. Avalia-se na categoria Criticamente em Perigo devido à ameaça de construção de uma linha ferroviária, cujo traçado previsto afetará, direta e indiretamente, a única subpopulação conhecida em território nacional. Esta ameaça deverá concretizar-se na próxima década e projeta-se que provoque uma redução populacional de, pelo menos, 80 %, caso não sejam implementadas medidas para minimizar os seus impactos. Face a esta ameaça, considera-se a existência de uma única localização. Assinala-se ainda o declínio continuado da área de habitat favorável devido à expansão e intensificação agrícolas em curso e à construção da referida ferrovia. Propõem-se medidas para a deslocação do traçado da ferrovia para sul e o condicionamento dos acessos e movimentações durante a fase de obras e de exploração. Perante a expansão agrícola que se verificou na área envolvente ao longo da última década, deverão ser salvaguardadas áreas incultas na matriz agrícola na envolvente de Elvas. Sugere-se ainda a preservação de material genético da planta e a criação de novos núcleos populacionais em jardins botânicos nacionais e na área envolvente do único núcleo conhecido.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF49A4EF26D0FC3FB57BF974.taxon	discussion	Anchusa puechii é uma planta anual endémica do Sul da Península Ibérica, cuja ocorrência em Portugal continental apenas foi confirmada muito recentemente. Habita em prados arvenses, em olivais tradicionais de sequeiro sobre solos argilosos básicos. Atualmente, conhecem-se apenas três núcleos populacionais que se localizam no Baixo Alentejo, numa área geográfica sujeita a profundas alterações do uso do solo, principalmente devido à destruição dos olivais de sequeiro tradicionais para instalação de culturas de regadio. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência muito reduzida, se projetar o declínio continuado da área, extensão e qualidade do seu habitat e do tamanho da população, e se considerar apenas uma única localização, já que todos os núcleos estão sujeitos à mesma pressão (intensificação agrícola). São urgentes medidas para a salvaguarda da planta, que podem passar pela adoção de legislação para a conservação do seu habitat e pela compra ou aluguer a longo prazo dos terrenos onde os três núcleos populacionais ocorrem, nos quais deverão ser mantidas as práticas agrícolas tradicionais. Deverá ser ponderada a criação de uma área protegida que permita salvaguardar esta e outras espécies com ecologia similar. Os núcleos conhecidos deverão ser monitorizados e deverão ser recolhidas sementes para conservação em bancos de germoplasma e para a criação da planta em viveiro, de modo a possibilitar ações de repovoamento ou o estabelecimento de novos núcleos populacionais em áreas de habitat favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4EA4E823FAFF8EB399FAD7.taxon	discussion	Bellevalia trifoliata é uma planta bolbosa, que habita em olivais tradicionais de sequeiro e pousios em solos básicos. É conhecida apenas em dois núcleos populacionais, um com 15 indivíduos, em Beja, o outro com poucas dezenas, em Beringel. A população portuguesa representa um extraordinário isolado populacional, a 1300 km de distância da subpopulação mais próxima, em França. É avaliada como Criticamente em Perigo porque a população nacional tem menos de 250 indivíduos maduros, infere-se e projeta-se um declínio populacional a partir do declínio observado da área e qualidade do habitat (em particular na região de Beja e de Beringel, onde a planta ocorre), e todos os indivíduos estão numa só subpopulação. A ameaça mais grave é a intensificação agrícola em larga escala decorrente da exploração do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, que tem conduzido à substituição dos sistemas extensivos de sequeiro por culturas intensivas de regadio, em particular na envolvente do maior núcleo. Realça-se que em 2018 várias parcelas de olival, incluindo uma em que a planta ocorre, foram eliminadas. Para a sua conservação, é urgente designar uma área protegida que inclua a mancha de olivais onde se localiza o maior núcleo (a qual tem também outras espécies ameaçadas), que deve vir a integrar uma rede mais abrangente de conservação de habitats arvenses de sequeiro. Deve prosseguir-se a prospeção desta planta, em particular nos campos de sequeiro nas imediações do núcleo populacional de Beja, no sentido de encontrar outras parcelas candidatas a integrarem esta rede.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4FA4E926D0FC3FB720F915.taxon	discussion	Allium nigrum é uma espécie de alho bastante robusta, de folhas largas e inflorescências grandes, que habita exclusivamente em cultivos de sequeiro (searas e olivais tradicionais de sequeiro) ou pousios recentes. A população nacional é invulgar, pois compreende um núcleo populacional excecional, com mais de 2600 indivíduos concentrados numa parcela muito reduzida, outros dois núcleos com 200 indivíduos e, de resto, tudo o que existe são núcleos muito dispersos, a grande maioria dos quais com menos de 10 indivíduos. A planta é assim avaliada como Em Perigo porque a população está severamente fragmentada, exibe um declínio continuado da área de ocupação, área do habitat, número de localizações e número de indivíduos, e tem uma área de ocupação baixa (92 km 2), devido à sua elevada fragmentação. A ameaça mais grave é a intensificação agrícola em larga escala que está a acontecer no Baixo Alentejo, que leva à perda de habitat arvense de sequeiro e se traduz na galopante expansão das culturas intensivas de regadio onde a planta não sobrevive. Com menor gravidade, há também a ameaça da expansão urbana e do abandono da agricultura tradicional na região de Lisboa. Sendo uma planta estritamente dependente de um habitat que é criado pelo Homem, a sua conservação é complexa e carece de mais estudos. Propõe-se que seja elaborado um plano de conservação dedicado a toda a flora ameaçada que ocorre nestes habitats, o qual deve incluir um estudo mais aprofundado das dinâmicas destas espécies. Deve também ser criada nova legislação para a proteção deste habitat (searas e olivais tradicionais de sequeiro), que abrange muitas espécies características que estão ameaçadas em vários países.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4FA4E926D0FF8EB511FC85.taxon	discussion	Eryngium aquifolium é um cardo perene de baixo porte endémico do Sul da Península Ibérica e Norte de África, que habita taludes em solos calcários. Em Portugal só é conhecido em dois núcleos, que totalizam 165 indivíduos, estando ambos inseridos na matriz de olivais de Safara. Avalia-se como Criticamente em Perigo porque a ameaça a que está sujeito (aplicação de herbicida) é provável que venha a acontecer num futuro próximo (poucos anos), o que poderia eliminar mais de 80 % da população nacional (correspondente aos indivíduos que estão localizados no único olival que não levou ainda herbicida, o qual está totalmente rodeado por olivais muito degradados). Para a sobrevivência desta planta em Portugal, é imperativo garantir a conservação deste núcleo, que é o maior. Para tal, sugere-se que seja feito um acordo com o proprietário, de forma a poupar o pequeno pedaço de terreno marginal ocupado pela planta, não aplicando aí herbicida, nem causando outras perturbações. Contudo, idealmente, deveria ser feita uma campanha para sensibilizar todos os proprietários para o não uso de herbicidas nos olivais de Safara, pois estes olivais (e searas) detêm diversos outros valores florísticos ameaçados. Adicionalmente, devem ser informados os serviços municipais do núcleo que ocorre no talude da estrada de Safara-Ficalho, de forma a não o destruírem inadvertidamente com operações de limpeza ou obras. Sugere-se ainda a salvaguarda do património genético da população nacional, pois é muito isolada, estando a cerca de 120 km do núcleo mais próximo em Espanha.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4CA4EA23FAFF8EB3DBFCA2.taxon	discussion	Biarum mendax é uma herbácea perene, rasteira, que habita em taludes de estrada e margens de olivais tradicionais de sequeiro em solos básicos. É um endemismo ibérico com distribuição restrita ao Sudoeste da Península, aparecendo em Portugal só no Alentejo interior, em solos básicos não calcários. A sua população nacional é composta por diversos núcleos populacionais dispersos, todos eles com um reduzido número de indivíduos, não chegando a 100 no maior núcleo, e havendo vários com menos de 10. Os núcleos encontram-se agrupados em cinco subpopulações, sendo as maiores em Elvas e em Safara. Avalia-se a planta como Em Perigo porque o número total de indivíduos é menor que 2500, exibe um declínio populacional continuado devido ao declínio da área do habitat, e, à luz do conhecimento atual, todas as subpopulações conhecidas têm menos de 250 indivíduos maduros. A ameaça mais grave é a intensificação agrícola em larga escala que se faz sentir no Baixo Alentejo e que provoca a destruição do seu habitat. Está também a sofrer mortalidade devido à aplicação de herbicidas em olivais de sequeiro e taludes de estradas. É importante alertar desde já os municípios para não usarem herbicida (ou outros métodos destrutivos do solo) nas limpezas dos taludes de estrada, que constituem o principal refúgio para esta planta. Propõe-se a criação de uma rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro para salvaguardar esta e várias outras espécies ameaçadas que ocorrem nos olivais tradicionais e nas searas extensivas. Para tal, deve ser elaborado um plano de conservação dedicado a todas estas espécies conjuntamente. Em paralelo, recomenda-se salvaguardar o património genético da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4CA4EA23FAFC3CB339F915.taxon	discussion	Carduncellus cuatrecasasii é um cardo de baixa estatura, que em Portugal habita em taludes calcários secos e olivais de sequeiro do Alentejo interior. A população nacional resume-se a quatro núcleos populacionais próximos (um dos quais apenas com 15 indivíduos) e estima-se que tenha um total de 650 indivíduos maduros. A planta avalia-se como Em Perigo por ter uma área de ocupação e uma extensão de ocorrência muito baixas (12 km 2), apenas duas localizações conhecidas, e um declínio continuado da qualidade do habitat, que se presume ter sido, no passado, os olivais de sequeiro hoje intensamente tratados com herbicida. As principais ameaças são eventuais obras de beneficiação da estrada onde ocorrem os dois maiores núcleos e a limpeza dos seus taludes com herbicida. Qualquer uma das ameaças poderia levar a espécie praticamente à extinção em Portugal, pois esses dois núcleos contêm mais de 90 % dos efetivos. Propõe-se que seja feito um acordo com os serviços municipais de forma que os núcleos que ocorrem no talude da estrada de Safara-Ficalho e na estrada para Santo Aleixo não sejam destruídos inadvertidamente com operações de limpeza ou obras. Sugere-se que seja feito um acordo com o proprietário do olival onde se encontra o núcleo mais pequeno, procurando que ele mantenha a gestão que tem feito até agora (sem herbicida). Idealmente, deveria ser feita uma campanha para sensibilizar todos os proprietários para o não uso de herbicidas nos olivais de Safara, pois estes olivais (e searas) detêm outros valores florísticos ameaçados. Por fim, sugere-se que seja feita mais prospeção nos olivais de Sobral da Adiça, que têm potencial para albergar alguns núcleos desta espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF4DA4EB24C3FF8EB7FDFA0E.taxon	discussion	Linaria ricardoi é um endemismo português, que ocorre na região do Baixo Alentejo, associado exclusivamente a sistemas agrícolas de sequeiro - olivais tradicionais, searas e pousios. A planta é avaliada como Em Perigo devido às reduzidas extensão de ocorrência (2100 km 2) e área de ocupação (208 km 2), ao reduzido número de localizações (três) e ao declínio continuado da área de ocupação, da qualidade e área do habitat, e do número de indivíduos maduros. Estima-se uma redução populacional superior a 30 % suportada pelo quase desaparecimento da planta dos « Barros de Beja », pela destruição de núcleos populacionais em várias localidades e pela destruição de habitat favorável em toda a sua área de distribuição. A subida de categoria em relação à avaliação global anterior (Quase Ameaçada) deve-se à existência de evidências atuais de declínio continuado, muitas delas posteriores a essa avaliação. A conversão dos sistemas agrícolas tradicionais em culturas intensivas de regadio é uma ameaça direta à população desta espécie, uma vez que a sua distribuição coincide em cerca de 95 % com a área de implementação do Sistema Global de Rega de Alqueva. Apesar de ser uma espécie de conservação prioritária, o seu estatuto de proteção legal muito dificilmente a protegerá num futuro próximo, caso não seja implementado um plano de conservação dedicado. As medidas de conservação devem centrar-se na manutenção dos sistemas agrícolas tradicionais, através da contratualização com os proprietários dos terrenos no sentido da manutenção de parcelas de olival tradicional com núcleos da planta, e através do incentivo económico aos produtores de forma a manterem as práticas tradicionais de gestão.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF52A4F423FAFF8EB4A3FCA2.taxon	discussion	Klasea pinnatifida é uma herbácea perene endémica da Península Ibérica e Noroeste de África, que habita em taludes soalheiros em solos básicos. A população nacional é composta por apenas cinco núcleos conhecidos, todos diminutos em termos de área ocupada, na maioria restritos a taludes de estrada e taludes de separação entre olivais de sequeiro. O maior núcleo poderá chegar aos 1000 indivíduos, extremamente concentrados numa pequena área de um talude de estrada. É avaliada como Em Perigo pois tem uma extensão de ocorrência e área de ocupação baixas (750 km 2 e 20 km 2, respetivamente), apenas três localizações e exibe um declínio continuado da área e qualidade do habitat. As ameaças mais graves são a expansão e intensificação agrícolas em larga escala que estão a acontecer no Baixo Alentejo como resultado da nova infraestrutura de regadio e a aplicação de herbicida, quer associada à intensificação agrícola, quer associada à limpeza da vegetação nos taludes de estrada. A sua conservação necessita da elaboração de um plano de conservação dedicado, onde seja estudada uma forma de implementar uma rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro à escala da paisagem que garanta, nomeadamente, a conservação de mosaicos de parcelas de olivais tradicionais de sequeiro e dos seus taludes de separação incultos. Estas pequenas áreas incultas, onde não deverão ser feitas mobilizações de solo, são importantes para esta e outras plantas ameaçadas associadas a olivais abandonados e taludes. Todos os núcleos devem ser monitorizados e colhidas sementes para preservação do património genético. Deve ser continuada a prospeção nos taludes da região de Serpa-Moura e na envolvente de Elvas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF52A4F423FAFC3FB46FF915.taxon	discussion	Mandragora autumnalis é uma herbácea perene, acaule, de floração outonal, que habita em pousios, margens de caminhos e de campos agrícolas de sequeiro, em solo básico. A população nacional distribui-se apenas pelo Alentejo e Algarve e é constituída por nove núcleos conhecidos, isolados entre si. A maioria dos núcleos tem menos de 50 indivíduos, estimando-se que a população nacional tenha cerca de 400 indivíduos maduros conhecidos. A planta é avaliada como Em Perigo porque tem uma área de ocupação baixa (cerca de 60 km 2), está severamente fragmentada e se observa um declínio continuado da área e qualidade do habitat, que permite inferir e projetar um declínio populacional continuado. As principais pressões e ameaças são a expansão e intensificação agrícolas em larga escala, que têm resultado numa conversão rápida do seu habitat em culturas intensivas de regadio e de pomares. Estas pressões já provocaram a quase extinção de um núcleo em Cuba, havendo outro em Serpa também em risco. A expansão urbana e de empreendimentos turísticos no Algarve representa também uma ameaça grave, uma vez que os núcleos aí estão todos embebidos na malha rural e urbana, estando um deles já sujeito a um plano de urbanização concreto. Devem ser tomadas medidas para salvaguardar todos os núcleos, priorizando desde já os maiores, averiguando as suas ameaças e agindo em conformidade, por exemplo, criando área (s) protegida (s) ou sensibilizando. Considera-se a hipótese de translocação nos casos em que os núcleos se encontrem irremediavelmente ameaçados. Deve ainda ser salvaguardado o património genético e feita propagação em viveiro para eventuais reforços populacionais dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF53A4F526D0FF8EB700FCA2.taxon	discussion	Nigella papillosa é uma herbácea anual de flores muito vistosas, que habita em searas e olivais tradicionais de sequeiro, em solos básicos. Atualmente, estão apenas confirmados três núcleos populacionais muito distantes entre si, constituindo subpopulações diferentes. O maior (Elvas) tem possivelmente alguns milhares de indivíduos, mas os restantes provavelmente não ultrapassam os 300 cada um. Existem diversos registos históricos desta planta nos arredores de Serpa que não voltaram a ser observados e o único núcleo aí conhecido foi destruído recentemente. A planta avalia- se como Em Perigo porque se identificam somente quatro localizações, tem uma área de ocupação muito baixa (28 km 2), e apresenta declínio continuado da área do habitat, da dimensão da população e da área de ocupação. A ameaça mais grave é a intensificação agrícola em larga escala que ocorre no Baixo Alentejo, que está a causar um declínio acentuado no habitat da planta, por conversão de sistemas de sequeiro em olival de regadio. A aplicação de herbicida pode também ter eliminado núcleos, dos quais só há registo histórico. Propõe-se que a área onde ocorre a maior subpopulação desta planta (Elvas) seja integrada numa rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro, em sinergia com várias outras espécies ameaçadas que aí partilham o mesmo habitat. Deve também ser dada alguma atenção à subpopulação de Alcácer do Sal, sensibilizando o proprietário para a sua manutenção através da não alteração das práticas de gestão que tem feito. Deve ser continuada a prospeção dirigida, particularmente na região de Serpa e de Ferreira do Alentejo, onde não há confirmação atual de núcleos, embora existam registos históricos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF53A4F526D0FC3CB73AF9B6.taxon	discussion	Ononis biflora é uma erva anual, que se distribui pela bacia do Mediterrâneo, mas que em Portugal continental ocorre de modo muito localizado com três subpopulações históricas, mas das quais atualmente apenas se confirmam as dos arredores de Elvas (Alto Alentejo) e Serpa (Baixo Alentejo). Ocorre em prados arvenses algo nitrificados, em substratos básicos. A principal pressão sobre a população nacional está relacionada com o processo de expansão e intensificação agrícolas em curso na envolvente das duas áreas de ocorrência atual, responsável por um declínio continuado da área de habitat. É avaliada como Em Perigo devido à reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por estarem identificados declínios continuados ao nível da área de ocupação, tamanho da população e área do habitat e por apenas se identificarem três localizações. Face às significativas pressões em curso, que poderão provocar o desaparecimento da planta em Portugal, os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização bienal e deverão ser tomadas medidas para manutenção de áreas de habitat favorável no interior de mosaicos agrícolas de regadio, como a criação de microrreservas ou o estabelecimento de contratos de arrendamento a longo prazo de terrenos, mantendo-se os usos extensivos que permitam a sobrevivência da planta. Sugere-se ainda a continuação de prospeção dirigida na zona de Elvas-Campo Maior.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF50A4F623FAFC3FB38AF915.taxon	discussion	Adonis annua é uma planta arvense com uma distribuição global alargada, que ocorre associada às comunidades de plantas dos sistemas agrícolas tradicionais de sequeiro (olivais, searas, pousios), em solos básicos de origem calcária e não calcária. É avaliada como Vulnerável devido à sua área de ocupação relativamente baixa (inferior a 100 km 2), extensão de ocorrência inferior a 15 000 km 2, reduzido número de localizações (entre sete e 10), declínio continuado da extensão de ocorrência, da área de ocupação, da extensão, área e qualidade do habitat, e declínio populacional continuado. As principais pressões e ameaças sobre a planta são a expansão da intensificação agrícola nas regiões do Alto e Baixo Alentejo e a conversão dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro em sistemas intensivos de regadio, que conduzem à destruição direta do seu habitat ou à alteração das condições ecológicas necessárias ao seu desenvolvimento. As medidas de conservação a aplicar devem centrar-se principalmente na manutenção dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro e nas práticas culturais a eles associadas, nomeadamente através da contratualização com os proprietários dos terrenos no sentido de manterem parcelas com núcleos da planta e de outras espécies arvenses com categoria de ameaça, e através do incentivo económico aos proprietários ou produtores de forma a manterem as práticas tradicionais de gestão. Paralelamente, deverá ser realizada a monitorização de núcleos populacionais nas áreas onde é fortemente plausível a concretização das ameaças identificadas e a realização de prospeção em locais de ocorrência histórica onde ainda é provável a ocorrência da planta (Ourém e Santarém).	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF50A4F623FAFF8EB43CFD26.taxon	discussion	Tordylium apulum é uma planta herbácea, que ocorre de forma muito pontual em Portugal continental. Ocorre geralmente em campos agrícolas cultivados ou incultos, pousios, baldios, bermas de caminhos e sebes. É avaliada na categoria Em Perigo devido à diminuta área de ocupação conhecida (8 km 2), ao reduzido número de localizações (duas a três), ao declínio continuado da área, extensão e qualidade do habitat, o qual permite inferir um declínio continuado do tamanho da população nacional. A principal pressão e ameaça a que esta planta está sujeita é a intensificação e expansão agrícola, sobretudo a conversão dos olivais tradicionais de sequeiro em culturas de regadio. Como medidas de conservação, propõem-se a recolha e conservação ex situ do património genético e a realização de um plano de conservação abrangente, direcionado para a diversidade florística que compõe as comunidades arvenses que ocorrem nos olivais tradicionais de sequeiro. Sugere-se a realização de estudos que visem colmatar algumas lacunas de informação sobre a planta, designadamente sobre a sua distribuição e dinâmica populacional. Deverá ser realizada prospeção dirigida à espécie em áreas de habitat favoráveis à sua ocorrência e em certos locais de ocorrência histórica, bem como a monitorização da população nacional desta planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF51A4F726D0FF8EB691FC85.taxon	discussion	Adonis microcarpa é uma planta arvense com uma distribuição global alargada, que ocorre associada às comunidades de plantas dos sistemas agrícolas tradicionais de sequeiro (olivais, searas, pousios), em solos básicos de origem calcária e não calcária. Avalia-se como Vulnerável devido à área de ocupação e extensão de ocorrência relativamente baixas, reduzido número de localizações (entre seis e 10), declínio continuado da extensão de ocorrência, da área de ocupação, da extensão, área e qualidade do habitat e do número de indivíduos maduros. As principais pressões e ameaças sobre a planta são a expansão da intensificação agrícola nas regiões do Alto e Baixo Alentejo e a conversão dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro em sistemas intensivos de regadio, que conduzem à destruição direta do seu habitat ou à alteração das condições ecológicas necessárias ao seu desenvolvimento. As medidas de conservação a aplicar devem centrar-se sobretudo na manutenção dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro e nas práticas culturais a eles associadas, nomeadamente através do incentivo económico aos proprietários dos terrenos e / ou produtores com vista à manutenção de práticas tradicionais de gestão nas parcelas de olival tradicional onde ocorram núcleos populacionais desta planta e de outras espécies arvenses ameaçadas. Paralelamente, deverá ser realizada a monitorização de núcleos populacionais nas áreas onde é plausível a concretização das ameaças identificadas e a realização de prospeção da planta em locais de ocorrência histórica onde ainda é provável a sua ocorrência (Santarém).	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF51A4F726D0FC3CB649F915.taxon	discussion	Cynara tournefortii é um cardo acaule endémico da Península Ibérica, que habita clareiras de matos e olivais de sequeiro em solos básicos não calcários. Em Portugal distribui-se de forma dispersa pelo Baixo Alentejo, tendo um grande núcleo populacional no Torrão, mas sendo a maioria dos restantes núcleos muito pequenos e isolados. Avalia-se como Vulnerável por ter uma área de ocupação e uma extensão de ocorrência baixas, nove localizações e um declínio continuado inferido e projetado da área de ocupação, do número de localizações, da área do habitat e do número de indivíduos. A ameaça e pressão mais grave é a expansão do olival intensivo de regadio que se faz sentir no Baixo Alentejo, em resultado da cada vez maior disponibilidade de água para rega. Esta intensificação em larga escala está a causar a destruição, cada vez mais acentuada, dos olivais de sequeiro onde a planta habita, tendo já afetado gravemente o segundo maior núcleo, e pode resultar numa redução drástica da extensão de ocorrência e da área de ocupação da planta em pouco tempo. Acresce que o maior núcleo se localiza integralmente dentro de duas grandes herdades agrícolas, pelo que qualquer alteração nas práticas agrícolas pode pôr em risco os vários milhares de indivíduos que aí ocorrem. Face às ameaças iminentes, considera-se fundamental ter uma abordagem pró-ativa, propondo-se a criação de uma área protegida para salvaguardar o grande núcleo do Torrão, o que beneficiaria também outros valores florísticos. Deve ainda ser equacionada a hipótese de criação de uma rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro. É importante salvaguardar o património genético, principalmente dos núcleos mais pequenos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF56A4F023FAFF8EB254FA2F.taxon	discussion	Echium boissieri é uma herbácea monocárpica de grande porte, que ocorre em cultivos de sequeiro e olivais abandonados e em taludes de estradas e bermas de caminhos. Tem apenas quatro subpopulações isoladas e muito circunscritas, duas das quais têm apenas poucas dezenas de indivíduos. A maior subpopulação é composta por diversos núcleos muito pequenos ao longo de taludes de estrada e bermas de caminhos, e quatro núcleos mais numerosos em olivais abandonados, tendo o maior destes núcleos cerca de 200 indivíduos. Avalia-se como Vulnerável porque tem uma extensão de ocorrência e área de ocupação baixas, 10 localizações, e um declínio continuado da área do habitat, que permite inferir e projetar um declínio populacional. Adicionalmente, a população nacional estima-se em menos de 2500 indivíduos, não tendo nenhuma das subpopulações mais de 1000, o que suporta mais esta categoria. A ameaça mais grave é a expansão e intensificação agrícolas em larga escala no Baixo Alentejo, que está a pôr em risco a sobrevivência do maior núcleo conhecido (e vários outros mais pequenos), que se restringe a uma pequena ilha de olivais de sequeiro cercada por grandes explorações de agricultura intensiva de regadio, algumas muito recentes. Adicionalmente, a limpeza de taludes de estrada com herbicida e obras de beneficiação ou alargamento de estradas ameaçam também muitos núcleos no Baixo Alentejo e Algarve. É urgente designar uma área protegida para a conservação do maior núcleo conhecido (e seus satélites) perto de Beja, que deve integrar uma rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro. Urge também alertar os municípios para a conservação dos valores existentes nos taludes das estradas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF57A4F126D0FF8EB75DFCA2.taxon	discussion	Galium viscosum é uma herbácea endémica do Sudoeste da Península Ibérica e Noroeste de África, que habita pousios e olivais tradicionais de sequeiro, em solos básicos. A população nacional é muito dispersa pelo Sul de Portugal, conhecendo-se em oito localizações afastadas, sendo todos os núcleos pequenos em área ocupada. Houve uma importante redução da sua extensão de ocorrência devido à provável extinção de quatro núcleos extremos. Avalia-se como Vulnerável porque tem uma extensão de ocorrência e área de ocupação baixas, apenas oito localizações identificadas, e declínio continuado na área de ocupação, extensão de ocorrência, área e qualidade do habitat, número de localizações e tamanho da população. Embora o número de localizações possa estar algo subestimado, considera-se que, face às ameaças muito graves que estão instaladas e à raridade da planta, é adequada a categoria proposta. A principal ameaça é a expansão da agricultura intensiva em larga escala, que está a destruir rapidamente grandes áreas de habitat favorável pela conversão de olivais extensivos de sequeiro em intensivos, em particular numa região com grande potencial para a planta (Ferreira-Beja-Cuba), e que se irá expandir também a Moura e Monsaraz, onde se localizam dois dos maiores núcleos populacionais. Propõe-se que seja criada uma área protegida para salvaguardar o maior núcleo (Torrão), o que beneficiará também outras plantas ameaçadas que aí ocorrem, e que os outros dois grandes núcleos sejam integrados numa rede de conservação de olivais tradicionais de sequeiro, que são habitat de muitas espécies ameaçadas. É também útil continuar a prospeção desta planta na região de Ferreira-Beja-Cuba e Elvas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF57A4F126D0FC3CB6E5F915.taxon	discussion	Glaucium corniculatum é uma herbácea anual, que habita em cultivos de sequeiro, como searas, restolhos e olivais tradicionais de sequeiro. A população nacional divide-se em três subpopulações interiores, distantes: Alto Douro, Elvas e Baixo Alentejo. As duas do Sul são compostas por vários núcleos populacionais pequenos e dispersos, embora haja um núcleo onde tenham sido estimados mais de 500 indivíduos. Na do Douro, só se conhece atualmente um núcleo com poucos indivíduos. A planta é avaliada como Vulnerável porque tem uma extensão de ocorrência e área de ocupação baixas, apenas 10 localizações, e observa-se um declínio continuado da área e qualidade do habitat, que permite inferir um declínio populacional continuado. Apesar de haver alguma incerteza quanto ao número real de núcleos e localizações existentes, dado o contexto de ameaças, é muito provável que um eventual futuro acréscimo do número de localizações (devido a mais prospeção) seja compensado pela perda de algumas das localizações conhecidas, porque várias delas são isoladas, restritas e estão num contexto de ameaça muito forte. A principal ameaça é a intensificação agrícola em larga escala, que está a ocorrer no Baixo Alentejo, e que tem destruído vastas áreas de culturas de sequeiro para dar lugar a culturas intensivas de regadio, mas também a aplicação generalizada de herbicida. Propõe-se que alguns núcleos desta planta sejam integrados, em conjunto com várias outras espécies ameaçadas, numa rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro que almeje a manutenção de parcelas com gestão tradicional extensiva, nos solos básicos do Alentejo. Tal requer a elaboração de um plano de conservação dedicado.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF54A4F223FAFF8EB38FFC85.taxon	discussion	Linaria hirta é uma planta arvense endémica da Península Ibérica, que ocorre exclusivamente associada aos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro (olivais, searas, pousios), em solos argilosos básicos de origem, geralmente, não calcária. Avalia-se a planta como Vulnerável devido à sua área de ocupação e extensão de ocorrência relativamente baixas (inferiores a 200 km 2 e a 10 000 km 2, respetivamente), reduzido número de localizações (entre oito e 10) e declínio continuado da área de ocupação e extensão de ocorrência, da qualidade e extensão do habitat e do número de indivíduos maduros. A principal pressão e ameaça sobre a planta são a expansão da intensificação agrícolas em larga escala nas regiões do Alto e Baixo Alentejo e a conversão dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro em sistemas intensivos de regadio, que conduzem à destruição direta do seu habitat ou à alteração das condições ecológicas necessárias ao seu desenvolvimento. As medidas de conservação a aplicar devem centrar-se principalmente na manutenção dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro e nas práticas culturais a eles associadas, nomeadamente através da contratualização com os seus proprietários para a manutenção de parcelas de olival tradicional com núcleos da planta e de outras espécies arvenses com categoria de ameaça, e através do incentivo económico aos proprietários / produtores por forma a manter as práticas tradicionais de gestão. Paralelamente, deverá também ser realizada a monitorização de núcleos populacionais nas áreas onde é fortemente plausível a concretização das ameaças identificadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF54A4F223FAFC3FB2FAF915.taxon	discussion	Linaria micrantha é uma pequena herbácea anual com uma distribuição alargada na região mediterrânica mas muito restrita em Portugal continental. O seu habitat são os olivais de sequeiro em solos argilosos básicos, geralmente de origem calcária. Avalia-se a planta como Vulnerável devido à sua área de ocupação relativamente baixa (inferior a 100 km 2), reduzido número de localizações (entre cinco e 10), declínio continuado da extensão de ocorrência e área de ocupação, da extensão, área e qualidade do habitat e do número de indivíduos maduros. A principal pressão e ameaça sobre a planta é a expansão da intensificação agrícola em larga escala nas regiões do Alto e Baixo Alentejo, e a conversão dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro em sistemas intensivos de regadio, que conduzem à destruição direta do seu habitat ou à alteração das condições ecológicas necessárias ao seu desenvolvimento. As medidas de conservação a aplicar devem centrar-se na manutenção dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro e nas práticas culturais a eles associadas, nomeadamente através da contratualização com os seus proprietários para a manutenção de parcelas de olival tradicional com núcleos da planta e de outras espécies arvenses com categoria de ameaça, e através do incentivo económico aos proprietários / produtores por forma a manter as práticas tradicionais de gestão. Paralelamente, deverá também ser realizada a monitorização de núcleos populacionais nas áreas onde é fortemente plausível a concretização das ameaças identificadas, e a realização de prospeções em novas localidades com habitat potencial à ocorrência da planta dentro da sua atual área de distribuição.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF55A4F326D0FF8EB769FCA2.taxon	discussion	Silene muscipula é uma planta herbácea anual com uma distribuição alargada a quase toda a região mediterrânica. Em Portugal continental a sua ocorrência é muito pontual e está associada às comunidades arvenses das culturas de sequeiro em solos básicos de diferente natureza geológica. Avalia-se a planta como Vulnerável devido à sua área de ocupação baixa (inferior a 100 km 2), reduzido número de localizações (entre três e 10), declínio continuado da extensão de ocorrência e área de ocupação, declínio continuado da extensão, área e qualidade do habitat e do número de indivíduos maduros. Esta categoria de ameaça é reforçada pela dimensão da população nacional, que se estima ser inferior a 10 000 indivíduos maduros, com menos de 1000 indivíduos em cada subpopulação. As principais ameaças sobre a planta é a expansão da intensificação agrícola nas regiões do Alto e Baixo Alentejo e a conversão dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro em sistemas intensivos de regadio, que conduzem à destruição direta do seu habitat ou à alteração das condições ecológicas necessárias ao seu estabelecimento e desenvolvimento. As medidas de conservação a aplicar devem centrar-se na manutenção dos sistemas agrícolas extensivos de sequeiro e nas práticas culturais a eles associadas, nomeadamente através da contratualização com os seus proprietários para a manutenção de parcelas com núcleos da planta, e através de incentivos económicos por forma a manter as práticas tradicionais de gestão. Paralelamente, deverão ser monitorizados os núcleos populacionais conhecidos e deverão ser realizadas prospeções nas localidades históricas e em novas localidades com habitat potencial à ocorrência da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF55A4F326D0FC3FB5AEF915.taxon	discussion	Vicia peregrina é uma trepadeira anual, que habita em orlas e vedações de culturas de sequeiro e de olivais tradicionais de sequeiro em solos básicos. Em Portugal distribui-se de forma muito dispersa pelo Centro e Sul, em quatro subpopulações, sendo a maior (e também a mais ameaçada) no Baixo Alentejo. Esta é composta por cerca de seis núcleos dispersos, a maioria bastante pequenos (poucas dezenas de indivíduos). O maior núcleo conhecido não chega à centena de indivíduos. As restantes subpopulações são bem mais pequenas, em duas delas só se conhecendo um núcleo populacional, embora seja provável que haja ainda núcleos por descobrir. Avalia-se como Vulnerável porque tem uma área de ocupação reduzida e uma extensão de ocorrência baixa, oito localizações confirmadas e um declínio observado da área e qualidade do habitat, que permite inferir um declínio populacional continuado, suportado também pela provável extinção de alguns núcleos. As maiores ameaças são a expansão e intensificação agrícolas em larga escala no Baixo Alentejo e a aplicação generalizada de herbicida, que ameaçam todos os núcleos desta subpopulação. A conservação da planta requer que seja garantida a sobrevivência dos maiores núcleos, que são também os mais ameaçados. Para isso, deve ser implementada uma rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro, orientada para a conservação de todas as espécies ameaçadas que estão associadas a estes sistemas e que geralmente ocorrem juntas. Dada a complexidade do problema, deve ser elaborado um plano de conservação dedicado conjunto, que maximize os benefícios em sinergia com outras espécies.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF5AA4FC23FAFC3FB45BF915.taxon	discussion	Vaccaria hispanica é uma herbácea anual, que habita em culturas de sequeiro, pousios e olivais tradicionais de sequeiro em solos básicos. Em Portugal tem quase toda a sua população continental no Baixo Alentejo, em particular na região de Beringel (Beja). Muitos registos históricos espalhados por outras regiões não voltaram a ser confirmados, sendo admissível que a planta tenha reduzido muito a sua extensão de ocorrência. Os melhores núcleos podem ter várias dezenas ou mesmo centenas de indivíduos, mas são sempre restritos em área ocupada. Avalia-se como Vulnerável por ter uma área de ocupação baixa, muito provavelmente menos de 10 localizações, se observar um declínio continuado da área e qualidade do habitat, que permite inferir um declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação, número de localizações e dimensão populacional. A maior pressão / ameaça é a expansão e intensificação agrícolas em larga escala que está a ocorrer particularmente na região de Beringel-Trigaches, que coincide com a área que tem maior densidade de núcleos da planta. Esta pressão tem causado a destruição de muitas áreas de olival tradicional de sequeiro para conversão em culturas intensivas de regadio. Propõe-se que esta e outras plantas ameaçadas associadas a estes sistemas sejam alvo de um plano de conservação dedicado que permita implementar uma rede de conservação de habitats arvenses de sequeiro, constituída por parcelas de olival de sequeiro e searas onde se mantenha a gestão tradicional, por exemplo, através de incentivos financeiros. Deve promover-se o aumento populacional nos núcleos mais reduzidos através de uma gestão mais adequada ou mesmo de reforço populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF58A4FE2428FF8EB7E9FAF4.taxon	discussion	Onosma tricerosperma subsp. tricerosperma é um endemismo ibérico raro em toda a sua área de distribuição (Sul da Península) e que ocorre em apenas dois núcleos populacionais em Portugal. Estes núcleos totalizam apenas cerca de 50 indivíduos maduros e ocupam uma área muito restrita, estando associados a um habitat muito específico, clareiras de matos em solos básicos derivados de gabros. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo pela reduzida área de ocupação de extensão de ocorrência (8 km 2), pelo diminuto número de indivíduos maduros existente, todos concentrados numa única localização, e por o seu habitat ter vindo a sofrer um declínio continuado na área e qualidade, que levou já à destruição de um núcleo populacional conhecido, inferindo-se assim também um declínio populacional. Várias pressões têm afetado o habitat, sendo a mais grave a recente instalação de um pomar com destruição de uma grande área de afloramentos com habitat favorável. As ameaças ao habitat mantêm-se, sendo de destacar a futura instalação de um parque solar numa área de afloramentos de gabros com potencial para a ocorrência da planta. Além disso, um dos núcleos está também sujeito a ameaças relacionadas com atividades agrícolas, por estar numa área vedada com pastoreio, e o outro numa área onde já houve extração de pedra e desmatações completas. Esta planta está assim em sério risco e necessita de medidas urgentes e ativas para salvaguardar os núcleos. Urge a criação de uma área protegida de âmbito local que abranja a área de habitat favorável onde ela se encontra. Deve também ser realizada mais prospeção para identificar novas áreas a proteger e ser salvaguardado o património genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF5EA4F823FAFF8EB336FC85.taxon	discussion	Catananche lutea subsp. carpholepis é uma planta herbácea anual, que habita em solos argilosos básicos não calcários, em clareiras de matos. A população nacional está muito fragmentada, aparecendo somente em três locais bastante afastados: Torrão, Serpa e Elvas, detendo os dois primeiros quase toda a população portuguesa. Apesar de terem sido estimados vários milhares de indivíduos, estes encontram-se concentrados em áreas pequenas e ameaçadas. A planta avalia-se como Em Perigo porque tem uma área de ocupação muito baixa e uma extensão de ocorrência também baixa, e apenas cinco localizações, estando o seu habitat em declínio tanto em extensão como em qualidade. A principal pressão e ameaça a que está sujeita é a instalação, e recente expansão, de um olival intensivo contíguo à sua maior subpopulação (Serpa), por força dos seus impactos colaterais que resultarão na degradação ou na destruição dessa subpopulação. Verifica-se também uma tendência de intensificação das práticas agropecuárias numa área que coincide com o segundo maior núcleo da planta. Propõe-se que seja criada uma área protegida de âmbito local na subpopulação do Torrão, justificável também pelos núcleos importantes de outras plantas ameaçadas que aí ocorrem, e que seja celebrado um acordo com o proprietário dos terrenos de Serpa, de forma a salvaguardar a área de afloramentos onde a planta ocorre. Em Elvas deve ser alertado o município para a ocorrência da planta num talude de estrada e procurado também um acordo com o proprietário do único pequeno olival tradicional onde a planta existe.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF5EA4F823FAFC3CB43BF9DA.taxon	discussion	Centaurea beturica é uma planta endémica do Sudoeste e Centro da Península Ibérica, com uma distribuição restrita em Portugal continental, estando confinada ao Alto Alentejo (Cabeço de Vide e Alter do Chão). É avaliada como Vulnerável porque apresenta uma área de ocupação restrita (cerca de 16 km 2) e existem ameaças plausíveis que, caso venham a concretizar-se, poderão provocar um rápido e acentuado declínio da população nacional. Face à restrita área ocupada, a população nacional apresenta-se muito suscetível a ameaças, como a intensificação da pressão pastoril ou a instalação de explorações florestais ou agrícolas no local de ocorrência dos núcleos conhecidos. A alteração do uso do solo nos locais de ocorrência da planta deverá ser condicionada nos instrumentos de ordenamento territorial em vigor e sugere-se a colheita e conservação de sementes em banco de germoplasma. Sugere-se a prossecução de prospeção dirigida em áreas de solos básicos, principalmente no Alto Alentejo, a monitorização dos núcleos conhecidos e a confirmação de alguns exemplares de herbário que poderão corresponder a este táxon.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF5FA4F924EEFF8EB811FAF4.taxon	discussion	Prolongoa hispanica é uma pequena herbácea anual com o aspeto de um malmequer amarelo endémica da Península Ibérica, que habita em zonas pedregosas com escasso coberto vegetal. Em Portugal só é conhecido um núcleo populacional numa área muito pequena, estritamente associado a uma zona mineira abandonada, e no qual foram contabilizados 200 indivíduos em 2018. Avalia-se como Vulnerável porque a população nacional tem certamente menos de 1000 indivíduos, a sua área de ocupação é muito restrita e o núcleo populacional, sendo muito pequeno e contíguo às infraestruturas abandonadas da mina, está sujeito a desaparecer perante qualquer ameaça imprevisível, como, por exemplo, a recuperação das infraestruturas para fins de turismo cultural, como já aconteceu noutras minas abandonadas. Fora esta ameaça, atualmente não parece haver pressões significativas sobre a planta. É assim importante informar as entidades competentes da existência deste núcleo muito perto dos edifícios mineiros, de forma a prevenir a sua destruição por desconhecimento. Caso a mina venha a ser recuperada, é imperativo salvaguardar esta área onde a planta ocorre, considerando a hipótese de se criar uma pequena área protegida. Deve ainda salvaguardar-se o património genético, dado ser um núcleo muito isolado dos que ocorrem em Espanha. Por fim, o núcleo deve ser monitorizado, uma vez que não se conhece a sua dinâmica, podendo estar em curso uma situação de declínio sem que se saiba, a qual poderia levar à sua extinção natural.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF5CA4FA23FAFF8EB220FA70.taxon	discussion	Chaenorhinum rubrifolium subsp. rubrifolium é uma pequena herbácea anual, que habita em solos calcários vermelhos, em áreas abertas desmatadas como aceiros e olivais de sequeiro. Em Portugal só ocorre na serra calcária a sul de Sousel, onde se conhecem apenas três núcleos próximos, dois dos quais reduzidos. O maior núcleo, que contém na ordem das centenas de indivíduos, localiza-se integralmente dentro de um olival tradicional de sequeiro. Vários outros olivais nas redondezas foram prospetados sem sucesso. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo porque tem uma extensão de ocorrência reduzida (12 km 2), apenas uma localização, o seu habitat está em declínio recente e exibe flutuações extremas no número de indivíduos que afetam a maioria da população nacional. Tal facto foi já testemunhado em dois anos diferentes (2017 e 2018), em que a planta não foi detetada na sua localização do olival, apesar de em 2015 e em 2004 ser localmente abundante. A principal ameaça é a intensificação agrícola, que afetou em 2017 uma grande área muito perto deste olival. Realça-se que em redor desta serra já há vários olivais intensivos, que continuam a expandir-se até recentemente. Propõe-se então que este olival seja designado uma microrreserva de âmbito local, o que se justifica também pela presença no mesmo local de outras duas espécies também ameaçadas. Os aceiros da serra devem também ser mantidos. A dinâmica populacional deve ser alvo de estudo, de forma a perceber-se até que ponto esta planta necessita de perturbações (fogo ou desmatação) para manter a sua população (e, se sim, com que frequência), o que é necessário para saber a forma adequada de gerir este olival.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF5DA4FB26D0FF8EB6E9FD26.taxon	discussion	Anacamptis collina é uma orquídea, que em Portugal ocorre apenas em duas subpopulações, uma no Alto Alentejo e outra no Baixo Alentejo, na serra de Ficalho, e que habita em prados e clareiras de matos, em sítios secos e soalheiros sobre solos calcários. A população nacional é constituída por cerca de 200 indivíduos maduros. Devido ao desaparecimento de alguns núcleos populacionais na subpopulação do Alto Alentejo, assume-se um declínio populacional continuado da espécie em Portugal. É avaliada como Criticamente em Perigo devido ao reduzido número de indivíduos maduros que constituem a população nacional e ao facto de mais de 90 % dos indivíduos se concentrarem na subpopulação da serra de Ficalho, onde é previsível que o declínio populacional se agrave no futuro próximo devido às pressões resultantes da intensificação agrícola e da criação de gado bovino. Sugerem-se medidas de conservação que envolvam a gestão do habitat da planta, mantendo-se áreas com vegetação espontânea, bem como a criação de microrreservas para salvaguardar os núcleos não incluídos nas áreas abrangidas pelo Sistema Nacional de Áreas Classificadas. Sugere-se ainda a monitorização dos efetivos populacionais dos núcleos existentes e a prospeção e inventariação de novos núcleos na área de distribuição desta orquídea.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFF5DA4FB26D0FC3FB744F957.taxon	discussion	Haplophyllum linifolium subsp. linifolium é um endemismo ibérico, cuja presença em território nacional é uma descoberta recente (2016). A população nacional restringe-se a uma única subpopulação, localizada no Alentejo (entre Estremoz e Sousel), ocorrendo em orlas de matos e de caminhos, sobre solo calcário. Esta é constituída por um único núcleo populacional, que teria cerca de 170 indivíduos maduros, mas que em 2018 foi significativamente perturbado por uma desmatação intensiva, seguida de lavra e sementeira, e o seu número reduziu-se para uma ou duas dezenas de indivíduos apenas. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (8 km 2), porque existem ameaças plausíveis que poderão fazer desaparecer a população nacional num só evento, pelo que se considera a existência de apenas uma localização, e ainda porque a realização regular de práticas de desmatação dos terrenos e das bermas de caminhos, juntamente com a expansão de olivais intensivos observada na área envolvente, permite inferir um declínio da qualidade e extensão do seu habitat. Para a sua conservação, é imperativo alterar as práticas de limpezas de vegetação, devendo optar-se por cortes seletivos e esporádicos, sendo que os cortes desta forma poderão beneficiar a planta, dado esta ser pioneira. Sugere-se que o local onde a planta ocorre seja anexado a uma área de proteção que se encontra em fase de proposta e que se monitorize este núcleo ao longo do tempo.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA2A50423FAFF8EB4F7FC85.taxon	discussion	Astragalus stella é uma herbácea, que em Portugal continental vive no Alentejo Oriental, em prados anuais muito ralos, pastagens, pousios e olivais antigos, em locais secos e sujeitos a pastoreio extensivo. É avaliada como Em Perigo uma vez que apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas (cerca de 2000 km 2 e de 40 km 2, respetivamente), se identificam apenas cinco localizações, se observa um declínio continuado da área e qualidade do habitat e se infere um declínio continuado do tamanho da população nacional, com base no desaparecimento da planta de alguns locais de ocorrência histórica e na acentuada perda de habitat. As principais pressões e ameaças sobre a planta são a intensificação agrícola em larga escala, nomeadamente através da expansão de culturas de regadio, e as práticas culturais nocivas, como o uso de agroquímicos e as recorrentes mobilizações de solo. Para salvaguarda da população nacional, propõe-se a gestão da qualidade do habitat através do controlo da vegetação arbustiva, por exemplo, com recurso a pastoreio extensivo de ovinos e abertura de clareiras em matagais, e a celebração de acordos com os proprietários para a manutenção dos olivais tradicionais, com práticas culturais compatíveis com a conservação desta planta. Recomenda-se ainda a realização de estudos taxonómicos, dada a suspeita de algum grau de hibridação desta espécie com outras plantas do mesmo género, e de estudos sobre o seu ciclo de vida e os requisitos ambientais de que necessita, de modo a melhor compreender a ecologia desta planta. A tendência populacional deve ser acompanhada através de monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA2A50423FAFC3FB3D9F915.taxon	discussion	Daucus arcanus é uma pequena erva rasteira inconspícua endémica da Península Ibérica, que habita em solos calcários expostos, normalmente em locais desmatados como aceiros e olivais de sequeiro. Toda a população nacional se encontra concentrada numa pequena área da serra calcária a sul de Sousel, estando a maior parte dos seus efetivos num único aceiro e num olival de sequeiro desmatado ocasionalmente. A planta é avaliada como Em Perigo uma vez que se consideram apenas duas localizações, tem uma área de ocupação e extensão de ocorrência de 12 km 2 e o seu habitat começou a sofrer um processo de declínio muito recentemente, que se suspeita que continue futuramente. Neste momento, não se conhecem pressões sobre a população, mas a intensificação agrícola que está a acontecer em alguns olivais das redondezas (inclusivamente na serra) constitui uma ameaça potencialmente grave, pois qualquer alteração de uso do solo na serra pode facilmente levar a planta próximo da extinção em Portugal. Igualmente grave pode ser a eventualidade de se começarem a usar agroquímicos nos olivais. Propõe-se que seja criada uma microrreserva para a conservação de, pelo menos, este olival, a qual beneficiará também, pelo menos, duas outras espécies ameaçadas que partilham precisamente o mesmo habitat e distribuição em Portugal. Deve paralelamente ser estudada a hipótese de se criar uma área protegida maior, que englobe toda a cordilheira calcária desta região (Sousel-Vila Viçosa). Os aceiros da serra devem ser mantidos. Sugere-se também que seja feita mais prospeção direcionada nas serras calcárias entre Sousel e Vila Viçosa e que sejam recolhidas sementes para salvaguarda do património genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA3A5052419FF8EB7D1FA95.taxon	discussion	Narcissus fernandesii é uma planta bolbosa endémica do Sudoeste da Península Ibérica, que ocorre em prados em áreas abertas, em solos argilosos e areno- argilosos, com humidade edáfica considerável. Identificam-se cinco subpopulações em Portugal continental, uma das quais com mais de 15 000 indivíduos. Nas últimas décadas observou-se uma degradação do seu habitat devido a pressões, como a intensificação agrícola, a criação de gado bovino e a expansão de pedreiras de mármore. A planta é avaliada como Em Perigo devido à reduzida área de ocupação (inferior a 100 km 2), ao declínio continuado na área e qualidade do habitat e por se identificaram apenas cinco localizações. A maior subpopulação conhecida (Vila Viçosa) deverá ser alvo de proteção, sugerindo-se a designação de um sítio Rede Natura 2000 neste local, já que a planta é protegida a nível europeu e se encontra insuficientemente representada nesta rede europeia de conservação. A alteração dos usos atuais de solo na área de ocorrência dos núcleos deverá ser fortemente condicionada nos instrumentos de gestão territorial vigentes na sua área de distribuição. Sugerem-se ainda acordos com proprietários para uma gestão que permita manter condições dehabitat favorável, por exemplo, condicionar a presença de gado, gestão de matos, impedir intensificação agrícola. No âmbito de um plano de gestão dedicado, deverão ser desenvolvidas medidas para salvaguarda do património genético e criação em viveiro, bem como estudos para melhorar o conhecimento da sua área de distribuição e dos seus aspetos reprodutivos, e avaliar os riscos representados pela hibridação.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA0A50623FAFF8EB30CFCA2.taxon	discussion	Hypericum pubescens é uma erva vivaz, que em Portugal se conhece atualmente apenas numa área restrita, sensivelmente entre Brinches (Serpa) e a serra de Ficalho, aparecendo em solos temporariamente encharcados, calcários ou arenosos. É avaliada como Em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (cerca de 160 km 2 e de 36 km 2, respetivamente) e porque atualmente se identificam apenas cinco localizações. Devido aos processos de expansão e intensificação agrícolas em curso (expansão de regadio, aumento do uso de herbicidas e de mobilizações de solo), infere-se o declínio continuado da qualidade e área do seu habitat, projetando-se a sua continuidade, dado que estas pressões se irão agravar no futuro próximo (e. g., bloco de rega previsto para Vila Nova de São Bento). Acresce que a população nacional, que se estima ser inferior a 2500 indivíduos maduros, está concentrada numa única subpopulação, que também se infere estar em declínio continuado. A fim de conservar esta planta, propõe-se a realização de estudos aprofundados sobre os requisitos ecológicos que permitam identificar quais as práticas de gestão do solo que sejam mais favoráveis à conservação de bons núcleos populacionais. Os resultados desse estudo permitirão delinear um plano de conservação dedicado, com medidas de gestão específicas, incentivos para a sua adoção e ainda definição de uma rede de áreas protegidas que integrem outros valores botânicos das comunidades arvenses de sequeiro igualmente ameaçados. Os núcleos populacionais conhecidos deverão ser monitorizados regularmente e deverá ser confirmada a sua presença nos arredores de Moura.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA0A50623FAFC3FB2ACF915.taxon	discussion	Valerianella multidentata é uma pequena erva anual endémica da Península Ibérica, que habita em solos calcários secos, em ambientes abertos e soalheiros e locais desmatados. Em Portugal só é conhecida numa única subpopulação na serra calcária a sul de Sousel, a 320 km das subpopulações espanholas mais próximas. A população nacional é composta por vários núcleos populacionais próximos, dois dos quais podem ter alguns milhares de indivíduos, mas os restantes são todos mais pequenos. O maior núcleo ocorre num único olival de sequeiro que é desmatado ocasionalmente. É avaliada como Em Perigo porque tem uma área de ocupação e uma extensão de ocorrência de 12 km 2, apenas duas localizações e se iniciou recentemente um processo de declínio continuado da área e qualidade do habitat, que se suspeita que continue no futuro. A intensificação agrícola que está a acontecer em alguns olivais das redondezas (inclusivamente na serra) constitui uma ameaça potencialmente grave, pois qualquer alteração de uso do solo na serra pode facilmente levar a planta próximo da extinção em Portugal. Propõe-se que seja criada uma microrreserva para a conservação deste olival, onde se deverá manter a gestão atual, livre de agroquímicos e de pastoreio, a qual beneficiará também duas outras espécies ameaçadas que partilham o mesmo habitat e distribuição. Paralelamente, deve ser estudada a hipótese de se criar uma área protegida maior, que englobe toda a cordilheira calcária desta região (Sousel-Vila Viçosa). Os aceiros da serra devem ser mantidos. Sugere-se ainda que seja feita mais prospeção dirigida nestas serras calcárias e que sejam recolhidas sementes para salvaguarda do património genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA1A50726D0FF8EB7A6FCA2.taxon	discussion	Micropus supinus é uma erva anual presente na região mediterrânica, que habita em substratos básicos, em sítios muito secos. Em Portugal continental é apenas conhecida em alguns pontos dispersos do Sul do território. A sua deteção no campo não é fácil, por ser pequena e pelo facto de ocorrer em núcleos bastante pequenos e isolados. Apesar disso, o registo histórico e atual é bastante escasso, mesmo tendo sido prospetadas em detalhe algumas das regiões onde a planta ocorre. Pensa-se assim que, pese embora alguma incerteza, os dados existentes já permitem uma avaliação do seu risco de extinção. Avalia-se como Vulnerável porque tem uma área de ocupação e extensão de ocorrência baixas, provavelmente 10 ou menos localizações (atualmente conhecem-se sete) e observa-se e projeta-se um declínio continuado da área do habitat, que afeta a região onde estão concentrados mais núcleos. A maior ameaça é a expansão e intensificação agrícolas no Baixo Alentejo, onde tem ocorrido recentemente a destruição de áreas importantes do seu habitat para plantação de culturas intensivas de regadio e pomares. Adicionalmente, no Algarve o seu habitat está ameaçado pela expansão urbana. Propõe-se a criação de uma área protegida na região onde existe maior concentração de núcleos (Beringel), a qual irá também proteger outras espécies muito ameaçadas. Deve também ser implementada uma rede de conservação de olivais tradicionais de sequeiro em solos básicos, dada a importância deste habitat para esta e muitas outras espécies ameaçadas. Esta medida deverá ser estudada num plano de conservação dedicado para este habitat. Os núcleos mais ameaçados devem ser monitorizados para antecipar e avaliar impactos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA1A50726D0FC3FB812F957.taxon	discussion	Trigonella ovalis é uma pequena herbácea inconspícua, que habita somente em zonas abertas de olivais abandonados com escasso coberto arbustivo em solo calcário. É conhecida apenas na vertente sul da serra de Ficalho, onde ocorre em núcleos muito pequenos e muito dispersos, os quais, frequentemente, não têm mais de 10 indivíduos. Avalia-se como Vulnerável porque apresenta uma área de ocupação muito restrita e a sua distribuição contínua ao longo de cerca de 3 km torna-a bastante suscetível a ameaças que alterem o uso do solo e que facilmente podem causar uma redução populacional grave. As principais ameaças passíveis de causar tal impacto são, por exemplo, a intensificação agrícola, a instalação de regadio, o uso de herbicidas, a substituição do olival por outra cultura, outras alterações de gestão da terra, ou mesmo ameaças imprevisíveis. Propõe-se que seja averiguado com os vários proprietários a possibilidade de se designar uma área protegida na serra de Ficalho, com áreas de olival não geridas ativamente, a qual beneficiaria também outras espécies ameaçadas ou raras que aí ocorrem no mesmo habitat. Pensa-se que a ausência de gestão ativa seja suficiente para manter a população nacional em bom estado, mas pode também tentar-se recorrer ao pastoreio extensivo ou a desbastes para controlo do mato. Em qualquer dos casos, será sempre necessário monitorizar os núcleos de forma a perceber como a planta responderá a estes fatores. É também importante continuar a prospeção, nomeadamente nas serras calcárias vizinhas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA6A50023FAFF8EB29BFAB2.taxon	discussion	Narcissus cavanillesii é uma planta bolbosa associada a solos areno-argilosos do leito de cheia do rio Guadiana, que em Portugal continental apresenta apenas duas subpopulações conhecidas no Alto Alentejo. É avaliada como Criticamente em Perigo pois é expectável uma redução populacional que se projeta poder atingir mais de 80 % da população nacional. Esta redução sustenta-se na ameaça de concretização de obras de restauro da Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, em Elvas, as quais poderão provocar a destruição do maior núcleo populacional conhecido. Outras pressões incluem o aumento do encabeçamento de gado bovino, que pode implicar uma redução do número e da diversidade de polinizadores, ao provocar alterações nas comunidades vegetais envolventes, a colheita ilegal de bolbos, as lavras excessivas e o pisoteio. Previamente a quaisquer obras de restauro da Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, devem ser envoltas as autoridades competentes para que sejam implementadas medidas que assegurem a manutenção da totalidade destes núcleos. Adicionalmente sugerem-se trabalhos de restauro urgentes na subpopulação de Montes Juntos, já que é pouco provável a sua sobrevivência a longo prazo devido ao reduzido número de indivíduos reprodutores. Sugere-se a implementação de um plano de gestão de longo prazo, que contemple a monitorização da população nacional e que inclua medidas de condicionamento da presença do gado bovino nos locais de ocorrência, de combate ao furtivismo, de ordenamento da visitação do local e de criação de novos núcleos populacionais que permitam o fluxo genético entre as subpopulações. Deverão ser prosseguidos os estudos sobre os aspetos demográficos e reprodutivos da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA4A5022428FF8EB77AFBBA.taxon	discussion	Daveaua anthemoides é uma planta herbácea anual endémica da Península Ibérica e Norte de África, que habita em prados com alguma humidade, associados a pousios, pastagens extensivas e várzeas agrícolas, em geral sobre solos ácidos. Trata-se de uma planta muito rara em toda a sua área de distribuição, com subpopulações pequenas, muito disjuntas e isoladas. Em Portugal são atualmente conhecidas apenas duas subpopulações distantes, ambas com baixo efetivo populacional (inferior a 50 indivíduos maduros), estando dois dos locais de ocorrência históricos provavelmente extintos. A planta é avaliada como Criticamente em Perigo devido à sua reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, população nacional severamente fragmentada, e declínio continuado da sua extensão de ocorrência, área de ocupação, qualidade do habitat, número de subpopulações e número de indivíduos maduros. As principais ameaças são a expansão urbanística (provável na subpopulação de Lisboa) e a intensificação agrícola e do pastoreio (na subpopulação de Castro Verde). Propõe-se como medidas de conservação a elaboração de um plano de conservação dedicado, que implique a definição de áreas de proteção, onde se mantenha um uso extensivo da terra, a conservação do património genético em bancos de sementes e a monitorização regular das subpopulações.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA5A5032418FF8EB8A2FB36.taxon	discussion	Anacamptis laxiflora é uma orquídea de prados húmidos, cuja distribuição se estende a todo o Sul da Europa e que em Portugal se restringe atualmente apenas ao Alentejo, onde ocorre de modo disperso em pequenos núcleos populacionais distantes entre si. É avaliada como Em Perigo por apresentar uma área de ocupação e uma extensão de ocorrência relativamente pequenas, uma população nacional severamente fragmentada, constituída por pequenos núcleos populacionais distantes entre si e que nunca apresentam mais de 250 indivíduos maduros cada, por se inferir um declínio populacional continuado e um declínio continuado ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, área e qualidade do habitat e número de localizações. As ameaças mais significativas à população nacional da planta são a intensificação e expansão da atividade agrícola e a drenagem de zonas húmidas para aproveitamento agrícola, pastoril ou florestal, que provocam alterações drásticas no seu habitat. É por isso imprescindível proceder à criação de microrreservas que protejam a espécie destas ameaças e à implementação de um plano de conservação dedicado, que inclua o restauro de zonas húmidas favoráveis à sua ocorrência, de modo a viabilizar a persistência desta orquídea em Portugal. Recomenda-se ainda a monitorização do número de indivíduos de todos os núcleos conhecidos da planta com uma periodicidade no mínimo bienal, para permitir a deteção atempada de qualquer sinal de declínio.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEAAA50C23FAFF8EB212FB36.taxon	discussion	Serapias perez-chiscanoi é uma orquídea endémica da Península Ibérica, que ocorre de modo muito esparso em Portugal continental, em prados húmidos sobre solos arenosos ou siliciosos. É avaliada como Em Perigo considerando-se a sua reduzida área de ocupação, a fragmentação severa da população nacional e por se observar um declínio continuado da área de ocupação e da área e qualidade do habitat. Infere-se também um declínio continuado do tamanho da população, com base no desaparecimento recente de alguns núcleos e nas fortes pressões identificadas, das quais se destaca a expansão agroflorestal (plantações de eucalipto, olivais intensivos e vinhas). Deverá ser alvo de um plano de conservação que inclua medidas para manutenção dos núcleos atualmente existentes, através, por exemplo, da criação de microrreservas, gestão e conservação de áreas de habitat favorável e medidas de conservação ex situ, nomeadamente a salvaguarda do património genético da população nacional em bancos de germoplasma nacionais e a produção desta espécie em cativeiro. Sugerem-se estudos de prospeção dirigida em áreas de habitat favorável e a monitorização dos núcleos conhecidos para acompanhamento da tendência populacional e deteção precoce de pressões. Este plano deverá ser acompanhado por medidas de divulgação e sensibilização da população em geral para a conservação da flora endémica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEABA50D26D0FF8EB6DDFCE4.taxon	discussion	Allium chamaemoly é uma espécie de alho rasteira, quase acaule, que habita em prados herbosos, em solos de influência calcária. A população nacional conhecida está quase integralmente localizada num troço de 7 km de uma única ribeira perto de Moura, havendo apenas três outros núcleos (um deles muito distante, em Lisboa), estes com um número de indivíduos muito reduzido. A estimativa populacional, baseada em contagens parciais, aponta para um número total de indivíduos maduros baixo, talvez entre 500 e 1500 (estimativa por excesso). A planta avalia-se assim como Vulnerável por praticamente toda a população nacional estar concentrada numa única ribeira, estando por isso suscetível à possível ameaça de construção de uma barragem, que poderia eliminar rapidamente quase toda a população nacional. Admite-se que esta ameaça é plausível porque na ribeira consecutiva a esta foi recentemente construída uma barragem de dimensões apreciáveis. Assim, revela-se importante fazer uma monitorização das ameaças pela pesquisa regular de planos de construção de barragens ou açudes na região, e caso tal venha a acontecer, se não for possível travar ou minimizar os impactos, deverá ser feita uma translocação desta subpopulação para um local adequado e seguro. Paralelamente, devem ser colhidas sementes em todas as subpopulações para salvaguarda do património genético. Seria também importante realizar mais prospeção, também noutras regiões onde há algum potencial de ocorrência desta planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEABA50D26D0FC3CB76AF957.taxon	discussion	Carex helodes é uma planta endémica da região oeste da bacia mediterrânica, cuja distribuição global está maioritariamente concentrada em Portugal continental. Ocorre em prados húmidos, em solos temporariamente encharcados e na margem de cursos de água temporários. A informação existente sobre o estado atual da população nacional é muito reduzida, uma vez que existem poucos registos recentes da planta. É possível que tenha passado despercebida em alguns locais, devido à dificuldade na sua identificação no terreno, mas o registo histórico é muito escasso e parece corroborar um padrão de fragmentação severa observado na população atual. Apesar da incerteza existente quanto ao tamanho da população nacional e à sua distribuição atual, por se tratar de uma planta de distribuição global restrita, assume-se uma abordagem precaucionária e avalia-se a espécie como Vulnerável, assumindo-se uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação baixas e a fragmentação severa da população nacional, e inferindo-se um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat. Sugere-se a continuação de prospeção dirigida em áreas com habitat favorável situadas na sua área de distribuição histórica e a realização de estudos que permitam uma melhor compreensão das aparentes dificuldades de reprodução ou dispersão da espécie. Deverá ser promovida a salvaguarda de material genético da população nacional em bancos de germoplasma. Esta planta beneficiaria de um plano de conservação de zonas húmidas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA8A50E23FAFF8EB2B0FCC7.taxon	discussion	Erica andevalensis é um arbusto endémico do Sul da Península Ibérica, exclusivo da faixa piritosa do Sudoeste da Península. Em Portugal a sua ocorrência apenas está documentada nos arredores da Mina de São Domingos, onde ocorre na margem de lagoas de águas ácidas e escombreiras resultantes de atividade mineira. É avaliada como Vulnerável por apresentar uma área de ocupação inferior a 20 km 2 e apenas uma localização, sendo suscetível de um rápido desaparecimento, num cenário de alterações significativas do regime hidrológico da ribeira de São Domingos e das lagoas de água ácida, resultantes do aumento da frequência e duração de secas extremas ou de intervenções humanas. Adicionalmente, pensa-se que a circulação de viaturas na área dos núcleos constitua uma pressão atual. Em função de um melhor conhecimento do tamanho da população, poderá haver uma alteração de categoria no futuro. Os instrumentos de gestão territorial deverão condicionar quaisquer atividades humanas que possam causar alterações significativas no regime hidrológico da ribeira de São Domingos ou das lagoas ácidas. Sugere-se ainda a recolha de material genético para propagação e preservação ex situ. A monitorização dos núcleos conhecidos é fulcral para o acompanhamento do estado de conservação da população portuguesa e para avaliar os impactos das ameaças sinalizadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEA8A50E23FAFC3CB4D6F9DB.taxon	discussion	Geranium malviflorum é uma herbácea perene, que habita taludes herbosos e sombrios na margem alta de rios. Só são conhecidos dois núcleos em Portugal, distantes de 2 km, que totalizam cerca de 480 indivíduos. Ambos os núcleos aparentam estabilidade, pese embora serem frequentemente afetados pelas cheias violentas do rio Ardila. A planta é avaliada como Vulnerável devido ao seu baixo número de indivíduos e à possibilidade de ameaças imprevisíveis (por exemplo, cheias mais fortes que o normal) poderem destruir uma grande parte da população nacional em simultâneo. Além desta ameaça natural, a planta está também sujeita à pressão do pastoreio por vacas, ovelhas e cabras, que tem aumentado nos últimos anos, bem como a destruição direta causada por javalis, que possivelmente procuram os seus tubérculos. Propõe-se que seja feita uma monitorização da tendência populacional e das ameaças, e que se procure, junto da entidade gestora da propriedade, controlar a pressão do pastoreio, mantendo-o dentro de limites que não causem problemas. É ainda aconselhável salvaguardar o património genético desta única subpopulação nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEAFA50924EEFF8EB790FAD7.taxon	discussion	Succowia balearica é uma planta mediterrânica, cuja ocorrência no Barlavento algarvio representa uma relevante disjunção geográfica na sua distribuição global. Ocorre em fendas de rochas, cascalheiras e escarpas de arribas litorais calcárias. É avaliada como Criticamente em Perigo uma vez que a população nacional é constituída por menos de 250 indivíduos maduros concentrados numa única subpopulação que se encontra em declínio continuado desde a década de 90 do século XX até ao presente. A reduzida dimensão dos núcleos populacionais conhecidos e a sua segregação espacial torna-os particularmente suscetíveis a quaisquer ameaças imprevisíveis, bem como a fenómenos de extinção estocástica. Outras ameaças incluem os processos de dinâmica das biocenoses, nomeadamente o adensamento arbustivo e a erosão das arribas, que poderão estar relacionados com a regressão populacional observada e cujas causas não estão claramente identificadas. Sugere-se a criação de uma área protegida de âmbito local na Rocha de Bensafrim, onde deverá ser implementada uma gestão ativa do coberto arbustivo, nomeadamente através de cortes seletivos e regulares de matos. Deverá ser colhido material genético da planta e armazenado em dois bancos de germoplasma nacionais. Sugere-se a realização de estudos que permitam identificar as causas envoltas na redução populacional em curso e todos os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização bienal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEACA50A23FAFF8EB474FCA2.taxon	discussion	Linum maritimum é uma planta, que se distribui na margem europeia e asiática da bacia do Mediterrâneo e cuja presença em Portugal apenas estava assinalada para o Sudoeste alentejano, onde habitava prados em solos húmidos, no litoral. Nesta área verificou-se um declínio continuado da área ocupada pelo seu habitat devido à expansão de explorações agro-industriais, à criação de pastagens para o gado e drenagem de zonas húmidas, inferindo-se um declínio populacional continuado com base nesta perda de habitat. O último local onde se conhecia a sua ocorrência foi destruído na década de 90 do século XX, pelo que existem suspeitas de que a planta possa estar extinta em Portugal continental. A categoria Regionalmente Extinta não pode ser aplicada porque decorreram menos de 30 anos desde a última observação, existem resquícios de habitat favorável que não foram convenientemente prospetados e a planta é de difícil deteção no terreno, pelo que subsiste alguma incerteza quanto à possibilidade de ainda existir, pelo menos, um núcleo em Portugal continental. Por esse motivo é avaliada como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta). Deverá ser prolongada a prospeção na área de distribuição histórica (entre Vila Nova de Milfontes e o barranco do Carvalhal) e ao longo do litoral do Sudoeste alentejano, no âmbito da qual deverão ser identificadas as manchas de habitat potencialmente favoráveis. Caso a prospeção se revele infrutífera, deverá ser ponderada a reintrodução da espécie em Portugal. Deverão ser implementadas medidas para a conservação do seu habitat, como restrições legais à sua destruição e intervenções no terreno para controlo da expansão de matagais e de exóticas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEADA50B26D0FC3FB63BF915.taxon	discussion	Apium repens é uma planta perene e rastejante que habita pastagens húmidas em solo arenoso. Ainda que, numa apreciação superficial, pareça existir muito habitat potencial para esta espécie, o facto é que ela foi, desde sempre, observada em Portugal unicamente na zona de Vila Nova de Milfontes, sendo atualmente conhecida apenas em dois núcleos populacionais muito restritos, havendo ainda um que foi recentemente extinto e outro que carece de confirmação atual. Os dois núcleos existentes contêm cerca de 1000 e de 100 indivíduos. Avalia-se como Em Perigo por ter uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação muito reduzidas, apenas duas localizações, e por se observar um declínio continuado da área de ocupação, número de indivíduos e área e qualidade do habitat. Esta categoria é ainda suportada pelo facto de a planta ter toda a sua população nacional, que se estima inferior a 2500 indivíduos, concentrada numa única subpopulação. A ameaça principal é a intensificação agrícola que se faz sentir nesta região, motivada pelo Perímetro de Rega do Mira, que pende diretamente sobre dois dos núcleos. É muito provável que o habitat continue a degradar-se fortemente num futuro próximo, dada a tendência atual de intensificação agrícola que se tem observado na costa sudoeste para produção de hortícolas e frutos de estufa. Assim, é fundamental garantir a conservação dos dois núcleos populacionais existentes, reforçando a aplicação da legislação e / ou criando microrreservas, e recuperar o habitat na envolvente dos quatro núcleos (os atuais e os extintos), bem como em outras áreas com habitat favorável, onde deverão ser feitos repovoamentos com propágulos de origem local.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEADA50B26D0FF8EB67EFCA2.taxon	discussion	Eleocharis parvula é uma planta de zonas húmidas, de ampla distribuição global, mas que em Portugal continental apresenta uma distribuição muito restrita. Atualmente, apenas se conhece um núcleo populacional, tendo desaparecido de todos os locais de ocorrência histórica, nos quais não voltou a ser reencontrada, mesmo após a realização de vários esforços de prospeção dirigida. Apesar de alguma incerteza por ser uma planta de difícil deteção no terreno, opta-se por uma abordagem precaucional e avalia-se como Criticamente em Perigo porque apenas se identifica uma localização, apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação mínimas (4 km 2) e porque se identifica declínio continuado na extensão de ocorrência, área de ocupação, área e qualidade do habitat e número de localizações. Além disso, identifica-se um declínio continuado no tamanho da população nacional, a qual se estima em menos de 250 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação. A construção de obras perto da foz de estuários, a intensificação agrícola e a expansão de exóticas são algumas causas que terão contribuído para a situação atual da planta em Portugal continental. No único local de ocorrência atual assinala-se a pressão do gado bovino, pelo que deverão ser tomadas medidas para minimizar esta pressão, por exemplo, diminuindo o tempo de permanência do gado no local onde ocorre a planta. Este núcleo deverá ser monitorizado regularmente e deverão ser tomadas medidas para reforço da população nacional. Sugere-se que sejam mantidos os esforços de prospeção dirigida e que seja confirmada a identificação de todos os exemplares de herbário existentes em Portugal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB2A51423FAFF8EB2F6FCA2.taxon	discussion	Plantago almogravensis é uma planta endémica do litoral sudoeste de Portugal continental, que ocorre em solos arenosos consolidados, algo ferruginosos e com alguma humidade superficial, em arribas litorais. Durante as últimas décadas, verificou-se o desaparecimento de alguns dos seus núcleos populacionais e a diminuição da sua área de distribuição. Atualmente, conhecem-se três subpopulações, duas das quais resultantes de ações de repovoamento, em locais de ocorrência histórica de onde havia desaparecido. É avaliada como Em Perigo pois apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas e em declínio continuado e porque se observa um declínio continuado ao nível da qualidade do habitat, do tamanho da população e do número de localizações (apenas três atualmente). Os núcleos estão ameaçados por expansão de espécies exóticas (acácias e chorão-das-praias) e, dado a sua diminuta dimensão, são suscetíveis a extinção estocástica. Urge a implementação de um plano de gestão dedicado, que inclua medidas efetivas para a erradicação de exóticas na envolvente do principal núcleo populacional e medidas para a recuperação da população, incluindo conservação e propagação ex situ e criação de novos núcleos populacionais que minimizem os riscos de extinção. A descida de categoria relativamente à obtida na avaliação global anterior, Criticamente em Perigo, deve-se ao facto de, na presente avaliação, terem sido considerados os núcleos populacionais resultantes de ações de repovoamento recentes, que vieram aumentar o número de localizações da planta, o que fez com que os subcritérios B 1 a e B 2 a deixassem de ser cumpridos para essa categoria.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB2A51423FAFC3FB568F974.taxon	discussion	Potamogeton lucens é uma planta aquática de ampla distribuição no hemisfério norte, que em Portugal ocorre de modo muito localizado, em águas lentas ou paradas. A sua distribuição histórica é algo incerta, em resultado de ter sido reiteradamente confundida com uma outra espécie muito similar, sendo uma confusão que se mantém até ao presente. Atualmente, encontra-se ausente dos locais de ocorrência históricos da zona centro, conhecendo-se apenas dois núcleos no litoral da costa sudoeste. É avaliada como Em Perigo porque a qualidade do seu habitat se encontra em declínio continuado, porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas e porque apenas se identificam duas localizações, sujeitas a pressões, como a captação de água a montante e a expansão de espécies exóticas, sendo que a reduzida dimensão dos núcleos os torna suscetíveis a quaisquer ameaças imprevisíveis. Esta planta beneficiaria da implementação de um plano de conservação, com medidas de restauro de habitat nos locais atuais e históricos, incluindo a despoluição de massas de água, controlo de exóticas e, em locais sujeitos a uso balnear, o condicionamento dessa atividade em algumas áreas e formação dos técnicos envoltos nas limpezas de vegetação aquática. Deverão também ser tomadas medidas de conservação ex situ, nomeadamente a colheita e conservação de sementes em bancos de germoplasma nacionais e a manutenção de núcleos populacionais em viveiro. Os núcleos conhecidos deverão ser monitorizados e deverão ser efetuados estudos taxonómicos e demográficos para melhorar o conhecimento da sua distribuição atual.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB3A51526D0FF8EB71EFCA2.taxon	discussion	Scorzonera baetica é uma herbácea perene de aspeto graminoide, endémica da Península Ibérica, que habita em urzais baixos sobre solos ácidos pedregosos, tendo uma distribuição em Portugal restrita ao extremo sudoeste. Divide-se em duas subpopulações, a costeira e a serrana, ambas com poucos núcleos populacionais. As contagens efetuadas totalizaram 370 indivíduos em 2018. Avalia-se como Em Perigo porque tem uma área de ocupação e extensão de ocorrência bastante reduzidas, apenas quatro localizações, e observa-se um declínio continuado da área e qualidade do habitat, que permite inferir e projetar um declínio populacional. A ameaça mais grave é a expansão da área de eucaliptal nas serras do Sudoeste e orla costeira, que pode pôr em risco vários núcleos em simultâneo. Em paralelo, a exploração dos eucaliptais existentes está a degradar continuamente o habitat, devido às fortes e periódicas mobilizações de solo que envolve. É ainda de assinalar que a progressão sucessional do mato pode ser um problema, porque a planta não tolera o mato fechado, mas a gestão de matos excessiva pode ainda ser mais grave. Propõe-se que seja criada legislação para proteger esta planta, uma vez que o facto de estar integralmente contida no Sistema Nacional de Áreas Classificadas não é suficiente. Propõe-se ainda a reconversão de algumas áreas de eucaliptal para vegetação natural, acompanhada de gestão da vegetação para manter os matos pouco densos e conduzir para urzal, e respetiva monitorização da eficácia. Devem também ser realizados estudos taxonómicos, pois há suspeitas de que a população nacional diverge da população espanhola, e, também por isso, deve ser salvaguardado o património genético.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB3A51526D0FC3FB6C2F974.taxon	discussion	Thesium humile é uma planta de ampla distribuição circum-mediterrânica, mas que em Portugal apenas ocorre no Algarve, em ambientes dunares estabilizados e areias consolidadas, perto do litoral. A extensão de ocorrência abrange cerca de 560 km 2 e a área de ocupação é de 20 km 2, suspeitando-se o seu declínio continuado, dado que em três destes locais a planta não é observada há mais de 15 anos. É avaliada como Em Perigo porque apresenta área de distribuição reduzida, identificam-se apenas quatro localizações e porque se observa um declínio continuado da área do seu habitat. Acresce que a população nacional se estima em menos de 1000 indivíduos maduros, sendo que nenhuma das subpopulações terá mais de 250 indivíduos e infere-se o seu declínio continuado. A principal pressão sobre a população nacional é a expansão urbano-turística, assinalando-se também como ameaça a proliferação de espécies exóticas invasoras. Face ao reduzido tamanho, os núcleos são suscetíveis a extinção estocástica. Nos instrumentos de gestão territorial vigentes na sua área de distribuição, deverão ser implementadas medidas que condicionem a destruição de núcleos populacionais e das manchas de habitat favorável ainda existentes. Face à existência de diversas lacunas no conhecimento, são propostos estudos para melhoria do conhecimento da sua distribuição atual, tamanho da população e que averiguem a ocorrência de outras ameaças e pressões. Esses estudos deverão anteceder o desenvolvimento de um plano de conservação com medidas que venham a garantir a conservação da espécie no país.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB0A51623FAFF8EB1CAFA70.taxon	discussion	Armeria beirana subsp. monchiquensis é uma planta endémica do Sudoeste de Portugal continental, onde ocorre em duas subpopulações geográfica e ecologicamente distintas, uma nas partes mais elevadas da Foia (serra de Monchique) em solos pedregosos e outra ao longo das arribas do litoral oeste de Vila do Bispo. Estima-se que a população não seja superior a 2500 indivíduos maduros. A planta é avaliada como Vulnerável por apresentar uma reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por se identificar um declínio continuado da qualidade do seu habitat e por apenas se identificarem seis localizações. Existem diversas pressões sobre a população, destacando-se o pisoteio desregrado e empilhamento de rochas no alto da Foia, a erosão de arribas (derrocadas, aluimentos) e a expansão de chorão nas arribas litorais. Na Foia assinalam-se ameaças, como a expansão de matos densos, potenciada por incêndios recorrentes, e a possibilidade de ampliação / construção de diversas estruturas e edificações. Deverão ser efetuados estudos taxonómicos, que incluam componentes filogenéticas e geográficas para corroborar a validade deste táxon e averiguar as diferenças entre as duas subpopulações existentes. Deverão ser implementadas medidas para gestão do seu habitat, como a roça seletiva de matos e o pastoreio localizado. Sugere-se também o aumento da fiscalização da zona da Foia, de modo a impedir a colheita de escapos, o pisoteio desregrado dos prados e a remoção de pedras para empilhamentos. Por se tratar de um endemismo nacional, sugere-se a colheita de sementes e armazenamento em dois bancos de germoplasma nacionais e monitorização, pelo menos, bienal dos núcleos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB1A51724EEFF8EB793FAF4.taxon	discussion	Avenula hackelii é uma gramínea endémica do litoral sudoeste de Portugal continental, que ocorre em orlas e clareiras de matos baixos em solos arenosos derivados de rochas carbonatadas. Apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, mas aparentemente estáveis. Contudo, a edificação afeta o maior núcleo populacional conhecido e constitui uma das principais causas do declínio populacional da espécie. Outros fatores de pressão incluem a expansão agrícola e de espécies exóticas invasoras, que contribuem para o declínio continuado da qualidade do habitat e para a perturbação de vários núcleos populacionais. Estima-se que a população seja constituída por 1000 a 2500 indivíduos maduros e que em cada subpopulação o número de indivíduos maduros não ultrapasse os 1000. Face à localização espacial dos fatores de pressão e ameaça, assume-se a existência de um máximo de 10 localizações, pelo que a planta se avalia como Vulnerável, mantendo a categoria obtida na avaliação global anterior. Para a sua conservação deverão ser tomadas medidas de recuperação de áreas de habitat favorável, de conservação do património genético da planta e de produção em viveiro para uso em ações de reforço populacional. Deverão ser também tomadas medidas preventivas da destruição de núcleos populacionais, nomeadamente ao nível dos instrumentos de ordenamento territorial e do reforço da aplicação de legislação, devendo ainda ser garantida a monitorização da população.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB6A51023FAFC3FB358F957.taxon	discussion	Ephedra fragilis subsp. fragilis é um arbusto, que em Portugal se distribui por pequenos núcleos apenas no litoral sudoeste alentejano, Costa Vicentina e Barlavento algarvio. Ocorre em matos esclerófilos litorais e mais raras vezes em sebes. Tem uma preferência por habitats secos, nomeadamente, solos arenosos de dunas estabilizadas e afloramentos rochosos (naturais ou artificiais). É avaliado como Vulnerável porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, identificam-se menos de 10 localizações e está assinalado o declínio continuado da área e da qualidade do seu habitat. Estima-se que a população nacional seja inferior a 3000 indivíduos maduros e encontra-se em declínio continuado, pois alguns núcleos, como Sagres e Portimão, extinguiram-se devido à pressão turística e urbanística e, no futuro, é expectável uma redução dos efetivos nos núcleos da Ponta da Piedade e Vila Nova de Milfontes. A erosão natural das arribas litorais é outro fator de pressão relevante. Esta planta não se encontra protegida por lei, no entanto, grande parte dos locais de ocorrência estão no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Como principais medidas para a conservação da planta sugere-se a definição de áreas de proteção específica e a restauração do habitat, nomeadamente nas áreas sujeitas a forte carga turística. São igualmente de promover ações de sensibilização e de educação ambiental direcionadas para a conservação dos habitats de ocorrência ou de potencial ocorrência da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB7A51126D0FF8EB698FCA2.taxon	discussion	Diplotaxis siifolia subsp. vicentina é uma erva anual, endémica da costa sudoeste de Portugal, que ocorre em clareiras de matos psamófilos, sobre areias carbonatadas. Ocorre em núcleos geralmente de pequena dimensão e que se distribuem de modo disperso. É avaliada como Vulnerável pois apresenta uma reduzida extensão de ocorrência (520 km 2) e área de ocupação (68 km 2), um baixo número de localizações (sete) e porque se assinala um declínio continuado da qualidade e extensão do seu habitat. A planta está ameaçada pela construção urbanística e pelo pisoteio, de viaturas e de pessoas, que afeta sobretudo a maior subpopulação conhecida (Sagres), a qual contempla cerca de 50 % do número total de indivíduos. A expansão da agricultura intensiva em larga escala está também a ser causa de degradação do habitat noutras subpopulações. Apesar de o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (onde ocorre toda a população) prever restrições de uso e reconversão do uso em espaços favoráveis à ocorrência da espécie, os factos mostram que estas três pressões continuam a atuar, prevendo-se que mantenham futuramente se não forem tomadas medidas. Assim, revela-se importante aumentar a fiscalização, reforçando a aplicação da legislação existente, no sentido de aumentar a proteção desta e doutras espécies que partilham o seu habitat e as mesmas ameaças. Em paralelo, deve ser feita a monitorização dos núcleos mais ameaçados, pelo menos. A descida de categoria relativamente à obtida na avaliação global anterior (Criticamente em Perigo) deve-se a um maior conhecimento da sua distribuição e a uma atualização da sua área de ocupação.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB7A51126D0FC3FB6CAF974.taxon	discussion	Helianthemum marifolium subsp. origanifolium é uma planta presente na Península Ibérica, ilhas Baleares e Norte de África. Em Portugal ocorre apenas no litoral sudoeste do Algarve, em clareiras de matos, sobre arribas litorais. É avaliada como Vulnerável, uma vez que apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação de cerca de 12 km 2, um reduzido número de localizações (seis) e observa-se um declínio continuado da qualidade do habitat. No passado recente, verificaram-se pressões, como a construção de empreendimentos turísticos e de infraestruturas de apoio ao turismo, mas as principais pressões estão relacionadas com a perturbação resultante das atividades turísticas, que promovem o pisoteio excessivo em algumas áreas mais procuradas, como o cabo de São Vicente e a ponta de Sagres. Esta perturbação potencia os efeitos, a erosão eólica e, em muitos casos, facilita a proliferação de espécies exóticas ou ruderais. Para a sua conservação, deverá ser reforçada a vigilância de atividades recreativas, como passeios fora dos trilhos, principalmente nas áreas com maior pressão turística. Esta planta beneficiaria também de um plano alargado de controlo de espécies exóticas invasoras na faixa litoral. Propõe-se a conservação de material genético da população portuguesa em, pelo menos, dois bancos de germoplasma e a realização de estudos taxonómicos, juntamente com prospeção no terreno, de modo a melhorar o conhecimento dos limites da sua distribuição nacional. Adicionalmente, sugere-se a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos, de modo a acompanhar a sua tendência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB4A51223FAFF8EB350FCA2.taxon	discussion	Klasea algarbiensis é um endemismo do Sudoeste de Portugal continental, que habita em clareiras de matos em solos areníticos. É uma planta mal conhecida pois tem sido reiteradamente confundida com um táxon próximo, Klasea integrifolia subsp. monardii. Por esse motivo, existe uma grande incerteza na distribuição atual desta planta e sobre o tamanho da população. Ainda assim, parece ser claro um declínio continuado na área de habitat favorável ao longo das últimas décadas, a partir do qual se infere também o declínio continuado do tamanho da população. Assim, considera-se prudente assumir que, apesar da incerteza, a planta deverá ser avaliada à luz da informação disponível. Enquadra-se na categoria de Vulnerável porque, além dos declínios identificados, apresenta uma área de ocupação seguramente inferior a 2000 km 2 e identificam-se apenas sete localizações. As principais ameaças são as expansões urbano-turística e industrial, principalmente na orla sul do litoral do Algarve e na península de Setúbal (ocorrência histórica). Outras ameaças incluem a expansão florestal e as práticas associadas à sua gestão e a proliferação de espécies exóticas invasoras. Sugere-se o estabelecimento de medidas regulamentares (por exemplo, condicionar a expansão urbana e reconversão de utilização do solo para agricultura intensiva), o controlo de invasoras, a gestão de habitat, conservação em banco de germoplasma e monitorização para seguimento da tendência populacional. Deverão ser efetuados esforços de prospeção que permitam esclarecer a sua área de distribuição atual e efetuar uma estimativa fiável da população nacional. A presente avaliação deverá ser revista após a realização desses esforços.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB4A51223FAFC3FB2C5F9DA.taxon	discussion	Limonium dodartii é uma planta, que em Portugal continental ocorre apenas em arribas rochosas de grauvaques no litoral sudoeste do Alentejo, pelo que apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação muito reduzidas. A população nacional está estimada entre 250 e 800 indivíduos reprodutores e prevê-se que sofra redução populacional no futuro, em resultado de problemas reprodutivos que dificultam o recrutamento de indivíduos jovens. As principais pressões resultam da destruição das arribas por erosão marítima e da degradação destes locais por ação humana (pisoteio) ou pela expansão de espécies exóticas invasoras, como o chorão-das-praias. Face a estas pressões e ameaças, estima-se que existam apenas oito localizações e, com base na informação disponível, avalia-se a espécie na categoria Vulnerável. Sugere-se a implementação de medidas para a conservação do seu habitat e a manutenção de medidas em curso, como a conservação de material genético e a propagação em viveiro. Sugerem-se ainda estudos reprodutivos e a monitorização regular dos núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBAA51C2428FF8EB7DAFBFC.taxon	discussion	Lycium intricatum é um arbusto, que se distribui pelo Sul da Europa e Norte de África até à Mauritânia. Em Portugal continental ocorre no litoral sudoeste, desde o Cavaleiro (Vila Nova de Milfontes) até Benagil (Lagoa), nos matos sobre as arribas marítimas ou mesmo nas próprias arribas. Esta planta é avaliada com a categoria de Vulnerável pois estima-se que o total de efetivos da população nacional seja inferior a 10 000 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação, a qual se infere estar em declínio continuado. As principais pressões e ameaças são a erosão natural das arribas costeiras, o pisoteio regular das áreas de ocorrência da planta e a baixa taxa de recrutamento dos indivíduos dos núcleos da costa alentejana e Costa Vicentina. A planta não possui nenhum estatuto de conservação em Portugal, no entanto, muitos dos locais de ocorrência estão dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Sugere-se a definição de áreas de proteção específica, por exemplo, no litoral de Lagoa e entre Lagos e a praia da Luz, a promoção de estudos de prospeção da planta, da sua dinâmica populacional, a monitorização regular dos núcleos existentes e a promoção de estudos ecológicos dos requisitos ambientais e do seu ciclo de vida.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBBA51D26D0FF8EB5C9FCC7.taxon	discussion	Limonium echioides é uma planta anual, que ocorre na bacia do Mediterrâneo e que em Portugal continental se distribui pontualmente entre o cabo Espichel e o Barlavento algarvio. Ocorre em arribas litorais, em sítios com solos muito delgados, normalmente arenosos ou, também, argilosos. É avaliada como Vulnerável por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação e por se observar um declínio continuado da qualidade e área do habitat, em resultado de pressões, como a expansão de espécies invasoras sobre as arribas, a erosão das arribas e o pisoteio excessivo. Face a este conjunto de ameaças e pressões, estima-se que existam apenas oito localizações. A criação de uma área protegida de âmbito local no litoral de Lagoa poderá ser uma medida relevante para a conservação da espécie e do seu habitat, uma vez que aqui se encontra a maior concentração de núcleos conhecidos em território nacional. Sugere-se a elaboração de um plano de conservação para o seu habitat, que inclua medidas de erradicação de plantas invasoras, medidas para controlo do pisoteio excessivo em alguns núcleos e medidas de educação ambiental que promovam a alteração de comportamentos e atividades lesivas para a planta. Sugere-se ainda a monitorização regular dos núcleos populacionais, de modo a identificar atempadamente eventuais declínios e ameaças não identificadas ou subestimadas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBBA51D26D0FC3FB547F974.taxon	discussion	Myosotis retusifolia é uma planta endémica do litoral sudoeste de Portugal continental, que ocorre em zonas húmidas de água doce temporariamente inundadas, em solos arenosos. É avaliada como Vulnerável devido à sua reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, à existência de um declínio populacional continuado na última década e a um declínio ao nível da área, da qualidade do habitat e da área de ocupação. As causas do declínio estão associadas à destruição e degradação de diversas zonas húmidas, que decorreu no passado recente e se mantém no presente, por exemplo, na zona do Perímetro de Rega do Mira. Face a estas ameaças e pressões, estimam-se que existam apenas nove localizações. As medidas propostas para a sua conservação são o restauro de habitat em algumas zonas húmidas ilegalmente afetadas e uma fiscalização regular, para que seja possível identificar, e parar, focos de poluição e ações de drenagem. É plausível que possa estar sub-representada nos registos por confusão com uma espécie semelhante, Myosotis welwitschii, a qual foi sinonimizada na Flora Iberica. Será importante a futura realização de estudos para esclarecer diversos aspetos, nomeadamente a clarificação da sua validade taxonómica e também estudos que permitam melhorar o conhecimento da sua distribuição e tendência. Após a realização destes estudos, deverá ser revista a presente avaliação. A alteração de categoria relativamente à avaliação anterior, Informação Insuficiente, resulta de se efetuar a presente avaliação com base em registos assumidos como fidedignos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB8A51E23FAFF8EB2C0FCA2.taxon	discussion	Ononis hackelii é uma planta endémica do litoral sudoeste de Portugal continental, que ocorre em prados e pastagens em solos arenosos. Apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação com cerca de 520 km 2 e 224 km 2, respetivamente. Infere-se o declínio continuado do tamanho da população e da área e qualidade do habitat devido à expansão agrícola, ao desenvolvimento urbano, à instalação de povoamentos florestais de eucalipto e à redução das áreas de pastagem extensiva. Projeta-se que estes declínios se mantenham no futuro devido à expectável expansão da área ocupada por agricultura intensiva entre Melides e Sines, onde se concentra a maior densidade populacional da planta. É avaliada como Vulnerável pois, além da reduzida área de distribuição e dos declínios continuados do tamanho da população e do habitat, identificam-se menos de 10 localizações. Sugere-se a criação de novas áreas destinadas à sua conservação que assegurem a manutenção de manchas extensas de habitat favorável, devendo ser ponderados incentivos económicos que aí favoreçam a manutenção de práticas de pastorícia extensiva em montados forrageiros, numa matriz de mosaicos rurais. A intensificação agrícola e florestal deverá ser fortemente condicionada nos instrumentos de gestão territorial que abranjam a área de distribuição da planta. Sugere-se a monitorização da população, de modo a acompanhar a sua tendência e os impactos das pressões identificadas. A subida de categoria relativamente à obtida na avaliação global anterior, Quase Ameaçada, resulta de novas pressões identificadas no terreno, que sugerem um previsível declínio populacional na próxima década.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB8A51E23FAFC3FB568F915.taxon	discussion	Potamogeton schweinfurthii é uma planta aquática, que em Portugal continental apresenta uma distribuição histórica algo incerta em resultado de ter sido reiteradamente confundida com uma outra espécie muito similar, mantendo-se essa confusão até ao presente. Atualmente, conhece-se apenas na região sul (Algarve e Baixo Alentejo) e parece estar ausente dos locais históricos na região centro. A qualidade do seu habitat natural encontra-se em declínio continuado devido a fatores que condicionam a manutenção de massas de águas permanentes, como a excessiva extração de águas superficiais e alterações no regime hidrológico resultantes de sucessivas secas severas. Face a estas ameaças, identificam-se apenas seis localizações. Em consequência da reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, reduzido número de localizações e declínio continuado do habitat, avalia-se como Vulnerável. Devem ser tomadas medidas de controlo da captação de água que assegurem caudais compatíveis com a manutenção de pegos com água permanente. Esta planta beneficiaria da implementação de um plano de conservação, com medidas de restauro de habitat nos locais atuais e históricos, incluindo a despoluição de massas de água, controlo de exóticas e, em locais sujeitos a uso balnear, o condicionamento dessa atividade em algumas áreas e formação dos técnicos envoltos nas limpezas de vegetação aquática. Deverão também ser ponderadas medidas de conservação ex situ, nomeadamente a colheita e conservação de sementes em bancos de germoplasma nacionais. Os núcleos conhecidos deverão ser monitorizados e deverão ser efetuados estudos taxonómicos e demográficos para melhorar o conhecimento da sua distribuição atual.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB9A51F26D0FC3CB78DF915.taxon	discussion	Cheilanthes guanchica é um feto rupícola, que se distribui pelo Mediterrâneo Ocidental e Macaronésia, cuja ocorrência em Portugal continental apenas é conhecida no Algarve, em núcleos muito pequenos e localizados nas serras de Monchique e do Caldeirão. É avaliado como Em Perigo com base na reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, reduzido número de localizações identificadas (duas) e por se observar um declínio continuado da área e qualidade do habitat, o que permite inferir também um declínio populacional continuado. A categoria é ainda suportada pelo reduzido tamanho da população nacional, estimada entre 250 e 1000 indivíduos maduros, todos na mesma subpopulação. O declínio do habitat resulta das profundas alterações, observadas nas últimas quatro décadas, na sua área de distribuição devido à expansão florestal, à expansão de pedreiras e aos incêndios recorrentes que promovem a expansão de exóticas arbóreas. O isolamento geográfico da população nacional e o número muito reduzido indivíduos que a constitui podem representar uma ameaça a longo prazo devido a problemas reprodutivos. Sugere-se a implementação de um plano de gestão e monitorização que inclua a sinalização de todas as ocorrências atuais nos instrumentos de gestão territorial em vigor, de modo a evitar a sua destruição. Esse plano deverá também contemplar medidas que promovam a melhoria do estado atual da população regional, como ações de reforço populacional ou repovoamento, em locais com condições ecológicas favoráveis ao seu desenvolvimento. Adicionalmente, sugere-se o armazenamento de esporos em bancos de germoplasma nacionais e monitorização com frequência, pelo menos, quinquenal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEB9A51F26D0FF8EB871FCE4.taxon	discussion	Quercus canariensis é uma árvore rara na Península Ibérica e cuja distribuição em Portugal é restrita à serra de Monchique e sua área adjacente. É avaliada na categoria Criticamente em Perigo porque se infere o declínio continuado do tamanho da população nacional, a qual se estima em menos de 250 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação. Infere-se que este declínio continuado tenha sido superior a 25 % nas últimas cinco décadas, face à acentuada perda de habitat na sua área de distribuição, que se reflete na ausência, quase total, de bosques maduros de carvalhos nesta área. As principais pressões prendem-se com o aumento da área de floresta de produção (eucalipto) nas últimas cinco décadas, com os fogos recorrentes e com a expansão de espécies exóticas arbóreas, como as acácias e as háqueas, potenciada por estes fogos. Outras ameaças incluem a conversão dos resquícios de bosques maduros em floresta de produção de sobreiro e a putativa introgressão com táxones próximos. Para a sua conservação, sugere-se que esta árvore seja legalmente designada como espécie a proteger em Portugal e que seja desenvolvido um plano de conservação que integre medidas de conservação efetivas (gestão de habitat, erradicação de exóticas), ações de reforço populacional, estudos e ainda a monitorização da população nacional. Deverão ser implementados incentivos para conservar os resquícios de habitat existentes e aumentar a continuidade entre os núcleos, através do fomento da plantação desta espécie em espaços florestais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBEA51823FAFC3CB507F915.taxon	discussion	Scorzonera hispanica var. asphodeloides é uma herbácea perene, que habita clareiras de matos. Sabe- se muito pouco sobre esta planta, pois só existem dois registos confirmados em 2009 (São Luís) e em 2018 (Beringel) e dois registos históricos distantes que não foram confirmados atualmente. O núcleo de Beringel é composto por apenas 50 indivíduos, ocupando uma área de 20 m 2, e o de São Luís por indivíduos isolados dispersos num eucaliptal. Há diferentes interpretações taxonómicas que colocam alguma incerteza sobre a identidade da população portuguesa, muito isolada, face às populações de outros países europeus, existindo a possibilidade de ser uma espécie distinta, endémica de Portugal. Apesar da incerteza, a planta é avaliada como Em Perigo porque tem uma área de ocupação muito reduzida (incerta, mas sem qualquer dúvida muito menor do que 500 km 2), uma população nacional severamente fragmentada com menos de cinco localizações e tem-se observado um importante declínio continuado da área e qualidade do habitat nos dois núcleos populacionais confirmados. O núcleo de São Luís tem sofrido a pressão da exploração do eucaliptal, que causa uma perturbação intensa no solo. O de Beringel está ameaçado pela instalação de pomares intensivos e pela abertura de novas pedreiras. Propõe-se que seja acordado com a empresa que explora o eucaliptal em São Luís a implementação de medidas de gestão e restauração do habitat (que devem ser alvo de um estudo) e que seja designada uma área de proteção para o núcleo de Beringel. Deve continuar-se a prospeção, para reencontrar os núcleos históricos e tomar medidas, e são necessários mais estudos taxonómicos, para investigar a possibilidade de ser uma espécie distinta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBEA51823FAFF8EB489FCA2.taxon	discussion	Senecio lopezii é uma planta endémica do Sudoeste da Península Ibérica, que em Portugal continental ocorre apenas na zona envolvente da serra de Monchique. A população nacional, que terá reduzido em mais de 60 % desde 2001, é atualmente estimada em menos de 350 indivíduos maduros e suspeita-se de que esteja severamente fragmentada. É avaliada como Em Perigo porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, identificam-se três localizações, observa-se um declínio continuado da área, extensão e qualidade do seu habitat e infere-se o declínio continuado da área de ocupação e do tamanho da população nacional. A principal pressão resulta da expansão e gestão dos povoamentos de eucalipto, assinalando-se também os incêndios florestais (recorrentes na região), a expansão de espécies arbóreas exóticas e ainda ameaças, como as limpezas de vegetação em taludes de caminhos florestais. A dimensão muito reduzida dos núcleos e o seu isolamento torna-os muito sensíveis a qualquer impacto imprevisto de origem humana ou a fenómenos de extinção estocástica. Deverá ser implementado um plano de gestão e conservação do seu habitat, que inclua incentivos para a reconversão florestal (plantação de carvalho e sobreiro) e para a manutenção dos resquícios de bosque denso ainda existentes. Deverão ser empreendidas medidas de controlo de exóticas arbóreas e ações de formação para técnicos de gestão florestal. Sugere-se o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma e a criação de uma coleção viva ex situ, que possa servir de fonte para eventuais esforços de repovoamento. Deve ser desenvolvida a monitorização da espécie e estudos sobre a sua demografia e aspetos reprodutivos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBFA51926D0FF8EB86CFD26.taxon	discussion	Bupleurum acutifolium é uma planta endémica da Península Ibérica, de distribuição muito restrita, e que em Portugal ocorre apenas na serra do Cercal, habitando em matos e zonas pedregosas secas e abertas. Estudos taxonómicos em curso sugerem, contudo, que a população nacional poderá ser um táxon distinto da população espanhola. É avaliada como Vulnerável porque se estima que a população nacional seja composta por 300 a 500 indivíduos maduros e, apesar de não se identificarem tendências de declínio populacional ou da qualidade do seu habitat, ocorre numa área muito restrita (área de ocupação de 24 km 2), na qual existem algumas ameaças suscetíveis de poder causar a destruição dos núcleos populacionais conhecidos e aumentar substancialmente o seu risco de extinção. Estas ameaças consistem principalmente em atividades de gestão florestal, resultando na identificação de apenas cinco localizações. Deverão ser terminados os estudos taxonómicos que permitam confirmar se se trata de uma espécie nova, endémica de Portugal. Caso se confirme, deverá ser priorizada numa eventual lista de espécies a proteger. Sugere-se a recolha e conservação de sementes em dois bancos de germoplasma nacionais. Sugere-se ainda a sensibilização dos proprietários florestais para a manutenção dos núcleos populacionais e a sua monitorização bienal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBFA51926D0FC3CB51AF915.taxon	discussion	Campanula primulifolia é uma planta endémica do Sudoeste da Península Ibérica, cuja distribuição global se concentra em Portugal continental. A maioria da população nacional concentra-se nos arredores da serra de Monchique, contudo, assinalam-se núcleos isolados no litoral alentejano, na serra do Caldeirão e na região centro. Ocorre em sítios muito húmidos e sombrios, normalmente sob coberto de bosques e matagais ripícolas. Não existe uma estimativa do tamanho da população nacional, mas infere-se que esteja em declínio continuado, com base no desaparecimento recente de núcleos e de uma acentuada degradação do seu habitat. É avaliada como Vulnerável por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, porque estão identificados declínios continuados do tamanho da população e da qualidade do seu habitat e porque apenas se identificam oito localizações. Está sujeita a diversas pressões, destacando-se a expansão e gestão de povoamentos de eucalipto, a expansão de plantas exóticas nas linhas de água, os incêndios recorrentes e as alterações no balanço hídrico que possam secar as linhas de escorrência e as fontes permanentes. Estas pressões atuam frequentemente em conjunto, potenciando os seus impactos. Sugere-se que seja considerada espécie a proteger em Portugal e que sejam implementadas medidas para controlo de espécies invasoras na sua área de distribuição. Sugere-se ainda a salvaguarda do seu património genético e a criação de coleções de plantas vivas em jardins botânicos. A tendência populacional deverá ser acompanhada através de monitorização e deverá ser efetuada prospeção da espécie na região centro.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBDA51B26D0FF8EB69BFCE4.taxon	discussion	Doronicum plantagineum subsp. tournefortii é uma planta endémica do Sul de Portugal continental, que ocorre em orlas e no subcoberto de matagais e bosques perenifólios ou marcescentes. A população da planta distribui-se de modo fragmentado, geralmente em núcleos populacionais dispersos e com poucos indivíduos. É avaliada como Vulnerável por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, por se identificarem apenas oito localizações e por se observar um declínio continuado da qualidade e da extensão do seu habitat, ao qual está estritamente associada. As principais ameaças são aquelas que provocam a degradação ou destruição do habitat, destacando-se a expansão de povoamentos florestais de eucalipto, o revolvimento de solos para prevenção de incêndios e também os recorrentes incêndios florestais. Para a sua conservação sugere-se o condicionamento da arborização de novas áreas em locais de ocorrência da planta integrados no Sistema Nacional de Áreas Classificadas e a inserção de medidas de salvaguarda desta planta nos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios, juntamente com ações de formação dos técnicos envoltos nas limpezas de vegetação e o aumento da vigilância para prevenção de incêndios e desmatações ilegais. Sugere-se ainda a preservação de material genético em bancos de germoplasma, a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos e a prospeção da planta em locais de ocorrência favorável no Baixo Alentejo.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE83A52526D0FF8EB78BFCA2.taxon	discussion	Silene mellifera é uma planta endémica do Centro e do Sul da Península Ibérica, que em Portugal continental ocorre apenas na serra de Monchique e nas serras do Sudoeste alentejano, em taludes pedregosos e orlas de bosques. É avaliada como Vulnerável porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, um reduzido número de localizações identificadas (seis) e está identificado um declínio continuado da área e qualidade do seu habitat. Além disso, infere-se o declínio continuado da população nacional, a qual se estima ser constituída por menos de 1000 indivíduos maduros. Assinalam-se várias pressões significativas, das quais se destacam os povoamentos florestais de eucalipto, cuja expansão e gestão têm sido responsáveis por destruição de extensas áreas de habitat nas últimas décadas. Outras pressões relevantes são os incêndios florestais recorrentes, os quais, além de provocarem a destruição de núcleos, potenciam a expansão de espécies exóticas, como as acácias e as háqueas. Para conservação dos núcleos conhecidos e das áreas com habitat potencial, deverão ser implementadas medidas, como a proibição do uso de herbicidas nas ações de gestão de vegetação, promover o controlo de arbóreas exóticas e impedir a destruição de matagais, soutos e bosques para instalação de novos povoamentos florestais de eucalipto. Sugere- se a colheita e armazenamento de sementes em bancos germoplasma e a criação de coleções de plantas vivas em jardins botânicos. A tendência populacional dos núcleos deverá ser acompanhada através de monitorização periódica, acompanhada por estudos de dinâmica populacional e de confirmação dos registos indicados para o vale do rio Sado e ribeira de Odivelas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE83A52526D0FC3FB6DBF915.taxon	discussion	Taraxacum triforme é um endemismo da serra de Monchique, cuja presença atual apenas se conhece nos arredores da Foia. É avaliado como Vulnerável pelo critério D 2 pois apresenta uma área de ocupação muito reduzida (4 km 2) e apenas se identifica uma localização atual. A sua raridade é verosímil dada a escassez de registos e a diminuta área de distribuição histórica. Mesmo que novos núcleos possam vir a ser encontrados, é muito improvável que a área de ocupação e o número de localizações ultrapassem os patamares definidos para aplicação deste critério. As ameaças identificadas não são, por ora, significativas no local onde ocorrem os núcleos, mas é plausível que, a concretizar- se alguma delas, a população nacional sofra uma drástica redução que a possa levar a Criticamente em Perigo num curto espaço de tempo. Na sua área de distribuição histórica, assinalam-se diversas ameaças, incluindo expansão de silvados e tojais, erosão de solos devido a atividades recreativas, más práticas de gestão de vegetação, expansão de exóticas e atividade florestal intensiva. As medidas de conservação sugeridas passam pela manutenção dos arrelvados onde a planta ocorre, com recurso a pastoreio extensivo, corte seletivo de silvados e tojais ou fogo controlado (seguido de pastoreio). Deve também ser removida toda a flora invasora que venha a instalar-se no local. Noutros locais de ocorrência histórica, devem ser condicionadas atividades de turismo. Sugere-se a salvaguarda do património genético em bancos de germoplasma, bem como desenvolvidos estudos taxonómicos e filogenéticos. Deverá ser efetuada prospeção dirigida em locais de ocorrência histórica e efetuada monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE80A52623FAFF8EB35DFD68.taxon	discussion	Calendula suffruticosa subsp. cinerea é uma planta endémica do cabo de São Vicente, no Sudoeste de Portugal continental, onde ocorre em fendas de rocha calcárias em arribas litorais, existindo apenas dois núcleos populacionais. É uma planta que só recentemente foi descrita, e também por isso nunca foi avaliado o seu risco de extinção, nem foi alvo de medidas de conservação. É avaliada como Em Perigo porque a extensão de ocorrência e a área de ocupação são muito reduzidas (apenas 8 km 2), identificam-se apenas duas localizações e observa-se um declínio continuado da qualidade do seu habitat. O núcleo populacional do topo da arriba tem sido afetado por pisoteio excessivo e por invasão por espécies alóctones e tanto este como o núcleo das vertentes são suscetíveis a risco de derrocada da arriba, por exemplo, devido a um sismo. Devido ao aumento da pressão do turismo na área, revela-se importante a instalação de vedações que impeçam o acesso à área. Outras medidas sugeridas passam pelo controlo / erradicação do chorão na área, monitorização dos núcleos populacionais e a conservação ex situ de germoplasma.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE80A52623FAFC3FB3B7F915.taxon	discussion	Herniaria algarvica é uma planta anual, endémica do litoral sudoeste de Portugal continental, que ocorre em clareiras em substratos arenoargilosos. Está sujeita a pressões que incluem a construção de vias e passadiços, as expansões urbana e turística, o pisoteio excessivo e a expansão de chorão. Estes fatores contribuíram para o declínio continuado da qualidade do seu habitat na última década, sendo inverosímil a sua recuperação em igual período. Apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas (inferiores a 570 km 2 e 50 km 2, respetivamente), subsistindo algumas dúvidas sobre a ocorrência atual dos dois núcleos mais setentrionais. Face a estas dúvidas, o número de localizações é incerto (entre cinco e sete), o que significa que a espécie poderia ser classificada como Em Perigo ou como Vulnerável com base nos subcritérios B 1 ab (iii) + 2 ab (iii). Tendo em conta o número reduzido de indivíduos maduros estimados para a população, a suscetibilidade da planta às pressões e ameaças identificadas e à evidência de perturbações significativas recentes sobre os seus núcleos, optou-se por seguir uma abordagem de precaução, tendo-se considerado apenas cinco localizações, pelo que se avalia como Em Perigo. A subida de categoria relativamente à obtida na avaliação global anterior, Vulnerável, resulta do melhor conhecimento das pressões e ameaças que recaem sobre a planta. Sugerem-se medidas para impedir a destruição de núcleos, incluindo a revisão de regulamentos em instrumentos de gestão territorial, e um aumento de fiscalização das pressões identificadas. Sugere-se prospeção dirigida, para confirmar o limite norte da sua distribuição atual e a monitorização da população.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE81A52726D0FF8EB6FBFCA2.taxon	discussion	Astragalus tragacantha é um pequeno arbusto de distribuição mediterrânica, que em Portugal continental ocorre apenas numa área restrita do litoral sudoeste do Algarve, em arribas litorais calcárias. Tem uma extensão de ocorrência de cerca de 100 km 2 e uma área de ocupação com cerca de 68 km 2. Estima-se que a população nacional seja constituída por 2000 a 3000 indivíduos maduros, dispersos em vários núcleos populacionais. Observa-se um declínio continuado da qualidade do habitat, em resultado, principalmente, da excessiva perturbação humana sobre as arribas e da expansão de espécies exóticas. Outro fator de ameaça é a erosão das arribas, resultante da ação do mar, sendo suscetível de agravamento no futuro. É avaliada como Vulnerável devido à reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, à reduzida população nacional, que está em declínio continuado e concentrada numa só subpopulação, ao declínio da qualidade e área do seu habitat e por apenas se estimarem sete localizações. Sugere-se o aumento da fiscalização do pisoteio fora de trilhos e outras práticas prejudiciais, incidindo nos locais de ocorrência mais suscetíveis à pressão humana, nomeadamente o pontal da Carrapateira, a ponta de Sagres e ao longo do litoral entre Sagres e o cabo de São Vicente. Concomitantemente, deverão ser desenvolvidas ações de sensibilização dos pescadores e turistas para o respeito pelos trilhos e sobre os impactos do pisoteio sobre a conservação da flora das arribas. Sugere-se ainda a concretização de medidas de controlo e erradicação de chorão e de obstrução da circulação de veículos nas arribas. A população nacional deve ser alvo de monitorização de modo a acompanhar a sua tendência.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE81A52726D0FC3FB56DF9B6.taxon	discussion	Lavatera mauritanica subsp. davaei é uma planta endémica da Península Ibérica, que em Portugal continental ocorre apenas em arribas litorais do Sudoeste alentejano (sensivelmente entre o cabo de Sines e Porto Covo) e Barlavento algarvio (entre o cabo de São Vicente e Benagil). Os reduzidos valores de extensão de ocorrência e área de ocupação, bem como o declínio da qualidade do habitat e o reduzido número de localizações (inferior a 10), fundamentam a sua avaliação como Vulnerável. A maioria dos núcleos está integrada no Sistema Nacional de Áreas Classificadas e as principais pressões identificadas, que resultam de atividades humanas de lazer e recreativas e da expansão de espécies exóticas invasoras nas arribas, têm, por ora, um significado local. Sugere-se apenas a conservação de sementes das diferentes subpopulações em bancos de germoplasma e o ordenamento do estacionamento de viaturas e acesso de turistas em alguns locais mais visitados, como o cabo de São Vicente, que deverá ser alvo de fiscalização mais apertada. Esta planta beneficiaria de um plano de controlo de espécies invasoras na faixa litoral. Sugere-se ainda a realização de prospeção dirigida, que permita melhorar o conhecimento sobre a distribuição e o tamanho da população nacional, dado que, devido à aparente abundância de habitat, é expectável que ambos possam estar subestimados.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE86A52023FAFF8EB2DFFD26.taxon	discussion	Triplachne nitens é uma gramínea amplamente distribuída pelo Mediterrâneo, mas que em Portugal continental ocorre apenas no extremo sudoeste do território, em arribas litorais calcárias. A sua ocorrência na envolvente de Sagres representa uma disjunção geográfica relevante, distando mais de 300 km da subpopulação mais próxima. É avaliada como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, observa-se um declínio continuado do seu habitat e apenas se identificam seis localizações. A degradação do seu habitat resulta principalmente da expansão de chorão, do pisoteio excessivo e da deposição de resíduos nas fendas de rochas. Deverão ser tomadas medidas para controlo da expansão de chorão, realizadas ações de sensibilização dirigidas a turistas e pescadores locais e aumentada a vigilância, de modo a minimizar o pisoteio e a deposição de resíduos ao longo do limite das arribas entre Sagres e o cabo de São Vicente. Deverão ser efetuados estudos para melhorar o conhecimento da distribuição atual da planta em Portugal e os núcleos conhecidos deverão ser monitorizados com frequência bienal. Por se tratar de uma relevante disjunção geográfica, sugere-se a colheita de sementes e o seu armazenamento em dois bancos de germoplasma nacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE86A52023FAFC3FB416F999.taxon	discussion	Ulex erinaceus é um arbusto espinhoso endémico do extremo sudoeste de Portugal continental, que ocorre em matos rasteiros no topo de arribas litorais ou em zonas planas mais recuadas, mas sempre próximas do litoral. É avaliado como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, observa-se um declínio continuado do seu habitat e apenas se identificam oito localizações. A destruição e degradação do seu habitat resulta, principalmente, da expansão urbano-turística. Embora todos os núcleos se insiram no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, assinala-se a construção de urbanizações e empreendimentos turísticos no passado recente e existem intenções futuras para outros empreendimentos. Outro fator de pressão resulta do pisoteio de turistas sobre o seu habitat, principalmente na envolvente dos locais mais visitados. Deverão ser tomadas medidas para minimizar o pisoteio na envolvente dos locais turísticos mais procurados, através de sensibilização dos visitantes e aumento da vigilância nos locais, e os planos de ordenamento territorial vigentes na sua área de distribuição deverão assegurar o cumprimento da lei no que diz respeito à conservação do seu habitat. Deverá ser promovido um estudo para melhoria do conhecimento dos limites da sua sua área de distribuição.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE87A52124EEFF8EB86EFB19.taxon	discussion	Viola arborescens é uma erva perene, endémica do Mediterrâneo Ocidental, que em Portugal continental apenas ocorre no extremo sudoeste do território, nos matos do topo das arribas marítimas calcárias. A sua ocorrência na envolvente de Sagres representa uma disjunção geográfica relevante, distando mais de 200 km da subpopulação mais próxima. É avaliada como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, observa-se um declínio continuado do seu habitat e apenas se identificam seis localizações. A destruição e degradação do seu habitat resulta principalmente da expansão urbano-turística, que representa a principal ameaça sobre a população nacional. Embora todos os núcleos conhecidos se insiram no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, ao longo das últimas duas décadas têm sido construídas algumas urbanizações e empreendimentos turísticos e persistem intenções para construção de outros empreendimentos no futuro. Para a sua conservação, é essencial que os planos de ordenamento territorial vigentes na sua área de distribuição assegurem o cumprimento da lei no que diz respeito à conservação do seu habitat e deverão ser tomadas medidas para minimizar o pisoteio na envolvente dos locais turísticos mais procurados, através de sensibilização dos visitantes e do aumento da vigilância nesses locais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE84A52223FAFF8EB3F3FC85.taxon	discussion	Armeria gaditana é um endemismo do Sudoeste da Península Ibérica, que em Portugal é conhecida apenas num único local, no Sotavento algarvio, habitando em prados em solos arenosos algo húmidos. É avaliado como Criticamente em Perigo porque a população nacional esteve sujeita a um declínio continuado ao longo das últimas décadas, ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, qualidade do habitat, número de localizações e número de indivíduos maduros, o qual se reduziu em mais de 80 % neste período. Atualmente, conhece-se apenas um único núcleo, composto por um indivíduo adulto. Este está sujeito a pressões diversas, destacando-se alteração das condições de hidromorfismo do solo no único local de ocorrência. A sua extrema raridade torna esta planta muito suscetível a qualquer ameaça imprevisível que incida no local. Deverá ser elaborado com urgência um plano de conservação com medidas de reprodução da espécie e de gestão do seu habitat, que deverão ter como objetivos o aumento do número de indivíduos reprodutores e a criação de novos núcleos populacionais. Para tal, deverá ser colhido material genético da população nacional que permita a reprodução de indivíduos em condições controladas (viveiro), para que possam futuramente ser utilizados em ações de reforço populacional ou criação de novos núcleos. Para assegurar o sucesso destas medidas, devem ser conduzidos estudos de investigação dos aspetos biológicos e reprodutivos, preferentemente em parcerias transfronteiriças, tirando partido do conhecimento adquirido em iniciativas similares realizadas em Espanha.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE84A52223FAFC3FB55DF915.taxon	discussion	Armeria velutina é uma planta endémica do Sudoeste da Península Ibérica, que em Portugal apresenta uma distribuição restrita ao Sotavento algarvio, onde ocorre em prados húmidos em solos arenosos perto do litoral. É avaliada como Criticamente em Perigo pois conhece-se apenas um único núcleo populacional, composto por cerca de 20 indivíduos maduros, e que aparenta dificuldades no recrutamento de novos indivíduos. Ao longo do século XX esteve sujeita a um declínio continuado na sua extensão de ocorrência e área de ocupação, bem como na área e na qualidade do seu habitat, número de localizações e ainda no tamanho da população. As principais causas do seu declínio foram as expansões agrícola e urbana e a ampliação do aeroporto de Faro. No presente, assinalam- se diversas ameaças, incluindo os processos naturais de sucessão ecológica e a elevada suscetibilidade dos núcleos a fenómenos de extinção estocástica ou a quaisquer intervenções humanas imprevisíveis. O reduzido número de indivíduos da população nacional poderá conduzir, no limite, a um processo de depressão genética por endogamia. Na ausência de medidas de conservação, é plausível que possa sofrer uma redução populacional superior a 80 % e que venha a extinguir-se em Portugal. Deverá ser implementada a gestão dos locais onde ocorrem os núcleos (abertura de clareiras, recolha de caruma), bem como medidas de salvaguarda de material genético e a reprodução em viveiro para reforço populacional ou para criação de novos núcleos, em áreas de habitat favorável previamente identificadas e geridas. Sugerem-se estudos sobre aspetos reprodutivos, de forma a melhorar a eficácia das medidas de conservação a implementar e a monitorização anual da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8AA52C2698FF8EB554FCA2.taxon	discussion	Aizoon hispanicum é uma planta nativa de Portugal, que se distribui no Oeste e no Sul da região mediterrânica, Madeira e Canárias, Norte de África e Sudoeste da Ásia. Em Portugal a sua distribuição restringe-se à região do Barlavento algarvio, limitando-se os registos mais recentes aos locais de ocorrência históricos onde havia sido referenciada no passado. A reduzida extensão de ocorrência (12 km 2), o número restrito de localizações conhecidas (duas), a fragmentação severa da população nacional, o reduzido número de indivíduos estimado para a população nacional e o seu declínio continuado, bem como do seu habitat, fundamentam a sua avaliação como Criticamente em Perigo. Acrescem as ameaças que atingem os seus habitats (destruição por erosão e pisoteio). Para além de se propor a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos e a realização de prospeções em novas áreas, torna-se aconselhável o reforço populacional dos locais de ocorrência, a partir de propagação ex situ. O conhecimento da dinâmica populacional, assim como um melhor conhecimento da ecologia da espécie, poderá contribuir para o sucesso destas ações. Atendendo a que nenhuma das ocorrências se situa no Sistema Nacional de Áreas Classificadas, estas medidas, assim como outras ao nível da restauração / gestão de habitat que possam ser desenvolvidas ao nível da administração regional, são particularmente importantes para garantir a conservação in situ desta espécie. A conservação ex situ, em bancos de sementes, também deverá ser promovida.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8AA52C2690FC3CB7DAF932.taxon	discussion	Spergularia fimbriata é uma planta de substratos salgadiços, cujo último registo confirmado em Portugal continental foi em 1984, na ria Formosa. Infere-se o declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação, área e qualidade de habitat, número de localizações e tamanho da população. Suspeita-se que terá sofrido uma redução populacional superior a 80 % nas últimas três décadas, o que poderá ter levado à sua extinção regional. Todavia, é uma planta que passa despercebida por semelhança com outras espécies do género Spergularia e a prospeção realizada foi insuficiente, pelo que se admite que poderá subsistir, pelo menos, um núcleo da planta em território continental. É avaliada como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta) porque se assume que possa existir, pelo menos, uma localização e que a extensão de ocorrência e área de ocupação sejam inferiores a 10 km 2. Embora não sejam conhecidas as causas para o seu provável desaparecimento, assinalam-se algumas pressões, que no passado terão afetado a população nacional: ocupação do seu habitat por Carpobrotus edulis e outras espécies ruderais e invasoras, degradação de habitat causada pelas gaivotas na Berlenga, expansão urbana e turística, revitalização de salinas ou reconversão para pisciculturas. Recomenda-se que sejam intensificados os esforços de prospeção dirigida da planta nos seus locais históricos. Se a planta for reencontrada, propõe-se uma monitorização regular dos núcleos e a adoção de medidas, como a erradicação / controlo de espécies invasoras no arquipélago das Berlengas, ações de reforço populacional e a conservação das suas sementes em banco de germoplasma.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8BA52D23C2FB1FB6E4F914.taxon	discussion	Halopeplis amplexicaulis é uma planta halófita, cuja ocorrência atual em Portugal continental se restringe a uma área diminuta, entre Faro e Olhão, estimando-se a população nacional em menos de 2500 indivíduos maduros. É avaliada como Criticamente em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas, porque se identifica apenas uma localização e porque se assinala declínio continuado em parâmetros como o tamanho da população nacional, a qualidade do seu habitat, o número de localizações, a área de ocupação e a extensão de ocorrência. A principal pressão sobre a população nacional resulta da utilização do espaço onde ocorre o único núcleo conhecido como local para execução de manobras com viaturas motorizadas. Acresce que, devido à sua elevada circunscrição geográfica, a população nacional é altamente suscetível a qualquer impacto imprevisível de origem humana ou a qualquer evento natural catastrófico. A população nacional deverá ser alvo de medidas com carácter de urgência, nomeadamente o reforço da fiscalização para controlo do acesso de viaturas motorizadas ao local onde ocorre o núcleo. Esta espécie deverá ser alvo de um plano de conservação dedicado, com ações e medidas de conservação que visem a manutenção de condições de habitat no seu local de ocorrência atual e o incremento do número de núcleos populacionais (e. g., repovoamento da planta em Castro Marim, estabelecimento de novos núcleos populacionais). Esse plano de conservação deverá ser precedido de estudos sobre os seus requisitos ambientais e ciclo de vida e acompanhado por monitorização do núcleo.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE88A52E23FAFC3FB4B7F974.taxon	discussion	Heteranthemis viscidehirta é uma planta com uma distribuição global restrita a alguns pontos do Sudoeste da Península Ibérica e noroeste de África. Em Portugal ocorre em clareiras e orlas de pinhal sobre areias estabilizadas, exclusivamente no Sotavento algarvio, entre Altura e Vila Real de Santo António. É avaliada na categoria Criticamente em Perigo por apresentar extensão de ocorrência reduzida (28 km 2), estarem identificados declínios continuados ao nível do tamanho da população, área e qualidade do seu habitat e por se identificar apenas uma localização. A principal causa destes declínios estará relacionada com o aumento de cobertura de piornais, cuja expansão altera as condições de habitat da planta. Esta pressão é suscetível de eliminar todos os núcleos existentes, pelo que apenas se identifica uma localização. Outras causas de pressão identificadas incluem as expansões urbana e turística, a ampliação de estacionamentos e outras intervenções humanas. A sua conservação parece estar dependente de medidas de gestão de habitat, que incluam o controlo da expansão de matagais de piorno-branco e a abertura de clareiras. A salvaguarda dos núcleos populacionais conhecidos deverá ser considerada como uma condicionante nos planos de ordenamento territorial vigentes na sua área de distribuição. Para salvaguarda futura do património genético, deverão ser colhidas e armazenadas sementes em dois bancos de germoplasma nacionais. Deverão também ser efetuadas tentativas para criação de novos núcleos populacionais. A planta deverá ser alvo de monitorização, de modo a acompanhar a sua evolução demográfica.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE88A52E23FAFF8EB476FCA2.taxon	discussion	Hypecoum procumbens é uma planta, que em Portugal continental ocorre apenas no litoral sul do Algarve, nas formações dunares da península do Ancão (Loulé, Faro), estimando-se que existam entre 650 e 1000 indivíduos maduros na população nacional. É avaliada como Criticamente em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação extremamente reduzidas (e que terão sofrido uma significativa redução histórica), uma única localização e por se inferirem declínios continuados ao nível do tamanho da população nacional e da área e qualidade do habitat. A erosão marítima dos cordões dunares e a pressão turística sobre as praias terão causado a destruição de vários locais de ocorrência histórica da planta no passado. No presente, as principais pressões / ameaças são obras de construção / reabilitação de restaurantes e passadiços, circulação de viaturas e expansão de plantas exóticas invasoras, sendo que o tamanho reduzido da população nacional e da área ocupada pelos núcleos da planta a tornam suscetível ainda a ameaças imprevisíveis. Recomenda-se que sejam desenvolvidos estudos taxonómicos e genéticos que permitam confirmar a presença de um ou dois táxones de Hypecoum no litoral algarvio, após os quais poderá haver necessidade de rever a presente avaliação. Deverá ser implementado um plano de conservação dedicado à espécie, que inclua monitorização, ações de sensibilização, balizamento de acessos, erradicação de invasoras, vigilância e fiscalização de obras, para além de integrar a conservação de sementes em bancos de germoplasma nacionais e a produção em viveiro de plantas cujas sementes possam ser utilizadas em ações de reforço dos núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE89A52F26D0FC3CB718F9F8.taxon	discussion	Cynomorium coccineum subsp. coccineum é uma planta parasita de ampla distribuição, que em Portugal continental apenas ocorre numa área restrita do litoral sul do Algarve. Habita em zonas arenosas algo salinas, em sapal alto ou arribas, parasitando diferentes espécies de amarantáceas. Em Portugal conhecem-se apenas quatro localizações, das quais três em arribas litorais e uma em sapal alto, tendo assim uma reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação. As contagens efetuadas no âmbito do projeto da Lista Vermelha indicam que a população nacional será constituída por menos de 200 indivíduos maduros. Assinala-se um declínio continuado na área e qualidade do seu habitat, devido à erosão marinha e ao pisoteio sobre as arribas onde ocorre. Por estes motivos avalia-se como Em Perigo. A sua conservação a longo prazo parece necessitar de medidas concretas de gestão de habitat, nomeadamente, o condicionamento e fiscalização do pisoteio sobre as arribas, o condicionamento de ações de estabilização de arribas, o controlo de espécies de exóticas e a plantação de espécies hospedeiras nas arribas onde estas estejam mais escassamente representadas. Todos os núcleos conhecidos deverão ser alvo de monitorização bienal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE89A52F26D0FF8EB759FD26.taxon	discussion	Schoenoplectus litoralis é uma planta de ampla distribuição mundial, mas que em Portugal continental se encontra restrita a um único local de ocorrência no Sotavento algarvio, numa zona húmida de águas salobras. Avalia-se como Criticamente em Perigo porque a população nacional não ultrapassará os 30 indivíduos maduros numa única localização, apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (4 km 2) e o seu habitat encontra-se em declínio continuado. A principal pressão sobre a população nacional resulta da expansão de uma gramínea exótica invasora, Spartina densiflora, responsável pelo declínio continuado da qualidade e área do seu habitat. Acresce que a dimensão diminuta da população nacional torna-a muito suscetível a quaisquer ameaças imprevisíveis. Para a sua conservação, devem ser implementadas, com urgência, medidas de controlo da expansão de Spartina densiflora e de outras exóticas no local de ocorrência do núcleo populacional. Devem ser realizadas medidas de conservação ex situ, nomeadamente a conservação de sementes em bancos de germoplasma nacionais e criado um núcleo em viveiro, que funcione como população-fonte para criação de novos núcleos populacionais. Sugere-se ainda a monitorização do núcleo existente, de modo a acompanhar a sua tendência populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8EA52823FAFF8EB4E1FCA2.taxon	discussion	Damasonium bourgaei é uma planta aquática de pequenas poças e zonas encharcadas de inverno, endémica da bacia mediterrânica e que em Portugal apresenta atualmente uma distribuição restrita a duas áreas: paul do Boquilobo e litoral de Lagoa. No passado estava também presente no Baixo Mondego e na Azambuja, mas não voltou a ser encontrada nesses locais e acredita-se que tenha desaparecido devido à perda de habitat favorável ao longo da segunda metade do século XX. É avaliada como Em Perigo por apresentar reduzida extensão de ocorrência (73 km 2) e área de ocupação (8 km 2), por apenas se identificarem duas localizações e por se observar um declínio continuado destes parâmetros e da qualidade do habitat. Por ocuparem áreas tão reduzidas, os núcleos populacionais são suscetíveis a ameaças imprevisíveis e extinção estocástica. Outras pressões e ameaças identificadas incluem a criação de gado, deposição de lixos, perturbação das poças de água, ações de gestão de vegetação ou beneficiação de caminhos e erosão das arribas litorais. No passado, é verosímil que a intensificação das práticas agrícolas tenha sido responsável pelo desaparecimento dos núcleos do Baixo Mondego e da Azambuja. Sugere-se a criação de uma área protegida de âmbito local no litoral de Lagoa, na qual deverá existir fiscalização de práticas como a deposição de lixo e pisoteio e devem ser empreendidas medidas de sensibilização dos visitantes. Sugere-se ainda a implementação de um plano de conservação que inclua medidas como a preservação de material genético em bancos de germoplasma nacionais, a criação em viveiro e, eventualmente, o estabelecimento de novos núcleos populacionais e ainda um programa de monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8EA52823FAFC3FB3D5F999.taxon	discussion	Limonium diffusum é uma planta distribuída pela bacia mediterrânica ocidental, que em Portugal continental apenas se conhece no litoral do Algarve, habitando em orlas de sapal alto e areias húmidas do litoral. É avaliada como Em Perigo por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por se observar um declínio continuado da qualidade e área de habitat e do número de indivíduos maduros que constituem a população nacional e por apenas se identificarem quatro localizações. As principais pressões sobre esta planta resultam da expansão de uma espécie invasora nos sapais da ria Formosa e Castro Marim (Spartina densiflora) e da expansão urbanística nos núcleos do Algoz. Sugere-se a criação de área protegida de âmbito local que permita a salvaguarda dos núcleos de Algoz, que apresentam um carácter singular em território nacional. Deverá ser realizada a monitorização regular da população nacional, de modo a acompanhar os efeitos das pressões que foram identificadas. Deverão ser implementadas medidas para controlo de S. densiflora nos locais onde ocorram núcleos de L. diffusum e, no planeamento de novos empreendimentos turísticos, urbanos ou industriais, deverão entrar em consideração os locais de ocorrência desta espécie, de modo a evitar a destruição e perturbação de núcleos populacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8FA52926D0FF8EB5D9FCE4.taxon	discussion	Limonium sinuatum é uma planta distribuída ao longo da bacia do Mediterrâneo, que em Portugal continental apenas ocorre espontaneamente no extremo sudeste do território, nos arredores de Castro Marim. A população nacional é estimada em cerca de 3200 indivíduos maduros e assume-se que esteja sujeita a um declínio populacional devido ao desaparecimento de alguns núcleos e indícios de destruição parcial de outros no passado recente. É avaliada como Em Perigo devido à reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação (16 km 2), ao reduzido número de localizações (cinco) e ao declínio continuado da população e do seu habitat, observados no passado recente e suscetíveis de se prolongarem no futuro. As principais pressões e ameaças identificadas incluem as más práticas de limpeza de vegetação nas bermas e taludes, a melhoria dos caminhos e a possibilidade de alteração dos usos do solo. De modo a assegurar a sua conservação a longo prazo, sugere-se a criação de um novo núcleo populacional em área protegida, apoios financeiros para manutenção dos usos do solo na área dos núcleos de Palheiros da Moita, Espigão e Figueirais, formação dos técnicos envoltos nas limpezas de terreno e a recolha e armazenamento de sementes em dois bancos de germoplasma nacionais. Os núcleos populacionais mais numerosos deverão ser alvo de monitorização e deverão ser desenvolvidos estudos que permitam confirmar o carácter autóctone do núcleo que ocorre na área de Martim Longo.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8FA52926D0FC3CB5FAF974.taxon	discussion	Spergularia tangerina é uma planta que ocorre em clareiras de sapal alto e áreas abertas, sobre substratos salinos. Em Portugal continental ocorre apenas, de modo pontual, no litoral sul do Algarve. É avaliada como Em Perigo pois apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas (cerca de 140 km 2 e de 12 km 2, respetivamente), identificam-se apenas três localizações e infere-se o declínio continuado do tamanho da população e da qualidade do habitat. A informação existente é pouco robusta, o que gera alguma incerteza na avaliação. Suspeita-se de que a espécie possa ocorrer noutros locais da ria Formosa, dada a disponibilidade de habitat, contudo, é muito provável que os valores da extensão de ocorrência e área de ocupação não ultrapassem os valores definidos para esta categoria. As ameaças e pressões identificadas incluem a oclusão das áreas abertas em resultado da instalação de comunidades halófilas perenes (juncais, matos halófilos) ou comunidades herbáceas ruderais, o uso recreativo dos locais de ocorrência de núcleos e a intensificação da perturbação gerada pelo gado bovino. Pela sua reduzida dimensão, estes núcleos estão ainda sujeitos a quaisquer ameaças imprevisíveis. É necessário assegurar a manutenção de usos do solo nas parcelas onde ocorre, assinalando-se a sua presença e inserindo medidas que condicionem a alteração de usos nos instrumentos de gestão territorial. Sugere-se a conservação de sementes em bancos de germoplasma. É necessária prospeção adicional, de modo a melhorar o conhecimento sobre a sua distribuição, e monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8CA52A23FAFF8EB2E2FAF4.taxon	discussion	Trisetaria dufourei é uma gramínea endémica da Península Ibérica, que em Portugal continental apenas ocorre na faixa litoral sul do Algarve, em clareiras e orlas de matos sobre substratos arenosos não consolidados. É avaliada como Em Perigo por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, por apenas se identificarem três localizações atuais, por se observar um declínio da qualidade, área e extensão do seu habitat e ainda por se inferir um declínio continuado na extensão de ocorrência, área de ocupação e tamanho da população. Ao longo do século XX e até ao presente, a população nacional sofreu significativas pressões, principalmente devido à expansão urbano-turística, à construção de infraestruturas e à instalação de pomares de regadio, que promoveram a fragmentação de habitat e a destruição de núcleos. Embora se insiram no Parque Natural da Ria Formosa, ainda existem algumas pretensões de desenvolvimento turístico que poderão afetar duas das três localizações atualmente identificadas. Deverá ser implementado um plano de conservação, que inclua medidas de gestão de habitat, colheita de sementes para salvaguarda do património genético da população nacional, produção em viveiro e ações de reforço dos núcleos populacionais conhecidos ou repovoamento em áreas históricas de ocorrência. Deverão ser promovidos estudos demográficos e efetuada prospeção na sua área de distribuição histórica. Sugere-se ainda a monitorização, pelo menos, quinquenal dos núcleos atualmente conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8DA52B26D0FC3FB6FFF915.taxon	discussion	Armeria macrophylla é uma erva perene, endémica da faixa litoral sudoeste da Península Ibérica. Em Portugal ocorre entre Olhão e o planalto de São Vicente, em matos e pinhais abertos em solo arenoso. Assinalam-se diversas pressões sobre a população nacional, mas a principal é a expansão urbano-turística, uma vez que a maioria dos núcleos populacionais se inserem na proximidade de áreas urbanas ou de empreendimentos turísticos ou em áreas onde existem intenções para a sua construção futura. Outras pressões incluem a expansão de acácias, desmatações e limpezas excessivas de vegetação, o pisoteio e outras perturbações associadas a atividades recreativas. É avaliada como Vulnerável pois apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, assinala-se um significativo declínio da área e qualidade do seu habitat e do número de indivíduos maduros. Face às pressões assinaladas, identificam-se apenas 10 localizações. Para a sua conservação a nível nacional e global, afigura-se essencial a manutenção do bom estado de conservação dos principais núcleos populacionais (Ancão, Pontal, Quinta do Marim). Os núcleos fora dos limites de áreas protegidas deverão ser protegidos através do controlo / contenção da expansão urbana em sede de elaboração / revisão de planos de ordenamento do território ou procedimento de avaliação de impacto ambiental. Deverá também ser reforçada a fiscalização de atividades que promovam a destruição de núcleos e degradação de habitat, medidas para controlo e erradicação de acácias e ações de formação para as entidades responsáveis por limpezas de vegetação. Adicionalmente, os núcleos fora das áreas protegidas devem ser alvo de monitorização.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE8DA52B26D0FF8EB64BFCA2.taxon	discussion	Tuberaria globulariifolia var. major é uma planta endémica do Sul de Portugal continental, de distribuição praticamente restrita ao litoral do Sotavento algarvio, que habita em clareiras de matos e pinhais, em solos ácidos. É avaliada como Em Perigo por apresentar uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, por se identificarem apenas cinco localizações e por se observar um declínio continuado da sua área de ocupação, número de localizações, tamanho da população e área, extensão e qualidade do seu habitat. A planta mantém a categoria obtida na avaliação global anterior. A principal pressão identificada é a expansão urbano-turística, responsável pela elevada fragmentação da população e das manchas de habitat ainda disponíveis. Outras ameaças incluem a erosão, o pisoteio e a abertura de novas vias de acesso. Como principais medidas de conservação, sugerem-se a criação de microrreservas que abranjam os núcleos populacionais da planta não integrados em áreas do Sistema Nacional de Áreas Classificadas (SNAC), o alargamento dos limites do sítio ria Formosa / Castro Marim, de modo a abranger a totalidade do núcleo populacional de Ludo- Pontal-Gambelas e os núcleos de Ancão / Vale do Garrão, bem como o impedimento da perturbação destes núcleos pelas áreas de interesse turístico previstas nos Planos Diretores Municipais de Faro e de Loulé. Deverá ser implementado um plano de conservação dedicado que abranja a totalidade da população da planta. A salvaguarda dos núcleos populacionais, incluindo aqueles que não se encontram no SNAC, deve ser contemplada nos planos territoriais. Sugere-se ainda a continuidade dos esforços de monitorização da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE92A53423FAFF8EB4F4FCC7.taxon	discussion	Beta macrocarpa ocorre no Sul da Europa, Norte de África, Canárias e Ásia Ocidental. Em Portugal restringe-se ao litoral algarvio, onde ocorre em ambientes costeiros com alguma salinidade, por vezes ruderais. É avaliada como Vulnerável porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, infere-se declínio continuado na área, extensão e qualidade do seu habitat e apenas se identificam cerca de 10 localizações. Diversas ameaças põem em causa a viabilidade dos núcleos, sendo a planta particularmente suscetível a alterações morfológicas da costa motivadas por agentes naturais (e. g., subida do nível médio das águas do mar) ou de origem antrópica (e. g., alterações do uso do solo). A necessidade de conservação em Portugal é reforçada pela sua importância como dador de genes, no melhoramento da beterraba cultivada, sendo que a conservação de todos os núcleos populacionais deve ser garantida para preservação da diversidade genética. Como medidas de conservação, propõe-se a monitorização e gestão ativa dos núcleos populacionais, a maioria integrados no Sistema Nacional de Áreas Classificadas, a continuidade dos modelos de exploração tradicionais das salinas e a prospeção de novas ocorrências, em particular na costa sudoeste e no estuário do rio Sado. A conservação ex situ deve ser assegurada, através do aumento e diversificação das amostras em bancos de sementes e eventual cultura em jardins botânicos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE92A53423FAFC3FB4B8F915.taxon	discussion	Hymenolobus procumbens subsp. procumbens é uma erva anual habitante de arrelvados algo húmidos em zonas salinas, de distribuição muito localizada em Portugal continental. A população nacional estima-se entre 10 000 e 15 000 indivíduos maduros, embora seja um valor indicativo, pois a planta pode apresentar flutuações populacionais relevantes em face das condições ambientais. A principal pressão sobre a população nacional parece resultar das intervenções humanas associadas à atividade das salinas (obras de arranjo de caminhos e taludes, compactação de solo, etc.), pelo que se identificam apenas quatro localizações. Outra ameaça identificada é a expansão de espécies exóticas e de vegetação ruderal nos taludes das salinas. Apesar de não estarem identificados declínios continuados da dimensão da população nacional ou do seu habitat, a reduzida área geográfica ocupada pelos núcleos torna-os suscetíveis a quaisquer ameaças imprevisíveis, que podem provocar grandes reduções populacionais num só evento, pelo que a planta se avalia como Vulnerável. Nos locais de ocorrência dos núcleos, deverão ser condicionadas quaisquer atividades potencialmente destrutivas, incluindo aquelas que promovam a compactação do solo ou a sua nitrificação. Os núcleos do Ludo deverão ser alvo de recolha de sementes para armazenamento em dois bancos de germoplasma nacionais e multiplicação em viveiro, com o intuito de criar novos núcleos populacionais noutros pontos da ria Formosa. Nesta área, sugere-se também a erradicação de chorão ao longo dos caminhos e muros de salinas. Deverá realizar-se um programa de monitorização bienal dos núcleos, bem como continuar a prospeção noutras áreas de habitat favorável.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE93A53524EEFF8EB784FB78.taxon	discussion	Frankenia boissieri é uma planta, que existe apenas no Sudoeste da Península Ibérica, noroeste de Marrocos e Canárias, habitando em ambientes salinos, na margem de pequenas lagoas costeiras de água salobra, que secam no verão. Em Portugal continental é atualmente apenas conhecida no litoral sul do Algarve. É avaliada como Vulnerável porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, infere-se declínio da área e qualidade do seu habitat e apenas se identificam sete localizações. Os poucos núcleos que constituem a população nacional estão sujeitos a diversas pressões, destacando-se a expansão da exótica Spartina densiflora, a construção de infraestruturas para aproveitamento turístico e ainda ameaças como alterações no regime hidrológico, o pisoteio e / ou a mobilização excessiva de terras. Sugerem-se medidas de restrição da construção de infraestruturas e perturbação física dos locais onde ocorre, consagrando-as como condicionantes nos planos de ordenamento territorial vigentes na sua área de distribuição, e medidas de controlo da expansão de vegetação invasora. Deverão ser mantidos esforços de prospeção em locais de ocorrência histórica e efetuada monitorização dos núcleos conhecidos. Sugere-se ainda a recolha e armazenamento de sementes em bancos de germoplasma nacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE90A53623FAFF8EB310FCA2.taxon	discussion	Hypecoum littorale é uma planta, que em Portugal continental apresenta uma distribuição restrita aos sistemas dunares da orla litoral sul do Algarve. É avaliada como Vulnerável porque a população nacional se estima em menos de 1000 indivíduos. Seria expectável que a planta pudesse ocorrer com maior regularidade nas áreas com habitat favorável ao longo da ria Formosa. Contudo, os núcleos conhecidos ocorrem de modo muito disperso neste território. Apesar de estarem identificadas ameaças, como a expansão de plantas exóticas invasoras, ruderalização das comunidades e galgamentos oceânicos, não se conhecem ao certo os fatores que poderão estar a condicionar a população nacional, mas suspeita-se de que possam existir problemas reprodutivos ou de dispersão que impeçam a colonização de outras áreas com habitat aparentemente favorável. Por esse motivo, sugere-se que sejam realizados estudos ao nível reprodutivo, mas também ao nível das ameaças, que permitam identificar as causas da raridade da planta em Portugal. Recomenda-se ainda que sejam desenvolvidos estudos taxonómicos e genéticos que permitam confirmar as dúvidas existentes quanto à presença de um ou dois táxones de Hypecoum no litoral algarvio, após os quais poderá haver necessidade de rever a presente avaliação. Sugere-se a colheita e o armazenamento de sementes em dois bancos de germoplasma nacionais. Deverá ponderar-se o repovoamento da planta em algumas localidades do Barlavento algarvio onde ainda existam condições de habitat potencial. Estas ações deverão ser acompanhadas por monitorização dos núcleos conhecidos da planta, com uma frequência, pelo menos, quinquenal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE90A53623FAFC3FB40CF915.taxon	discussion	Limonium maritimum é uma espécie recentemente descrita, aparentemente endémica da Península Ibérica, que ocorre em rochas litorais e sapais, em locais inundados durante a maré alta. A análise dos registos de herbário indica que ocorreria em cinco subpopulações no litoral de Portugal continental, contudo, só existem registos recentes no litoral norte e na ria Formosa. Apesar de existir incerteza quanto à sua distribuição atual, uma vez que, até recentemente, pode ter sido confundida com espécies similares, o registo histórico indica que será uma planta pouco abundante, pelo que se assume uma abordagem de precaução, e opta-se por avaliar a planta apesar de algumas lacunas na informação. É avaliada como Vulnerável pela previsivelmente reduzida área de ocupação, pelo número reduzido de localizações (três a seis), por estar identificado um declínio continuado da qualidade do habitat e porque se estima que a população nacional não ultrapasse os 1000 indivíduos maduros. As pressões atuais sobre os núcleos incluem a poluição e deposição de lixos e entulhos e a expansão de espécies exóticas invasoras. No passado, outras pressões terão contribuído para o declínio do seu habitat, como a expansão urbano-industrial e a realização de obras de regularização de cheias que condicionaram a entrada de água salgada nos estuários. Sugerem-se medidas de conservação do seu habitat, nomeadamente a gestão da vegetação invasora e a manutenção das medidas de conservação ex situ atualmente existentes. Deverão ser desenvolvidas ações de educação ambiental, estudos que permitam melhorar o conhecimento da distribuição da espécie e deve ser efetuada a monitorização dos núcleos populacionais conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE91A53726D0FF8EB63BFCA2.taxon	discussion	Thymus albicans é uma planta endémica do Sul da Península Ibérica, que em Portugal ocorre numa área restrita do litoral algarvio, em matos xerófilos sobre solos arenosos consolidados. A população nacional estima-se abaixo dos 10 000 indivíduos maduros e é formada por núcleos populacionais que se distribuem de forma fragmentada. É avaliada como Vulnerável porque apresenta uma extensão de ocorrência e uma área de ocupação reduzidas, se observa um declínio continuado da qualidade e área do seu habitat, se infere um declínio continuado do tamanho da população nacional e se identificam apenas seis localizações. As principais pressões identificadas são as expansões urbana e turística e a construção de novas vias, responsáveis pela destruição direta de núcleos e pela fragmentação do habitat favorável. Outras pressões identificadas são a circulação e o estacionamento de veículos, a deposição ilegal de resíduos, as limpezas excessivas de terrenos, a expansão de espécies exóticas e o adensamento arbustivo resultante da regeneração natural. Sugere-se a implementação de medidas de gestão de habitat na sua área de distribuição, como o controlo da expansão de exóticas e da regeneração natural. Para tal, deverão ser estabelecidos acordos de gestão com os proprietários ou proceder-se à aquisição dos terrenos onde a planta ocorre. Estas medidas deverão ser acompanhadas por um aumento da fiscalização e por monitorização. Nos planos de ordenamento territorial, deverão ser integradas medidas para preservação dos núcleos, como o condicionamento da expansão urbano-turística e da construção de novas vias e a criação de microrreservas ou áreas protegidas de âmbito local.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE91A53726D0FC3FB5CDF9B6.taxon	discussion	Ulex argenteus subsp. subsericeus é um arbusto espinhoso endémico do Sudoeste da Península Ibérica, que habita em clareiras e orlas de pinhais, em solos arenosos. Em Portugal apenas ocorre numa estreita faixa litoral do Sotavento algarvio, onde está sujeito a fortes pressões resultantes das expansões urbana e turística e da expansão agrícola, responsáveis pela destruição direta de núcleos populacionais e pela fragmentação da área de habitat favorável. É avaliada como Vulnerável porque apresenta valores reduzidos de extensão de ocorrência e área de ocupação, porque se identifica declínio continuado da qualidade e área do seu habitat e do tamanho da população e porque se assinalam apenas nove localizações. Sugere-se a conservação de material genético em bancos de germoplasma nacionais e a realização de sementeiras em áreas de habitat favorável inseridas na sua área de distribuição, de modo a combater a crescente fragmentação dos núcleos populacionais. Sugere- se ainda a execução de ações de sensibilização nas escolas e freguesias da sua área de distribuição, uma vez que é uma planta pouco apelativa e que não desperta grande interesse público. Deverá ocorrer sensibilização das entidades envoltas nas limpezas de matos no âmbito de prevenção de incêndios, de modo que as manchas de tojal que não estejam localizadas perto de habitações sejam conservadas sem intervenção.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE96A53023FAFF8EB28CFD26.taxon	discussion	Carrichtera annua é uma erva anual amplamente distribuída no Leste da Península Ibérica, mas que em Portugal continental apenas foi assinalada em 1996, na proximidade de Albufeira. Habita em margens de caminhos e campos agrícolas abandonados, em solos básicos. A sua presença atual em território nacional apenas está confirmada num único local, onde foram encontradas algumas dezenas de plantas em 2019. A planta avalia-se como Criticamente em Perigo com base na sua distribuição extremamente restrita (extensão de ocorrência e área de ocupação inferiores a 10 km 2) e no declínio continuado da área do seu habitat, devido ao desenvolvimento urbano-turístico verificado nas últimas décadas e que se prevê manter-se no futuro. Este desenvolvimento representa a principal pressão sobre a população nacional e, por incidir em toda a área de ocorrência histórica da planta em Portugal, identifica-se apenas uma localização. Para a sua conservação deverão ser colhidas sementes para conservação em banco de germoplasma e para criação da planta em viveiro. Sugere-se que sejam efetuados esforços de reforço populacional em locais com menor pressão urbanística. Deverão ainda ser mantidos esforços de prospeção anuais na área de ocorrência histórica, entre o Cerro da Águia e Albufeira.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE96A53023FAFC3CB274F9B6.taxon	discussion	Globularia alypum é um arbusto de distribuição muito restrita em Portugal continental, onde apenas se conhece um único núcleo populacional com 40 indivíduos. Ocorre em matos sobre solos margosos e pedregosos, em locais muito secos e com elevada exposição solar. É avaliado como Criticamente em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação exíguas, porque se projeta um declínio continuado da qualidade do habitat e do tamanho da população regional e porque apenas apresenta uma localização, na qual se concentram todos os indivíduos maduros (apenas 40). A principal ameaça à população regional é a erosão da vertente onde ocorre o único núcleo populacional, que se tem agravado nas últimas décadas e que, a médio prazo, acabará por atingir a cota onde se encontram os indivíduos, projetando-se uma redução populacional muito significativa, superior a 80 %. Sugere-se a elaboração e implementação de um plano de conservação dedicado, que inclua medidas para assegurar a preservação do núcleo atual, nomeadamente a realização de medidas de engenharia natural para controlo da erosão da vertente, a recolha e armazenamento de material genético e a constituição de novos núcleos populacionais noutras áreas protegidas do Barrocal algarvio. Sugere-se ainda a monitorização regular deste núcleo e de outros que venham a ser estabelecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE97A53126D0FF8EB5ECFCC7.taxon	discussion	Helianthemum cinereum subsp. rotundifolium é uma pequena planta perene, que em Portugal continental apenas ocorre numa área muito restrita da zona central do Barrocal algarvio, em clareiras de tomilhais, sobre solo margoso. É avaliada como Criticamente em Perigo porque a população nacional é muito reduzida; está estimada em menos de 100 indivíduos maduros, todos concentrados numa única subpopulação sobre a qual se observa e projeta um declínio continuado. Este irá agravar-se no futuro, em resultado da erosão da vertente onde ocorre o maior núcleo populacional conhecido. Assinalam-se ainda outras ameaças, como a destruição dos pequenos núcleos localizados na proximidade de bermas de caminhos e a suscetibilidade dos pequenos núcleos a fenómenos de extinção estocástica, quer devido à reduzida área ocupada, quer devido ao extremamente reduzido número de indivíduos que os compõem. Deverá ser implementado, com urgência, um plano de conservação dedicado a esta planta, o qual deverá integrar ações de estabilização da vertente no local onde ocorre o principal núcleo populacional, medidas de conservação ex situ, como a conservação de sementes em banco de germoplasma, e criação de um núcleo em viveiro. Sugere-se a monitorização regular dos núcleos conhecidos, de modo a acompanhar atempadamente o possível agravamento das pressões já assinaladas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE97A53126D0FC3FB543F974.taxon	discussion	Kundmannia sicula é uma erva perene de distribuição mediterrânica, que em Portugal apenas se conhece atualmente no Algarve, habitando em pousios sobre solo calcário margoso. É avaliada como Criticamente em Perigo porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (4 km 2) e porque apenas se conhece uma localização atual. Acresce que estão identificados declínios continuados ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, número de localizações e da qualidade de habitat. A principal pressão sobre a população nacional é o excessivo pisoteio de gado bovino no núcleo de Castro Marim, que está a provocar a erosão do solo no local. Outras ameaças incluem reconversão agrícola dos pomares de sequeiro tradicionais e a adoção de práticas culturais não compatíveis com a conservação da planta. A reduzida área ocupada pelo núcleo torna-o muito suscetível a qualquer ameaça imprevisível. A possibilidade de reconversão de uso do solo na área de ocorrência do núcleo de Castro Marim deverá ser fortemente condicionada, no âmbito dos instrumentos de gestão territorial aqui vigentes. Sugere-se a criação de incentivos para a manutenção das condições do habitat, com obrigatoriedade de cumprimento de um conjunto de medidas de gestão benéficas ou, pelo menos, compatíveis com a planta. Deverá ser mantida a monitorização dos núcleos, bem como prosseguidos os esforços de prospeção noutros pontos da sua área de distribuição histórica. Sugere-se ainda a conservação de sementes em bancos de germoplasma nacionais.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE94A53223FAFF8EB314FD26.taxon	discussion	Klasea flavescens subsp. mucronata é uma planta, cuja ocorrência em Portugal, exclusiva do Barrocal algarvio, representa uma importante disjunção geográfica, uma vez que a subpopulação mais próxima ocorre em Málaga, na Andaluzia. Habita em orlas e clareiras de matos sobre solos calcários margosos. Conhecem-se apenas cinco núcleos populacionais e a população nacional não deverá ultrapassar os 250 indivíduos maduros, pelo que se avalia como Em Perigo. As principais ameaças identificadas são a oclusão de clareiras devido ao aumento da cobertura de matos altos e às diversas pressões antrópicas, que facilmente podem eliminar núcleos populacionais por inteiro. Sugere-se a criação de uma área protegida de âmbito local, que poderá garantir a preservação in situ do seu habitat e a implementação de um plano de conservação dedicado, com medidas de restauro de habitat (gestão seletiva dos matos), armazenamento de sementes em bancos de germoplasma, produção em viveiro e reforço populacional ou criação de novos núcleos populacionais. Deverão ser desenvolvidos estudos que permitam incrementar o conhecimento dos problemas reprodutivos e que esclareçam os processos que determinam a sua reduzida dispersão e efetuada monitorização, com uma frequência, pelo menos, bienal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE94A53223FAFC3FB2DCFA3D.taxon	discussion	Lavatera triloba subsp. triloba é uma planta de distribuição ibero-norte-africana, que em Portugal continental se distribui, de modo pontual, sensivelmente entre Estremoz e o Barrocal algarvio, onde tem o maior número de núcleos populacionais. Ocorre em bermas de caminhos, pousios e clareiras de matos e, mais raramente, arribas litorais, sobre solos calcários. É avaliada como Em Perigo porque a população nacional se estima em menos de 150 indivíduos maduros. Dentro das principais ameaças destacam-se a expansão urbana, a oclusão de clareiras devido ao desenvolvimento de matagais e a extinção de núcleos por fatores estocásticos. Para a futura conservação desta planta sugere-se a gestão ativa do seu habitat, o fortalecimento dos núcleos populacionais através da propagação em viveiro de plantas e a educação e divulgação ambiental. Recomenda-se a continuação de prospeção dirigida e a realização de estudos que permitam avaliar as ameaças e pressões que pesam sobre a população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE95A53326D0FF8EB68CFCA2.taxon	discussion	Narcissus willkommii é uma planta bolbosa endémica de Portugal continental, atualmente restrita a um troço de uma ribeira na zona central do Algarve. Estima-se que a população seja constituída por cerca de 1400 a 10 000 indivíduos maduros, todos na mesma subpopulação. É avaliada como Em Perigo por apresentar uma reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação (16 km 2) e por se ter identificado declínio continuado ao nível da área de ocupação, extensão de ocorrência, qualidade do habitat, número de localizações e número de indivíduos. O declínio desta espécie ocorreu principalmente ao longo da última metade do século passado e, pelo menos, até à década de 90 do século XX, quando foi destruído um importante núcleo populacional nos arredores de Loulé. A principal ameaça sobre a planta será a reconstrução de açudes ao longo do troço da ribeira onde ocorre, estimando-se um máximo de quatro localizações. As pressões mais relevantes incluem a expansão do canavial, a erosão hídrica dos taludes e margens onde ocorre e o corte de vegetação nas margens durante o período de floração ou frutificação. Sugere-se a realização de um plano de conservação da espécie que deverá incluir medidas, como o repovoamento noutros locais de ocorrência histórica que ainda apresentem condições favoráveis e o controlo da expansão do canavial ao longo da ribeira de Quarteira. As autoridades responsáveis deverão ser alertadas para programarem as atividades de gestão de vegetação nas margens fora dos períodos de floração e frutificação desta espécie. Sugere-se ainda a monitorização regular da população, de modo a acompanhar a tendência populacional e eventuais impactos subestimados.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE95A53326D0FC3FB807F957.taxon	discussion	Picris willkommii é uma planta anual, que se encontra em prados e pousios de terrenos com uso agropastoril extensivo, em solos predominantemente calcários. Trata-se de uma espécie endémica do Sudoeste da Península Ibérica, que em Portugal apenas ocorre nos arredores de Castro Marim. Apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas (cerca de 30 km 2). Existem evidências de um declínio continuado da área e da qualidade do seu habitat nas últimas décadas e um conjunto de pressões e ameaças que sugerem a existência de apenas cinco localizações. Face a estas considerações, a planta é avaliada como Em Perigo. As principais pressões identificadas resultam do alargamento e da construção de estradas, da expansão urbana da vila de Castro Marim e da realização de ações de gestão de vegetação lesivas para a planta. Algumas ameaças relevantes incluem a eventualidade de intensificação agrícola ou alterações no regime pastoril, como o aumento de encabeçamento do gado bovino ou, em sentido inverso, o completo abandono da atividade pastoril. Propõem-se medidas para a sua conservação, como o estabelecimento de acordos com proprietários dos terrenos para a manutenção de práticas agro-pastoris extensivas que permitam a existência de condições de habitat, pelo menos nos núcleos mais numerosos, o condicionamento do uso de herbicidas, a calendarização adequada das ações de gestão de vegetação de bermas e taludes e a fiscalização apertada destas atividades. Sugere-se ainda a monitorização da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9AA53C23FAFC3CB4A1F9DA.taxon	discussion	Centaurea occasus é uma planta endémica do Sul de Portugal continental de distribuição restrita ao Barrocal algarvio. Ocorre em orlas ou clareiras de matos e matagais basófilos. É avaliada como Vulnerável por apresentar reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação (cerca de 145 km 2 e de 52 km 2, respetivamente), por apenas se identificarem seis a sete localizações atuais e porque se assinala um declínio continuado da qualidade do seu habitat. A principal pressão está relacionada com a oclusão das clareiras devido ao desenvolvimento dos matagais, mas as outras ameaças incluem a erosão das vertentes e a edificação dispersa, sendo também provável a existência de dificuldades reprodutivas ou de dispersão. A planta deverá ser alvo de um plano de conservação dedicado, que inclua medidas de gestão que promovam o controlo dos processos erosivos, a manutenção / abertura de clareiras nas zonas de matagal, o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma, a monitorização dos núcleos conhecidos e ainda a realização de estudos genéticos e reprodutivos. Sugere-se ainda que seja considerada como planta a proteger em Portugal.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9AA53C23FAFF8EB39CFC85.taxon	discussion	Plantago algarbiensis é um endemismo ibérico, com distribuição muito restrita em Portugal continental, apenas presente no Algarve, entre Algoz e Faro. Ocorre em prados ralos, sobre solos argilosos e acentuadamente férricos, sujeitos a encharcamento temporal durante o inverno e princípio da primavera. Apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação muito reduzidas e verifica-se um declínio continuado da extensão e qualidade do seu habitat e do número de indivíduos maduros, uma vez que se observou a destruição total ou parcial de alguns núcleos populacionais ao longo da última década. Os fatores de pressão mantêm-se e poderão agravar-se no futuro próximo, destacando-se a expansão urbana na subpopulação de Gambelas e a construção de uma zona industrial na subpopulação de Algoz. Outras ameaças relevantes incluem a revitalização da atividade extrativa de argilas, o adensamento arbustivo e obras de beneficiação de caminhos. Este conjunto de ameaças e pressões permite identificar apenas quatro localizações, pelo que a espécie se avalia como Em Perigo. Apenas uma das subpopulações ocorre numa área classificada, pelo que se sugere a criação de microrreservas para proteção das restantes. Deverão ser revistos alguns instrumentos de gestão territorial, de modo a compatibilizar o tipo de uso de solo previsto para os locais onde a espécie ocorre com a manutenção de condições para a sua conservação. Sugere-se ainda medidas de gestão de habitat na envolvente de alguns núcleos e a criação de novos núcleos populacionais, de modo a minimizar o risco de extinção da população nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9BA53D26D0FF8EB827FD26.taxon	discussion	Crucianella latifolia é uma pequena erva anual, que ocorre em clareiras de matos, em arrelvados instalados em substratos com alguma humidade, pedregosos e de origem calcária. Em Portugal continental conhece-se apenas a sua presença, de modo pontual, no Barrocal algarvio. É avaliada como Vulnerável porque apresenta extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, identificam-se oito localizações (correspondendo a cada um dos núcleos conhecidos) e observa-se o declínio continuado da qualidade do seu habitat, devido às ameaças a que está sujeito, em que merece especial destaque a ação antrópica (expansão urbana dispersa, expansão de agricultura intensiva) e a oclusão de clareiras devido ao desenvolvimento de matagais. Sugerem-se como propostas para a sua conservação a implementação de medidas de gestão de habitat, nomeadamente através da gestão seletiva de matos, e a propagação de indivíduos em viveiro, tendo em vista o reforço populacional nos núcleos onde os habitats se encontrem em melhor estado de conservação. Sugerem-se ainda incentivos económicos, nomeadamente através de apoios agroambientais que permitam manter usos compatíveis com a planta. Deverão também realizar-se estudos sobre a distribuição e dinâmica dos núcleos populacionais, a fim de aumentar o conhecimento sobre esta espécie.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9BA53D26D0FC3FB7DFF974.taxon	discussion	Euphorbia medicaginea é uma planta de distribuição mediterrânica, que em Portugal continental foi registada exclusivamente no Algarve, em margens de caminhos, taludes e campos agrícolas abandonados. No último quarto de século foram registados quatro núcleos populacionais, dos quais apenas um foi detetado no âmbito do trabalho de campo realizado para a Lista Vermelha. Trata-se de uma planta de difícil identificação no terreno, que, numa observação menos atenta, pode ser confundida com outras plantas similares do mesmo género, sendo plausível que possa ter passado despercebida noutros pontos do território, já que se trata de uma planta ruderal, com capacidade de colonizar meios humanizados. A planta é avaliada como Vulnerável porque, embora atualmente não exista informação suficiente para se assumir a existência de declínios continuados ao nível da área de ocupação ou do tamanho da população nacional, existem ameaças identificadas que poderão levar a planta a Criticamente em Perigo num curto espaço de tempo. Sugerem-se medidas de gestão de habitat, como a limpeza e desbaste seletivo sem recurso a mobilizações do solo e a realizar após o período de frutificação e a erradicação completa de exóticas na proximidade do núcleo confirmado. Deverão ser conduzidos esforços de prospeção dirigida, principalmente na proximidade das áreas da sua ocorrência histórica e esforços de repovoamento que permitam aumentar o número de efetivos e de núcleos da população nacional. Sugerem-se ainda estudos para uma melhor compreensão dos fatores que poderão estar a afetar a dispersão da espécie em território nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE98A53E23FAFF8EB490FCA2.taxon	discussion	Lens lamottei é uma erva anual, que se distribui pela zona ocidental da bacia mediterrânica e que em Portugal continental ocorre de modo muito disperso e fragmentado, habitando em prados e pomares de sequeiro, sobre solo calcário. A prospeção dirigida efetuada entre 2017 e 2018 permitiu a deteção de quatro núcleos populacionais, 50 anos após a última colheita da planta em território nacional. Embora existam extensas áreas de habitat potencialmente favorável, que sugerem que possa haver mais núcleos ainda por detetar, a raridade da planta em Portugal parece ser corroborada pelo escasso registo histórico. É avaliada como Vulnerável com base num reduzido número de localizações atuais (três), identificadas com base na pressão do desenvolvimento urbano, que poderá causar a destruição de uma das localizações num curto prazo, assinalando-se ainda outras ameaças, como a instalação de pomares de regadio e obras de beneficiação de estradas. Esta planta beneficiaria de um plano alargado de conservação dos pomares de sequeiro tradicionais, através de incentivos financeiros aos proprietários para a sua manutenção e implementação de práticas de gestão compatíveis com a manutenção da planta. Deverão também ser empreendidas medidas de conservação ex situ, nomeadamente o armazenamento de sementes em bancos de germoplasma e a criação em viveiro de modo a que possa ser utilizada como população-fonte em ações de repovoamento. Sugere-se ainda a realização de estudos sobre aspetos biológicos e reprodutivos que possam estar a condicionar a população nacional, a continuação dos esforços de prospeção dirigida nas áreas de ocorrência atual e histórica e a monitorização dos núcleos conhecidos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE98A53E23FAFC3FB384F915.taxon	discussion	Ranunculus macrophyllus é uma planta de distribuição mediterrânica, cuja ocorrência em Portugal continental apenas está assinalada para o Algarve, habitando em prados com alguma humidade e sujeitos a pastoreio moderado. O tamanho da população nacional estima-se entre 250 e 500 indivíduos maduros e conhecem-se apenas sete núcleos populacionais. Estes valores poderão estar algo subestimados, devido à dificuldade em encontrar e identificar a planta no terreno e devido à semelhança com Ranunculus bulbosus subsp. aleae, com a qual foi frequentemente confundida. Avalia-se como Vulnerável porque apresenta reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, porque se infere um declínio continuado da qualidade do seu habitat e porque se identificam apenas sete localizações. O declínio do seu habitat está relacionado com o abandono generalizado da pastorícia extensiva, que promove uma perturbação moderada da qual a planta parece depender. Deverão ser desenvolvidos estudos que permitam identificar a intensidade de pastorícia adequada à manutenção das condições ecológicas necessárias à espécie. Posteriormente, deverão ser implementados incentivos económicos para a manutenção destas práticas no terreno e para conservação das parcelas onde a espécie ocorra. Sugere-se a recolha de sementes da população nacional e armazenamento em dois bancos de germoplasma, sendo que este material poderá permitir a reprodução em viveiro. Sugere-se ainda o empreendimento de estudos que permitam melhorar o conhecimento ao nível da distribuição atual da planta e do significado das ameaças existentes. A presente avaliação deverá ser revista após a realização desses estudos.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9EA53823FAFF8EB335FBDF.taxon	discussion	Galium concatenatum é uma planta herbácea, que em Portugal apenas ocorre no Barrocal algarvio, em prados rupícolas, clareiras de matos, afloramentos rochosos com acumulação de terra ou solos pedregosos, todos ocorrentes em zonas calcárias. É avaliada como Vulnerável pois apresenta uma extensão de ocorrência aproximada de 670 km 2 e uma área de ocupação de 124 km 2, identificando-se apenas oito localizações concretas, face à expansão urbana e à intensificação agrícola, principais causas responsáveis pelo declínio continuado do seu habitat e do tamanho da população. Prevê-se que estes declínios se agravem no futuro. De forma a melhorar o estado de conservação desta planta, sugere-se o restauro e gestão do habitat, a conservação ex situ, através da recolha de sementes e propagação em viveiro, a divulgação e educação ambiental, bem como proporcionar incentivos económicos para a sua conservação, nomeadamente através de apoios agroambientais. De modo a conseguir dados mais concretos, propõe-se a realização de estudos sobre distribuição e dinâmica populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9FA53926D0FC3CB6F0F9B6.taxon	discussion	Cymodocea nodosa é uma erva marinha de distribuição mediterrânica, norte-africana e macaronésica, que em Portugal continental ocorre no estuário do rio Sado, na ria Formosa e em alguns pontos isolados na costa sul do Algarve. Na última década observou-se o desaparecimento de diversas pradarias marinhas formadas por esta espécie na ria Formosa, pelo que é avaliada como Vulnerável pela sua reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação, pelo reduzido número de localizações e por estarem identificados declínios continuados da área de ocupação, do tamanho da população regional e da qualidade do seu habitat. As principais ameaças estão relacionadas com a eutrofização das águas e com diversas intervenções humanas, como dragagens, abertura de canais, escarificação das pradarias pelo lançamento de âncoras de fundear embarcações e pesca de arrasto. Os efeitos destas intervenções são agravados pelo facto de a planta estar completamente dependente da reprodução vegetativa para recuperar destes impactos. Sugerem-se medidas para uma melhor implementação das leis já existentes ou o seu reforço (e. g., proibir a pesca industrial dentro das áreas com pradarias da espécie), estabelecimento de medidas de mitigação e boas práticas em atividades como dragagem de canais e pesca de arrasto. Sugere-se ainda a monitorização das pradarias marinhas e a sensibilização pública para a sua conservação.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9FA53926D0FF8EB6DEFCA2.taxon	discussion	Ruppia drepanensis é uma erva anual aquática, que em Portugal continental é apenas conhecida de uma única colheita, realizada no Algarve na década de 80 do século XX, e desde então não voltou a ser registada. As prospeções efetuadas até ao momento revelaram-se infrutíferas. Apesar de ser plausível a sua extinção regional, atendendo à ausência de registos recentes e a um declínio continuado da qualidade de habitat nas lagoas costeiras do Algarve, apenas passaram cerca de 35 anos desde a sua colheita em território nacional, pelo que ainda existe a possibilidade de subsistência da espécie, pelo menos no banco de sementes da sua localidade histórica. É uma planta de complexa identificação e de difícil prospeção no terreno, o que pode levar a que passe despercebida em algum local, sendo assim difícil de comprovar a sua extinção em território nacional. Devido a esta incerteza, não se pode aplicar a categoria Regionalmente Extinta, avaliando-se a planta como Criticamente em Perigo (Potencialmente Regionalmente Extinta). Trata-se de um género dispersado por aves aquáticas, que se movimentam regularmente entre áreas de ocorrência da espécie em Espanha (Doñana) e as zonas húmidas do Algarve, sendo plausível uma possível recolonização caso haja condições de habitat favoráveis. Sugere-se a continuação das prospeções dirigidas, no sentido de identificar eventuais núcleos populacionais que possam ter sobrevivido e identificar-se a localização original da única colheita. Caso seja identificada, essa área poderá ser gerida de modo a recuperar condições favoráveis ao reaparecimento da espécie. Caso se confirme o seu desaparecimento, a reintrodução da espécie pode ser uma opção a ponderar.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9CA53A23FAFF8EB395FD68.taxon	discussion	Ruppia cirrhosa é uma planta aquática, que em Portugal continental ocorre de modo muito disperso em estuários ou lagoas costeiras ao longo do litoral, entre a ria de Aveiro e o estuário do rio Guadiana. É avaliada como Vulnerável por apresentar uma reduzida área de ocupação, por se inferir um declínio continuado da qualidade de habitat e por apenas se identificarem sete localizações, coincidentes com cada uma das subpopulações conhecidas. Algumas das ameaças e pressões identificadas incluem a reconversão de salinas para outros fins, a poluição e eutrofização excessivas das massas de água e dragagens. Para proteção de lagoas costeiras e a manutenção das salinas onde ocorrem os núcleos populacionais da espécie, seria importante uma melhor implementação da legislação já existente, como a Diretiva Quadro da Água (2000 / 60 / CE), acompanhada por incentivos financeiros para a manutenção de salinas com propósitos para a conservação. Sugere-se ainda a realização de estudos que permitam melhorar o conhecimento sobre a distribuição atual da espécie e verificar a identidade do táxon com recurso a análise genética.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFE9CA53A23FAFC3FB579F974.taxon	discussion	Zostera marina é uma erva marinha de ampla distribuição global, que em Portugal continental ocorria, historicamente, em vários pontos ao longo do litoral entre o rio Minho e a ria Formosa. Ao longo das últimas décadas desapareceu de alguns destes locais históricos e atualmente apenas se conhece a sua presença na lagoa de Óbidos, estuário do rio Sado e ria Formosa. É avaliada como Vulnerável por se observar um declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação, número de localizações, número de indivíduos maduros e área, qualidade e extensão do seu habitat. As principais causas de ameaça e / ou pressão são as alterações das dinâmicas de erosão / sedimentação, eutrofização e a destruição e fragmentação das pradarias marinhas por ação humana (e. g., dragagens, pesca de arrasto). Para a conservação da população nacional, sugerem-se medidas a longo prazo e com escala nacional de recuperação do seu habitat, incluindo: promover a melhoria da qualidade da água, redução da eutrofização e da turbidez em zonas costeiras e estuarinas, implementação de condicionantes a ações de dragagem de canais, a artes de pesca de fundo e fundeamento de embarcações de recreio e estabelecimento de boas práticas que permitam mitigar os seus impactos. Deve ser estudada a possibilidade de repovoamento da espécie na ria de Aveiro e o reforço das populações através de ações de transplante em outros locais. Seria importante também criar uma área protegida para a subpopulação da lagoa de Óbidos. Sugerem-se ainda a monitorização regular dos núcleos populacionais e a sensibilização pública para a conservação das pradarias marinhas.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE3A5452424FC3FB81CFA81.taxon	discussion	Armeria arcuata era uma planta endémica do litoral sudoeste de Portugal. Os últimos registos datam do final do século XIX e a planta não voltou a ser observada desde então, apesar de ter sido efetuada prospeção dirigida ao longo das últimas décadas. Face à ausência de registos recentes e às profundas alterações de uso do solo ocorridas na sua área de distribuição histórica, é avaliada como Extinta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE3A5452424FF8EB6CEFC85.taxon	discussion	Armeria neglecta é uma planta endémica de Portugal continental restrita ao Baixo Alentejo, sobre a qual a informação existente é extremamente escassa e antiga, não havendo quaisquer registos de ocorrência na natureza há mais de um século, mesmo após ter sido alvo de prospeção dirigida, e não havendo qualquer registo de indivíduos mantidos em viveiro ou em jardins botânicos. Por esses motivos e porque as condições de habitat se alteraram bastante ao longo do último século na área provável da sua distribuição, assume-se o desaparecimento da planta, sendo avaliada como Extinta. Assume-se que a pressão resultante da atividade agrícola ao longo do século XX tenha sido uma das prováveis causas para o seu desaparecimento. A alteração de categoria face à obtida em avaliação global anterior, Informação Insuficiente, resulta de se assumir a extinção da planta, possibilidade que já fora mencionada pelo autor dessa avaliação.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE0A54622F5FF8EB111FCE4.taxon	discussion	Astragalus algarbiensis é uma planta historicamente referenciada para o Algarve que foi colhida pela última vez no século XIX. Os esforços de prospeção realizados posteriormente revelaram-se infrutíferos e não há conhecimento de ser mantida artificialmente em Portugal, pelo que é verosímil que a planta esteja extinta em Portugal continental. Crê-se que o seu desaparecimento esteja relacionado com a expansão urbanística da cidade de Faro e a intensificação agrícola na sua envolvente, que decorreram ao longo do século XX. A planta é avaliada como Regionalmente Extinta, uma vez que ainda ocorre no estado selvagem em Marrocos. A possibilidade da sua reintrodução em Portugal deverá ser alvo de ponderação de benefícios, sendo primeiramente necessária a realização de um estudo dos seus requisitos ambientais e identificação de áreas de habitat adequado.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE1A5472424FF8EB80FFD09.taxon	discussion	Bupleurum rotundifolium é uma planta de ampla distribuição europeia, que em Portugal continental apenas se conhecia de uma única localidade no Minho (Troporiz). O último registo de colheita data de 1885 e desde então a planta não voltou a ser vista. As prospeções dirigidas efetuadas no local de ocorrência histórica foram infrutíferas, pelo que se avalia a planta como Regionalmente Extinta. Desconhecem-se as causas para o seu desaparecimento, embora o território tenha certamente sofrido profundas alterações de uso do solo ao longo do último século. Por se tratar de uma planta de ampla distribuição europeia e aparentemente não ameaçada a nível global, não deverá ser considerada como uma prioridade para reintrodução.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE1A5472424FC3CB768F9B6.taxon	discussion	Cirsium valdespinulosum é uma planta que se distribui pela bacia mediterrânica ocidental mas que em Portugal continental apenas se registou a sua presença na zona entre Coina e Vendas Novas. Não existem quaisquer registos recentes da planta e, tendo em consideração que a planta já era indicada como muito rara em meados do século XX e atendendo às relevantes transformações paisagísticas ocorridas nas zonas baixas da bacia do Tejo, nomeadamente a drenagem de zonas húmidas e intensificação da atividade agrícola e pastoril, assume-se que esta planta possa ter desaparecido de Portugal continental, avaliando-se como Regionalmente Extinta. Sugere-se que se mantenha prospeção dirigida nas áreas históricas de ocorrência, na remota eventualidade de ainda poder existir algum núcleo populacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE6A54022F5FF8EB18DFD09.taxon	discussion	Damasonium alisma é uma planta aquática que na Península Ibérica apenas era conhecida dos arredores de Montemor-o-Velho, no Baixo Mondego. Os últimos registos de herbário da planta datam de 1950 e, apesar de terem sido desenvolvidos esforços de prospeção dirigida efetuados ao longo das últimas décadas, a planta não voltou a ser observada em território nacional. Face às profundas alterações de habitat na área envolvente aos locais históricos em resultado de processos de intensificação agrícola, é verosímil que a planta se tenha extinguido em território nacional. Uma futura reintrodução da planta em Portugal continental deverá ser alvo de uma prévia análise de ponderação de benefícios e de viabilidade.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE7A5412424FF81B7D6FD09.taxon	discussion	Damasonium polyspermum é uma planta aquática que em Portugal continental apenas era conhecida dos arredores de Montemor-o-Velho, no Baixo Mondego. Os últimos registos de herbário da planta datam de 1969 e, apesar de terem sido desenvolvidos esforços de prospeção dirigida efetuados ao longo das últimas décadas, a planta não voltou a ser observada em território nacional. Face às profundas alterações de habitat na área envolvente aos locais históricos em resultado de processos de intensificação agrícola, é verosímil que a planta se tenha extinguido em território nacional. Uma futura reintrodução da planta em Portugal continental deverá ser alvo de uma prévia análise de ponderação de benefícios e viabilidade.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE4A54222F5FF8EB2FDFCC7.taxon	discussion	Epipactis palustris é uma orquídea de ampla distribuição euro-asiática que em Portugal continental ocorria exclusivamente em prados húmidos perto do litoral entre o Minho e a Beira Litoral. Avalia-se como Regionalmente Extinta porque o último registo de colheita data de 1961 e atualmente não se conhece nenhum núcleo populacional em território nacional, mesmo após a realização de esforços de prospeção em habitat favorável na sua área de distribuição histórica, continuados ao longo das últimas duas décadas. Por outro lado, os locais de ocorrência histórica apresentam-se muito degradados, pela expansão urbana e agrícola, por drenagem e pela expansão de espécies exóticas invasoras. Deverão ser ponderados os benefícios de uma possível reintrodução, utilizando-se para o efeito sementes de plantas da população do Norte de Espanha.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE5A5432424FF8EB7E8FD8D.taxon	discussion	Euphrasia minima é uma planta anual com uma distribuição lata, presente nas montanhas do Centro e do Sul da Europa, que em Portugal continental foi detetada apenas no extremo nordeste do território, em Montesinho, junto à fronteira, onde foi observada pela última vez há mais de 80 anos. Nãoseconhecemquaisquerregistosdeobservaçãoposteriores, apesar de ter sido efetuada prospeção da planta na envolvente do último local onde foi observada, pelo que é avaliada como Regionalmente Extinta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE5A5432424FC3CB811F9B6.taxon	discussion	Geranium lanuginosum é uma planta de distribuição mediterrânica que em Portugal apenas ocorria no Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde foi colhida numa única ocasião, em 1945. A construção da barragem do Alto Lindoso, no início da década de 90 do século XX, terá destruído uma extensão considerável de habitat favorável, contudo não se conhecem totalmente as causas do seu desaparecimento. É avaliada como Regionalmente Extinta uma vez que passaram mais de 70 anos desde a única colheita e porque o único local de ocorrência histórica se situa numa área regularmente visitada por botânicos e as tentativas de prospeção efetuadas na área envolvente não tiveram sucesso. Apesar de muito improvável a sua sobrevivência em território nacional, deverá ser mantido o esforço de prospeção noutros pontos da região envolvente.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEEAA54C22F5FF8EB180FCC7.taxon	discussion	Lindernia procumbens é uma planta com ampla distribuição global que em Portugal continental é avaliada como Regionalmente Extinta, porque atualmente não é conhecido nenhum indivíduo sobrevivente em território nacional, apesar das prospeções realizadas nos seus locais de ocorrência histórica em que foi colhida no passado e noutros locais onde havia registos da planta, cuja determinação taxonómica se veio a verificar errónea. Os únicos registos confirmados em Portugal continental localizavam-se no trecho jusante do rio Minho, onde não se deteta esta espécie há cerca de 70 anos. Dada a sua biologia, novas prospeções devem ser realizadas ao longo das margens do rio Minho e suas ínsuas. A manutenção das condições do habitat favorável será essencial para um futuro regresso ou reintrodução desta planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEEBA54D2424FF8EB859FCC7.taxon	discussion	Ononis hirta é uma erva anual amplamente distribuída na bacia do Mediterrâneo, mas que em Portugal continental apenas era conhecida de um único local, em Caneças, nos arredores de Lisboa, onde habitaria prados e pastagens na orla de campos de cultivo, em solo calcário. A planta foi pela última vez colhida em 1946 e desde então não existem quaisquer registos, apesar de prospeção dirigida realizada em 2018. Devido às profundas alterações de uso do solo ocorridas na envolvente do seu local de ocorrência histórica em território nacional, nomeadamente a expansão urbana, assume-se que possa ter desaparecido de Portugal continental, avaliando-se assim como Regionalmente Extinta. Deverá ser ponderada a sua reintrodução em Portugal continental, embora não deva ser uma prioridade por não se tratar de uma planta ameaçada a nível global.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE8A54E22F5FF8EB256FD4B.taxon	discussion	Onopordum macracanthum é um cardo que ocorre na zona ocidental da bacia mediterrânica, habitando em incultos e margens de caminhos em solos básicos. Em Portugal continental era referenciado para a região sul (Algarve e Baixo Alentejo), mas o último registo da sua presença no território data do século XIX (1888). No âmbito do projeto da Lista Vermelha, foi efetuada prospeção dirigida nos locais de ocorrência histórica e na sua envolvente, embora todos os esforços tenham sido infrutíferos. Atendendo ao longo período sem qualquer observação em Portugal continental, a planta é avaliada como Regionalmente Extinta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEE9A54F2424FF8EB822FD26.taxon	discussion	Plantago sempervirens é uma planta historicamente referenciada para o rio Douro, em Foz Tua, tendo sido colhida pelo Prof. Gonçalo Sampaio em julho de 1905. Desde essa data que nunca mais foi observada, sendo que este local foi amiúde visitado por botânicos. Mais recentemente, no âmbito dos estudos de impacte ambiental do Projeto Hidroelétrico de Foz Tua, este local foi intensamente prospetado, com resultados infrutíferos. A planta é avaliada como Regionalmente Extinta, uma vez que ocorre em estado selvagem tanto em Espanha como na restante área de distribuição. Em Portugal, é provável que a construção da barragem de Valeira em 1976 tenha sido responsável pelo seu desaparecimento. A possibilidade da sua reintrodução em Portugal deverá ser alvo de ponderação de benefícios.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEEEA54822F5FF8EB1C5FD26.taxon	discussion	Rhodalsine geniculata é uma planta de distribuição mediterrânica, rasteira, de características ruderais, que ocorre em locais secos e arenosos, preferencialmente junto ao mar. Em Portugal continental ocorria numa área muito restrita do litoral alentejano, entre Sines e São Torpes, sendo que a última observação data de 1968, em São Torpes. Recentemente foram realizadas prospeções direcionadas, mas não foi encontrado nenhum exemplar na sua área de distribuição ou na envolvente, sendo avaliada como Regionalmente Extinta. As causas do seu desaparecimento poderão estar relacionadas com o elevado desenvolvimento industrial, urbano e turístico da área envolvente. Recomenda-se a realização de novas prospeções a fim de confirmar ou alterar a categoria agora atribuída.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEEEA54822F5FC3FB20DF912.taxon	discussion	Utricularia subulataé uma planta de ampla distribuição mun - dial que tinha em Portugal continental os únicos locais de ocorrência na Península Ibérica. A última colheita da planta em território nacional data de 1967 e desde então não existem registos que confirmem a sua ocorrência, mesmo após vários esforços de prospeção dirigida. A área onde a planta ocorria foi sujeita a profundas transformações, destacando-se a plantação de extensas áreas de eucaliptal e pinhal, a drenagem de zonas húmidas, o aproveitamento agrícola e a invasão por espécies exóticas e outras infestantes, que tornam altamente improvável a sua sobrevivência atual nos locais de ocorrência histórica. Por estes motivos, avalia-se como Regionalmente Extinta. Sugere-se que seja mantido o esforço de prospeção na envolvente da sua área de distribuição histórica, incidindo em pequenas manchas de turfeiras que possam subsistir. Não havendo qualquer população próxima da nacional, com a qual pudesse partilhar um património genético, parece não ser relevante a sua reintrodução em território nacional.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEEFA5492424FF8EB7E8FD09.taxon	discussion	Thymelaea hirsuta é uma planta amplamente espalhada pela bacia mediterrânica, mas que em Portugal continental apenas era conhecida do Sotavento algarvio. A planta não é registada desde 1853, apesar de terem sido efetuadas prospeções dirigidas na envolvente das localidades de ocorrência histórica, pelo que é avaliada como Regionalmente Extinta. É possível que o seu desaparecimento esteja relacionado com as obras de regularização da foz do rio Guadiana e a expansão urbana da cidade de Faro, que poderão ter causado a destruição de indivíduos e profundas alterações no habitat. A ponderar-se a sua reintrodução, esta deverá ser feita com material genético proveniente de plantas do Sul de Espanha (Andaluzia).	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEECA54A22F5FF8EB2FBFDCF.taxon	discussion	Vicia tetrasperma é uma planta anual disseminada pela Europa e Ásia, mas em Portugal a sua ocorrência apenas estava assinalada para os arredores de Vila Nova de Gaia. Avalia-se como Regionalmente Extinta porque não é registada a sua ocorrência em Portugal desde 1883, mesmo após esforços de prospeção dirigida e porque se verificou uma significativa perda de habitat potencial ao longo do rio Douro.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEECA54A22F5FC3FB1EBF915.taxon	discussion	Wangenheimia lima é uma gramínea que foi colhida uma única vez em Portugal continental, nas margens do rio Douro, na freguesia de Ligares, em 1942. Desde essa data que nunca mais foi observada, apesar da prospeção dirigida nos dois anos do projeto da Lista Vermelha, que resultou infrutífera. A planta é avaliada como Regionalmente Extinta, uma vez que passaram mais de 70 anos desde o único registo confirmado da sua presença e houve profundas alterações de habitat, nomeadamente a submersão das margens do rio Douro devido ao enchimento da albufeira do Pocinho, na década de 90 do século XX. A planta ainda ocorre em estado selvagem tanto em Espanha como no Norte de África, sendo mesmo relativamente abundante nesses países. A possibilidade da sua reintrodução em Portugal deverá ser alvo de ponderação de benefícios. Recomenda-se manter a prospeção dirigida na bacia do rio Douro internacional, local onde ainda será possível um eventual reencontro da planta.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
545787EBFEBCA51A23FAFB1CB8A6F915.taxon	discussion	Centaurea crocata é um endemismo português, com distribuição restrita às montanhas do Sudoeste alentejano e algarvio, sensivelmente entre as serras de Cercal e de Monchique, habitando em matos de solos pedregosos ácidos. É uma espécie avaliada como Vulnerável porque apresenta uma extensão de ocorrência e área de ocupação reduzidas, identificam-se apenas seis localizações atuais e observou-se um acentuado declínio da área e qualidade do seu habitat ao longo das últimas cinco décadas, que permite também inferir um declínio continuado no tamanho da população. As principais pressões identificadas estão relacionadas com a atividade florestal, quer pela expansão dos povoamentos de eucalipto no passado recente, quer pelas ações de gestão destes povoamentos, que incluem práticas como o revolvimento dos solos. Outra ameaça é a expansão das exóticas, como háqueas e acácias, generalizada um pouco por toda a sua área de distribuição. Por se tratar de um endemismo ameaçado, esta planta deverá ser alvo de legislação específica que permita a sua proteção legal. Sugere-se a implementação de um plano de conservação específico, com enfoque na proteção dos núcleos populacionais conhecidos, na gestão seletiva do coberto vegetal de forma a travar a invasão de espécies exóticas e, em alguns locais, a dinâmica das biocenoses. Adicionalmente, devem ser desenvolvidas ações de conservação ex situ, incluindo preservação de património genético em banco de germoplasma e equacionar-se a reprodução em viveiro para eventuais ações de reforço populacional e criação de novos núcleos. Sugerem-se estudos dirigidos à melhoria do conhecimento da dimensão da população, autoecologia da espécie e monitorização dedicada.	pt	Andre Carapeto % Ana Francisco, Paulo Pereira, Miguel Porto (2020): Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Lisboa, ISBN: 978-972-27-2876-8, DOI: 10.5281/zenodo.18746749
